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Os discursos dos entrevistados sobre o distrito aproximam-se e distendem-se em acordo com a própria posição do entrevistado. As aproximações mais claras são percebidas nas falas dos atores não residentes no distrito, como a Gestora 1, Gestora 2 e do casal doador do terreno à construção da escola. Dos entrevistados, apenas a Gestora 3 e evidentemente o morador e ex-membro da Associação de Pais e Mestres residem atualmente na localidade.

A naturalidade não implica necessariamente em elemento proximal à composição dos discursos dos entrevistados, a Gestora 3 e a doadora do terreno são naturais do distrito.

Esta diferença de posições dos atores entrevistados não é suficiente à produção polissêmica das falas em sentido geral, embora seja possível a percepção de alguma distensão na produção dos sentidos sobre a população local e significação do distrito, principalmente a partir do discurso do morador entrevistado.

Esta distensão de significado dá margem à produção de hipótese de a possibilidade de incorporação e engendramento ao espaço-tempo do distrito configurar-se horizonte de eventos apenas àqueles que de fato fazem da localidade seu ponto de referência e eixo a gravitação.

Para além de obviedade aparente, mesmo para residentes com condições materiais a algum cosmopolitismo, figurativamente em hipérbole, o conjunto das falas promove a impressão de que o distrito se mantém em reservas e reticente.

Aos não residentes, a aproximação parece fazer-se de forma gradual e heterogênea, perfilando a presença como ato de condescendência às razões, motivos e duração das estadas. Contraditoriamente, a condescendência assemelha-se a eventual voto de confiança e reserva àquele que se encontra visitante.

Neste sentido, os discursos da Gestora 1, com estada e trabalhos desenvolvidos na escola durante um período de oito anos e a Gestora 2, há dois anos e seis meses no local, apontam as formas de receptividade da escola e do distrito ao passo de suas respectivas chegadas:

Antes de ser diretora eu era coordenadora pedagógica aqui em Mococa... Já tinha alguma experiência porque você tá na sala de aula, é uma visão completamente diferente. Quando eu cheguei lá eu fui muito assim... parecia um ET, caiu uma nave espacial que chegou lá. A (...) que é a coordenadora, a (...), a Vice, estavam lá com a diretora que estava saindo, organizando atas atrasadas e elas nem se levantaram pra me cumprimentar. Tinha toda aquela expectativa: “quanto tempo ela vai ficar”, um mês, um ano, sabe? Não acreditavam também e houve até o comentário assim: “precisava ser um homem diretor dessa escola pra organizar aqui” e tal né. Na época eu tinha 32 anos, “tava” muito magrinha, miudinha, falei: meu deus do céu...(GESTORA 1).

Eu conheço muito pouco do distrito, porque na realidade fico mais dentro da escola mesmo. Conheço muito pouco as pessoas, não conheço todo mundo aqui pois faz pouco tempo que eu “tô” aqui. Conheço mais as pessoas que trabalham aqui e assim: os pais que vem quando eu chamo, as pessoas que trabalham na padaria, no mercado... Eu acho assim: eles são muito solícitos, as pessoas sempre me tratam muito bem. Tem o padre também de vez em quando, então não tem nenhum problema com eles... Assim, eu fui muito bem vinda com eles, não tive problema nenhum quanto a isso, mas não conheço direito, não posso dizer, assim, te afirmar... E só acho assim que eles são cheios, assim, porque o pouco que eu convivi e que convivo, são cheios de não me toque, tem que ter muito cuidado. Não é mesma coisa de um convívio normal... As vezes que a maneira que você fala pra eles gera um sentimento muito grande,ficam muito sentidos, muito magoados. São pessoas que são muito sentidas. Então é difícil, assim, sabe? Não dá pra falar tudo que você quer, como você quer. Tem que ter um melindre aí pra... são complicados (GESTORA 2). Em tensão, estas condições aparentemente se alteram na fala de hoje morador do distrito, residente na localidade desde a década de oitenta do século passado e que a princípio não possuía qualquer pretensão de fixação de residência em Igaraí:

Igaraí? Igaraí me surpreendeu de uma forma que eu imaginei que eu ia “tá” aqui de passagem. Quando eu cheguei aqui eu imaginei: terminando esse serviço aqui eu vou voltar para de onde eu vim, não que lá era ruim, bom, mas a recepção aqui foi tão boa, tão maravilhosa. Para você ter uma ideia, eu e minha esposa, nós fomos testemunhas de casamento aqui dentro de Igaraí quarenta e duas vezes! Quarenta e duas vezes nos fomos testemunha de casamento aqui dentro; né! Então nós construímos aqui uma família, eles acolheram “nós” aqui de uma forma que nós não imaginamos que fossemos recebidos em algum lugar dessa forma assim. Isso não é mérito nosso não, é do povo que estava aqui. Isso... tem que dizer que eu amo todo mundo aqui dentro e peço a deus que me de uma longa vida e que toda a minha vida seja aqui. (MORADOR E EX-MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES).

Comparando os depoimentos é flagrante um deslocamento temporal referente aos princípios de chegadas. Este deslocamento poderia representar a modificação das condições materiais do distrito, a exemplo, condicionando as tensões existentes nos discursos e as formas de percepção e significação destes atores. As duas gestoras chegadas entre meados e final da primeira década deste século teriam encontrado condições de desenvolvimento social distintas do morador entrevistado.

Poderíamos aqui também caminhar em construção de hipótese para a tomada da constituição da necessidade de um fazer no distrito manter-se como eixo para as formas de recepção e chegada destes atores. A relação entre distrito e estes atores mediadas pelo vínculo laboral abriria possibilidade de percepção sobre eventuais mecanismos de resistência e incorporação.

Esta possibilidade de arquitetura de hipótese começa a esvaecer já no discurso do morador. Isto é notado quando pontua o seu pleno desinteresse ou intenção inicial na fixação de residência no distrito, fazendo-o posteriormente ao trabalho executado.

Poderíamos ainda insistir tentando grafar as peculiaridades dos trabalhos desenvolvidos entre os gestores e o morador entrevistados, os muros da escola como fronteiras física e simbólica as formas de acolhimento destes profissionais pelo distrito, porém, acentuando ainda as tensões, a fala dos doadores do terreno para a construção do atual prédio escolar aproxima-se mais dos gestores 1 e 2 à do morador.

A doadora, nascida no distrito menciona algum hermetismo junto ao distrito enquanto o doador, estrangeiro chegado a localidade na década de sessenta do século passado, comenta certa permanência de estrutura sócio econômica. Os doadores do terreno para a construção da escola foram moradores até algum tempo passado no distrito, ainda com propriedades no local e também com passagens e alguma experiência na administração direta da localidade:

é teve uma pequena melhora, não coisa assim da gente falar puxa como evoluiu o distrito, a gente vai e sente como estivesse a trinta anos atrás...(DOADOR DO TERRENO)

Lá um quer comer o outro; lá é complicado. Igaraí é complicado. Então... Eu acho que justamente porque eles não são abertos, eles não são receptivos. Então o que acontece: um quer que o outro então se lasque. Então o prefeito também ignora, e é claro... quer dizer se você tem os braços abertos, então... você “tá” sentindo reciprocidade, então você chega. Se você vê que você tá sendo... Então é, é próprio do ser humano e lá em Igaraí tem muito disso. E lá ninguém pode... é uma inveja um do outro que é um negócio assim que mata... o que acaba com o distrito é isso... (...) É um negocio meio estranho, né? Agente vê lá que tem meia dúzia que se acha, eles são donos do pedaço lá, e assim: são ciumentos, extremamente ciumentos, tanto é que eles chamavam o (...) e eu de casal de sangue azul. Basta dizer que quando foi a minha eleição, quando eu fui escolhida como paraninfa6, eu não fazia nem parte do

rol de nomes pra os alunos votarem e escolherem. Puseram prefeito, puseram diretora da escola, tinha uns dez nomes e o meu não estava, pois as crianças falaram: “não; é ela que nos queremos!”, quer dizer; então eles ficam assim com raiva, eles não fazem nada pelo distrito e ficam com raiva de quem faz... (DOADORA DO TERRENO)

Ao mencionar as alterações ocorridas no distrito a partir da década de oitenta do século passado, o morador aponta como fatores de mudança o aumento demográfico e expansão da malha urbana do distrito:

Igaraí no começo ele era assim bem menor, embora você vê ele hoje: não grandão assim, mas ele expandiu bem. Igaraí, ele tinha o quê? Ele era sem... Dentro dele ele tinha muito espaço, muito terreno vazio, terreno vago. Era... além dele preencher construir tudo dentro dele, teve mais o bairro Guilherme Zanetti, não existia ainda o Jardim Independência, que é esse que nós residimos hoje, não existia também. Então mudou. Mudou muito, a população aumentou, mudou, mudou bastante. (MORADOR E EX-MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES)

O morador segue em sua fala mencionando as atividades econômicas inerentes ao distrito, sem pontuar nestas atividades qualquer variação salvo o baixo número de postos de trabalho no local. Menciona a seguir, como reflexo de desenvolvimento do distrito, a formação de profissionais de diversas áreas atuando fora da localidade, adjetivando-os a heróis:

Igaraí, ela se mantém pela agricultura ao redor. É, todos nós daqui viajamos pra trabalhar. Ele já não comporta mais, aqui bem pertinho, a população. Então nós temos uma frente de trabalho de onde sai ônibus e viajam para trabalhar. Parte para Mococa, parte para construção civil pra fora. Outros daqui, por um bem maior também, são doutores, vários são professores, pra “vê” como é que ele cresceu. Nós temos de Igaraí hoje médicos, sabe? Hoje em Igaraí nós vemos ele assim: herói. Que

6 A entrevistada refere-se a momento em que foi eleita paraninfa da primeira turma do ensino fundamental formada no distrito. Aspectos

mais pontuais sobre a doação do terreno para a construção da escola, a abertura do hoje segundo ciclo do ensino fundamental serão observados em capítulo específico sobre a percepção dos atores sobre a escola.

nós vemos de onde veio esses heróis, de onde veio esse professores, doutores, enfim, todos esses cresceram dando essa alegria pra nós. Então esses tem que ir por causa de trabalho, que Igaraí não comporta. Mas mesmo mão-de-obra tem que viajar pra trabalhar. Mão-de-obra agrícola, construção civil, enfim né, metalúrgica, tudo a trabalho. Mas são bem aceito onde vão. Todo mundo tá trabalhando. (MORADOR E EX-MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES)

Para além da necessidade de deslocamento pela ausência de postos de trabalho no local, a composição do adjetivo “heróis” pelo morador entrevistado e dirigido aos naturais do distrito com alguma formação superior é também desencadeada pela ausência de recursos e dificuldades ao acesso da população local a tal formação. Podemos aqui constituir por extensão, pautando-nos exclusivamente na fala do morador, um binômio perverso cuja ausência ou carência de recursos para a formação, aqui em sentido geral, de antemão impossibilita a incorporação do próprio formado pelo distrito.

Este quadro de ausência acaba tornando-se recorrente na composição das falas dos demais entrevistados, porém, tingidos com distinções de nuances e matizes.

Neste sentido e de forma distinta, a Gestora 3, também natural e residente na localidade, quando indagada sobre os problemas do distrito menciona algum hermetismo sugerindo suas prováveis causas:

No meu ver, a comunidade aqui, assim, é muito fechada... É, a gente não tem acesso a cultura, agente não tem acesso a... a diversão. Aos poucos alunos não tem uma lanchonete onde os jovens possam ir pra se divertir, não tem nada aqui sabe? Então eles tem assim dificuldade pelo poder aquisitivo de sair pra outra... não tem um cinema... pra outra localidade. Para outras localidades, perto, eu acho que eles centram assim só com o pessoal daqui. Eles não tem outra vivencia sabe? Então eu acho que isso fica meio... (GESTORA 3)

Desta tensão de perspectivas a nebulosa de Igaraí reinicia a parcial exposição de alguns de seus elementos senão constitutivos: peculiares, alternando gravidades e intensidades, reposicionando e recorrendo à ausências e distância contidas nos documentos anteriormente visitados como substratos à possibilidade de sua percepção.

...distancia daqui do distrito a Mococa. É muito longe, o transporte é superlotado, sabe? Em todos os horários, tudo que a gente precisa a gente tem que ir em Mococa. Médico, em Mococa... Pagar conta, aqui não tem nenhum posto que a gente possa pagar conta, devido a policiamento, porque não tem policiamento aqui na cidade. Abriu uma ... pra pagar conta na padaria, aí teve assalto. Aí eles já sabe não puderam continuar mais, porque e com razão né? Então o policiamento, basicamente isso. (GESTORA 3)

o distrito é distante de Mococa, são 30 Km de Mococa. A cidadezinha aqui, esse distrito, ele não tem nada. Não tem um banco que você possa fazer né... Só existem mercados, não tem um correio que funcione, Eu consigo mandar só carta simples.

Então tudo de que realmente precise ser feito, tem que ser feito em Mococa. As pessoas, acho que sentem essa dificuldade aqui, seja apenas um posto de saúde, mas o posto de saúde não tem medico todos os dias. Então eu vejo que existe uma carência muito grande. Não tem força policial, né? Policiamento. (GESTORA 2) A ausência de equipamentos sócio culturais citada pela Gestora 3 mantém-se na fala da Gestora 2, porém, estas são acrescidas de viés de leitura decorrente das atividades econômicas da malha urbana do distrito. Circundado pela Usina Itaiquara, grandes extensões de terra destinadas ao plantio da cana-de-açúcar, o baixo número de pequenas propriedades rurais comparativamente a outro distrito do município e cidade vizinha, potencializam a percepção da Gestora 1 sobre algumas bases à constituição da população do distrito:

...a comunidade infelizmente é uma comunidade assim muito pobre de intelectual, eles não tem ali um cinema, uma loja, um teatro nenhuma loja decente que eles possam ter artigos bons. Então e grande parte da comunidade é analfabeta. (...) E uma das coisas que eu acho que a comunidade sofre é por essa ignorância que eles trazem, por que você vê, ali é uma comunidade basicamente rural, as fazendas tem os peões das fazendas, e a maior parte dos nossos alunos vem das fazendas. Então é diferente quando, igual lá em São José7, era o sitiante e o filho dele estudavam na

escola e era proprietário do sitio e tal, ali não são... Há grandes propriedades, geralmente alugadas pra cana agora, ali no entorno da usina Itaiquara... A comunidade vive em torno daquela atividade econômica que é a usina porque não tem emprego. (...). Então eu vejo que a comunidade, ela é muito carente não só de coisas materiais mas dessa questão cultural... (GESTORA 1)

Aproximando-se da perspectiva da Gestora 1, a Gestora 2 ao comentar sobre a participação dos pais e comunidade junto a escola, expressa na composição de suas falas características laborais para a população acrescida de certa postura política:

...eu sinto esse lado, que é o lado do trabalhador braçal, o trabalhador uma pessoa que esta castigada, cansada. Eu sinto é isso daí, esse trabalho com roça, colhe café, colheita de cana, então você vê, vê que é isso mesmo. (...)

Eles não tem noção de política, eles não sabem politicamente o que ocorre, que se diminuir o numero de alunos fecha classe, que fecha a escola, que a escola pode ser municipalizada. Eles não tem noção. Eles são imaturos ainda. Não é porque eles não gostam da escola. Eles não tem a maturidade pra entender politicamente o que ocorre, acho que falta aí..., as pessoas que trabalham aqui... pela política não...né, não revelam isso até porque não sabem. Eu vejo um pouco assim de ignorância mesmo, sabe? De falta de... ignorância no sentido próprio mesmo da palavra mesmo sabe? (GESTORA 2)

Distanciando eventuais pontos comuns característicos a comunidades de baixa renda na fala das gestoras, a Gestora 2 aponta em seu discurso aspecto de desconhecimento político dos moradores sobre as condições inerentes a escola. Para além de formas de envolvimento da

7 A Gestora 1 refere-se a cidade de São José do Rio Pardo – SP, distante da malha urbana do município de

população junto a escola há a menção, na fala desta gestora, de certo aspecto de imaturidade no trato de questões políticas.

O termo política é tomado nesta composição, aparentemente e em forma geral, como conjunto de mecanismos legais para a regulação e fluência da vida social. Aqui, em um exercício de extensão de raciocínio e estabelecimento de vetor para a leitura, o emprego da adjetivação “imaturidade” pela Gestora 2 à população decorreria de seu entendimento sobre a existência de dificuldade, dos moradores em geral, de percepção sobre a interpenetração de seu micro a um macrocosmo para a composição do cotidiano.

Neste sentido, a ignorância a tais mecanismos figura como sombra de ocaso ou alvorada, compondo quadro sintomático e corroborando tanto a perspectiva de algum hermetismo local quanto a ausência ou carência de acesso a instâncias de clarificação destes próprios mecanismos.

Na tentativa de delineio da densidade de eventual sombra sintoma incidente no distrito, no reconhecimento da ausência de equipamentos sócio culturais que também compõe momento de fala do doador do terreno para a construção da escola, é grafado com uma de suas extensões:

...falta muita coisa pra eles; atividade cultural, atividades esportivas que poderiam envolver a população, principalmente a população mais jovem e não tem nada disso. Então o que eles fazem? Eles bebem muito né. (DOADOR DO TERRENO)

O consumo de bebidas mencionado pelo doador como reflexo da ausência de equipamentos sócio culturais reincide na fala da Gestora 1 e Gestora 2 quando indagadas sobre questão especifica da escola em relação as famílias do distrito:

... fiquei muito surpresa com o numero de bares, mas mais surpresa com o nível de alcoolismo, o índice de alcoolismo... (GESTORA 1)

as famílias são muito carentes, muitos filhos, é... eu vejo muitos desses que por (...) familiar, muita bebida, marido que bebe né, assim tem muito pra mim sabe?”(GESTORA 2)

Em contraposição a composição das falas das gestoras 1 e 2 e do doador do terreno para o delineio de sombra sintoma, a Gestora 3 aponta a solidariedade como elemento positivo e característico da população local:

De positivo eu acho que o pessoal aqui, acho que eles são muito assim: um ajuda o outro, sabe? Eles são solidários, eu acho que aqui tem bastante disso. (GESTORA 3)

Quanto ao morador e ex-membro da Associação de Pais e Mestres da escola, ainda nesta perspectiva de ausências, este mantém a maior dificuldade para o distrito residente na falta de postos de trabalho, atravancando o desenvolvimento local.

Em nenhum momento no conjunto da fala do morador há tessitura ou menção ao consumo de bebidas. Não grafa também, mesmo nos quadros de precariedade por ele eventualmente esboçados, qualquer adjetivação da população local similar as Gestoras 1 e 2 acentuando na infraestrutura ao desenvolvimento socioeconômico do distrito seu grande problema.

Não é assim querendo assim trazer “bajulamento” pra Igaraí , de jeito nenhum, é realmente é isso ponto negativo de Igaraí eu teria que trazer assim. (...) O que judia de Igaraí é o seguinte: pai e mãe ver os filhos saindo tão longe pra trabalhar. É isso, então seria isso meu ponto, se nós tivéssemos aqui indústria onde nós “vesse” nossos filhos trabalhando aqui pertinho de nós, não viajando tanto, seria aquilo que hoje, seria uma alegria muito grande, que prejudica Igaraí. (MORADOR E EX- MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES)

Ao lado da solidariedade como elemento característico e fator positivo da população destacado pela Gestora 3, o morador segue pontuando para a “comunidade” o elemento positivo, primeiro, existente no distrito:

Igaraí em primeiro lugar o que ele tem de positivo é a própria comunidade, sabe? A gente acredita nela. Acredita! Aqui em Igaraí existe documento, existe papel por causa que é uma coisa da época que nos vivemos. Mas em Igaraí é onde o pessoal; um fala e o outro acredita, cumpre. A gente fala com uma pessoa se a gente não pode cumprir com aquela obrigação. A gente tem que avisar um dia antes: “olha aquele compromisso meu...” Aqui vende carro, troca carro, aqui a gente fica devendo pro amigo da gente e não existe promissória, nem cheque pré-datado, nada. É assim: “tal dia eu te pago”. E mesmo a coisa com a gente. Isso é que eu na minha pessoa acho que é positivo aqui dentro. As palavras que são honrada aqui dentro na boca de todo mundo. Essa é a parte positiva que eu vejo, que me prende em Igaraí; que me encanta aqui. (MORADOR E EX-MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS