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Background of Participation in the LPP

5 The ‘Participatory Approach’ in the LPP

5.1 Background of Participation in the LPP

“(...) um paradigma é um modelo, um tipo exemplar, que se encontra em um mundo abstrato, e do qual existem instâncias, como cópias imperfeitas, em nosso mundo concreto” (Marcondes,2002, p.15). No presente estudo consideramos que a Pedagogia da Unidade poderá ser considerada como um novo paradigma da educação, pelo que iremos desenvolver uma breve exposição sobre paradigmas da educação, partindo do significado etimológico de paradigma e fazendo uma abordagem sintética nas perspectivas clássica e contemporânea.

O termo paradigma é originário do grego e significa modelo, exemplo, padrão, porém, vem sendo utilizado de diversas maneiras, provocando uma complexidade conceitual. A noção de paradigma pode ser estudada, no mínimo, em duas visões: no sentido clássico e no sentido contemporâneo.

Na visão clássica, o paradigma é de natureza filosófica, entendido como uma das versões da Teoria das Formas ou Ideias, de Platão. Empregado no sentido platônico, paradigma indica aquilo que é real, o ser enquanto causa determinante do que existe no mundo concreto, dele derivado.

Para abordarmos paradigma na visão contemporânea, consideramos de modo particular as contribuições teóricas de Thomas S. Kuhn (2003), Rafael Yus (2002) e Edgar Morin (1996).

Embora se refira a aspectos gerais do significado de paradigma, como “modelo ou padrão aceites” e “matriz disciplinar”, Kuhn (2003, p.218) esclarece em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas que usa o termo paradigma em dois sentidos diferentes:

a) de um lado, indicando toda “a constelação de crenças, valores, técnicas, etc..., partilhadas pelos membros de uma comunidade determinada”;

b) de outro, denotando “um tipo de elemento dessa constelação: as soluções concretas de quebra-cabeças que, aplicadas como modelos ou exemplos, podem substituir regras explícitas como base para a solução dos restantes quebra-cabeças da ciência normal”. Em síntese, um paradigma é aquilo que os homens de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma.

Edgar Morin (1996, p.287)oferece um conceito de paradigma que ultrapassa a proposta originária estabelecida pela linguística e pela definição de Thomas Kuhn, ao envolver a noção de relação. Nessa linha de pensamento, a definição de paradigma “(...) comporta um certo número de relações lógicas, bem precisas, entre conceitos; noções básicas que governam todo discurso”.

O autor acrescenta que “o paradigma primeiro impõe conceitos soberanos e impõe, entre esses conceitos, relações que podem ser de conjunção, de disjunção, etc (...), o que não contradiz a ideia de que, uma vez constituídas, as redes sejam mais importantes” (ibidem). Neste sentido, um paradigma privilegia algumas relações em detrimento de outras, o que faz com que controle a lógica do discurso. Morin considera ainda que esse tipo de relação dominadora seja a que determina o curso de todas as teorias, de todos os discursos controlados pelo paradigma. Trata-se de uma noção nuclear ao mesmo tempo linguística, lógica e ideológica.

De acordo com Rafael Yus (2002) paradigma é um conjunto de normas que define qual deve ser o comportamento e a maneira de resolver problemas dentro de alguns limites

definidos para que se possa alcançar êxito. Um paradigma pode condicionar a nossa “visão de mundo”, nossa perspectiva de abordagem de temas e o modo com o qual nos relacionamos com o mundo exterior. Quando um paradigma não consegue mais resolver as questões que vão surgindo, isto é, entra em crise, se faz necessário o surgimento de outro para que haja a mudança. A vida de um paradigma passa por três fases: uma etapa inicial de incorporação do tema, uma fase intermediária de ritmo rápido e produtivo, e uma fase de declínio, quando começa a deixar de ser útil. Mudando o paradigma, mudam-se as normas, e mudando as normas, mudam-se todas as outras coisas.

A transição de um paradigma a outro encontra muitos obstáculos e resistências. Os cientistas defensores de um determinado paradigma veem seus esforços de décadas de estudos questionados por uma “ciência extraordinária” que anuncia um mundo novo ainda em bases mais utópicas do que concretas. Toma-se o conceito de paradigma num sentido amplo, como uma constelação de crenças e valores que determina o modo de pensar e agir do homem de uma determinada época.

Falar em mudanças paradigmáticas é fazer referência a determinadas fases da história na qual ocorrem profundas rupturas no processo cumulativo da cultura humana. Esses momentos revolucionários geram uma nova maneira de analisar a realidade e uma nova compreensão da realidade. Há diferentes maneiras de fazer a leitura da realidade, a que estamos tratando é constituída pelo homem a partir de um modelo cultural hegemônico em um determinado momento histórico. Sendo assim, o conceito de ciências não é unívoco na história, em cada época houve sempre um esforço de um grupo de pensadores para constituir o que se denomina ciência, segundo o conceito histórico em que estava inserido. O consenso sobre o que é ciência se instaura quando os cientistas desenvolvem suas pesquisas a partir de um mesmo paradigma.

As mensagens que provém da sociedade moderna apresentam uma complexidade nova e crescente. A fragmentação atinge de modo particular, o saber, as ideias, o pensamento. Mundos culturais diferentes não interagem, mas fogem um do outro, esbarram ou até mesmo se chocam, gerando relações conflitantes no tecido social e em nível

“(...) Uma teoria não é o conhecimento; permite o conhecimento. Uma teoria não é uma chegada. É a possibilidade de uma partida. Uma teoria não é uma solução; é a possibilidade de tratar um problema” ( Morin 1990, p.256).

Desta afirmação entende-se que as teorias, os paradigmas são passíveis de mudanças, de transformações e, as crises são passagens, são apenas períodos de transição entre um paradigma e outro.

As últimas décadas do século XX foram marcadas por grandes e profundas transformações no campo científico, tecnológico, humanístico, etc, constituindo-se marco importante para a redefinição de paradigmas nos vários aspectos do agir humano. São graves as consequências para a estruturação do ser humano que vive e se desenvolve em uma sociedade desprovida de paradigmas, de modelos, a começar pela adaptação a inúmeras mudanças conceituais sobre a concepção de si mesmo e do mundo que lhe rodeia, a tudo que se refere ao ser e estar no mundo. Para que se possa iniciar um processo de reconstrução, o ponto de partida deve ser a conscientização, para que o ser humano se reconheça como principal alvo dessa crise de paradigmas (modelos) que tomou conta da sociedade atual.

Segundo Marcondes (2000, p.15), uma crise de paradigma se caracteriza como uma “mudança conceitual, ou uma mudança de visão do mundo, consequência de uma insatisfação com os modelos anteriormente predominantes de explicação”.

Assim chegamos ao ponto de abordagem dos paradigmas da educação e a permanente transição que os caracteriza, começando por olhar a escola. A escola, enquanto instituição social, talvez seja a que mais sofre as mudanças e transformações, uma vez que é ela quem forma e prepara os agentes provocadores dessas mudanças.

A discussão de modelos para uma educação centrada na pessoa, no educando, transitou, como fomos focando desde início, por diversas vertentes. Propostas advindas de pesquisadores, pedagogos das mais variadas correntes em relação aos modelos educativos foram sendo introduzidos no processo educativo.

No Brasil, de modo particular, considera-se como um dos marcos deste processo, os referenciados trabalhos do educador Paulo Freire (2001, p.16), desde seu “Método de Alfabetização de Adulto” (1962) e de suas diversas publicações como “Pedagogia do Oprimido” (1984), “Pedagogia da Esperança” (1992), “Cartas à Guiné-Bissau: registro de uma experiência em processo” (1977) entre outras obras, nas quais defende que o “ato de ensinar pressupõe o de aprender e vice-versa”.

Percebe-se que as mudanças previstas para uma “Nova Escola” apresentam desafios que devem considerar as atuais conjunturas sociais e políticas mundiais, provocadas pela globalização e, também, pelos novos conceitos que devem ser aprendidos pelos profissionais da educação, levando em consideração que são conceitos transitórios que exigem permanentes mudanças de atitude na mediação do saber para a construção do conhecimento.

1.5. As propostas de Educação que nos desafiam

Não se pretende como já mencionamos, oferecer a Pedagogia da Unidade como um modelo educacional estático, fechado, mas apresentar a importância metodológica do diálogo pluricultural como referência para a transformação da prática pedagógica em uma sociedade com um universo cultural extremamente rico e, ao mesmo tempo complexo e fragmentado.

Ao analisarmos a proposta pedagógica de Chiara Lubich, chamamos a atenção para a compreensão do conceito de educação, a partir da evocação de alguns autores e pesquisadores, para ilustrar a concepção por ela adotada.

A educação como libertadora, política e transformadora, defendida por Paulo Freire (2002), é também adotada e defendida pela Pedagogia da Unidade. Na concepção freiriana, educar é construir, é emancipar o homem do determinismo, é um modo de intervir no mundo, com o objetivo que ele possa reconhecer a sua função na História.