8.7.1. Isolando os fatores motivadores da adaptação da metodologia
Um dos maiores desafios desta pesquisa foi o isolamento das causas que levaram às adaptações na MEPCP. Conforme hipótese inicial, as adaptações ocorreram devido ao ambiente típico de desenvolvimento de produtos. A grande questão no caso foi: como atribuir estas modificações ao ambiente de desenvolvimento de novos produtos, uma vez que a empresa sofreu grandes transformações organizacionais desde 2005 até 2009?
Na verdade, as adaptações podem ter ocorrido por quatro causas distintas: Mudanças organizacionais advindas dos processos de aquisição que a empresa sofreu; características específicas da empresa; evolução do nível de maturidade, e: adaptação ao ambiente de desenvolvimento de novos produtos (hipótese). Portanto, foi preciso isolar as adaptações que supostamente não ocorreram devido às especificidades do ambiente de desenvolvimento de novos produtos. Esta separação das adaptações que provocariam ruído às análises foi feita por eliminação a partir da compilação das observações de campo (quadro 24).
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As observações relacionadas com as mudanças organizacionais efetuadas na empresa foram retiradas das análises. Um exemplo disso foi a supressão de observações do tipo: O sistema de desdobramento de metas auxiliou na integração e no comprometimento das pessoas envolvidas no projeto e Comitê de acordo com a demanda . Este sistema de desdobramento de metas foi uma melhoria trazida pela nova gestão da empresa, desta forma, foi considerado como um fator de mudança organizacional.
Outro conjunto de observações, referente a especificidades do negócio da empresa também procurou ser isolado. Neste caso, observações do tipo A planta piloto recebe as solicitações e atende conforme a prioridade. O pesquisador e o EP não acompanham o cronograma detalhado e Departamento de Meio Ambiente envolvido apenas para impactos ambientais adicionais significativos. Existe uma pessoa no CPqD, capacitada pelo DESMA, para avaliar o novo impacto foram desconsideradas.
Com relação às adaptações referentes à evolução do nível de maturidade, houve a confrontação das evoluções previstas no modelo de maturidade com as observações. Assim, foram suprimidas adaptações, que no caso podem ser chamadas de evoluções. Este foi o caso da melhoria no sistema de avaliação final dos projetos onde os mesmos passaram a ser avaliados segundo critérios pré- definidos e objetivos: Avaliação baseada numa comparação entre real e planejado. A nota final é compartilhada entre todos os departamentos envolvidos e é ligada a metas .
Houve uma exceção que precisava ser analisada: Processos de planejamento diferenciados de acordo com o tipo de projeto . Esta é uma evolução prevista no modelo de maturidade. No entanto ela foi mantida e agrupada com a seguinte adaptação: Modelos de Plano de Projeto por pesquisador . Esta foi uma adaptação que não foi identificada como pertencente a nenhuma das possíveis fontes de adaptação citadas anteriormente.
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8.7.2. Pesquisador como participante do projeto
Conforme pontuado nos capítulo 1 (Introdução) e 6 (Metodologia de pesquisa), o autor deste trabalho foi um dos consultores da empresa que implantou a metodologia de gerenciamento de projetos no CPqD. Esta situação foi interpretada como um grande risco para a confiabilidade das informações coletadas. Collins (1984) alerta: até mesmo o mais cauteloso observador participante pode perturbar a
situação sem se dar conta disso, logo, as observações não devem nunca ser consideradas como livres de distorções .
Apesar de toda preocupação em realizar a pesquisa como um observador externo e criticar o próprio trabalho, o risco persistia. Desta maneira, por orientação do professor orientador, laçou-se mão de um segundo pesquisador. Tratava-se de um aluno de graduação em seu trabalho final de curso (FONSECA, 2009). Este precisava de um caso para realizar sua monografia e tinha interesse em trabalhar com o assunto gerenciamento de projetos. Além disso, o mesmo era estagiário da empresa de consultoria, conhecia o assunto, a empresa, mas não havia trabalhado no projeto do CPqD.
Logo, o aluno foi incorporado à pesquisa e foi responsável por parte das entrevistas, sob a supervisão do autor deste trabalho. Ele publicou suas descobertas em seu trabalho de conclusão de curso intitulado: A evolução de um escritório de projetos inserido em um contexto de Desenvolvimento de Novos Produtos: Um Estudo de Caso . Estas descobertas são preliminares às apresentadas nesta pesquisa, pois representam uma etapa intermediária. Além disso, o objetivo do trabalho foi apenas identificar as evoluções ocorridas no escritório de projetos do CPqD, não avaliando as motivações e correlações com a teoria.
8.7.3. Generalização das descobertas
A maior limitação deste estudo é a possibilidade de generalização de suas descobertas sem explorações subseqüentes mais aprofundadas. Esta foi uma limitação aceita, dada situação existente. Para a exploração do ocorrido, a estratégia
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de pesquisa mais adequada foi a realização de um estudo de caso. A questão fundamental era explorar longitudinalmente como haviam sucedido as adaptações na MEPCP e qual era a relação entre elas e a bibliografia relacionada. Por limitação da existência de outras situações comparáveis e de recursos, não possível realizar um estudo de caso múltiplo. Adicionalmente, dada necessidade de realização de um estudo longitudinal, o estudo de caso único foi mais indicado.
Além da definição da estratégia de pesquisa, outros fatores limitam a generalização das descobertas realizadas nesta pesquisa. Primeiramente, a peculiaridade do negócio da Magnesita. Trata-se de uma indústria de refratários de alto desempenho com um mercado em que seus clientes são praticamente grandes grupos siderúrgicos. A maior parte dos estudos relacionados a GDP são da indústria do varejo onde o desenvolvimento de novos produtos se dá de forma distinta.
Outro fator limitante foi a metodologia analisada. Existem diversas metodologias de gerenciamento de projetos. A MEPCP é uma delas. Desta maneira, em princípio não é possível extrapolar as descobertas desta pesquisa para outras metodologias. Entretanto, a MEPCP está baseada em conceitos aceitos e consolidados de GP. Grande parte das metodologias também está fundamentada nestes mesmos conceitos.
Sugerem-se duas estratégias de pesquisas subseqüentes para auxiliar na generalização das descobertas deste estudo de caso: Primeiramente, pode-se pensar na realização de um estudo de caso múltiplo não exploratório como este que se apresenta, mas de confirmação. A segunda estratégia, em princípio, mais adequada, seria a realização de um survey aos moldes dos realizados por Griffin (1997) e Thieme, et. al (2003).
A primeira autora realizou um estudo das melhores práticas e tendências na gestão de desenvolvimento de novos produtos. Já o grupo de pesquisadores identificou quais as características de gestão de projetos estão mais relacionadas à sobrevivência dos produtos. Ambas as estratégias poderiam partir das descobertas desta pesquisa. Eventualmente, uma revisão bibliográfica mais aprofundada e atualizada poderia acrescentar outros elementos a serem pesquisados.
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8.8. Conclusão
Conforme a hipótese inicial desta pesquisa, as modificações que se fizeram necessárias à MEPCP aplicada ao CPqD, mesmo que realizadas sem o conhecimento prévio da literatura aplicada, foram de encontro ao que a mesma sugere.
As análises identificaram que das 13 adaptações identificadas, 10 estava previstas na literatura de referência. As adaptações ocorreram em todas as dimensões propostas no modelo de compilação da teoria e das observações: Processos, organização do trabalho e ferramentas. Não foram observadas, no entanto, adaptações relevantes nos processos de execução e encerramento.
Gerenciamento de projetos se mostrou como uma opção para a organização do trabalho de desenvolvimento de produtos. Os resultados do CPqD melhoraram, porém adaptações precisaram ser feitas. Além disso, conceitualmente, o gerenciamento de projetos aplicado ao desenvolvimento de novos produtos parece ser uma subárea de conhecimento de GP.
Apesar das limitações apresentadas, a pesquisa apresenta contribuições à prática e à teoria. Ela sugere quais adaptações devem ser observadas quando da implantação da MEPCP em um ambiente semelhante. Além disso, sugere que as descobertas possam ser generalizadas através de estudos mais aprofundados e com uma base de situações maior. Os pressupostos 1, 2 e 3 foram fundamentais para construção e confirmação da hipótese.
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