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Ao analisar a estrutura fatorial da EQV, verificou-se que a amostra estudada apresentou uma predominância do fator psicológico (2,18 ± 0,80), quando comparado com o fator comportamental (1,68 ± 0,47).

A tabela 14 apresenta as medidas descritivas dos fatores que envolvem a qualidade de vida das idosas estudas, avaliada a partir da EQV.

Tabela 14. Medidas descritivas dos fatores que envolvem a qualidade de vida das idosas, avaliada a

partir da EQV. Distrito Federal, 2011.

Grupos Mínimo Máximo Média DP Fator Psicológico 1,00 4,86 2,18 0,80

Fator comportamental 1,00 3,44 1,68 0,47

Satisfação 2,61 4,50 3,92 0,39

Delta -0,53 2,75 0,50 0,61

A partir do fator psicológico foi possível avaliar a variável “satisfação com a vida” (3,92 ± 0,39) e constatar que a maioria das idosas (86,7%), apresentaram uma atitude positiva em relação à vida (nível de satisfação com a vida ≥ 3,52), corroborando com os achados de Ruiz et al. (2007) que averiguaram que a maioria dos idosos (88,8%) apresentam-se satisfeitos com sua qualidade de vida, sendo que as idosas relataram que o que elas mais gostam na vida se enquadram nas categorias de atividades sociais, familiares e religiosas, ficando evidenciado que os determinantes para satisfação de vida estão associados a situações de conforto, interação com outras pessoas e ao bem-estar.

Esses achados apóiam os resultados de Soares (2004), que verificou que a saúde e a qualidade de vida estão diretamente relacionadas com a integridade psico-corporal, uma vez que as atitudes e decisões individuais que afetam a saúde, representadas pelo estilo de vida, são reflexos de condições associadas ao bem- estar individual.

Assim como Soares (2004), Jóia, Ruiz e Donalisio (2007), também consideram que a satisfação com a vida está associada ao bem-estar individual, ou seja, ao modo e aos motivos que levam as pessoas a viverem suas experiências de vida de maneira positiva, o que pode ser comprovado por seu estudo com 365 idosos (59,7% mulheres) realizado no município de Botucatu – SP, que verificou que a maioria dos idosos (51,1%) estavam muito satisfeitos com sua vida em geral. Contatou-se que aspectos específicos como: conforto domiciliar; valorizar o lazer como qualidade de vida; acordar bem pela manhã; não referir solidão; fazer três ou mais refeições diárias e referência de não possuir Diabetes Mellitus, estavam associados ao grau de satisfação com a vida.

Resultados semelhantes foram encontrados por Xavier et al. (2003), em seu estudo na cidade de Veranópolis (RS), que encontraram que 57,0% da população idosa pesquisada referiram valores significativos de satisfação com a vida. Esses

autores indicaram saúde, vida social, presença do ambiente familiar e renda como determinantes de boa qualidade de vida.

Braga et al. (2011), também constataram que 59% dos idosos apresentavam- se satisfeitos em relação a qualidade de vida geral. Quanto aos fatores específicos, observou-se que o domínio social apresentou alto nível de satisfação (74,1), enquanto os demais domínios apresentaram valores medianos (55,4 – 60,9). Esses resultados sugerem que um bom relacionamento social influencia de modo positivo o bem-estar psíquico e físico do idoso, além de promover a autonomia, integração e participação efetiva do idoso na sociedade, garantindo melhores condições de vida e saúde, de modo a proporcionar um envelhecimento saudável, e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida.

Após análise dos fatores psicológicos e comportamentais da EQV, foi possível avaliar o predomínio e a magnitude de um fator sobre o outro e categorizar as idosas em diferentes grupos tipológicos, os quais estão apresentados na figura 3.

A partir da figura 3 verifica-se que 47,79% das idosas (n = 54) apresentaram- se inseridas no grupo G2a, o que significa que houve o predomínio do fator

psicológico sobre o fator comportamental, com baixos índices no fator predominante, indicando a necessidade de se considerar aspectos psicológicos no desenvolvimento de estratégias de melhoria de qualidade de vida desta amostra.

Resultados semelhantes foram encontrados no estudo de Soares (2004), que considera que a estrutura espacial da EQV possibilita uma intervenção efetiva no fator determinante (psicológico e/ou comportamental), possibilitando um melhor delineamento dos fatores de risco à saúde de forma a auxiliar na estruturação de programas de manutenção e melhoria do estado de saúde dos indivíduos.

Figura 3. Distribuição das idosas em seis grupos tipológicos, segundo predomínio e magnitude dos

fatores comportamental e psicológico.

Devido à complexidade dos grupos tipológicos da EQV e com o objetivo de facilitar a interpretação dos dados e posterior comparação com outras variáveis (estado nutricional e preferência alimentar), optou-se por classificar as idosas em dois grupos: com boa qualidade de vida, formado por G1a, G2a e G3a, e com baixa

qualidade de vida, formado por G1b, G2b e G3b (Figura 4). A partir desta classificação

simplificada, verificou-se que a maioria das idosas (86,73%) apresentaram uma boa qualidade de vida.

Farenzena et al. (2007) ao avaliarem a qualidade de vida de um grupo de 81 idosos (72,8% mulheres) de Veranópolis – RS, através do instrumento WHOQOL- Bref, também verificaram que os idosos apresentaram boa qualidade de vida. Os escores do WHOQOL-Bref constituem-se numa escala diretamente proporcional a qualidade de vida e não existe um ponto de corte, o qual possa determinar a qualidade de vida como boa ou ruim, porém, apesar disso, num parâmetro de 0 a 100, pode-se fazer uma comparação entre as médias dos próprios domínios do instrumento. Nessa perspectiva, as médias mais altas foram encontradas nos

(33) (15) (54) (11) (0) (0)

domínios social (75,08) e ambiental (73,35), seguidos do psicológico (69,08), físico (68,69) e global (66,05).

Figura 4. Distribuição simplificada das idosas em relação à qualidade de vida.

Ao relacionar os escores da qualidade de vida com variáveis sócio- demográficas e sintomas depressivos, Farenzena et al. (2007), constataram que a qualidade de vida estava associada a idade nos domínios ambiental e global; gênero feminino no domínio psicológico; realização de atividades de lazer nos domínios físico e psicológico; não utilização de medicação nos domínios físico e social; e baixa intensidade de sintomas depressivos em todos os domínios do WHOQOL-Bref. Segundo Gordia et al. (2007), ao analisarem e compararem a qualidade de vida de 60 idosas praticantes e não praticantes de atividade física na cidade de Fortaleza-CE, verificaram que a qualidade de vida das idosas de uma forma geral foi satisfatória, sendo constatado que as idosas ativas apresentaram melhores resultados de qualidade de vida em todos os domínios do WHOQOL-Bref, destacando-se que maiores médias foram encontradas no domínio social (76,90%) e ambiental (68,60%), resultados que corroboram com os achados de Farenzena et al.

Boa QV

Baixa QV

(98)

(2007), seguidos do fator geral (68,50%), domínio psicológico (66,20%) e físico (62,00%).

Ao avaliarem a qualidade de vida de 225 idosos participantes de grupos de convivência, de diferentes estratos sócio-econômicos do município de Porto Alegre – RS, pelo instrumento SF-36, Colet, Mayorga e Amador (2010) averiguaram que os idosos pertencentes à classe sócio-econômica A apresentaram melhores escores do que as classes C e E nos domínios dor, vitalidade, aspecto social e saúde mental. Diferença significativa de qualidade de vida também foi constatada em idosos com ensino superior completo em relação aos demais estratos de escolaridade nos domínios dor, vitalidade, saúde mental e aspecto social.

De acordo com Alexandre, Cordeiro e Ramos (2009) o estudo de 120 idosos ativos e saudáveis participantes de duas universidades abertas à terceira idade, demonstrou que os quatro domínios da qualidade de vida, mensurados pelo instrumento WHOQOL-Bref, apresentaram relação independente e sem colinearidade com os sintomas depressivos avaliados pela Geriatric Depression Scale. Verificou-se ainda que não possuir vida conjugal implicou em melhor percepção no domínio social e desenvolver atividades de lazer e possuir renda superior a cinco salários mínimos implicou em melhor percepção no domínio meio ambiente, sendo constatado que o estado funcional não foi capaz de influenciar o comportamento da variável qualidade de vida como ocorreu com os fatores psicológicos e sócio-demográficos.

Maués et al. (2010) ao avaliarem e compararem a qualidade de vida de idosos jovens (60 – 70 anos) e muito idosos (≥85 anos) observaram boa qualidade de vida na população estudada (83,71 ± 11,84), e não constataram declínio da qualidade de vida com a idade. A análise das respostas, por domínio, nos dois grupos, revelou que os domínios „„Intimidade‟‟ e „‟Atividades Passadas, Presentes e Futuras‟‟ contribuíram com o valor alto do escore total, mostrando que a oportunidade de amar e sentir-se amado, estar satisfeito com suas realizações, objetivos alcançados e projetos durante a vida, tem importante influência sobre a qualidade de vida de idosos, independentemente da faixa etária. Já os domínios Participação Social e Autonomia tiveram maior impacto na qualidade de vida dos idosos jovens, enquanto que Morte e Morrer influenciou o escore total de qualidade de vida dos muito idosos.

A partir dos resultados apresentados, observa-se que diferentes autores associam a qualidade de vida dos idosos a distintos fatores como idade, lazer, vida social, atividade física, classe social, escolaridade, entre outros, de forma que pode- se dizer que o conhecimento destes fatores associados à qualidade de vida é fundamental para o direcionamento das estratégias de intervenção que visam à melhora da qualidade de vida.

Neste contexto, o desenvolvimento de pesquisas sobre qualidade de vida, no campo da saúde pública, pode resultar em mudanças nas práticas assistenciais e na consolidação de novos modelos do processo saúde-doença de forma a considerar aspectos socioeconômicos, psicológicos e culturais nas ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação em saúde.