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O universo da educação superior, e aquele em que cada instituição de ensino está inserida, apresentam constantes mudanças, por diferentes razões, sendo impulsionadas pelo desenvolvimento de avançados serviços tecnológicos de comunicação; por trabalhos de mobilidade acadêmica; pela maior ênfase na economia de mercado e liberalização do comércio; pelo foco na sociedade do conhecimento; pelo aumento do investimento privado e decrescente investimento para a educação do setor público e pela importância crescente do aprendizado ao longo da vida. Assim, a Internacionalização de Ensino torna-se cada vez mais importante e, ao mesmo tempo, mais complexa (KNIGHT, 2005). Perante esse cenário, é possível perceber essas influências nas instituições de ensino superior brasileiras.

2.1.1 Ensino Superior no Brasil

O Brasil foi um dos últimos países da América Latina a construir universidades. No início, as suas classes dirigentes foram educadas na Europa durante o período colonial (1500-1822), sendo que, no Brasil, as primeiras instituições universitárias surgiram apenas no início do século XIX, adotando o tradicional modelo Napoleônico de formação profissional em engenharia, medicina e direito, em escolas que eram localizadas isoladamente em certas capitais (LAUS; MOROSINI, 2005).

Com a melhoria do sistema de educação superior no Brasil, ele foi dividido em universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, escolas ou instituto superior e centros tecnológicos. A diversidade do sistema da educação superior brasileira é demonstrada por meio da relação entre o ensino e pesquisa, sendo que as universidades destacam-se dos outros tipos de instituições por meio da sua condução de pesquisas (LAUS; MOROSINI, 2005) desencadeadas por meio dos cursos de mestrado e doutorado fornecidos.

Essas funções de pesquisa influenciam no grau de internacionalização em que a IES se encontra, uma vez que instituições que envolvem a pesquisa como uma atividade core (que são atividades centrais da instituição) têm a tendência de desenvolver um nível maior de internacionalização em comparação àquelas instituições que estão apenas envolvidas com ensino (LAUS; MOROSINI, 2005).

Desta forma, as pesquisas e o ensino podem não ser realizados somente no âmbito do país de origem. Diversas podem ser as alianças e acordos de cooperação entre instituições de ensino estrangeiras, ou até mesmo de maneira individual por cada professor, em grupos de pesquisas. As barreiras relacionadas à distância para o compartilhamento do conhecimento e comunicação estão cada vez menores devido ao avanço da globalização, que exerce constante influência nas instituições de ensino superior (PARKER; GUTHRIE, 2010).

2.1.2 Impactos da globalização nas instituições de ensino superior - IES

Nos últimos anos, diversas foram as pressões exercidas sobre a população, independentemente do contexto profissional, cultural ou geográfico em que elas se inserem, para que elas passassem a interagir com outras de diferentes origens culturais. Dessas pressões, as mais significativas são (STONE, 2006):

 Economias globalizadas, mercados e alianças internacionais;

 Acelerado desenvolvimentos de tecnologias de informação e comunicação (TICs);

 Crescimento da mobilidade internacional;

 A miscigenação das culturas em todo o mundo e  A internacionalização dos programas institucionais.

Com a propagação mundial da tecnologia de comunicação e a migração de pessoas para todos os locais, já não existem enclaves sociais, étnicos ou religiosos isolados, refletindo a diversidade presente no mundo (ABDULLAHI; KAJBERG; VIRKUS, 2007).

Para suprir essa necessidade de integração influenciada pela globalização, diversas instituições de ensino, assim como quaisquer empresas, devem se adaptar a essa nova realidade. Essa adaptação significa que elas têm a responsabilidade de preparar seus alunos para as novas competências globais, buscando proporcionar a eles o conhecimento e as habilidades necessárias para se adaptarem a elas e trabalharem de forma eficaz em todas as nações, respondendo às influências da globalização no mercado de trabalho (ABDULLAHI; KAJBERG; VIRKUS, 2007; ALON; McALLASTER, 2009).

Dado o impacto exercido pela globalização no contexto em que estão inseridas as instituições de ensino superior, é possível notar a sua influência no escopo das políticas internas às universidades, bem como nas práticas profissionais e no aumento da cooperação internacional entre redes de profissionais ou pesquisadores na condução de projetos de pesquisa colaborativos (VAN SWET; ARMSTRONG; LLOYD, 2012).

Porém, não se deve confundir globalização e internacionalização, uma vez que muitos pesquisadores têm evitado utilizar o termo “globalização da educação” (MIURA, 2006). A discussão a ser feita é que a “globalização da educação” não deve ser um fim por si só, mas o termo deve ser apresentado como um fenômeno que afeta a internacionalização. Para isso, diversos esforços foram feitos para que o foco fosse mantido na “Internacionalização de Ensino”, evitando, assim, o uso do termo “globalização da educação” para que essas expressões não sejam vistas como sinônimos e nem de forma intercambiável (KNIGHT, 2008).

A globalização é, conforme aponta Knight (2008), um processo que pode afetar os países de diversas maneiras, seja econômica, cultural, política e tecnologicamente. Um aspecto fundamental desse termo é que se refere às fronteiras de países e ao seu movimento atuante no escopo mundial; sendo este, então, diferente de “internacionalização”, que enfatiza as relações das nações e entre estas (KNIGHT, 2008).

A globalização é capaz de exercer influências em diversas áreas e escolas e, especificamente nas escolas de Administração ou fornecedores de qualquer

educação em gestão, ela parece ter se tornado uma condição necessária (DE MEYER, 2012). O aumento dessa velocidade do crescimento da internacionalização nas escolas de Administração, dentre outros motivos, se dá pelo fato de que os alunos precisam estar preparados para carreias internacionais, pois eles almejam que suas escolas conquistem novos horizontes e também que os professores busquem adicionar valor às suas carreiras por meio de experiências internacionais.

“A internacionalização está mudando o mundo da educação superior, e a globalização está mudando o mundo da internacionalização” (KNIGHT, 2008, p.1).

2.1.3 Ensino Superior: As escolas de Administração

A globalização, principalmente no contexto das escolas de Administração, não é um fenômeno novo e nem recente, porém evolui de uma maneira cada vez mais rápida. A sua velocidade tende a aumentar, enquanto a população acadêmica mantiver essa visão além das fronteiras, buscando por meio dela recursos, ideias, eficiência e serviços (DE MEYER, 2012).

Nesse cenário acadêmico influenciado pela globalização para Internacionalização de Ensino Superior, um importante papel é desempenhado pelas escolas de Administração, pois um ponto importante para a efetividade do seu processo de internacionalização pode ser o alcance de acreditações internacionais, como a acreditação fornecida pela The Association to Advance Collegiate Schools of Business (AACSB).

Essa acreditação é caracterizada, inicialmente, pela padronização das instituições e programas de acordo com seus critérios de avaliação, que limitam a seleção e refletem o nível da instituição e seus programas; em segundo momento, avaliam a IES e a melhoria da sua qualidade (ALMOG-BAREKET, 2012). Há também a ênfase na contínua liderança de ideias e do desenvolvimento de uma visão abrangente e duradoura para a gestão da educação e do seu papel na sociedade (THOMAS; CORNUEL, 2011).

As escolas de negócio são valorizadas devido ao grande crescimento no número de matrículas e ao número de alunos de graduação envolvidos com estudos da área de gestão e negócios (THOMAS; THOMAS, 2011). Entretanto, diversas críticas são feitas a estas IES, afirmando que elas não possuem legitimidade e identidade profissional unificada. Por esse motivo, elas precisam estar dispostas a mostrar claramente um senso de propósito, de moral, de ética e posicionamento em relação ao seu papel na sociedade (THOMAS; CORNUEL, 2011).

Nessas circunstâncias que envolvem as IES, de controvérsias e ambiguidades de negócios, a alta direção dessas instituições apresenta incertezas quanto a quais decisões tomar em longo prazo e, consequentemente, questões como a influência da globalização e inovação, o impacto das pesquisas, bem como a importância de se ter perspectivas claras quanto a sua responsabilidade social e liderança, estarão à frente da necessidade da contínua avaliação das escolas de negócio (THOMAS; CORNUEL, 2012).

Diversos trabalhos podem ser observados e analisados na literatura para enriquecer as discussões a respeito do contexto das IES de negócios (THOMAS; CORNUEL, 2011). As principais questões apresentadas e discutidas pelas agências acreditadoras são relacionadas ao perfil dos alunos dessas escolas, com a importância de lideranças nos processos estratégicos da própria escola e com a análise, no contexto geral das instituições de ensino superior, de qual é o futuro das escolas de Administração.

A AACSB evidencia que a escola de negócios deve dar a atenção necessária a essas questões, bem como à necessidade do equilíbrio do currículo em torno da questão social, ética e da responsabilidade corporativa (SCHLEGELMILCH; THOMAS, 2011). Por isso, os autores afirmam que as rápidas mudanças que se realizam em gestão da inovação e da globalização exigem, também, o desenvolvimento de gestores que sejam inovadores, criativos, que possuam mentalidade global, entendimentos e sensibilidades de outras culturas, exigindo, portanto, a rápida adequação do currículo da IES às novas exigências do mercado.

Além de acreditações internacionais e adequação do currículo, o processo de internacionalização das escolas de Administração busca que tais instituições sejam capazes de se adequar a diversos outros critérios, como reestruturar os seus processos institucionais, formular a missão da instituição, delimitar o tipo de público estudantil que ela pretende atender, estabelecer o seu processo de melhoria contínua, determinar as responsabilidades dos docentes e discentes, dentre outros (AACSB, 2012). Dessa forma, no contexto das escolas de Administração, pode-se perceber a aceitação e adaptação dessas instituições ao processo de Internacionalização de Ensino Superior.

2.2INTERNACIONALIZAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR:DEFINIÇÕES,ABORDAGENS E POLÍTICAS,