2.3 Bid-Ask Spread Estimators
4.1.2 Liquidity Uncertainty before and after the Lehman Brother’s Insolvency
As ciências da linguagem colocam-nos sob o prisma da letra e, na perspectiva da presente pesquisa, a abordagem analítica nos fornece ferramenta adequada para essa leitura, seja por sistematizar elementos discursivos, fraturar o texto ao nível de evanescente perda de sentido, ou mesmo por desvelar subjetividades por entre as fendas da fratura. Exatamente nesse ponto, o trabalho ganha em lançar o sujeito farmacotímico como hipótese e permite considerações sobre a subjetividade na era moderna. Além de promover a desconstrução literal das reportagens, fomenta a leitura e convida ao trabalho de elaboração sobre os efeitos produzidos pela fragmentação dos enunciados. Evidentemente, isso não se produz da mesma forma pela imagem, o que justifica a escolha das reportagens impressas para fins dessa pesquisa e a abrangência temporal das publicações. Lyotard [ 1987] lança luzes sobre a questão, cuja pertinência às mídias da atualidade é inegável.
A legitimidade, como temos afirmado, está assegurada pela potência do dispositivo
narrativo: cobre a multiplicidade das famílias de frases e de possíveis gêneros de discurso, e compreende todos os nomes; sempre é atualizável e tem sido assim desde sempre. O dispositivo, como é diacrônico e paracrônico, assegura o domínio do tempo, ou seja, da vida e da morte. O relato é a autoridade em si mesma. O relato autoriza um nós indestrutível, acima do qual só existem eles 91.
Podemos pensar, a partir dessa afirmação sobre a legitimidade do relato, que a noção de consenso se introduz com eficácia no seio das publicações da imprensa, o que não raro cria uma ilusão de necessidade de adequação aos valores veiculados ou inscritos nas reportagens. Sem questionar a qualidade das revistas semanais escolhidas para a amostragem da pesquisa, é por essa razão que elas adquirem a confiabilidade dos leitores, tornando-se dignas por promover e reabsorver a opinião pública. Entre os fatores que deram origem ao projeto de pesquisa para essa dissertação, era notável que diferentes pacientes, que foram atendidos ao longo de dez anos no âmbito da clínica com dependentes, reproduziam falas ou idéias genéricas sobre psicoativos que normalmente encontravam-se escritas em matérias jornalísticas e reportagens de revistas,
corroborando a noção de senso comum. Desse modo, é importante que Lyotard levante a questão sobre o nós da idéia transmitida pelas narrativas em geral e da reflexão sobre a humanidade.
A escrita jornalística em grande medida se aproxima do texto falado, seja pela forma documental, pela prática da entrevista ou do tecido dos depoimentos, ou ainda pelo estilo e pela argumentação dos autores. Essa questão que faz a diferença e que pode aproximar o texto escrito da linguagem falada é pertinente ao trabalho que segue, em vista da leitura analítica a que nos propusemos desde o início. Logicamente, para os objetivos dessa pesquisa, não se trata de fazer uma investigação interpretativa ao modo de uma psicanálise da imprensa. Tal aplicação tornaria a elaboração inviável do ponto de vista de uma práxis analítica, que se sustenta pelo vínculo de transferência interpessoal com o analista, como pelo aspecto de linguagem associado à enunciação do sujeito. Isso significa que o discurso analítico só se torna possível a partir do trabalho de livre associação que introduz a questão do sujeito do inconsciente. No entanto, é evidente que as publicações jornalísticas se reportam ao campo da linguagem, referindo-se ao mesmo caldo cultural que define o Outro enquanto lugar e cornucópia de representações pulsionais.
Na leitura sobre as reportagens da imprensa, consideramos que o trabalho das mídias movimenta de modo privilegiado diferentes tipos de discurso, atualizando significações e enunciados, assim como lançando significantes que encontram sentido no desenvolvimento do texto, mas que podem delir do mesmo modo que aparecem. Assim, como desconsiderar depoimentos recolhidos pelos repórteres, mesmo que se oponham à tese defendida pela reportagem? Muitas vezes, mediante os impasses criados pela relação do suposto consenso criado pela matéria, com atitudes moralmente reprováveis de jovens entrevistados, somos levados a conceber a equivalência significante de tais argumentações. I sso se justifica pelo valor equânime dos pontos de amarração da linguagem, e também pelo aspecto discursivo que caracteriza cada fala no texto. Juranville [ 1987] , ao abordar a teoria dos quatro discursos de Lacan, permite que possamos sobrepor ao texto jornalístico o aspecto valorativo dos significantes, quanto à posição de mobilidade do sujeito.
O discurso tem uma consistência que é a mesma da estrutura do inconsciente. E essa consistência é necessariamente experimentada por um sujeito como seu saber. À ilusão de um saber especulativo, que produz o enunciado da ‘verdade’ do discurso, corresponde a realidade do saber inconsciente. Esse saber, que marca simplesmente que a estrutura [ aqui, do discurso] tem sentido para um sujeito que se inscreve nela, baseia-se num significante [ o da identificação simbólica] que pode vir a ocupar qualquer lugar da estrutura. Mas esse
significante é inseparável do significante paterno que o sustenta e ao qual faz referência. Desses dois significantes se deduzem os termos sujeito e objeto e se constitui uma nova cadeia significante, que segue a ordem significante da estrutura do discurso e desliza sobre ela com o deslocamento do saber. Surgem então quatro possibilidades estruturais que determinam um número idêntico de discursos 92.
Estabelecemos que as mídias se encontram em lugar privilegiado no aspecto de gerar oposições ideativas e criar alguns ícones representativos, favorecendo a fixação duradoura de algumas marcas no panorama das identificações consensuais. Por outro lado, propiciam a perda de sentido justamente pela amplitude da própria constelação de informações. Nesse ínterim, a teoria dos quatro discursos de Jacques Lacan tem uma função operatória importante na elucidação dos lugares que o sujeito pode ocupar na cadeia significante ou nesta cinética originária dos discursos. Conforme antecipamos, os quatro lugares estruturais são ocupados por significantes definidos, como os seguintes: o sujeito [ $] , o significante-mestre [ S1] , o significante do saber [ S2] e o objeto mais-gozar [ a] . Os lugares se apresentam como em fórmulas matemáticas, o que constitui um dos matemas da psicanálise lacaniana, em que a barra garante a função do recalque, ou seja, divisão constituinte de cada discurso em relação à verdade e os efeitos produzidos.
Agente Outro Verdade Produção
Assim, estabelecidos os lugares estruturais, os significantes podem se movimentar em giros por progressão [ sentido horário] ou por regressão [ anti-horário] , definindo os quatro discursos.
Discurso do Mestre: S1 S2 Discurso da Universidade: S2 a
$ a S1 $
Discurso da Histeria: $ S1 Discurso do Analista: a $
a S2 S2 S1
A implicação de cada significante nos diferentes lugares é o que oferece sentido a essa formalização dos discursos. O discurso do mestre [ ou do senhor] é o que institui o significante primordial no lugar do agente e caracteriza o discurso do poder na determinação da lei. É também o que fundamentalmente define o inconsciente. O sujeito encontra-se subordinado à materialidade da cadeia significante e essencialmente se pronuncia em busca do objeto que resta de seus
encadeamentos, isto é, o objeto que o implica na ordem do gozo [ o mais-gozar] enquanto fantasia de satisfação do desejo. O discurso do mestre sustenta exatamente o estatuto do desejo no inconsciente, na medida em que determina a posição do sujeito representado metonimicamente em função do objeto mais-gozar e da cadeia significante que o institui no desejo do Outro.
No entanto, esses elementos significantes situados nos diferentes lugares permitem leituras que mantêm estrita relação com o trabalho clínico a partir do discurso analítico. Para fins da presente dissertação, que diverge absolutamente de uma abordagem analítica nesse sentido, reconhecemos os tipos de discurso que transparecem ou que se deixam deduzir dos fragmentos sistematizados das reportagens e que mantêm um valor de significação operacional. Podemos afirmar que a imprensa promove o giro dos discursos dentro de um sistema de relações sociais, lançando principalmente o ponto de vista crítico sobre as mais diversas questões, costumes e comportamentos. Como salientamos no primeiro capítulo, sobre a importância das mídias e da informação na atualidade, pensamos que há uma imbricação valorativa produzida no âmbito das mídias que induz inadvertidamente uma leitura consensual sobre a realidade. Porém, e isso implica a hipótese desse trabalho, desvela elementos significantes que permitem supor a transmissão de uma sintomática articulação social.
Por esse motivo, convém investigar a partir dos quatro discursos os significantes que ocupam o lugar da produção ou do efeito de sentido na sistematização dos conteúdos veiculados pelas reportagens. A imprensa basicamente se movimenta e circula por entre os discursos do mestre, do universitário e da histeria. Como observamos, o discurso do analista restringe-se à prática da psicanálise, pois é o único que permite e garante a enunciação do inconsciente como saber, colocando o mais-gozar no lugar do agente e o S1 no lugar da produção. Quanto a esse aspecto diferencial, notamos que o discurso da universidade e o da histeria giram em torno do discurso do mestre. O primeiro situa o significante primordial como verdade absoluta e faz semblante de saber no lugar do agente, produzindo no outro a fratura subjetiva de uma falta-a- ser, de uma adequação a um saber cuja abrangência precipita-se na demanda cultural. Sobre o segundo, é o próprio sujeito que movimenta a busca persistente de um saber sobre o gozo que o invoca, levando a uma incessante produção de sentidos que consistem impossibilitados de atingir a própria causa, que é o objeto mais-gozar. O discurso da histeria é também o discurso que caracteriza a evolução da ciência, que avança incessantemente na produção de novos conhecimentos e saberes independentes da condição subjetiva que a incita.
Portanto, a partir da produção enigmática que envolve a questão do objeto de gozo, ou seja, que marca uma perda ou uma falta no gozo pleno [ mais-gozar] , encontramos uma
série de enunciados significativos na imprensa, fomentando a idéia de um saber narrativo sobre as substâncias e seu gozar que se reproduz nos textos. Na movimentação dos discursos situamos o desvanecimento de uma suposta ordenação, assim como o efeito evanescente da produção, aquilo que determina o caráter de retorno de certas falas ou de certas marcas no texto. Não podemos deixar de considerar que a particularidade do consumo de substâncias psicoativas não somente provoca uma série de associações que examinaremos adiante, mas também gera o mesmo efeito de desvanecimento nos discursos, na medida em que instaura a falta-a-saber vinculada à atividade psíquica e ao gozo da experiência. A esse fator atribuímos valor de índice da repetição associado ao consumo culturalmente instituído como sintoma no âmbito social, e essa é a razão do título da leitura e dissertação.
Também não podemos deixar de identificar o que oferece sustentação ao movimento significante nas estruturas do discurso. No seminário sobre as formações do inconsciente, Lacan [ 1999] situa as trocas simbólicas na articulação dos significantes, baseando-se no trabalho Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia de Roman Jakobson [ 1977] 93, onde o autor estabelece o duplo caráter de funcionamento da linguagem.
Como já enunciei várias vezes ao longo dos anos precedentes, as características do significante são as da existência de uma cadeia articulada que tende a formar grupos fechados, isto é, compostos de uma série de anéis que se prendem uns aos outros para constituir cadeias, as quais, por sua vez, prendem-se a outras cadeias à maneira de anéis. [ ...] A existência dessas cadeias implica que as articulações ou ligações do significante comportam duas dimensões; aquela que podemos chamar de combinação, continuidade, concatenação da cadeia; e a da substituição, cujas possibilidades estão sempre implicadas em cada elemento da cadeia. [ ...] Em outras palavras, em todo ato de linguagem, embora a dimensão diacrônica seja essencial, há também uma sincronia, implicada, evocada, pela possibilidade permanente de substituição que é inerente a cada um dos termos do significante 94.
É notável que Lacan tenha vinculado à operação de substituição, ou seja, à dimensão metafórica da linguagem, um aspecto de sincronia que precisamente nos lança novamente à questão da temporalidade no inconsciente. No jogo de intercâmbio significante, existe uma coexistência de representações e idéias, por vezes opostas e contraditórias, cuja equivalência valorativa permite que se vislumbre a função propriamente dita do recalque ou da censura
93 Cf. JAKOBSON, Roman. “Dois aspectos da linguagem e dois tipos de afasia”. In: Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1977.
superegóica. A seleção ou o funcionamento de substituição remete à noção de sintoma e aos preceitos disciplinares no plano social, cujo imperativo parece balizar modos civilizados de gozar, mas que contém na própria enunciação sua antítese idiossincrásica. Assim, pelo critério de seleção, os procedimentos normativos no seio da cultura muitas vezes são paradigmas de idéias que se pretendem recalcadas. Por esse motivo, Freitas [ 1992] discorre sobre o campo dos discursos em relação às mediações jornalísticas, fomentando o aspecto multifacetado dos vínculos sociais inerentes a ele.
Discurso como o lugar onde, ‘em um estranho pacto’, defrontam-se: o sexo e a morte, o símbolo e o corpo, o trabalho e o desejo, o sujeito e a história. [ ...] O discurso, trânsito do
inconsciente, imbricação da socialidade e da singularidade, o laço social, delineia-se como a possível direção em que recolocar o problema da comunicação. No entanto, o seu campo não é possível de domínio através do espelho, das formalizações e dos modelos: é a dialética a única via para sublinhar o seu caminho 95.
Assim, temos elementos para pensar no aspecto discursivo que se apresenta ao longo dos anos de publicação dessas reportagens sobre substâncias: emergências, impasses, indagações e oposições. O trabalho de sistematização que segue no próximo capítulo demonstra que na cultura brasileira os psicoativos estão bastante presentes, e toda a escritura significante que se fez sobre eles ao longo desses 35 anos conduz a uma consistência simbólica e histórica. Trata-se de uma forma de ler o texto escrito e falado por meio das reportagens. A leitura da articulação das palavras oferecida por um texto jornalístico carrega consigo posições diversas do modo como o leitor pode interpretá-las. Todo texto é compreensível no âmbito de uma abrangência que nem sempre corresponde aos sentidos explicitados pelo jornalista. Essa amplitude diz respeito ao universo das representações de quem o lê, um campo de articulações significantes por vezes ambíguo e permeado por atos nem sempre sustentáveis do ponto de vista das manifestações verbais. Barthes [ 1970] ao trabalhar com a novela Sarrasine de Honoré de Balzac introduz essa questão sobre outro enfoque.
[ Ler] É um trabalho [ razão pela qual seria melhor falar de uma ato lexiológico – lexiográfico
até, já que escrevo minha leitura] cujo método é topológico: não me oculto no texto, simplesmente nele, não me podem localizar: minha tarefa é movimentar, deslocar sistemas cujo percurso não pára no texto nem no ‘eu’: os sentimentos que encontro são revelados, não pelo ‘eu’ ou por outros, e sim por sua marca sistemática: a única prova de uma leitura é a qualidade e a resistência de sua sistemática; em outras palavras: seu funcionamento. Na verdade, ler é um trabalho de linguagem. Ler é encontrar sentidos, e encontrar sentidos é
nomeá-los; mas, esses sentidos nomeados são levados em direção a outros nomes; os nomes mutuamente se atraem, unem-se, e seu agrupamento quer também ser nomeado; nomeio, renomeio: assim passa o texto; é uma nomeação em devenir, uma aproximação incansável, um trabalho metonímico 96.
No trabalho de sistematização dos elementos de discurso extraídos das reportagens evidenciamos uma perda de sentido ocasional, principalmente quanto a certas falas descentralizadas do texto original. Concebemos que alguns enunciados remetem logo a novos sentidos, enquanto outros permanecem como lastro de um discurso. Certas falas sugerem idéias semelhantes que podem ser atribuídas tanto às substâncias lícitas como para as ilícitas, gerando momentaneamente um conflito em relação ao sentido oferecido pela reportagem. Evidentemente, para se ter acesso pleno ao texto original, é necessário que o leitor se reporte ao conteúdo apresentado nos anexos dessa dissertação 97. Kristeva [ 1974] adverte que a psicanálise propõe uma alternativa à problemática da produção de sentido e do sujeito da linguagem instaurando o “primado [ sincrônico] do significante sobre o significado”.
O princípio da primazia do significante instaura na linguagem analisada uma sintaxe que passa por cima do sentido linear da cadeia falada, e liga unidades significantes localizadas em diversos morfemas do texto, seguindo uma lógica combinatória. [ ...] Desta
fragmentação, ramificação. Deste desbaste da cadeia significante resulta uma rede
significante complexa na qual o sujeito evoca a complexidade movediça do real, sem poder fixar aí nenhum nome com um sentido preciso [ salvo ao nível de conceito] porque “não há nenhuma significação que se mantenha a não ser pelo retorno a uma outra significação” [ Lacan] 98.
I sso se torna paradigmático de como, ao se enganchar o sujeito ao significante, adquire a real dimensão de um assujeitamento ao sentido nomeado. Ou seja, na ordem do sintoma, tanto na particularidade do corpo como na amplitude da sociedade, identificamos as marcas que falam do sujeito, no caso, o sujeito farmacotímico. Esse nomear do sentido se expressa em função da conjunção dos planos simbólico e imaginário. Precisamente na consistência criada por esses registros, cuja realidade se introduz discursivamente, reconhecemos a vertente sintomática que se transmite pela imprensa ao longo do tempo. O sintoma se inscreve como uma das formações do inconsciente, o que não está absolutamente alheio às contingências culturais nas quais se manifesta. Ao dizer que o inconsciente está estruturado como uma linguagem, segundo
96 BARTHES, Roland. S/Z. Uma análise da novela Sarrazine de Honoré de Balzac. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1992, p. 44.
97 Cf. Anexo d. Amostragem.
Lacan, somos impelidos a averiguar de que linguagem se trata. A linguagem que diz respeito à psicanálise não é a mesma dos lingüistas, pois é em torno dos seus limites ou de sua perda de sentido que se deduz o corpo a partir do que fala o sintoma. O sintoma, mais uma vez, informa sobre o gozo na sua íntima relação e na justa medida dos imperativos sócio-culturais, o que pode incluir modos automáticos de ação, pensamentos recorrentes, delírios, etc.
O conceito de corpo difere do de organismo. O corpo não funciona, mas faz nó, consiste. E todos os seus elementos são parecidos. Assim é nos corpos químicos. Fala-se, da mesma forma, em corpo docente, ou em médicos como corpo médico. Aparece um corpo porque há um nó, o nó do tempo. O tempo é corpo, não cessa de dar nó, de pro-vir, depois re-vir sobre si mesmo, pré-venir [ o que equivale a passar por baixo e depois por cima, ou o contrário, ‘garantia’ única do nó] e então pro-vir novamente. A consistência do nó é a consistência do corpo, sua ‘textura’, seu ‘estofo’.
[ Nó do tempo]
Enquanto consistência do significante puro, a consistência se supõe a si mesma, e é como suposto da consistência que o corpo se enlaça. Um ‘corpo’ verdadeiro tem realmente como constituinte o significante. Por isso mesmo, ele é o sujeito que se dá o gozo. O corpo do homem se posiciona como ‘lugar’ do gozo [ e, como veremos, do sofrimento] 99.
O corpo é o lugar do gozo e do sintoma, enquanto modo de gozar do inconsciente. Como afirma Juranville, entendemos ser viável falar de um sujeito farmacotímico como produção sintomática de um corpo social, apreensível a partir do recorte do texto enunciado nas matérias jornalísticas, ou seja, o corpus da pesquisa. Levando a termo a leitura criteriosa que define certas marcas e lugares, estamos propiciando o surgimento de um saber sobre o que transita por entre as falas, um saber que sugere a enunciação de um sujeito e que se precipita dentro da elasticidade temporal, que consiste no nó do tempo. Esse sujeito impessoal torna-se então passível de crítica, de disciplina, de identificação, de interrogação, de incorporação e de gozo.