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Living Apart, Living Together

In document Working off shore (sider 39-49)

3.1. A filosofia da linguagem de Eugenio Coseriu constitui-se como um campo reflexivo que delimita os conceitos fundamentais ligados à linguagem, estuda a sua relação com o pensamento, estabelece a essência da linguagem e o seu lugar entre os fenómenos que manifestam a essência do homem:

“Sabemos muito mais que Aristóteles ou Hegel sobre as línguas, e também sobre o

funcionamento da linguagem em geral, mas entendemos muito menos a linguagem.”134

A distinção entre o “saber sobre” e “entender” a linguagem, apresenta dois lados cognitivos coexistentes, um contém a distância necessária entre o sujeito cognoscente e o objecto de conhecimento, o outro refere-se à actividade de criação mental do fenómeno na sua manifestação e visa um primeiro momento filosófico necessário para um saber adequado135, científico. O seu discurso filosófico concentra-se no entendimento da linguagem e abrange, ao nível cognitivo, o espectro da actividade humana. Face a outros filósofos da linguagem, Coseriu distancia-se das suas teorias ao considerar que a realidade da fala exige uma revitalização do traço antropocêntrico formulado pela célebre máxima do sofista Protágoras de Abdera:

“O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas

que não são, enquanto não são.”136

134 Idem, “A linguagem e a compreensão da existência do homem actual”, O homem e a sua

linguagem…& 3.3.2, p. 46.

135 “Cum vero id omne quod notitiam distinctam ingreditur, rursus distincte cognitum est, seu cum

analysis ad finem usque producta habetur, cognitio est adequata, cujus exemplum perfectum nescio an homines dare possint.” G. W. LEIBNIZ, “Meditationes de Cognitione, Veritate et Ideis”, Die

philosophischen Schriften, Berlin, Georg Olms Berlagsbuch handlung, 1980, vol. 4, p. 423. “Quando

posso reconhecer uma coisa entre outras, sem poder dizer em que consistem as suas diferenças ou propriedades, o conhecimento é confuso. Assim conhecemos por vezes claramente, sem de modo algum duvidar, se um poema ou até um quadro está bem ou mal feito, porque há um não sei quê que nos satisfaz ou nos choca. Quando, porém posso explicar as notas que tenho, o conhecimento chama-se distinto. […] Mas quando tudo o que entra numa definição ou conhecimento distinto é conhecido distintamente, até às noções primitivas, chamo adequado a esse conhecimento. E quando o meu espírito compreende ao mesmo tempo e distintamente todos os ingredientes primitivos de uma noção, tem dela um conhecimento intuitivo.” Idem, Discurso de metafísica, Edições 70, 1995, pp. 60-61.

136 “Of all things the measure is man, of existing things that they exist and of non-existing things that

they exist not.” PROTAGORAS in Sextus EMPIRICUS, against the Logicians, trad. rev. R. G. Bury, Litt.

ou no verso de Terêncio:

“Sou homem e tudo o que é humano não me é estranho.”137

Para Coseriu, o “homem medida” torna-se a linguagem medida, não como linguagem-objecto, mas como actividade contínua de criação de tudo o que para ele existe. A linguagem é a medida humana das coisas “tais quais são” quando se respeitam as leis universais do pensamento e se usam as mesmas intuições da linguagem materna, tal como é a medida das coisas “como não são” na dialéctica da criatividade individual que ultrapassa as intuições dadas pelo conhecimento linguístico comum, mas entendíveis numa novidade criativa, uma negação que afirma, uma vez mais, a criatividade humana ao nível cultural do “saber expressivo”. Visto através da complexidade da linguagem, o “saber” é profundo e diversificado:

“Considerado na sua essência, o saber linguístico é um saber fazer, isto é, um saber técnico.”138

Na linguagem “os objectos” ou “as actividades” não residem como “objectos” ou “actividades” como tal, o saber linguístico geral e intuitivo, semelhante ao conceito heideggeriano de pré-compreensão139, cria-os e organiza-os nos conteúdos semânticos da língua falada.

texto é igualmente referenciado com o título Adversus Mathematicus, VII, 60. “Também Protágoras

pretende que el hombre e medida de todas las cosas, de las que son en cuanto son e de las que no son en cuanto no son, y llama medida al criterio, cosas a las realidades, de manera que podría afirmar que el hombre es el criterio de todas las realidades, de las que son en cuanto son e de las que no son en cuanto no son.” citado por M. UNTERSREINER, Sofisti. Testimonianze e frammenti, Firenze, 1961, vol. I, p. 79

apud Angel J. CAPPELLETTI, Protágoras: Naturaleza y cultura, Biblioteca de la Academia Nacional de la Historia, Caracas, 1987, p. 92.

137 “Homo sum: humani nihil a me alienum puto” Réplica da personagem Chremes na primeira cena do

primeiro acto da comédia Heautontimorumenos de Terêncio. TERENCE, Heautontimoroumenos -

Phormion, texte établit et traduit par J. Marouzeau, Paris, Société d’Édition «Les Belles Lettres», 1956,

p. 23.

138 “Considerado en su índole, el saber lingüístico es un saber hacer, es decir, un saber técnico.” Eugenio

COSERIU, “Lengua abstracta y lengua concreta, Sincronía, diacronía e historia…, p. 58.

139 “Dasein is ontically constituted by Being-in-the-World, and if an understanding of the Being of its

Self belongs just as essentially to its Being, no matter how indefinite that understanding may be, then does no Dasein have an understanding of the world-a-pre-ontological-understanding, which indeed can does get along without explicit ontological insights?” Martin HEIDGGER, Being and Time, London,

Blackwell, 2005, p. 102. “Admittedly, when what the discourse is about is heard ‘naturally’ we can at

the same time hear the ‘diction’, the way in which it is said [die Weise des Gesagtseins], but only if there is some co-understanding before-hand of what is said-in-the-talk; for only so is there a possibility of estimating whether the way in which it is said is appropriate to what the discourse is about thematically.” Ibidem, p. 207.

“O saber linguístico – o saber falar e entender a fala – não é um saber teórico, quer

dizer que não pode justificar-se, motivar-se ou, pelo menos, não pode motivar-se em todas as suas partes.”140

A construção da identidade humana principia e desenvolve-se continuamente com a linguagem. O ser humano torna-se “homem” através da faculdade de criação da linguagem, denominada por Coseriu “saber elocucional” como “saber falar em geral, independentemente duma língua”141 que une a faculdade de falar ao nível mais profundo e universal do pensamento humano.

“Existe um saber elocucional, normas da fala em geral, dum lado, normas do

pensamento em geral, do outro, normas determinadas do conhecimento das coisas, do conhecimento do mundo”142.

A visão do homem medida, interpretada como “linguagem medida” é amplificada no Renascimento ao nível do conhecimento na construção do “uomo universale” que manifesta a sua criatividade em todos os domínios da arte, ciência, técnica e política, medida continuada e focalizada sobre a faculdade da razão na época das Luzes e continuamente diversificada na modernidade até hoje onde cada um é, sem saber e ter consciência disso, um “uomo universale” no sentido básico que fala ao mesmo tempo muitas “línguas funcionais”. A filosofia da linguagem de Coseriu surpreende a universalidade do indivíduo sem se limitar a um livro, é toda uma biblioteca com fontes e dados informacionais do conhecimento do mundo em várias realidades culturais e sobretudo com leitores; não se limita a uma disciplina de ensino entre tantas outras, mas é o ensino na sua totalidade com as experiências individuais de vida, domínios de estudo, com todos os conhecimentos linguísticos das línguas funcionais faladas pelos alunos e professores.

3.2. Para Coseriu as duas condições constitutivas essenciais da linguagem são a energueia, manifestada na actividade da fala, e a alteridade da linguagem, isto é, “falar-um-com-o-outro”. Estas duas realidades determinam o binómio do conteúdo do

140 “El saber lingüístico – el saber hablar y entender lo hablado – no es un saber teórico, es decir que no

puede justificarse, motivarse o, por lo menos, no puede motivarse en todas sus partes.” Eugenio

COSERIU, “Lengua abstracta y lengua concreta, Sincronía, diacronía e historia…, p. 58.

141 “A şti să vorbeşti în general, independent de o limbă determinată, de o anumită limbă.” Idem,

“Competenţa lingvistică”, Prelegeri şi conferinţe..., p. 33.

142 “Există o competenţă elocuţională, norme ale vorbirii în general, norme, pe de o parte ale gândirii în

general, pe de lată parte, norme determinate de cunoaşterea lucrurilor, de cunoaşterea lumii.” Ibidem,

pensamento e a sua expressão material na criação e modelação contínua, “segundo uma técnica determinada e condicionada historicamente” 143, denominada língua.

“Ao mesmo tempo, o estudo da linguagem como “língua” permite-nos separá-la dos

condicionamentos e fins ocasionais dos actos de falar como possibilidades, não como essência da linguagem.”144

Dum lado existe a realidade ontológica da fala e, do outro, a operação gnosiológica da língua. Esta distinção é vital e evita uma série de equívocos que orientam a pesquisa e a interpretação da língua para além da sua essência. Eugenio Coseriu especifica claramente quais os perigos inerentes à ausência desta distinção, e neste sentido entende-se melhor porque é que a sua filosofia não segue o caminho das outras filosofias da linguagem:

“O perigo de passar por alto sobre a relação da linguagem com o extra-linguístico e de

esquecer o facto importante que a linguagem, apesar da sua autonomia, é, precisamente, uma forma de conhecimento da “realidade” extra-linguística.” 145

As teorias da referencialidade operam com a linguagem como “instrumento” da comunicação inter-humana entre tantos outros não-verbais. Através da fala, estabelece-se a referência mental com a realidade extra-linguística. Esta interpretação governa o mundo actual e pertence tanto ao senso comum como à teoria da linguagem que utiliza métodos exactos e tecnologias muito avançadas. Ferdinand de Saussure no seu célebre Curso de linguística geral146 considera que, através da fala, o pensamento se refere às coisas que existem fora do sujeito e o próprio sujeito humano é percebido na sua corporalidade. Coseriu situa-se na circunstância peculiar que, longe da “coisificação” da linguagem, como instrumento, esta se institui primeiramente como uma forma fundamental e necessária de conhecimento. Antes de comunicar algo ou sobre algo, aquele algo deve existir como designação e significado. O questionamento é complexo: qual é a relação entre o que existe, o que é criado e o que é conhecido? Os objectos têm uma existência em si ou têm uma existência para o homem? Como se

143 Idem, O homem e a sua linguagem…, p. 19. 144 Ibidem, p. 20.

145 Ibidem.

146 Ferdinand de SAUSSURE, Curso de linguística geral, Lisboa, Dom Quixote, 1999. A visão

antinómica dos conceitos saussureanos “langue” e “parole” é desconstruída por Coseriu, mostrando que não existe nenhuma antinomia entre a língua e a fala, uma vez que não se encontram ao mesmo nível e no mesmo paradigma. Eugenio COSERIU, “Sistema, norma y habla”, Teoría del lenguaje y lingüística

conjugam na vida social a tradição com a criação da linguagem? O conhecimento tem uma existência em si, objectiva? É determinado pela experiência empírica do sujeito, é uma descoberta de algo que existe ou é algo criado pelo sujeito? Uma profusão de perguntas que convergem na pergunta central: como é possível relacionar todas estas suposições num discurso interpretativo? Coseriu considera que o mundo é conhecido através da linguagem, não no sentido de acesso às realidades extra-linguísticas, onde se manifesta a dimensão pragmática de agir e reagir conscientemente do ser humano, mas como criação da “realidade” na dimensão semântica. A maneira como os falantes se relacionam entre eles e com tudo o que existe determina para as mesmas realidades extra-linguísticas um conhecimento linguístico distinto. O conhecimento do mundo ao nível da linguagem constitui a intuição essencial do mundo na sua totalidade com um papel principal na formação do homem como tal. Esta realidade ontológica da linguagem sempre presente enriquece-se linguisticamente com novos elementos que estruturam semanticamente a experiência individual da vida, facilitando a assimilação da cultura e das tradições dos antepassados, realidades espirituais que determinam a integração do indivíduo na comunidade e projectam o sentido do seu destino.

“O perigo de sumariamente rejeitar ou simplesmente ignorar a concepção “ingénua”

da linguagem, a concepção própria dos falantes […], já que a linguagem não funciona para os linguistas e pelos linguistas, mas, precisamente, para os falantes e pelos falantes.”147

A criação permanente da linguagem determina inconscientemente os falantes a senti-la como algo que lhes pertence e, como tal, cada um pronuncia a sua “verdade” existencial sobre a linguagem, uma vez que através da sua língua “vive dentro” da língua de todos os outros. A linguagem estrutura mentalmente o mundo, tal como os conhecimentos exactos, científicos, as vivências, os actos intencionais, qualquer atitude humana activa, religiosa, supersticiosa, os sentidos dos preconceitos, vivificando todas as faculdades do ser. A língua não se pode isolar dos seus criadores para os quais funciona. Os intérpretes da linguagem devem ter em atenção as acepções da mentalidade popular sobre as palavras, expressões idiomáticas, as histórias vivas que mantêm a crença na sua fala, no comportamento, nas tradições, nas acções, na criatividade poética. O investigador da linguagem deve iniciar o seu estudo pela fala e pelo modo como os falantes se relacionam com a língua.

“O perigo de confundir ou equiparar a generalidade empírica do que se observa nas

línguas com a universalidade da linguagem.”148

Frequentemente fica-se como que preso aos exemplos vivos oferecidos por situações concretas da fala (ou textos) e a partir daí, num processo de indução entendida como “o princípio segundo o qual deve-se partir das partes para o todo”149, estabelece-se a generalidade dos factos, comparam-se os resultados obtidos no estudo de várias línguas e, ao nível da generalidade empírica, considera-se compreensível a universalidade da linguagem. Esta forma de pesquisa científica das realidades humanas segue as ciências da natureza e está na base do método comparativo da linguística do século XIX, que identificou as leis linguísticas como leis históricas que vigoram num determinado tempo e espaço geográfico. Para Coseriu, a linguagem entendida na sua universalidade supera a generalidade empírica e impõe-se como um traço especificamente humano.

“O perigo de sobre-estimar a diversidade das línguas, […] na realidade, toda a língua

constitui, sem dúvida, um sistema historicamente específico, mas específico dentro do universal da linguagem, de maneira que cada língua é, como já o percebeu Humboldt, uma chave para todas as outras.”150

A diversidade das línguas conduz à unidade da realidade da fala e, relacionando a individualidade da manifestação com a essência do fenómeno, o entendimento abre-se ao nível superior. Falar uma língua significa ter abertura para o entendimento dos outros povos através das manifestações humanas comuns. A percepção objectual da linguagem como produto finito e material, algo recebido e transmitido, mostra as diferenças entre os idiomas e especifica os traços culturais duma língua histórica, mas não define a essência da linguagem. A língua estabelece relações interpessoais, sociais, políticas e permite o relacionamento entre os povos, por vezes considerados inimigos exactamente porque falam outra língua ou a situação dos povos denominados “bárbaros” pelo facto de apenas balbuciarem, sem atingirem o estádio da fala, como encontramos nalgumas interpretações:

148 Ibidem.

149 “Muitas pessoas acreditam que a verdade desses enunciados universais é «conhecida através da

experiência»; contudo, está claro que a descrição de uma experiência – de uma observação ou do resultado de um experimento – só pode ser um enunciado singular e não um enunciado universal […] Se desejamos estabelecer um meio de justificar as inferências indutivas, deveremos, antes de tudo, procurar determinar um princípio de indução. Tal princípio seria um enunciado capaz de auxiliar-nos a ordenar as inferências indutivas em forma logicamente aceitável.” Karl R. POPPER, A lógica da pesquisa científica, trad. por Leónidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota, São Paulo, Editora Cultrix, 1972,

p. 28.

“Por isso os Gregos consideravam os estrangeiros como «balbuciantes» – é esta a

origem do afortunadíssimo termo bárbaro – cuja fala não era considerada linguagem de homens, mas chilrear dos pássaros.”151

Interpretação não aceite por Coseriu, que interpreta os bárbaros como não gregos, estrangeiros ou aqueles que não falam bem grego:

“Assim, para “falar esta ou aquela língua”, os gregos empregavam verbos especiais

(ἁττικίζειν [“falar língua”], ἐλληνίζειν [“falar grego”], βαρβαρίζειν [“falar como estrangeiro ou “falar mal uma língua (em especial o grego)].”152

A mesma percepção material situa no pólo oposto a luta “política” pela pureza da língua. O ponto de vista coseriano elucida como cada homem fala na sua língua a língua de todos, a língua do ser humano, “dentro e fora” das determinações históricas e geográficas. A sabedoria prática da língua falada reside na compreensão de que a primeira chave ao nosso alcance para o entendimento de outros povos e culturas é precisamente a nossa própria língua, através da qual o ser se abre para o outro com todas as suas virtualidades criativas.

“O perigo de entender as línguas como produtos estáticos e deixar de considerar a

linguagem como produção.”153

A teoria do código da língua identificado na base da criação duma mensagem ilustra uma outra face da interpretação objectual da linguagem. O “código”, visto como algo exterior, inscreve a produção linguística numa matriz predefinida, similar ao dogma da predestinação de Calvino154, no sentido em que a manifestação humana é censurada, não se pode exprimir livremente.

3.3. Para Coseriu a linguística geral155 é a ciência que estuda a linguagem na sua essência, nos seus aspectos gerais sem referências limitadas a uma determinada língua. Por vezes identificada com a filosofia da linguagem, Coseriu considera no entanto

151 Antonino PAGLIARO, A vida do sinal, trad. de Aníbal Pinto de Castro, Lisboa, Fundação Calouste

Gulbenkian, 1983, p. 21.

152 Eugenio COSERIU, O homem e a sua linguagem…, p. 19 153 Ibidem, p. 21.

154 J. Calvin relaciona a vontade livre do homem com a predestinação, doutrina criada à volta duma

polémica com Jérôme Bolsec em 1551. De aeterna Dei praedestinatione, qua in salutem alios ex

hominibus elegit, alios suo exitio reliquit; item de providentia qua res humanas gubernat, Consensus pastorum Genevensis ecclesiae, a Io. Calvino expositus, in Wulfert de GREEF, The Writings of John Calvin expended edition. An Introductory Guide, translated by Lyle D. Bierma, London, Westminster

John Knox Pr., 2008.

155 “La ciencia que estudia el lenguaje en su esencia y en sus aspectos generales, sin referencia a una

lengua determinada, se llama lingüística general, y a veces se identifica con lo que se llama más propiamente filosofía del lenguaje.” Eugenio COSERIU, Introducción a la lingüística…, p. 17.

preferível evitar esta identificação, pois cada uma delas adopta um ponto de vista diferente:

“A filosofia da linguagem não estuda a linguagem em si e por si, mas na relação com

outras actividades humanas, em primeiro lugar com o pensamento e por esta razão estuda especialmente a semântica ou a ciência da significação, tentando estabelecer a essência e o lugar da linguagem entre outros fenómenos que exprimem a essência do homem.”156

“O que é a linguagem?”, pergunta que persiste em toda a filosofia da linguagem. A linguística estuda a maneira como se manifesta a linguagem nas suas formas históricas, isto é, as línguas. A filosofia da linguagem tem na base uma concepção filosófica através da qual aborda as realidades linguísticas concretas, não tendo uma finalidade descritiva ou classificadora dos factos linguísticos. A linguística geral assume uma orientação contrária, inicia-se com os fenómenos linguísticos concretos, opera uma sistematização e só depois estabelece as características gerais, utilizando a pesquisa realizada pelas linguísticas particulares que estudam as línguas.

Para Coseriu, a filosofia é a ciência que questiona a essência da essência, o quid do quid num sentido cognitivo157. Após estabelecer a maneira geral de ser de um determinado tipo de objectos, levanta a hipótese de qual será o princípio, a essência, a justificação desta maneira de ser particular. Relativamente à linguagem, o problema filosófico pode ser colocado através da pergunta: “O que significa ser…” uma determinada realidade linguística: palavra, língua, designação, significado, sentido…? E o problema da essência da essência só pode ser determinado pela reductio aos princípios, à motivação originária, isto é, à pergunta fundamental: “Porque é que existe linguagem?”158, numa delimitação de outras realidades culturais que têm ligação com a linguagem e algumas características comuns a esta, como a arte que se apresenta como expressividade ou a actividade prática que utiliza a linguagem como instrumento e o pensamento racional.

156 “La filosofía del lenguaje se funda sobre una concepción filosófica determinada, y sólo en relación

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