Foram avaliadas 113 idosas participantes do Centro de Convivência de Idosos da Universidade Católica de Brasília. A amostra apresentou idade média de 69,40 ± 5,72 (60 – 85) anos, peso médio de 65,42 ± 11,22 (40,5 – 92,5) Kg e estatura média de 1,53 ± 0,06 (1,37 – 1,68) metros.
A faixa etária entre 70 e 75 anos foi predominante em relação às demais. (Tabela 7).
Tabela 7. Distribuição das idosas segundo faixa etária. Distrito Federal, 2011.
Faixa etária n % 60 65 26 23,00 65 70 29 25,70 70 75 36 31,90 75 80 17 15,00 80 85 05 04,40 Total 113 100
A idade é um importante fator a ser considerado na avaliação de indivíduos idosos, visto que o processo de envelhecimento é acompanhado por alterações físicas, metabólicas, patológicas e nutricionais que interferem diretamente no estado de saúde geral, bem como no estado nutricional e na qualidade de vida deste grupo.
A classificação do estado nutricional de idosos segundo o IMC é um assunto bastante discutido, sendo verificado que existe divergência entre vários estudos, quanto aos critérios de avaliação empregados (BASSLER; LEI, 2008; ROMERO- CORRAL et al., 2008; SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009; FERRA et al., 2011; WANG et al., 2010; IBGE, 2010).
O presente estudo encontrou média do IMC das idosas de 27,79 ± 4,22 (18,78 – 38,63) Kg/m2. Verificou-se que a classificação do estado nutricional, considerando
os pontos de corte recomendados por Lipschitz (1994), foi capaz de identificar 6,2% de idosas com baixo peso, porém o diagnóstico da maioria (50,40%) foi de
sobrepeso. Apesar da relativa superioridade de acometimento nutricional em idosas, diferenças significativas não foram verificadas nos resultados encontrados (p = 0,343). Ao avaliar a relação entre estado nutricional e idade, verificou-se que a faixa etária entre 75 a 80 anos apresentou maior prevalência de sobrepeso (64,70%), por meio desta classificação (Tabela 8).
Tabela 8. Estado nutricional das idosas segundo classificação do IMC proposta por Lipschitz (1994)
e faixa etária. Distrito Federal, 2011.
Faixa etária (anos)
Classificação IMC (Lipschitz, 1994)
Baixo peso Eutrofia Sobrepeso Total n % n % n % n % 60 65 1 3,85 13 50,00 12 46,15 26 23,00 65 70 0 0 12 41,38 17 58,62 29 25,70 70 75 5 13,89 16 44,44 15 41,67 36 31,90 75 80 1 5,88 5 29,41 11 64,70 17 15,00 80 85 0 0 3 60,00 2 40,00 5 04,40 Total 7 6,19 49 43,36 57 50,44 113 100 (Teste x2 de Pearson, p = 0,343)
A obesidade é um problema de saúde em ascensão, sendo verificado que a elevada prevalência de excesso de peso em idosas, encontrado neste trabalho é consistente com os resultados de outras pesquisas (ABREU, 2003; BASSLER; LEI, 2008; SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009; ROMERO-CORRAL et al., 2008; SCHERER; VIEIRA, 2010).
Quando comparado os valores de IMC dos idosos do presente estudo, com os achados de Bassler e Lei (2008), utilizando o mesmo critério de classificação, verificou-se uma semelhança em relação ao estado nutricional. Ao avaliarem 209 idosos, sendo 84,7% do sexo feminino, Bassler e Lei (2008) encontraram um IMC médio de 28,31 Kg/m2, identificando importantes prevalências de inadequação do
estado nutricional nas idosas do município de Pinhais, onde a maioria (60,5%) se apresentou com sobrepeso e 9,0% com baixo peso.
Scherer e Vieira (2010), ao estudarem 199 idosos, sendo 102 mulheres com idade média de 69,9 anos, e IMC médio de 26,9 ± 4,4Kg/m2, verificaram quase o
dobro de prevalência de baixo peso (13%) quando comparado com a presente pesquisa. Entretanto, encontraram valores similares de sobrepeso para as idosas avaliadas (50%). Estes pesquisadores, ao avaliarem o efeito do estado nutricional e
sua associação com fatores de risco cardiovascular e síndrome metabólica, averiguaram que o diagnóstico de excesso de peso tem associação positiva com o risco cardiovascular, visto que as prevalências de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, obesidade central, lipoproteína de alta densidade (colesterol baixo) e triglicerídeos elevados foram maiores neste grupo.
Consistentemente com os resultados obtidos por Scherer e Vieira (2010), o estudo de Abreu (2003) demonstrou a influência do excesso de peso (IMC>27Kg/m2) e da distribuição da gordura corporal e sua associação com maior freqüência de morbidades, como hipercolesterolemia, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e artrites. Desta forma, verifica-se que a elevada prevalência de obesidade na população idosa é um fator preocupante, em decorrência da associação entre obesidade e doenças crônicas não transmissíveis (SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009).
Apesar dos resultados encontrados por Abreu (2003) terem identificado prevalência elevada de sobrepeso (46,5%) e significativa de baixo peso (11,8%) verificou-se que a idade influenciou expressivamente o estado nutricional. Desta forma, ao estratificar as idosas por faixa etária, observou-se uma inversão na prevalência de baixo peso (44%) e de sobrepeso (11,1%), em idosas com idade igual ou maior a 80 anos. Esses resultados estão de acordo com os achados da OMS (1995), que considera o baixo peso e a perda de massa magra os maiores problemas nutricionais observados em idosas com idade superior a 80 anos.
Contrariando os achados desta pesquisa, Félix e Souza (2009), encontraram menor prevalência de sobrepeso (22,7%) e maior de baixo peso (27,3%) em idosas de uma instituição de longa permanência do Distrito Federal. A alta freqüência de baixo peso provavelmente justifica-se pelo fato das idosas, em sua maioria, apresentarem idade superior a 80 anos (84,3±10,8), visto que os indivíduos senescentes são mais vulneráveis à desnutrição e ao risco de mortalidade.
De acordo com a classificação do IMC, segundo os critérios de avaliação da OMS (1998) nenhuma idosa apresentou baixo peso, porém observou-se grande prevalência de excesso de peso (71,70%), estando a obesidade presente em 31% da amostra estudada. Ao avaliar a relação entre estado nutricional e idade, o presente estudo verificou uma tendência de aumento na prevalência de obesidade até os 80 anos, constatando-se que a faixa etária entre 75 a 80 anos foi a que apresentou maior prevalência deste distúrbio nutricional (58,82%), sendo possível
verificar uma diferença estatística nos resultados encontrados entre classificação do estado nutricional e faixa etária (p = 0,029) (Tabela 9).
Tabela 9. Estado nutricional das idosas segundo classificação do IMC proposta pela OMS (1998) e
faixa etária. Distrito Federal, 2011.
Faixa etária (anos)
Classificação IMC (OMS, 1998)
Baixo peso Eutrofia Sobrepeso Obesidade Total n % n % n % n % n % 60 65 0 0 8 30,77 14 53,85 4 15,38 26 23,00 65 70 0 0 3 10,34 16 55,17 10 34,48 29 25,70 70 75 0 0 17 47,22 9 25,00 10 27,78 36 31,90 75 80 0 0 3 17,65 4 23,53 10 58,52 17 15,00 80 85 0 0 1 20,00 3 60,00 1 20,00 5 04,40 Total 0 0 32 28,31 46 40,71 35 30,97 113 100 (Teste x2 de Pearson, p = 0,029)
De acordo com Forster e Gariballa (2005), o peso corporal e o IMC, bem como outras medidas antropométricas, hematológicas e bioquímicas, foram significantemente mais baixas em pessoas com idade ≥ 75 anos. Após ajuste para indicadores de risco clínico não-nutricional, os autores concluíram que o aumento da idade foi forte e independentemente associado a um pobre estado nutricional, o que pode explicar em parte o prognóstico clínico em pacientes mais velhos. Embora este estudo tenha identificado a idade como um fator de risco potencialmente importante para desnutrição, os autores acreditam que estes resultados podem não ser extrapolados para populações saudáveis de indivíduos idosos, por se tratar de uma pesquisa realizada com idosos hospitalizados.
Recentemente, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2008/2009 pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (IBGE, 2010), verificou uma tendência de declínio na prevalência de obesidade em idosas de 65 a 74 anos (22,4%) e com idade igual ou maior a 75 anos (18,6%). Em relação ao déficit de peso, constatou-se situação oposta, ou seja, um aumento de 3,8% para 5,4%, respectivamente. Entretanto, observa-se que apenas as idosas com idade igual ou superior a 75 anos apresentaram uma freqüência superior a 5% dos indivíduos examinados, caracterizando a presença de um quadro atual de desnutrição nessa população, segundo preconizado pela OMS (1995).
Desta forma, torna-se necessário ressaltar que o problema da desnutrição continua existindo no Brasil, ainda que, diferentemente da obesidade, compreende grupos populacionais mais limitados, sendo que estes também merecem especial atenção, visto que, problemas nutricionais, associados tanto a déficit ou excesso de peso, estão associados ao aumento da morbi-mortalidade, ao impacto sobre o sistema de saúde, além de diminuir a qualidade de vida dos idosos.
Ao comparar o estado nutricional das idosas segundo os dois critérios de avaliação do IMC utilizados, verificou-se que a classificação proposta por Lipschitz (1994) foi mais sensível em identificar distúrbios nutricionais associados ao baixo peso quando comparados com a classificação da OMS (1998), com um nível de significância de p = 0,0001. De acordo com a tabela 10 foi possível constatar que as 7 idosas com diagnóstico de baixo peso, por Lipschitz, encontravam-se eutróficas de acordo com a OMS.
Tabela 10. Comparação entre diferentes critérios de classificação do IMC das idosas participantes
do CCI. Distrito Federal, 2011.
Classificação IMC (Lipschitz)
Baixo peso Eutrofia Sobrepeso Total
n % n % n % n % Classificação IMC (OMS) Baixo peso 0 0 0 0 0 0 0 0 Eutrofia 7 21,86 24 75,00 1 3,12 32 28,32 Sobrepeso 0 0 25 54,35 21 45,65 46 40,71 Obesidade 0 0 0 0 35 100 35 30,97 Total 7 6,20 49 43,36 57 50,44 113 100 (Teste x2 de Pearson, p = 0,0001)
Em consonância com os resultados encontrados, vários estudos apontam o critério de Lipschitz (1994) como sendo mais sensível em identificar distúrbios nutricionais em indivíduos idosos (PAULA et al., 2007; AZEVEDO; ROCHA-DE- MELO; CABRAL, 2009; SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009)
Segundo Da Cruz et al. (2004), a prevalência de obesidade e sua associação com fatores de risco e morbidades cardiovasculares em idosos longevos foi 23,3% pelo critério da Organização Mundial de Saúde (OMS) (sem diferença entre os sexos, p=0,124) e 45,6% pelo critério do NHANES III (significativamente maior entre as mulheres, p=0,05).
Ainda segundo os mesmos autores, mulheres obesas, independente do critério de avaliação, apresentaram maiores níveis de pressão arterial sistólica, glicose, triglicérides, relação cintura-quadril, menores níveis de HDL-c e maior freqüência de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e hipertrigliceridemia, demonstrando que a prevalência de obesidade em idosos longevos está fortemente associada a fatores de risco e morbidades cardiovasculares.
Silveira, Kac e Barbosa (2009) constataram que o critério proposto por Lipschitz (1994) identificou maior prevalência de obesidade (53,4%) nas idosas, quando comparado com a classificação da OMS (30,8%). Esses resultados corroboram com os achados desta pesquisa. Com relação à faixa etária, esses autores encontraram uma associação negativa entre idade e prevalência de obesidade, notadamente a partir dos 75 anos, sendo que no presente trabalho esse declínio ocorreu em idade mais avançada, a partir dos 80 anos.
De acordo com Paula et al. (2007), ao avaliarem 41 indivíduos com idade entre 60 e 91 anos, sendo a maioria do sexo feminino (53,7%), encontraram uma média do IMC nas idosas de 24,81 ± 6,01 e uma média de 25,18 ± 6,37 no grupo total. Ao se comparar os dois critérios de avaliação do IMC para amostra total do estudo, verificou-se que a classificação pela OMS subestimou o baixo peso (7,3%) e superestimou a eutrofia (48,8%) e o excesso de peso (43,9%) quando comparados com a classificação de Lipschitz (1994), a qual foi capaz de identificar um maior número de idosos com baixo peso (36,6%).
Tal resultado possivelmente decorre do fato de que as mudanças na composição corporal ocorridas no processo de envelhecimento não são levadas em consideração na classificação proposta pela OMS (1998), sugerindo que esta proposta é menos sensível para identificar o comprometimento do estado nutricional em idosos que as apresentadas por Lipschitz (1994).
Azevedo, Rocha-de-Melo e Cabral (2009) constataram elevada prevalência de baixo peso em idosas, tanto pelos critérios de Lipschitz quanto da OMS (30,4%), porém ao se avaliar a obesidade, verificou-se um declínio de 30,4% para 13,0%, respectivamente.
Uma questão importante a ser considerada em relação aos achados de Paula et al. (2007) e Azevedo, Rocha-de-Melo e Cabral (2009) é o fato destes estudos terem sido realizados em idosos hospitalizados, uma vez que pacientes
hospitalizados, em geral, apresentam maior comprometimento do estado nutricional quando comparados com aqueles atendidos em seus domicílios.
Considerando as modificações de composição corporal no processo de envelhecimento e as evidências disponíveis até o momento, faz-se necessário destacar que ainda não há um consenso em relação aos pontos de corte considerados ideais para indivíduos idosos.
Apesar da OMS (1998) sugerir, para avaliação do idoso, a utilização dos pontos de corte propostos para o adulto jovem (IMC<18,5Kg/m2 = baixo peso e IMC≥30Kg/m2 = obesidade), supõe-se que valores superiores sejam mais
adequados, já que o idoso necessita de uma reserva maior, no sentido de prevenir a desnutrição (BASSLER; LEI, 2009), visto que os mesmos apresentam maior susceptibilidade a doenças.
Neste sentido, para classificação do estado nutricional de idosos a partir do IMC, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2004), recomenda que sejam utilizados os critérios de Lipschitz (1994), que recomenda como limite aceitável para idosos, IMC entre 24 e 29 Kg/m2, considerando como pontos de corte IMC abaixo de 22 Kg/m2
para baixo peso e acima de 27 Kg/m2 para sobrepeso.
Esses pontos de corte são mais adequados a este grupo etário visto que eles levam em consideração as alterações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento, como o declínio da altura, em decorrência da compressão vertebral, mudanças nos discos intervertebrais, perda do tônus muscular e alterações posturais; diminuição do peso corpóreo, conseqüente à redução do conteúdo da água corporal e da massa muscular; alterações ósseas em decorrência da osteoporose; modificação na quantidade e distribuição do tecido adiposo subcutâneo; e redução da massa muscular devido à sua transformação em gordura intramuscular, o que leva a alteração na elasticidade e na capacidade de compressão dos tecidos (BRASIL, 2004; SAMPAIO, 2004; CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005; COELHO; AMORIM, 2007).
Desta forma, observa-se que padrões de referência de IMC específicos para esse grupo etário são fundamentais, porém, independente do critério de classificação, os mesmos devem ser avaliados de forma combinada com outros indicadores. Isto se justifica pelo fato de que a classificação do estado nutricional a partir do IMC não reflete a distribuição regional de gordura ou qualquer mudança na distribuição de gordura decorrente ao processo de envelhecimento, não sendo
considerado um bom indicador para avaliar riscos em idosos (PERISSINOTTO et al., 2002; SAMPAIO, 2004).
O estado nutricional das idosas também foi avaliado a partir do método da bioimpedância elétrica que demonstrou que a média de porcentagem de gordura corporal (%GC) foi 40,01 ± 6,52 (24,40 – 57,70). A maioria das idosas apresentaram obesidade (n=90), conforme o critério de classificação da OMS (1995) e risco de doenças associadas à obesidade (n=99), conforme os critérios de avaliação de Lohman (1992). Ao avaliar a %GC por idade, constatou-se que a faixa etária entre 65 e 70 anos apresentou maior prevalência de obesidade (89,65%) e de risco de doenças associadas à obesidade (93,10%), apesar de não se observar diferenças estatisticamente significativas (Tabelas 11 e 12).
Tabela 11. Classificação da porcentagem de gordura corporal das idosas segundo critério proposto
pela OMS (1995) e faixa etária. Distrito Federal, 2011.
Faixa etária (anos)
Classificação da %GC segundo OMS (1995)
Sem obesidade Com obesidade Total
n % n % n % 60 65 6 23,08 20 76,92 26 23,00 65 70 3 10,34 26 89,65 29 25,70 70 75 10 27,78 26 72,22 36 31,90 75 80 2 11,76 15 88,23 17 15,00 80 85 2 40,00 3 60,00 5 04,40 Total 23 20,35 90 79,65 113 100 (Teste x2 de Pearson, p = 0,227)
Tabela 12. Classificação da porcentagem de gordura corporal das idosas segundo critério proposto
por Lohman (1992) e faixa etária. Distrito Federal, 2011.
Faixa etária (anos)
Classificação da %GC segundo Lohman (1992) Acima da média Risco de doenças
associadas à obesidade Total n % n % n % 0 65 4 15,38 22 84,61 26 23,00 65 70 2 6,90 27 93,10 29 25,70 70 75 5 83,33 31 86,11 36 31,90 75 80 2 11,76 15 88,23 17 15,00 80 85 1 20,00 4 80,00 5 04,40 Total 14 12,39 99 87,61 113 100 (Teste x2 de Pearson, p = 0,850)
A partir dos diferentes critérios de avaliação do estado nutricional apresentados na Tabela 13, verifica-se que a %GC medida pela BIA foi capaz de identificar maior prevalência de obesidade quando comparado com os diferentes critérios de classificação do IMC. Isso sugere que a %GC medida pela BIA é melhor preditora de gordura corporal que o IMC.
Tabela 13. Comparação entre diferentes critérios de avaliação do estado nutricional utilizados para
identificar excesso de peso em idosas. Distrito Federal, 2011.
Critério de avaliação do estado nutricional Classificação % IMC (Lipschitz, 1994) Sobrepeso 50,40%
IMC (OMS, 1998) Sobrepeso Obesidade
40,70% 31,00%
%GC (OMS, 1995) Obesidade 79,65%
%GC (Lohman, 1992) Risco de doenças associadas à obesidade
87,61%
Wang et al. (2010), ao avaliarem os critérios de obesidade propostos pela OMS (IMC>30 Kg/m2) e para Chineses (IMC>28 Kg/m2) com a %GC, verificaram uma prevalência de obesidade de 4,8%, 11,2% e 37,7%, respectivamente, demonstrando que a classificação da %GC identificou uma quantidade muito maior (significativamente estatística p<0,001) de obesos quando comparado com os pontos de corte do IMC (OMS e Chinês), o que corrobora com os achados da presente pesquisa.
De acordo com Storti et al. (2006), a %GC estimada pela tomografia computadorizada por feixe de elétron, foi fortemente correlacionada com a %GC avaliada pela DEXA (ρ=0,86, p<0,0001), sendo verificado que entre as medidas antropométricas simples, que incluía o IMC, circunferência da cintura e do diâmetro sagital, a relação entre IMC e gordura corporal total avaliada pela tomografia computadorizada (ρ0,89, p<0,0001) parecia ser a maior.
Apesar da tomografia computadorizada e a DEXA serem consideradas excelentes técnicas para avaliação da gordura corporal total, observa-se que seu uso em grandes estudos populacionais pode estar limitado em virtude de seus custos elevados, de forma que o uso de técncias simples, rápidas e de baixo custo, tais como IMC e circunferência da cintura, são consideradas válidas para avaliarem
a gordura total em mulheres idosas, porém, estas devem ser utilizadas com cautela ao estimar a gordura visceral (STORTI et al., 2006).
A gordura corporal total e a gordura visceral podem ser avaliadas através da associação entre o IMC e outros indicadores como as variáveis antropométricas, o %GC e a BIA. Desta forma, Machado, Coelho e Coelho (2010), ao compararem e avaliarem o grau de concordância dos percentuais de gordura corporal de 395 idosos (41,3% de mulheres) residentes em abrigos do Rio de Janeiro, por três diferentes métodos: pela área adiposa do braço (AAB), pela prega cutânea tricipital (PCT) e por bioimpedância (BIA), verificaram que todos percentuais de gordura apresentaram associação estatisticamente significativa com as variáveis antropométricas.
Segundo os autores anteriores observou-se que o %GC pela BIA apresentou melhor correlação com o IMC, que reflete a massa corporal total e com a circunferência da cintura, que reflete o depósito abdominal, demonstrando que a avaliação nutricional dos idosos associada a uma avaliação global são essenciais na prevenção e promoção de uma vida saudável ao envelhecer.
De maneira consistente aos achados do presente estudo, Romero-Corral et al. (2008) verificaram que o IMC tem limitado desempenho diagnóstico para identificar corretamente os indivíduos com excesso de gordura corporal, principalmente em indivíduos idosos, ficando evidente que o IMC não é capaz de diferenciar entre %GC e massa magra. Este estudo encontrou que 24,7% e 52,3% das mulheres apresentaram obesidade segundo o IMC e a %GC avaliada pela BIA, respectivamente.
Cordeiro (2006), também constatou uma elevada prevalência de obesidade de acordo com o %GC avaliado pela DEXA (95,8%), quando comparado com diferentes pontos de corte para o IMC (25, 27 e 30 Kg/m2), onde se verificou que a
prevalência de obesas foi maior com os menores pontos de corte do IMC (73,1%, 53,8%, 27,7%, respectivamente), percebendo-se uma diferença significativa quando se compara o método da DEXA aos pontos de corte do IMC.
Mais uma vez, é importante considerar que o IMC, assim como foi demonstrado por Romero-Corral et al. (2008), e verificado no presente estudo, apesar de ser habitualmente usado para diagnosticar obesidade em indivíduos adultos, por ser prático, de fácil manejo e capaz de identificar facilmente a obesidade
generalizada (SCHERER; VIEIRA, 2010), é um indicador antropométrico que não faz discriminação entre gordura corporal e massa livre de gordura, sexo ou faixa-etária.
A utilização do IMC apresenta limitações principalmente em idosos, visto que o processo de envelhecimento é marcado por modificações na composição corporal, decorrente da diminuição da massa livre de gordura, da água corporal total e da densidade mineral óssea, bem como o aumento da gordura corporal total (MACHADO; COELHO; COELHO, 2010).
Neste contexto, ressalta-se que a avaliação da composição corporal em idosos torna-se imprescindível, uma vez que, alterações na distribuição de gordura corpórea podem estar associadas a desordens metabólicas e cardiovasculares (MACHADO; COELHO; COELHO, 2010). Assim sendo, recomenda-se o uso da bioimpedância por ser um método preciso para avaliar a composição corporal de idosas, além de ser relativamente barato, rápido e não invasivo (FREGONASSE et al., 2003).
De forma geral, assim como nos achados de Silveira, Kac e Barbosa (2009), embora o baixo peso seja um problema relacionado ao estado nutricional de idosos, o presente estudo revelou que a obesidade é muito mais prevalente nesta faixa etária e melhor avaliada pela %GC mensurada a partir da BIA, quando comparada ao IMC, em decorrências das diversas alterações que ocorrem no organismo do indivíduo idoso, decorrente ao processo natural de envelhecimento. Deste modo, faz-se necessário estabelecer práticas de monitoramento do estado nutricional, direcionar intervenções cada vez mais adequadas, além da prevenção e controle da obesidade em programas voltados para promoção da saúde e qualidade de vida dos idosos.