5. Disseny del projecte
5.2. Propostes didàctiques i recursos per treballar l’educació emocional en cada una de les àrees de l’Educació Primària segons
5.2.3 Llengua catalana, castellana i estrangera (anglès)
A complexidade do fenômeno pentecostal torna difícil a tarefa de nomear todas as possíveis razões de seu crescimento, sobretudo quando reconhecemos que existem relações causais de interdependência e interpenetração. Além disso, o estudo transpassa o campo meramente religioso, tornando obrigatória uma reflexão interdisciplinar, em áreas como psicologia, história, política e economia.
Facto inegável é que o crescimento das denominações pentecostais foi acelerado, realmente acelerado. Em 1970 eram cinco milhões e em 2000 eram 26 milhões88.
Tabela 2Crescimento pentecostal no Brasil
. Católicos Evangélicos 1970 85 milhões 5 milhões 1980 106 milhões 8 milhões 1991 122 milhões 13 milhões 2000 125 milhões 26 milhões
Fonte: Censos Demográficos 1991 e 2000.
87 Durhan foi o teólogo que estabeleceu a doutrina da salvação em duas etapas, incorporada pelo
pentecostalismo clássico (Burgess e MCGee, 1989, p.255-256).
88 O último censo do IBGE – Instituto Brasileiro de Estatística foi realizado no ano de 2010, porém até o
depósito desta tese na secretaria acadêmica os dados actuais não haviam sido publicados. A autora pretende actualizar estas tabelas antes da impressão definitiva da tese.
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Tabela 3Distribuição relativa da população por grandes grupos religiosos, 1991 e 2000.
. Grupo Religioso 1991 2000 Norte Católicos 84,2 71,3 Evangélicos 11,3 19,8 Sem religião 3,1 6,6 Outros 1,5 2,4 Total 100,0 100,0 Nordeste Católicos 89,2 79,9 Evangélicos 5,0 10,3 Sem religião 4,1 7,7 Outros 1,3 2,1 Total 100,0 100,0 Sudeste Católicos 79,4 69,2 Evangélicos 9,4 17,5 Sem religião 6,2 8,4 Outros 5,0 4,9 Total 100,0 100,0 Sul Católicos 83,6 77,4 Evangél icos 10,7 15,3 Sem religião 2,3 3,9 Outros 3,4 3,3 Total 100,0 100,0 Centro-Oeste Católicos 80,5 69,1 Evangélicos 10,7 18,9 Sem religião 5,0 7,8 Outros 3,8 4,2 Total 100,0 100,0 Fonte: Censos Demográficos 1991 e 2000.
Este crescimento coincidiu com as mudanças sociais pelas quais o Brasil passava e passa. A industrialização, a alteração da estrutura agrária e a migração interna fizeram aumentar a população da periferia. Criaram-se vastos contingentes de marginalizados. Havia populações em insegurança social. Para elas foi que o pentecostalismo trouxe sua mensagem,oferecendo salvação em meio ao caos (Dreher,1991,p.11).
[…] o fato de que o pentecostalismo surgiu em uma igreja negra de periferia, assumindo a tradição oral da cultura negra, preparou o caminho desse reavivamento. Os países nos quais o pentecostalismo mais se difundiu não tem forte tradição literária, mas oral. Dai ser importante ressaltar que o movimento pentecostal representa uma alternativa para uma teologia livresca, congelada em formas escritas. Ele da ao ser humano ‗oral‘ a mesma oportunidade dada ao académico. Ele possibilita a democratização da linguagem, eliminando os privilégios da sistemática conceitual abstrata e racional. Rompe-se a ditadura de determinado tipo de linguagem, considerado ortodoxo ou cientifico. Rompe- se o ‗sacerdócio geral de todos os crentes‘, fixado no papel para tornar-se realidade na oralidade89(Dreher,1999,p.200).
96 Primeiramente podemos apontar que as igrejas pentecostais surgiram como uma reação diante da incapacidade das igrejas tradicionais de se tornarem menos estáticas, amarradas a racionalidade do religioso que levaram a perda dos elementos ‗espirituais‘. Nesse sentido o surgimento do movimento pentecostal significa a recuperação do místico, do emotivo na vida religiosa. Deus deixa de ser um ser distante, racional, e se torna pessoal actuando diretamente no ser humano. Esse formato de religiosidade, mais próximo das emoções do que do credo, cristaliza-se em igrejas com pouca bagagem teológica e doutrinária, mas com um sentido destacado de proximidade com o ‗divino‘.
Podemos também destacar a relativa perda da capacidade de mobilização das massas por parte das igrejas tradicionais. Não se adaptaram ao processo de secularização tecnológica e à explosão do poder da mídia. Assim, tornou-se complicado para as igrejas históricas promoverem grandes mobilizações e manterem os templos cheios. Já não podem mais influir de maneira directa na vida dos membros e na fixação dos valores. Em contrapartida, por suas características mais populares e por serem mais ágeis nas tomadas de decisão (característica empresarial), observa-se que os movimentos pentecostais conseguem com facilidade a mobilização das massas. O resultado pode ser visto diariamente nos grandes locais de culto completamente cheios.
Outra razão a considerar no crescimento das igrejas pentecostais é decorrente de um traço cultural arraigado no povo brasileiro: a mania de tirar ‗vantagem‘ em tudo. Este aspecto ‗profano‘ é acompanhado, de forma invariável, pela procura de soluções fáceis a situações complexas. Tais vantagens podem ser inspiradas em motivos variados, como por exemplo, os financeiros, onde se pode ganhar dinheiro fácil ao ser ‗dono‘ de uma igreja, ou ainda por razões pessoais, no sentido de autopromoção e auto- afirmação. Do ponto de vista miraculoso, também é mais vantajoso e pratico receber uma ‗cura instantânea‘ do que ter que enfrentar um tratamento de saúde prolongado.
Observa-se ainda uma democratização do religioso, escassa nas igrejas históricas. Para ser um líder pentecostal não é necessário que se possua uma carreira acadêmica, aliás, nem sequer é necessário ser alfabetizado. Basta ser ‗chamado por Deus‘, uma capacitação especial e pessoal, um ‗chamado divino‘ que não pode ser indeferido por nenhum homem. Diferentemente dos líderes em igrejas tradicionais que muitas vezes parecem distantes das carências e problemas reais da comunidade, os líderes pentecostais, oriundos do mesmo meio, tem uma compreensão do sentido da vida, dos sofrimentos e aspirações de seus membros, e isto se torna um
97 conhecimento poderoso no trato da comunicação e influência. Conseguem afetar muito mais profundamente seus ouvintes. Em virtude do ‗miraculoso‘ tais pastores tem a facilidade de representarem uma mediação mais efectiva entre o ‗céu‘ e a ‗terra‘. Eles falam a linguagem do povo são gente do próprio povo entendendo suas necessidades e falando aquilo que o povo quer e gosta de ouvir. Confrontam-se tal facto a frieza e distância litúrgica importada das culturas anglo-saxônicas comum às igrejas históricas, que custam a se adaptar à cultura brasileira, e percebe-se como as igrejas pentecostais obtém sucesso.
Ainda, a carga em elementos emocionais da religião oferece participação mais efectiva ao universo feminino. Enquanto as igrejas tradicionais colocam o masculino o altar, o mundo pentecostal rompe a barreira do género e abre reais possibilidades à mulher na igreja. Elas deixam de ser figurantes e passam a ser líderes, pastoras. Ao receberem cargos, roupagem especial e tempo de audição obtêm publicamente um ‗valor‘ reconhecido.
No que toca a ênfase emocional, observa-se também que as igrejas pentecostais se pautam fortemente na valorização da música, em todas as suas manifestações. Grande parte da música utilizada esta ligada intimamente ao gosto do grupo. A liberdade litúrgica que surge nos sentimentos acrescidos da música, da presença do ‗sagrado‘ e da participação efectiva do grupo, fazem do culto pentecostal um momento de democracia religiosa. Por vezes extremamente ruidoso, porém um momento onde todos participam em igualdade e fazem parte do mágico, o sagrado e mágico esta em cada um.
Sem dúvida o crescimento do movimento pentecostal esta conectado a formação religiosa do povo brasileiro. Por quatro séculos se estabeleceu uma forma de catolicismo, chamada de popular, com características essencialmente leigas. Por razões históricas, o modo de expressar religiosidade foi cultivadas sem a presença efectiva da Igreja Católica romana, a religião oficial90. Desta forma, crendices populares, tradições indígenas e africanas foram justapostas a um catolicismo de origem medieval, resultando numa manifestação cultural-religiosa difícil de ser desarraigada.
90 Sobre o catolicismo no Brasil ver: Sobral, José Joaquim (1984) (ed) Religiosidade Popular e
Misticismo no Brasil. São Paulo: Paulinas; Azzi, Rolando (1987) A Cristandade Colonial: mito e ideologia. Petrópolis: Vozes; Mainwaring, Scott (1986) The Catholic Church and politics in Brasil: 1916-1985. Stanford: Stanford University Press; Bruneau, Thomas (1974) The political transformation of the Brazilian Catholic Church. New York: Cambridge University Press.
98 Esta expressão de religiosidade sincretista leiga, gerada a partir de irmandades, confrarias e organizações de caridade, promovem ainda hoje o ritmo do comportamento religioso do povo brasileiro. Assim, quando as igrejas pentecostais valorizam a participação leiga, elas se dirigem ao encontro das tradições religiosas mais profundas. As camadas populares sentem uma ‗atração magnética‘ a esta religiosidade expressa sem estruturas institucionais fortes que dividem o povo do ‗clero‘. O culto é para todos e todos devem participar em condições de igualdade. Em virtude do catolicismo popular observa-se a valorização pentecostal nos elementos comuns do dia-a-dia, que ao receberem uma determinada ‗unção‘, se tornam sagrados. Uma fotografia, um copo com água, uma flor, as chaves de casa ou do carro, óleo, uma peça de roupa, um pedaço de papel são manipulados como escudos protetores, como mediadores de salvação, e não a igreja institucional em si.
Por último destacamos a prontidão das igrejas pentecostais em lidar com dificuldades existenciais. Nos momentos de crises pessoais, como doenças, desemprego, decepções afectivas, quando a pessoa torna-se mais vulnerável, independendo de sua condição social ou financeira, é-lhe feito um convite para participar primeiramente de um culto de ‗libertação‘, oferece-lhe num momento a hipótese de alcançar imediatamente a solução para seu problema ou aflição. Na igreja tradicional soluções são vislumbradas num futuro distante, muitas vezes de carácter eterno, num céu distante, com um deus inatingível. Por este motivo muitas pessoas filiam-se a igrejas pentecostais por receberem, mesmo que de forma psicológica, paliativa ou temporária, solução para seus problemas. É certo que muitos são literalmente exploradas em sua vulnerabilidade e ingenuidade e muitas vezes abandonam esta ou aquela denominação à procura de soluções em outra, isto nota-se pela grande fluidez entre os membros e pela concorrência ferrenha entre algumas denominações auto intitulando-se a mais ‗santa‘ a ‗melhor‘ na oferta de benefícios materiais ou espirituais.