5 The ‘Participatory Approach’ in the LPP
5.3 Participation for Empowerment in the LPP
5.3.2 Capacity Building and Empowerment
referenciados trabalhos do educador Paulo Freire (2001, p.16), desde seu “Método de Alfabetização de Adulto” (1962) e de suas diversas publicações como “Pedagogia do Oprimido” (1984), “Pedagogia da Esperança” (1992), “Cartas à Guiné-Bissau: registro de uma experiência em processo” (1977) entre outras obras, nas quais defende que o “ato de ensinar pressupõe o de aprender e vice-versa”.
Percebe-se que as mudanças previstas para uma “Nova Escola” apresentam desafios que devem considerar as atuais conjunturas sociais e políticas mundiais, provocadas pela globalização e, também, pelos novos conceitos que devem ser aprendidos pelos profissionais da educação, levando em consideração que são conceitos transitórios que exigem permanentes mudanças de atitude na mediação do saber para a construção do conhecimento.
1.5. As propostas de Educação que nos desafiam
Não se pretende como já mencionamos, oferecer a Pedagogia da Unidade como um modelo educacional estático, fechado, mas apresentar a importância metodológica do diálogo pluricultural como referência para a transformação da prática pedagógica em uma sociedade com um universo cultural extremamente rico e, ao mesmo tempo complexo e fragmentado.
Ao analisarmos a proposta pedagógica de Chiara Lubich, chamamos a atenção para a compreensão do conceito de educação, a partir da evocação de alguns autores e pesquisadores, para ilustrar a concepção por ela adotada.
A educação como libertadora, política e transformadora, defendida por Paulo Freire (2002), é também adotada e defendida pela Pedagogia da Unidade. Na concepção freiriana, educar é construir, é emancipar o homem do determinismo, é um modo de intervir no mundo, com o objetivo que ele possa reconhecer a sua função na História.
Outro ponto importante do pensamento de Freire (1979) refere-se a uma nova educação, para o autor, esta só poderia ser possível com uma profunda mudança da sociedade, da política, da ética, do cotidiano dos indivíduos e dos grupos sociais. Seria, em outras palavras, uma educação “para a autonomia e para a capacidade de dirigir”, para formar cidadãos plenos, enfim, uma educação cidadã.
Encontramos consonância em relação ao entendimento de educação em Freire (1979), quando o autor avalia que a “educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana”, incluindo a diversidade cultural, a diversidade e a individualidade dos indivíduos, das várias etnias, dos povos e, ainda, a nossa identidade terrestre como ser humano.
O pensamento de Chiara Lubich alinha-se também com as ideias de Gadotti (2005) no que diz respeito a uma educação aberta e questionadora, a ideia da escola cidadã como espaço que favoreça a atuação e a formação do ser humano autônomo, independente, onde a pedagogia assume um papel importante, tendo em vista que a autonomia está associada à percepção crítica, a um posicionamento político diante da realidade vivida pelo cidadão.
Esta percepção de educação assumida pela Pedagogia da Unidade, isto é, a percepção da educação para a cidadania, para uma visão crítica diante da vida, é também defendida pelo estudioso Pedro Demo (1966, p.66), quando discute “Pobreza Política”, afirmando que:
“(...) educar não é produzir discípulos, asseclas8, cúmplices, mas sim outros educadores, de cuja capacidade de autonomia se nutrem para serem educadores”.
O conceito de educação abraçado pela Pedagogia da Unidade é aquele que permeia tanto a educação formal quanto a educação que é desenvolvida no dia a dia, nos contatos com as pessoas e nos processos sociais vividos por elas.
8 Asseclas – Partidários, sectários.
Para o pesquisador Moran (2001), existe uma diferença entre os conceitos de ensinar e educar. Em sua concepção,
“(...) educar é colaborar para que o professor e aluno – nas escolas e organizações – transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem” (Moran, 2001, p.12).
Ensinar então significa que os educandos devem ser apoiados para o desenvolvimento de habilidades e competências que possibilitem construir suas identidades, seus projetos de vida, tanto com relação ao aspecto pessoal quanto ao aspecto profissional, na perspectiva de se tornarem cidadãos realizados e produtivos.
“Educamos aprendendo a integrar em novas sínteses o real e o imaginário; o presente e o passado olhando para o futuro; ciência, arte e técnica; razão e emoção” (Moran 2001, p.13).
“(...) Ensinar é um processo social (inserido em cada cultura, com suas normas, tradições e leis), mas também é um processo profundamente pessoal: cada um de nós desenvolve um estilo, dentro do que está previsto para a maioria. A sociedade ensina. As instituições aprendem e ensinam. Os professores aprendem e ensinam. Sua personalidade e sua competência ajudam mais ou menos. Ensinar depende também de o aluno querer e estar apto a aprender em determinado nível (depende da maturidade, da motivação e da competência adquiridas)” (Moran 2001, p.13).
No Relatório Mundial sobre a educação para o futuro, Jacques Delors (1999, p.15), incentiva a superação das tensões para garantir uma educação que preserve “(...) os elementos essenciais de uma educação básica, que ensine a viver melhor, através do conhecimento, da experiência e da construção de uma cultura pessoal”.
Além disso, o Relatório apresentado por Jacques Delors (1999) chama atenção também para os quatro pilares da educação, que passamos a evidenciar.
“Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno das quatro aprendizagens fundamentais (...) aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão,
aprender a fazer para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar
e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente, aprender a ser, via essencial que integra os três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta” (Delors,1999, pp. 89, 90).
Entendemos que na Pedagogia da Unidade, estejam presentes os quatro pilares do conhecimento, evidenciados pela UNESCO no Relatório Mundial sobre a educação para o futuro (1999) e, contemporaneamente, se realizem ideias sustentadas pelos grandes nomes da história da Pedagogia, no que diz respeito à importância da educação na construção da sociedade fundada sobre relacionamentos autênticos e democráticos.
1.6. Entre a fragmentação do saber e a integração curricular
Ao longo dos séculos, o caminho trilhado pela humanidade, na tentativa de explicar e melhorar o mundo em que vivemos, originou uma civilização tecnológica e um relevante racionalismo, que parece sugerir tendências no sentido de uma visão mais dualista, fragmentada e mecanicista do ser humano, despojando-o da sua unidade.
Este processo encontrou terreno fértil para seu desenvolvimento também no campo da Educação. A ideia de que o conhecimento é feito por partes, de que a fragmentação facilita a compreensão do conhecimento, orientou, por exemplo, a elaboração de currículos básicos em certo número de disciplinas consideradas indispensáveis à construção do saber.
Contudo, o processo de humanização e civilização está em contínuo movimento, por esta razão, surgem novas ideias, conceitos, que não só representam esse movimento, mas o impulsionam. O constante desenvolvimento tecnológico e científico proporciona sempre em maior escala a fragmentação das ciências, as especialidades científicas, as quais são enfrentadas pelos homens em geral e, pelos educadores, em especial, em seu dia-a-dia. Essa fragmentação em grande escala, faz com que o homem se encontre despreparado para enfrentar problemas globais que exigem não só uma formação polivalente, mas uma formação orientada para a visão global da realidade e uma atitude contínua de aprender.
A escola, enquanto responsável pela promoção do promover o desenvolvimento e da formação do homem, ao defrontar-se com essa realidade, defronta-se também com a necessidade urgente de reorganizar-se. Surge, portanto a demanda cada vez mais clara