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3. Risk Management

3.4 Different Models for Optimal Hedge Ratio Calculations

3.4.7 Literature Review

Ao longo deste trabalho, realizamos algumas reflexões sobre a questão da representação literária da mulher e a construção de uma identidade feminina para o reconhecimento das situações e características singulares ao comportamento feminino em meio à sociedade.

Dos estudos acerca das teorias e críticas feministas, dos estudos sobre representações do mito do vampiro e dos apontamentos encontrados nas análises de cada uma das obras do corpus, depreendemos a importância da representação feminina conforme sua influência direta aos modelos sociais instituídos, principalmente no que concerne à estrutura familiar.

Já que por toda a história da evolução humana o papel da mulher na formação das civilizações revela-se peça-chave para a estruturação e solidificação das organizações sociais, é imprescindível o reconhecimento da necessidade de discussões relacionadas ao trato das modificações comportamentais vivenciadas pela imagem da mulher social ao longo dos tempos.

Assim, dentre as diversas discussões possíveis sobre a representação social da mulher, um estudo sobre sua influência e percepção na literatura nos permite enveredar pelos caminhos da ficção com vistas a reconhecer o potencial discursivo e influenciador das imagens femininas representadas sob a pele de personagens atrevidas, revolucionárias e por vezes rebeldes, como as representadas pelas vampiras Carmilla e Sabella. São estas as primeiras impressões de contraposição diante das instituições sociais amplamente difundidas e fincadas solidamente no terreno do poder patriarcal.

Embora inicialmente as imagens femininas possam apenas ter apresentado situações de realidade cultural, ou tentativa de exposição dos sentimentos — como nos exemplos da literatura vitoriana, em que as imagens de mulher apresentam, em suma, modelos a serem

seguidos. Com o passar dos tempo e as influências da transformação ocorrida na estrutura da sociedade — devido à intervenção burguesa em conjunto com a Revolução Industrial — notamos que quebras nas regras de comportamento relacionadas ao trato para com a presença da mulher no meio social, foram conseqüentes e necessárias.

Da representação feminina delineada pelo texto Carmilla, datado de finais do século XIX, tem-se a nítida impressão sobre a questão do afloramento feminino diante das sensações e sentimentos íntimos próprios da mulher e que a possibilitaria viver livre da repressão e do medo. Contudo, a liberdade dessa exteriorização dos sentimentos e a dispersão dos desejos por uma individualidade e poder de dominação ocasionariam a ruptura e o desmoronamento do modelo familiar imponente construído pelo patriarcalismo, que dá base às estruturas sociais ligadas às promissoras transformações político-econômicas da sociedade burguesa eminente.

O julgo religioso somado às atitudes autoritárias relacionadas às leis de dominação da “do pai” – chefe do poder familiar – corroboram para a delimitação das rédeas sobre o comportamento humano, de modo a estabelecer e manipular as diferenças entre homens e mulheres no trato com os direitos e deveres atribuídos a cada um dos sexos, dentro da estrutura social. Dessa forma, torna-se ainda mais forte a influência do poder limitador que por gerações confina a mulher ao espaço doméstico.

Em Carmilla, as personagens que estabelecem o embate entre o perfil da mulher casta ou ideal para o progresso social, e a representação da mulher pecadora que corrompe e destrói as possibilidades de um contínuo e bom desenvolvimento da sociedade, permitem ao leitor refletir sobre a questão das novas posições sociais assumidas diante das constantes revoluções que acompanham o progresso social. O confronto entre as imagens do “bem” sendo aliciadas e seduzidas pelas forças do “mal” possibilita o reconhecimento de uma nascente e ameaçadora força de dominação que desestruturaria a harmonia da sociedade vigente.

Com isso, a primeira grande luta a favor da representatividade feminina social surge diante do fato de as mulheres precisarem vencer as barreiras sociais que as fazem assumir certo papel de vilãs, diante da possibilidade da conquista de poderes relacionados à igualdade e liberdade, dentro do espaço público de domínio do homem.

Ao tratarmos das análises de representação da mulher no texto de Le Fanu, deparamo- nos diretamente com a idéia de que a mulher livre, representada pela força do mal, a força sobrenatural, a vampira, é perigosa e prejudicial ao meio, porque incita o desequilíbrio e ocasiona o enfraquecimento do poder do homem. Daí o medo quanto à possibilidade de liberdade feminina.

Somada a essa idéia de desequilíbrio social e retomando as lutas compulsivas por direitos e deveres iguais entre os sexos, ocorridas nas décadas de 70 e 80 do século XX, buscamos aparato teórico nas discussões sobre pós-modernidade para refletirmos sobre as representações femininas do texto Sabella, de Tanith Lee.

A partir da leitura sobre as influências contemporâneas no comportamento humano, principalmente no tocante aos questionamentos internos do sujeito moderno e suas buscas por reconhecimento individual, delimitamos algumas das características que nos permite discutir sobre algumas reflexões acerca das posições assumidas pela mulher na sociedade atual.

Em Sabella as personagens femininas estão mais amplamente relacionadas às imagens daquelas que seguem caminho próprio e mantém espaço definido dentro da sociedade em que vive. Em finais do século XX a situação da mulher está bastante diferente e há certo equilíbrio entre as posições assumidas no espaço público de domínio social: homens e mulheres dividem funções relacionadas ao trabalho, à política e è representação familiar, com certa igualdade de poder – embora ainda haja preconceito e insegurança na atribuição de poder à mulher.

A própria personagem-título da narrativa lida com experiências controversas de aceitação social e vive quase toda sua vida à margem da sociedade. Contudo, seu

deslocamento social não está apenas relacionado ao fato de ser mulher, mas também diz respeito aos questionamentos internos que a fazem sentir-se diferente dos demais.

Como exemplo das posições sociais assumidas pelas mulheres contemporâneas, as personagens femininas em Sabella são bastante independentes diante das funções sociais que lhes são atribuídas: são mulheres que, inseridas no contexto social da época, têm a liberdade de tomar as próprias decisões e seguem adiante na busca por seus objetivos, seja no trabalho, seja na vida pessoal.

Em nossa leitura do texto de Lee, encontramos, no entanto, um retrato de mulher cujo excesso de confiança e poder escondem, na verdade, os medos internos relacionados ao abandono, à solidão e à falta de proteção. Em sua releitura do mito do vampiro à luz das discussões e dos questionamentos que permeiam o período da pós-modernidade, Tanith Lee apresenta uma imagem de mulher — uma vampira — tomada por certa dor ao ver-se completamente só no mundo.

A vampira solitária de Lee desenvolve um comportamento recluso, intimista, e por vezes agressivo, principalmente no trato com os homens, já que a todo o momento é vista e tratada por eles como objeto de desejo sexual. Diante dessa sua reclusão, ao ver-se como ser diferente, a personagem parece punir a si própria ao comportar-se como prostituta; ao mesmo tempo, parece querer punir os homens ao seu redor, por buscá-la somente pelo sexo.

De fato, a personagem Sabella mostra-se atormentada por muitos questionamentos a respeito de sua origem e existência, o que a faz sentir-se insegura diante das outras pessoas. Em tempo, notamos que há uma leitura implícita de que a mulher da época – lembrando que a imagem de Sabella está sendo relacionada à imagem da mulher dos anos 80 do século XX – agora livre e com poder em mãos, não o sabe administrar de maneira a construir uma perspectiva de futuro segura sozinha. Para tanto ela precisa de uma ajuda masculina, aos moldes da segurança e proteção oferecida pela imagem do “pai”.

Com isso, retoma-se a idéia do desequilíbrio social. No entanto, esse desequilíbrio não está no fato de que o surgimento da mulher na esfera pública social seja prejudicial ao sistema vigente, mas antes lida com a idéia de que os papéis sociais entre homens e mulheres são diferentes e necessários. A exclusão das representações do homem protetor e provedor, ao longo do texto de Lee, reafirmam a necessidade em se atribuir função social própria a cada um dos gêneros sociais.

A partir desse percurso analítico, pudemos traçar alguns dos temas típicos relacionados à representação da mulher na literatura de ficção, sendo que para o desenvolvimento dos seus papéis institucionais foram levados em consideração os contextos sociais vigentes a cada uma das épocas retratadas pelas narrativas.

As reivindicações por reconhecimento social, liberdade de expressão, representatividade política, econômica e cultural, e o auto-conhecimento são os principais e constantes temas de discussões que permeiam as questões do feminino e que retomam constantemente as lutas sociais por conquistas relacionadas primordialmente às diferenças existentes entre os sexos.

Em nossa busca por um reconhecimento da identidade feminina nos textos Carmilla, de J. S. Le Fanu e Sabella, de T. Lee; buscamos tratar da necessidade de lidar com esse reconhecimento das diferenças sociais entre os gêneros, que acresce ao convívio dos seres humanos o exercício contínuo de tolerância e respeito.

Por fim, consideramos que para um melhor entendimento sobre as questões que envolvam as representações da mulher na literatura, bem como a construção de uma identidade feminina literária, é preciso o exercício contínuo de leitura e análise dos textos críticos e ficcionais relacionados ao tema, para que se torne possível a realização de uma leitura concisa e responsável voltada para as (re)descobertas do papel social da mulher e suas representações literárias.