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Sabendo que as interações entre as crianças, no contexto de creche, no momento da

brincadeira livre favorecem o desenvolvimento das crianças (Bonome-Pontoglio &

Marturano, 2010; Borges & Salomão, 2003; Oliveira & Ferreira, 1993; Souza & Batista,

2008; Teixeira & Volpini, 2014), questionei-me acerca das interações que as crianças

com idades compreendidas entre os 12 e os 24 meses estabeleceram entre si, no momento

de brincadeira livre, ao redor e dentro da casinha, definindo como objetivos

 Observar as crianças, de 12 a 24 meses, da sala “Colmeias” de uma Instituição

Particular de Solidariedade Social (I.P.S.S.) da Batalha, na casinha, durante dez

minutos, em oito dias;

 Identificar o tipo de interações entre pares na casinha;

Refletir sobre a interação entre pares no momento de brincadeira livre.

Seguindo uma metodologia qualitativa/descritiva com dados quantitativos, este estudo

exploratório, descreve o que foi observado de forma profunda e com rigor (Canastra,

Haanstra & Vilanculos, 2014; Silva & Menezes, 2005; Sousa & Baptista, 2011).

1. Contexto de investigação e participantes do estudo

O estudo desenvolveu-se na sala “Colmeias” da creche do Centro Infantil Moinho de

Vento (C.I.M.V.), uma I.P.S.S. do concelho da Batalha.

Os participantes foram dezasseis crianças, oito do género masculino e oito do género

feminino, com idades compreendidas entre os 12 e os 24 meses, identificadas com letras

maiúsculas para preservar em sigilo a sua identidade.

Apesar de ter realizado a recolha de dados com todo o grupo de crianças, neste estudo

serão apresentados os dados de cinco crianças, aquelas cujas interações observadas

revelaram uma maior quantidade de evidências por dia: a L.B. (15 meses), o K. (21

meses), a M. (23 meses), o A.2 (14 meses) e o I. (24 meses) - idades cronológicas em

janeiro de 2015.

Caracterizando de forma breve estas cinco crianças, um dado que ressalta é que todas são

capazes de exprimir as suas emoções, como a tristeza (choro) e a alegria (sorriso), no

entanto, por vezes, não são capazes de as identificar nas outras crianças (Papalia & Olds,

2000).

Tendo mais de treze meses e não revelando atrasos de desenvolvimento, as crianças já se

deslocavam, através da locomoção, sem auxílio (Schobert, 2008). Apesar de esta

capacidade já estar adquirida, é de notar que se revelam diferenças entre as crianças: por

exemplo, o K. (21 meses) adquiriu a locomoção há mais tempo que o A.2 (14 meses),

sendo notório que o A.2 não tenha, por exemplo, tanto equilíbrio como o K., o que faz

com que esta criança não controle os seus movimentos, dificultando a realização dos

mesmos (Levada & Costa, 2012). A L.B. começou a “dar os primeiros passos”, com o

auxílio de uma mão, ainda com 12 meses, o que pode indicar que a mesma já apresenta

mais equilíbrio, neste momento (como refiro na 10ª reflexão

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: “(…) aprendi que a L.B.

já iniciou o desenvolvimento de uma capacidade motora: o equílibrio (…)”).

O K., o I., a M. e a L.B. já se tentam exprimir utilizando pseudopalavras, sons indefinidos,

ou a junção de sílabas, como “Papá”, “bebé”. No entanto, a M., o I., o K. e a L.B. já

produzem palavras como “Olá” e “água” e o A.2 realiza junções de sílabas, sem

significado concreto, como “babá”, dados corroborados por Sprinthall e Sprinthall

(1990), quando afirmam que a partir do décimo mês as crianças começam a imitar os sons

que ouvem.

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Em termos de autonomia a M. e o I. tentam vestir os bibes sem ajuda, bem como trazer

os babetes do refeitório para a sala de atividades. Estas ações surgem, a maior parte das

vezes, de forma intencional por parte das crianças, realizando-as sem que o mesmo lhes

seja pedido (Portugal, 1998).

Relativamente à cognição, as crianças em estudo têm a permanência do objeto

desenvolvida, resolvendo problemas relacionados com a procura do mesmo e com a

construção e o encaixe de peças (que envolve não apenas o desenvolvimento motor, mas,

também, o cognitivo) (Lourenço, 2002). As crianças realizam ações através da imitação

daquilo que observam, sejam ações motoras, linguísticas ou gestuais, revelando o seu

pensamento (Moura & Ribas, 2002).

2. Instrumentos de recolha e análise de dados

2.1 Instrumentos de recolha de dados

Para a realização deste estudo optei pela realização de gravações de vídeo e pela

observação direta não participante. A gravação de vídeo é considerada uma forma útil de

reunir exemplos de comportamentos que ocorrem de forma espontânea (Addington-Hall,

Bruera, Higginson, & Payne, 2007). A observação direta não-participante é um registo

escrito com as ações que se observam e que são recolhidas através dos cinco sentidos,

sem interferir nas ações das crianças (Quivy & Campenhoudt, 1992; Sousa & Baptista,

2011). Este registo transformou-se num documento de anotações, que auxiliou a

corroborar e a acompanhar as transcrições realizadas, acabando por se tornar um apoio

fundamental às mesmas. Não foi, como defende Máximo-Esteves (2008) um documento

detalhado nem descritivo.

2.2 Análise de dados

A análise de dados é um procedimento complexo, que auxilia a organização das

evidências recolhidas, a fim de obter respostas à nossa pergunta de partida (Teixeira,

2003). Através desta análise, procurei padrões presentes nos dados recolhidos e elaborei

quadros, com todas as interações existentes, definindo, depois, num outro quadro,

categorias das mesmas, tendo em conta as oito gravações que incidiam em dez minutos

(16h às 16h10) de observação, formulando, no final, frequências e percentagens de

ocorrência das interações (Bogdan & Biklen, 1994).

Assim, para preencher os quadros elaborados, defini nove categorias, assumindo que nas

interações verbais, se incluiria a subcategoria interação através de vocalizações. Nesta

subcategoria foram integradas todas as interações que exigiam a realização de um som

dirigido de uma criança a outra criança, que recorresse ao uso do aparelho vocal.

No que se refere às interações não-verbais, identifiquei as seguintes subcategorias: i)

interação através do olhar (interação realizada entre as crianças quando olham uma para

a outra); ii) interação através do toque (pode envolver tanto um membro do corpo, como

o corpo todo, por exemplo quando uma criança cai, poderá tocar noutra, com a sua perna,

verificando-se este tipo de interação); iii) interação através da proximidade física (ocorre

quando há uma aproximação entre duas crianças, existindo, de alguma forma, uma

interação); iv) interação através da disputa de objetos (ação de retirar o objeto a uma

criança, ou, por outro lado, a ação de querer um objeto num certo local, mas uma outra

criança não querer, originando uma disputa sobre o local onde o objeto deve, ou não, ser

colocado); v) interação através de expressões faciais (sorrisos ou expressão de

tristeza/raiva); vi) interação através da imitação (criança realiza ações que observa,

produzidas por outras crianças); vii) interação através dos gestos (ações como elevar os

braços ou apontar para algo, na presença de outra criança); viii) interação através da

observação de ações (observar o movimento realizado pelo par).

No final da organização dos dados por estas categorias de análise, somei as evidências de

forma a obter uma frequência de quantas vezes é que cada interação se realizava e,

posteriormente, descobri as percentagens subjacentes a cada categoria, para cada criança.

3. Procedimento

Após ter realizado uma pesquisa sobre as interações entre pares, em contexto de creche,

realizei o enquadramento teórico, que me auxiliou a definir a dúvida científica e os

objetivos do estudo.

Para concretizar esta investigação, foi necessário pedir autorização

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aos encarregados de

educação, para que pudesse recolher imagens de todas as crianças. Com a anuência de

todos, defini os instrumentos e os dias/momentos de recolha de dados (dias 24, 25 e 26

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de novembro, 1, 2, 3, 9

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e 10 de dezembro de 2014, durante o momento da brincadeira

livre, ao redor e dentro da casinha, das 16h às 16h10, perfazendo o total de oito

observações e de 80 minutos de observação).

Sabendo que iria utilizar um recurso ao qual os diferentes intervenientes no estudo não

estavam habituados (câmara de filmar), foi importante testar o equipamento (antes de

iniciar a recolha de dados), verificando se o mesmo era adequado, se produzia gravações

percetíveis e definindo o local ideal para o colocar, facilitando o processo de transcrição

(Addington-Hall, Bruera, Higginson, & Payne, 2007).

Apesar de ter realizado o teste, no primeiro dia de recolha de dados, a câmara não ficou

colocada no local ideal, estando acessível às crianças, o que fez com que se afastassem

da casinha para agarrar a câmara. Assim, decidi mudá-la de local, colocando-a num ponto

mais alto. Com esta troca, as crianças passavam pela câmara, olhavam, não paravam e

iam brincar para a casinha. Visto que o local era mais afastado, tive de colocar zoom nas

gravações, o que provocou falta de nitidez nas mesmas, levando-me a ter dúvidas aquando

do visionamento das gravações, que foram esclarecidas através dos registos escritos.

Ao longo deste estudo e apesar de ter o objetivo de não interferir nas interações entre

pares, houve necessidade de (uma ou outra vez) intervir, uma vez que surgiram momentos

em que as crianças interagiam noutros locais, que não a casinha, o que iria dificultar a

elaboração do estudo. Assim e sabendo que “os comportamentos infantis são

influenciados pelo ambiente físico e social, fornecido pelos adultos, (…) de acordo com

seus objetivos (…)”, decidi interferir (Meneghini & Campos-de-Carvalho, 2003, p.367).

Por exemplo, no dia 25 de novembro, coloquei objetos na casinha, o que fez com que as

crianças se deslocassem até lá. Nos dias 26 de novembro, 1, 2,3 e 9 de dezembro, a minha

colega Tatiana colocou-se perto/dentro da casinha, o que fez com que as crianças se

aproximassem, mas que não interagissem entre si, uma vez que, conforme Meneghini e

Campos-de-Carvalho (2003) o adulto atrai a atenção das crianças, que ficam a observar

as ações que este realiza.

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No dia 9 de dezembro, não me desloquei à instituição, dando uma falta justificada. No entanto, a minha

Recolhidos os dados através de gravação de vídeo, houve necessidade de os transcrever,

focando-me nas interações que ocorreram entre as crianças (não me focando nas

interações com objetos e adultos).

De seguida, organizei os dados em quadros, nos quais coloquei a informação transcrita e

numerei os episódios de interações por dia, referindo a frequência e a percentagem de

cada evidência. Após esta fase, elaborei um novo quadro, tendo em conta os episódios de

interação das crianças que mais sobressaíram em cada dia, definindo as subcategorias de

análise previamente apresentadas (ver página 31). Com os dados organizados, concretizei

a apresentação e discussão de resultados, conforme o ponto seguinte.