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Concluding Remarks – 'We Have to Show We’re Worth It'

In document Working off shore (sider 95-105)

Wilhelm von Humboldt (1767-1835) que marca o pensamento linguístico265, introduzindo na sua problematização filosófica as razões fundamentadoras da cultura linguística, é um dos mais referenciados filósofos da linguagem na obra coseriana. Abordando a essência da linguagem, Humboldt ultrapassa, sem renunciar a elas, as coordenadas temporais, espaciais, de mentalidade, todas estas ligadas ao fenómeno humano e revela o papel criativo, construtivo e cognitivo da linguagem. À pergunta “porque é que se considera Humboldt o fundador da linguística moderna?”, a resposta é dada pela subtileza do seu discurso sobre a condição humana no seu contexto histórico e especialmente na sua manifestação cultural activa, as línguas vivas. Humboldt reflecte sobre a relação entre existência individual, colectiva e a linguagem, discursa sobre a dualidade eu-tu266, o que Coseriu vai denominar alteridade, sobre as formas linguísticas e acentua o contributo essencial da energueia na constituição destas267. A sua visão muda os dados interpretativos da língua, que não é vista como o resultado dum povo, mas antes, este é o resultado duma língua, da sua forma interna que desenvolve forças

265 Eugenio COSERIU, “Humboldt und die moderne Sprachwissenschaft”, in Energeia und Érgon.

Sprachliche Variation – Sprachgeschichte – Sprachtzpologie. Studia in honorem Eugenio Coseriu, eds.

Jörn Albrecht, Jens Lüdtke e Harald Thun, Tübingen, Gunter Narr Verlag, 1988, pp. 3-11.

266 “Al hablar del dual, Humboldt, dice que el lenguaje tiene en su raíz una dualidad, la exigencia de un tu.”

Jose Maria VALVERDE, Guillermo de Humboldt y la Filosofia del Lenguaje, Madrid, Editorial Gredos, 1955, p. 35.

267 Cf. o terceiro parágrafo do oitavo capítulo sobre a forma das línguas (Form der Sprachen) no seu

estudo introdutório à obra sobre a língua falada na ilha Kavi (Einleitung zum Kawi-Werk): “Die Sprache,

in ihrem wirklichen Wesen aufgefaßt, ist etwas beständig und in jedem Augenblicke Vorübergehendes. Selbst ihre Erhaltung durch die Schrift ist immer nur eine unvollständige, mumienartige Aufbewahrung, die es doch erst wieder bedarf, dass man dabei den lebendigen Vortrag zu versinnlichen sucht. Sie selbst ist kein Werk (Ergon), sondern eine Tätigkeit (Energeia). Ihre wahre Definition kann daher nur eine genetische sein. Sie ist nämlich die sich ewig wiederholende Arbeit des Geistes, den artikulierten Laut zum Ausdruck des Gedanken fähig zu machen.“ Wilhelm von HUMBOLDT, Schriften zum Sprache,

Stuttgart, Philipp Reclam jun., 2000, p. 36. [“A língua, percebida na sua verdadeira essência, é algo duradouro e em cada momento transitório. Mesmo a sua preservação pela escrita é apenas uma memória incompleta, uma conservação mumificada que se procura primeiramente, novamente, através desta, que implica a procura duma percepção do discurso vivo. Ela própria não é uma obra (Ergon) mas uma actividade (Energeia). A sua verdadeira definição só pode ser genética. Ela é, nomeadamente, o trabalho do espírito que se repete infindavelmente para tornar possível que o som articulado seja uma expressão do pensamento.”]

criativas268. Neste sentido “qual será o valor ontológico e axiológico da língua na acepção humboldtiana?” O valor duma língua é dado pela pertença do indivíduo a uma comunidade cultural, ao facto de que fala a língua duma comunidade e, através dela, se integra. A sua obra-prima, A diversidade da linguagem humana – a sua estrutura e influência sobre o desenvolvimento mental da humanidade269, publicada postumamente em 1836, é considerada o marco delimitativo da modernidade na linguística, expressão consciente e clara do carácter da diversidade de expressão num infindável número de variações que caracterizam as línguas. A diferença de expressão ao nível material indica uma unidade nesta diversidade que evidencia a identidade interna de conteúdo humano. A constante da linguagem será material e estática, ou activa e dinâmica? Questiona-se em que medida o estudo das variantes linguísticas indica o rumo próprio duma língua e como a forma viva do seu uso conduz o passado estruturado na tradição, ao presente da sua actualização linguística, um outro momento histórico de passagem sem o qual nada existe e no qual germina a projecção desta na concretização futura das suas virtualidades, para uma história que está por vir. Esta tarefa de pensar a língua numa história não descritiva, mas ligada à essência humana, que articula os seus modelos mentais às realidades construídas pelo ser humano, incitou o pensamento de inúmeros linguistas do século XX, entre os quais Eugenio Coseriu.

A primeira distinção operada por Humboldt e evidenciada por Coseriu como uma abertura frutuosa para o pensamento linguístico moderno é dada pela forma exterior e a forma interior270 das línguas, formas potenciais e activas dotadas da capacidade criativa de gerar outras formas culturais, não se limitando apenas aos elementos linguísticos e revelando sempre a expressão do pensamento. Em Humboldt, o conceito de forma é dado pela oposição entre a linguagem como energueia e érgon271, acentuando o valor

criativo da primeira na contínua criação e modelação das leis linguísticas. Todas as

268 “This is natural and everywhere recurring phenomenon of human action. Everything in it was at first

internal – feeling, desire, thought, decision, speech and act.” Idem, “The course of man’s development”,

in idem, On Language. The diversity of human language-structure and its influence on the mental

development of mankind, translated by Peter Heath, with an introduction by Hans Aarsleff, Cambridge,

Cambridge University Press, 1988, p. 23.

269 Idem, Über die Verschiedenheit des menschlichen Sprach-baues and ihren Einfluß auf die gestitge

Entwicklung des Menschengeschlechts, 1836.

270 Eugenio COSERIU, “Raïces humboldtianas de la lingüística moderna”, Tradición y novedad en la

ciência del lenguaje…, p. 139. “«forma internă» a lui Humboldt este în mod stric structura semantică proprie fiecărei limbi, adică exact contrarul structurii de adâncime designative şi preidiomatice.” Idem, Lecţii de lingvistică generală, Cernăuţi, Editura Arc, 2000 nota 46, p. 135.

271 „La oposición entre el lenguaje como enérgeia y el lenguaje como ergon”, idem, “Raïces

línguas ilustram a faculdade da linguagem humana272 e por conseguinte, neste nível de entendimento filosófico cada língua apresenta o espírito humano no seu todo273.

Evidenciou a existência, ao nível interpretativo, da oposição entre o sistema da língua, com a sua historicidade, organização lexical e gramatical, e as situações concretas da fala274. A substancialidade do conceito de “forma” na acepção humboldtiana une o lado material fonético275 com a totalidade das impressões dos nossos sentidos e com a actividade mental. A conjugação deste lado substancial com o lado intelectual da linguagem, a actividade e a organização mental no seu poder de construção linguística conduz ao reconhecimento “da essência cognoscitiva da linguagem e do seu carácter de objectivação do conhecimento”276. Humboldt considera o conceito de forma da língua com valor relacional que, embora corresponda a uma definição ligada à substância277, permite igualmente várias utilizações, entre as quais Coseriu exemplifica a língua como forma de apreensão da realidade extra-linguística278, aquilo que toma uma forma e se constitui como tal279 e especialmente a forma em parceria de auto constituição,

272 “«Todos los idiomas, sin excepción, se reencuentran y las particularidades más divergentes entre sí

se reúnen en la faculdad del lenguaje del hombre […]»”, Ibidem.

273 “«Toda lengua presenta el espíritu humano por entero»”, Ibidem.

274 “Al mismo tiempo se establece la oposición entre el «sistema de la lengua» […] y el hablar concreto

que es continua creación.” Ibidem.

275 “Der wirkliche Stoff der Sprache ist auf der einen Seite der Laut überhaupt, auf der anderen die

Gesamtheit der sinnlichen Eindrücke und selbsttätigen Geistesbewegungen, welche der Bildung des Begriffs mit Hilfe der Sprache vorausgehen.” Wilhelm von HUMBOLDT, “Einleitung zum Kawi-Werk”, Schriften zur Sprache…, p. 41. Citação escolhida por Coseriu: Eugenio COSERIU, Die Geschichte der Sprachphilosophie, teil I…, p. 157.

276 “Humboldt afirma la esencia cognoscitiva del lenguaje y su carácter de objetivación del

conocimiento” Eugenio COSERIU, “Raïces humboldtianas de la lingüística moderna”, Tradición y novedad en la ciência del lenguaje…, p. 140.

277 “La distinción entre «forma» y «sustancia», introducida en la lingüística por Humboldt, no es otra

cosa que la conocida distinción aristotélica entre μορφή e ὓλη.” Idem, Sincronía, diacronía e historia…, p. 265. Distinção reflectida na constituição dos objectos naturais determinados pela

substância, matemáticos das formas puras, independentes da substância e culturais onde a substância é determinada pela forma.

278 “Die Sprache im allgemeinen ist für Menschen Form der außersprachlichen Wirklichkeit; die Sprache

ist das Gestaltende, die außersprachliche Wirklichkeit hingegen das Gestaltete.“ Idem, “Humboldt und

die moderne Sprachwissenschaft”…, p. 6. “En primer lugar, y en el sentido más general, el concepto de

«forma» puede aplicarse al lenguaje en general y su relación con la realidad extralingüística, y en este sentido, el lenguaje es «forma» de la aprehensión de la realidad, de la intuición del mundo: es lo que organiza primariamente la experiencia humana del «mundo»”. Idem, “Semántica, forma interior y

estructura profunda”, Gramática, semántica, universales…, p. 113.

279 “Jede Sprache ist eine Form, und verschiedene Sprachen sind verschiedene Formen” Idem,

comparativamente com a substância formada, que já adquiriu uma forma280. A língua é a forma formadora281,não é algo exterior ao homem. Esta interpretação liga o conceito de

forma ao conceito de energueia e dýnamis, criatividade e potencialidade que explicam a modelagem formal como uma “mudança” das regras e da língua. Esta acepção da noção de forma como princípio formador da língua corresponde ao conceito de “tipo de língua” na teoria de Coseriu282. Humboldt torna evidente o carácter de objectivação do conhecimento de algumas formas linguísticas correspondentes a um determinado “grau de desenvolvimento cultural”283. Numa apresentação dedutiva, lógica e demonstrativa “cada língua corresponde a uma visão particular do mundo”284. Porque Humboldt concebe a língua como uma “estrutura de formas interdependentes”285, como um tecido com inumeráveis camadas, Coseriu apresenta nas suas intervenções académicas um “estruturalismo humboldtiano”286 sem ter chegado a tomar a forma duma teoria e dum método explicitamente formulados. A ideia de “estrutura” está sempre presente na obra humboldtiana e ocorre sob diversas denominações, quer na criatividade da língua, quer na estrutura da mesma. Esta percepção conjuga o “estruturalismo diacrónico” e a criatividade como as duas características fundamentais do seu pensamento. O estruturalismo diacrónico humboldtiano tenta descobrir as causas das mudanças das estruturas na história das línguas e não nas línguas.

Relativamente à noção de energueia287 e à sua importância na constituição das variáveis linguísticas, o seu lugar central na definição da essência da linguagem, Coseriu defende e argumenta que na teoria humboldtiana a língua é, sob todas as suas formas,

280 “Der Sprachwandel geht in der Sprachverwendung vor sich; man braucht nicht über die Sprache

hinauszugehen, um sie zu verändern.“ Ibidem.

281 “Eine Sprache ist aber ebenfalls wirkliche Erscheinung, und darum kann auch sie eine Form

aufweisen, d.h. durch ein Gestaltende gestaltet sein.“ Ibidem.

282 “Diese letzte Anwendung des Begriffes Form, als die Gestaltungsprinzipien einer Sprache, würde am

besten unserem Begriff des Sprachtypus entsprechen.“ Ibidem.

283 Ibidem.

284 “Cada lengua corresponde a una particular visión del mundo.” Idem, “Raïces humboldtianas de la

lingüística moderna”, Tradición y novedad en la ciência del lenguaje…, p. 140.

285 Ibidem.

286 Idem, “Humboldt und die moderne Sprachwissenschaft”, in Idem, Energeia und Érgon. Sprachliche

Variation – Sprachgeschichte – Sprachtypologie. Studia in honorem Eugenio Coseriu, eds. Jörn

Albrecht, Jens Lüdtke e Harald Thun, Tübingen, Gunter Narr Verlag, 1988, p. 3.

287 “Sie selbst [die Sprache] ist kein Werk (Ergon), sondern eine Tätigkeit (Energeia). Ihre wahre

Definition kann daher nur eine genetische sein.“ Wilhelm von HUMBOLDT, „Einleitung zum Kawi-

Werk“, Schriften zur Sprache…, p. 36. Coseriu utiliza a citação de Wilhelm von Humboldt, Über die

energueia ao nível individual, histórico e universal288, tanto como língua em geral, como em cada acto de fala289, interpreta a realidade das línguas neste sentido e esclarece o

facto de que a língua é a forma dada para algo diferente de si mesma e dos seus próprios princípios290, é ao mesmo tempo realização e possibilidade aberta291 que dinamiza a mudança linguística292 de interior, de si293. Como um todo criativo onde o homem se manifesta, a energueia está presente na criatividade da recepção, da compreensão294. A aprendizagem duma língua é um processo de conjugação das criações linguísticas pessoais com as dos outros, o que prevalece no princípio da fala das crianças é o seu nível elevado de criação pessoal, que se diminui com o tempo, mas que nunca desaparece.

Relativamente às várias interpretações, referências e à consideração de Humboldt como razão de existência e fonte de inspiração para algumas direcções e correntes linguísticas, Coseriu relaciona o núcleo teórico destas com a teoria humboldtiana e distingue claramente a referência bibliográfica do seu papel constitutivo das novas direcções. A “criatividade” em Humboldt é completamente outra da criatividade em Chomsky, tem um papel constitutivo e não instrumental. Humboldt refere-se à criação das línguas e não à produção de proposições através das línguas. Do mesmo modo, o conceito de “forma interior” de Humbold contém estritamente uma estrutura semântica própria a cada língua, diferente da “estrutura de profundidade” concebida como sendo designativa e pré-idiomática.295 A aporia do sincronismo e diacronismo resolve-se no

288 Eugenio COSERIU, Die Geschichte der Sprachphilosophie…teil I, p. 156, Idem, „Lengua abstracta y

lengua concreta“, Sincronía, diacronía e historia…, p. 46.

289 “Im Zusammenhang mit dem Begriff ἐνέργεια meint Humboldt weiterhin, dass die Sprache in allen

ihren Formen ἐνέργεια ist, sowohl als Sprache im allgemeinen als auch als das jedesmalige Sprechen – der jedesmalige Akt der Rede - , schließlich auch als diese oder jene Einzelsprache.“ Idem, “Humboldt

und die moderne Sprachwissenschaft”…, p. 6.

290 “Die Sprache ist Form als Gestaltung von etwas anderem und zugleich als ihre eigenen

Gestaltungsprinzipien.” Ibidem.

291 “Sprache ist ἐνέργεια  im Falle der Einzelsprache in dem Sinne, dass die zugleich Realisation und

offene Möglichkeit ist.“ Ibidem.

292 “Der energetische Charakter der Sprache manifestiert sich im Sprachwandel.“ Ibidem.

293 “Der Sprachwandel geht in der Sprachverwendung vor sich; man braucht nicht über die Sprache

hinauszugehen, um sie zu verändern.” Ibidem.

294 “Zur Verwendung der Sprache gehört selbstverständlich auch das Verstehen, nicht nur das Sprechen;

auch das Verstehen muß als kreativ angesehen werden.“ Ibidem.

295 Cf. Idem, Lecţii de lingvistică generală..., p. 134. “Pentru Humboldt, regulile generative ale lui

Chomsky ar aparţine pur şi simplu produsului, nu producerii.” Idem, „Semantica, forma interioară a

entendimento da linguagem como energueia296. O isolamento e a restrição a um único aspecto teórico anulam a realidade da língua. As ideias centrais do estruturalismo linguístico provêm de Humboldt ao descrever as línguas na sua particularidade e funcionamento.297 A relação entre língua e nação em Humboldt difere da dos românticos, unilateral e parcialmente desenvolvida na escola de Weisgerber298.

Em relação à tipologia linguística de Humboldt, o contributo de Coseriu é fundamental no sentido de esclarecer a base filosófica da sua tipologia, que não é uma tipologia das línguas, mas de procedimentos linguísticos299. Humboldt menciona as técnicas de isolamento, de aglutinação, flexão, incorporação e a presença destas em diversas línguas, mas nunca tomando estes procedimentos como uma característica fundamental de qualquer língua e recusa a ideia duma classificação das línguas em quatro classes, uma conclusão lógica para quem entende as línguas como energueia, como algo vivo300 numa contínua reconfiguração sem centro e periferia, com uma presença semântica paradigmática do conhecimento intuitivo do mundo expressa na sequência sintáctica. Neste sentido, Coseriu continua a teoria de Humboldt no seu esquema tipo – sistema – norma da fala, que reclama necessariamente a unidade da

296 Cf. & 4.0, Idem, O homem e a sua linguagem…, p. 22. 297 Idem, Lecţii de lingvistică generală..., p. 109.

298 “Dieser Gesichtpunkt wurde insbesondere von der WEISGERBERschen Schule wieder aufgenommen

und besonders betont, was aber zugleich übertrieben und einseitig ist, da die Ideen von Humboldt zum Teil nicht näher ausgeführt worden sind und zum Teil auch eine andere Interpretation als die der Weisgerberschen Schule erfordern.“ Idem, Die Geschichte der Sprachphilosophie... teil. I, p. 158. Para

ver o contributo de Weisgerber na hermenêutica da língua, veja-se Bernhard SYLLA, Weisgerber,

Heidegger und die Sprache nach Humboldt, Würtzburg, Königshause & Neumann, 2009, trabalho onde

Coseriu é somente mencionado bibliograficamente e não são seguidas as suas sugestões.

299 “Die Typologie der Ausdrucksverfahren ist für Humboldt keine Typologie der Sprachen, sondern eben

nur eine Typologie der Verfahren als solcher, und ergibt auch keine Klassifikation der Sprachen” Idem,

“Der Sinn Der Sprachtypologie“ – „Introduction“ para a quinta secção „Essential criteria fort he estableshment of linguistic typologies“, in Typology and Genetics of Language. Travaux du cercle

linguistique de Copenhague, eds. Torben Thrane, Vibeke Winge, Lachlan Mackenzie, Una Canger e

Niels Eege, XX, 1980, p. 166.

300 “Humboldt no habla solo de aislamiento, aglutinación, flexión e incorporación, sino también, aunque

no con propósitos de clasificación, de lenguas aglutinantes, flexivas e incorporantes: sobre la base de interpretaciones ulteriores y a partir de concepciones lingüísticas diferentes, se pudo fácilmente tener la impresión de que en Humboldt se encuentra algo que, en realidad, no se encuentra en absoluto, o sea, una clasificación de las lenguas en cuatro clases. Pero de hecho, esta clasificación cuatripartita – de la que con razón puede decirse que es la clasificación de A. W. Schlegel en forma ampliada y con terminología de Humboldt – no pertenece a Humboldt, sino a A. F. Pott.” Idem, “Sobre la topología

lingüística de Wilhelm von Humboldt. Contribución a la crítica de lo tradicional en la historia de la lingüística”, Tradición y novedad en la ciencia del lenguaje…, pp. 183-184.

descrição com a história, uma descrição que destaca as possibilidades abertas duma língua301.

Partindo do princípio de que algo mais antigo é a novidade, Coseriu convida a reflectir sobre as teorias, os métodos e os conceitos criados por pensadores, alguns deles pouco conhecidos no meio académico, como o são o linguista romeno de origem judia Heimann Hariton Tiktin302 e o português Fernão de Oliveira303 com a sua Gramática da linguagem portuguesa. Esta abordagem da história da filosofia da linguagem tem como finalidade a articulação filosófica coseriana com a problemática geral da filosofia da linguagem, revelando a sua “sagesse” interpretativa. Alguns pensadores tratados por Coseriu em várias dissertações, estudos, conferências, cursos, entre os quais Giambattista Vico, Hans Georg von Gabelentz, Benedetto Croce, Ferdinand de Saussure e outros, não foram expostos neste capítulo, o nosso objectivo sendo o de mostrar como a história da filosofia da linguagem de Coseriu revela a sua teoria retomando, comentando e revalorizando conceitos, intuições, sugestões e reflexões de vários pensadores, continuando o rumo sugerido e desejado por alguns numa construção única e inconfundível. Tal como mostramos nos exemplos dados, Coseriu não repete as teorias destes, mas a interpretação que lhes dá é parte intínseca da sua teoria. Do mesmo modo, os sistemas filosóficos de referência que foram objeto de abordagem hermenêutica em

301 Idem, “Humboldt und die moderne Sprachwissenschaft”, & 6.1, p. 11.

302 Eugenio COSERIU, “Un précurseur méconnu de la syntaxe structurale: H. Tiktin”, Recherches de

linguistique. Hommages à Maurice Leroy, Brüssel, pp. 48-62.

303 Língua e funcionalidade em Fernão de Oliveira, Rio de Janeiro, trad. M. Chr. de Motta Maia; com

uma prefácio por R. Do Valle e uma postfácio de C. E. Falcão Uchôa, tradução do estudo: Sprache und

Funktionalität bei Fernão de Oliveira (1536), Lisse; publicado também in Contributions to an Understanding of Linguistics. For PP. Verburg on the Occasion of his 70th Birthday, Lisse, 1975, pp.

67-90, publicado também in Fernão de OLIVEIRA, Gramática da linguagem portuguesa (1536), edição crítica, semi-diplomática e anastática por Amadeus Torres e Carlos Assunção, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 2000, pp. 29-60 (como estudo introdutivo). “Ninguém menos que Eugenio Coseriu foi o primeiro e o mais decidido em declarar que Fernão de Oliveira "é, depois de Nebrija, um dos gramáticos mais originais, em certo sentido o mais original, e [...] o mais importante foneticista da

Renascença na România ", como se pode ler na versão portuguesa de um estudo publicado em alemão

em 1975, transcrita na parte introdutória da edição. E é de mais velha data tal convicção de Coseriu: Pensamos não nos enganarmos se dissermos que lhe ouvimos uma afirmação neste sentido já por volta de 1960, quando éramos seu assistente na Universidade de Bona, logo no início da sua actividade na Alemanha, para onde o tinha convidado então Harri Meier. Foi esta asserção que nos ecoava nos

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