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Deutscher (2008) já introduziu no objetivo de sua tese de doutorado que a Métrica dos Recursos Intangíveis, denominada no seu estudo como Rating de Capitais Intangíveis, ao mesmo tempo em que permite aos financiadores, investidores e demais partes interessadas (stakeholders) conhecerem o posicionamento competitivo da empresa face ao mercado, também permite que as empresas estabeleçam seus planos de ação para construir ou adquirir recursos intangíveis.

O foco do BNDES até este momento tem sido o de estabelecer os ajustes finais da metodologia a ser incorporada na avaliação de risco de crédito das empresas de forma a realizar nova validação com grupo de 60 empresas e, enfim, colocar em prática a nova metodologia que deverá responder por, pelo menos, 50% do peso da avaliação que o Banco fará da companhia (Exame, 2009)

Em paralelo, está sendo trabalhada a questão da conscientização dos funcionários da instituição sobre a relevância do tema – capitais intangíveis – no dia a dia de seus trabalhos. Foi desenvolvido recentemente um programa de desenvolvimento profissional dos funcionários fundamentado em dois pilares: as políticas e as práticas operacionais do BNDES e o papel do BNDES como agente de desenvolvimento econômico. Neste segundo pilar são tratados temas como inovação e políticas de desenvolvimento, estratégia empresarial, capitais intangíveis, etc.

Não está sendo proposto o uso da metodologia pelas equipes responsáveis pelas operações de financiamento (análise e acompanhamento) visto que a Área de Crédito tem a obrigação regulamentar de realizar periodicamente a atualização da avaliação de risco de crédito que em breve já contemplará o Rating de Capitais Intangíveis. O resultado desta avaliação é repassado para as equipes técnicas responsáveis e, apesar do seu caráter sigiloso – trata-se de um documento interno que não pode ser levado ao conhecimento da empresa – serve de insumo para o acompanhamento qualitativo das empresas da carteira.

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A postura de credor não pressupõe uma atividade mais intensa no dia-a-dia da empresa com vistas à criação de valor. Este é um papel das equipes da ACE e da AMC que representam o interesse do acionista BNDESPAR, o qual deseja a criação de valor econômico, social, ambiental, etc. das empresas da sua carteira de investimentos.

Pegando carona na proposta de uso citada por Deutscher (2008), este estudo propõe a adoção da ferramenta de BSC de Capitais Intangíveis pela equipe de gestão da carteira de investimentos em PMEs (ACE/DEGEP).

Adicionalmente, a ferramenta poderá ser utilizada pela equipe de investimento (ACE/DEIN) com o objetivo de estruturar a avaliação qualitativa das empresas a serem investidas pela BNDESPAR e verificar o nível de conscientização de seu corpo gestor sobre a relevância dos capitais intangíveis no seu negócio, bem como comprometimento em articular iniciativas voltadas para a construção de vantagens competitivas adicionais. O resultado desta análise sistematizada pode constar do Relatório de Análise da operação de forma a prover mais insumos para a tomada de decisão por parte da Diretoria da BNDESPAR acerca da aprovação ou não do investimento ora proposto.

O uso do BSC de Capitais Intangíveis pela ACE/DEIN é importante, ainda, para fornecer embasamento sobre a viabilidade de execução do projeto de crescimento descrito no Plano de Negócios desenvolvido pela empresa em análise. Em outras palavras, é uma ferramenta importante para fortalecer a tese de investimento que será encaminhada para a deliberação da Diretoria da BNDESPAR.

Ademais, o fruto desta análise qualitativa pode ser uma fonte de insumos para que a ACE/DEIN estruture uma proposta sobre os principais tópicos que, na sua análise preliminar, devam ser observados no acompanhamento da empresa pela ACE/DEGEP no caso do investimento ter sido aprovado pela Diretoria da BNDESPAR.

O dinamismo dos mercados na era do conhecimento implica em igual dinâmica na gestão estratégica das empresas. A gestão dos capitais intangíveis deve ser proativo e flexível o suficiente para acompanhar as mudanças de mercado. Neste sentido, a metodologia desenvolvida por Deutscher ao considerar a teoria das capacitações dinâmicas de Teece e Pisano (1994) possibilita seu uso como instrumento de gestão. Ademais, auxilia no próprio processo de planejamento estratégico pelo caráter de retro-aprendizado do sistema tal como proposto por Telles e Luchesi (2004).

O papel do DEGEP na era do conhecimento torna-se cada vez mais relevante para as pequenas e médias empresas que ainda estão na curva de aprendizado de gestão e sustentabilidade. A sua visão de longo prazo permite uma atuação indutora de boas práticas de gestão, incluindo a identificação e a sustentação de ativos intangíveis com foco na criação de valor. Neste contexto, a

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ferramenta do BSC de Capitais Intangíveis auxilia de forma objetiva o processo de desenvolvimento destes capitais na medida em que o BSC foi concebido com o objetivo de ser uma ferramenta de gestão estratégica baseada na lógica de aprendizado e, com isso, adere ao dinamismo de mercado inerente à era do conhecimento.

Anualmente os gerentes da ACE/DEGEP devem elaborar um documento denominado “Relatório de Acompanhamento Anual”, o qual contém os seguintes assuntos:

1. Histórico da Empresa

2. Estratégia competitiva

3. Aspectos de gestão

4. Evolução da empresa após a entrada da BNDESPAR

5. Desempenho econômico-financeiro

6. Aspectos jurídicos

7. Pontos críticos

8. Plano de ação

Este documento tem como principal objetivo demonstrar os avanços que já foram dados pela empresa após a entrada da BNDESPAR na sua estrutura acionária de forma a demonstrar o esforço de atuação junto à empresa neste período, assim como estabelecer os pontos principais que devem ser priorizados no próximo ano nas reuniões de acompanhamento com os profissionais e com os demais acionistas da empresa. No meio do ano os itens “7. Pontos Críticos” e “8. Plano de Ação” são revistos de forma a avaliar a necessidade de possíveis redirecionamentos no trabalho a ser realizado pelos gerentes e técnicos junto às empresas.

A adoção do BSC de Capitais Intangíveis como ferramenta de auxílio na gestão das participações nas PMEs da carteira de investimentos da BNDESPAR cria insumos importantes para melhor justificar a estratégia competitiva adotada pela empresa, além de possibilitar o mapeamento da estratégia relacional, tão relevante na era do conhecimento, como apontado por Silva Junior (2009). Neste sentido, seria importante agregar a estratégia relacional ao capítulo que trata da estratégia competitiva de forma a demonstrar para o público interessado no documento intitulado “Relatório de Acompanhamento Anual” as iniciativas adotadas pela empresa voltadas para a criação de valor.

Ademais, a adoção do BSC de Capitais Intangíveis fornece subsídios para identificação de pontos críticos e proposta de ações a serem inseridas no capítulo intitulado “plano de ação” voltadas para a construção e manutenção dos capitais intangíveis pelas empresas.

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Importante destacar que a exeqüibilidade do plano de ação depende de um entendimento previamente estabelecido com os gestores das empresas acerca das competências realmente importantes para seu nicho de mercado. Um mecanismo útil para o acompanhamento da execução do plano de ação é a elaboração por parte dos gestores das empresas do Relatório de Capitais Intangíveis tal como proposto por Deutscher (2008) e com as inclusões sugeridas nesta dissertação na seção 3.2. Este relatório pode ser elaborado com periodicidade anual e ser entregue como um suplemento ao Orçamento Programa e Plano de Investimentos Plurianual.

Ressalte-se que, apesar da elaboração do plano de negócios ser um item de apresentação obrigatória anual por força do acordo de acionistas celebrado entre as empresas e a BNDESPAR, grande parte das mesmas apresenta dificuldades na elaboração do documento por razões como: (i) estrutura organizacional enxuta na qual os executivos acabam utilizando parte do seu tempo em atividades operacionais, comprometendo o tempo dedicado a atividades estratégicas; (ii) falta de cultura da importância da elaboração de um planejamento estratégico; (iii) inexperiência no processo de formulação de um plano estratégico coerente e sustentável. Essas características já foram apontadas na seção 2.1.2. como inerentes a empresas de pequeno e médio porte.

Destarte, a equipe da ACE/DEGEP tem um papel de conscientizar os gestores das empresas da relevância da construção e manutenção dos capitais intangíveis de forma aderente ao processo de planejamento estratégico de forma a transformar o cumprimento da obrigação em um processo construtivo com clara percepção de criação de valor, minimizando a visão de mero cumprimento de burocracia para a acionista BNDESPAR.

4.3. AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO ENCAMINHADO AOS