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Average and relative standard deviation for peak areas and retention times of each

A interação entre pares implica abordar as interações verbais e não-verbais (Mesquita,

1997).

As interações verbais ocorrem quando dois sujeitos comunicam entre si, através do

discurso oral (Silva & Almeida, 2013). As interações não-verbais, por seu lado, dizem

respeito à comunicação através de gestos, de olhares, de toques, de expressões faciais, ou

seja, formas de comportamento que não utilizam palavras (Mesquita, 1997; Miranda &

Senra, 2012; Silva, Brasil, Guimarães, Savanitti, & Silva, 2000).

Relativamente às interações verbais, importa fazer referência à interação através de

vocalizações, que ocorre quando as crianças realizam movimentos com os seus lábios,

fazendo-as expelir ar (Alexandre & Vieira, 2004). Assim, a partir dos vinte meses, é

espectável que a criança produza palavras com sentido, como “Olá” e “bebé”, podendo

ser, ao mesmo tempo, balbucios. Além destas palavras, existem sons sem sentido, ou seja,

gritos produzidos pelas crianças como, por exemplo, “Ahh!”, que não é considerado

palavra, uma vez que não possui valor sintático nem semântico (Antunes & Rocha, 2009).

As crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 24 meses interagem com mais

frequência através do olhar, do toque, da proximidade física, da disputa de objetos, da

expressão facial, da imitação, dos gestos e da observação de ações, formas de interação

não-verbal (Alexandre & Vieira, 2004).

A interação através do olhar representa um elemento essencial para as primeiras

interações. Revelando-se como uma ação visual na qual é possível descodificar para quem

é que a criança está a olhar (tendo em conta a direção da sua cabeça e dos seus olhos),

esta interação é mais visivel quando há uma aproximação entre as crianças, ou quando

uma destas se afasta (as crianças que permanecem no grupo, vão continuar a olhar para a

criança que se vai afastando) (Alexandre & Vieira, 2004; Moura, et al., 2004).

A interação através do toque é, também, reconhecida como interação corporal (Piccinini,

et al., 2001). Este tipo de interação pode ser realizada através do contacto pele com pele,

através de carícias e até de agressões entre crianças (Alexandre & Vieira, 2004; Carvalho,

et al., 1999; Piccinini, et al., 2001). Se analisarmos esta interação através das carícias,

poderemos classificá-la como afetuosa, uma vez que envolve afetos e contacto físico

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carinhoso (abraços, beijos e mimos) (Carvalho, et al., 1999; Piccinini, et al., 2001). A

interação através da agressão revela ser “(…) qualquer comportamento dirigido a outra

criança com potencial de causar dano ou dor física (beliscar, segurar, puxar, morder,

derrubar, pisar, bater, chutar, arranhar)” (Garcia, Almeida & Gil, 2013, p.30-31). Este

toque, podendo ser considerado como contacto físico, pode durar apenas um instante ou

pode permanecer durante mais tempo ou pode acontecer após um gesto, um pedido de

uma criança (ou seja, a criança ao apontar para uma outra criança, pode desencadear um

toque, tanto nos seus braços, como nas suas mãos) (Alexandre & Vieira, 2004).

A interação através da proximidade física existe para que a interação seja, efetivamente,

concretizada (Anjos, Amorim, Vasconcelos, & Ferreira, 2004). Este tipo de interação

ocorre quando uma criança se desloca em direção a outra, o que faz com que a distância

entre as mesmas diminua, podendo não existir contacto físico (Alexandre & Vieira,

2004). Rossetti-Ferreira, Amorim, Silva e Carvalho (2008) corroboram esta ideia,

referindo que a proximidade física é a distância entre as crianças que permite que haja

interações. Nas suas aproximações, as crianças revelam as suas relações preferenciais,

desenvolvendo laços emocionais. Como defendem Bee e Boyd (2011a) ao estar perto de

outra criança, é possível receber ou dar conforto e afeto.

As interações através da disputa de objetos ocorrem quando uma criança se apropria de

um objeto que uma outra criança tinha, fazendo com que esta última se sinta

desconfortável, reagindo através do choro, ou tentando reaver o objeto que lhe foi retirado

(auxiliando o desenvolvimento de resolução de problemas) (Garcia, Almeida, & Gil,

2013; Papalia, Olds, & Feldman, 2009). Este tipo de interação é influenciada pelo meio

que rodeia as crianças, ou seja, se o meio for composto por um escasso número de objetos,

ou se os objetos não estiverem disponíveis, é mais provável que aconteça uma disputa de

objetos (Sager, Sperb, Roazzi, & Martins, 2003). Resumindo, quanto menor for a “(…)

disponibilidade de brinquedos, mais as crianças tendiam a brigar (…)” (Smith &

Connolly, 1980, citado por Sager, Sperb, Roazzi, & Martins, 2003, p.204). Hay, et al

(2004, citados por Garcia, Almeida & Gil, 2013, p.27) corroboram esta ideia, defendendo

que os “(…) conflitos e agressões (…) [estão ligados] à negociação da posse desses

objetos”.

Uma outra forma de interação não-verbal é a interação através da expressão facial, na

qual as crianças se expressam e mostram as suas emoções, como a tristeza e a alegria

(Júnior, Sprovieiri, Kuczynski, & Farinha, 1999; Mendes & Moura, 2009). Apesar de ser

uma das formas mais utilizada para interagir, as crianças têm de aprender a manifestar as

emoções (Gasparetto & Bussab, 1994; Mendes & Moura, 2009). É notar que, desde o

nascimento, a criança comunica os seus sentimentos através das expressões faciais, no

entanto, para que exista uma resposta de outra criança, é necessário que esta tenha

habilidade para reconhecer as expressões faciais, facto que é facilitado se a criança estiver

familiarizada com a outra (que realiza as expressões) (Bee & Boyd, 2011b; Mendes &

Moura, 2009).

A criança também interage através da imitação, realizando ações que vê outras crianças

a realizar e que se revela “(…) importante no desenvolvimento da socialização, da

linguagem e da cognição (…)” (Moura & Ribas, 2002, p.207). É algo que ocorre quando

uma criança reproduz ações que observa, como gestos, expressões e até vocalizações

(França-Freitas & Gil, 2012; Oliveira & Ferreira, 1993). É importante referir que,

enquanto a criança imita os seus pares, vai aprendendo a comunicar, a conhecer o seu

corpo e o corpo dos outros, por exemplo (Papalia, Olds, & Feldman, 2009). A criança

imita outra criança de acordo com a sua imaginação, ou seja, ao imitar um gesto, este não

é, necessariamente, uma cópia do gesto observado. Assim, enquanto imita, a criança

desenvolve a sua imaginação (Carvalho, Salles, & Guimarães, 2006).

A interação através dos gestos revela ser uma das formas mais utilizadas pelas crianças

para se expressarem, uma vez que não nascem com o seu vocabulário desenvolvido,

utilizando o seu corpo para comunicar com os seus pares (Basei, 2008). Normalmente, os

gestos acontecem quando as crianças esticam os seus braços em direção a uma outra

criança, por exemplo (Alexandre & Vieira, 2004). Com a interação através dos gestos, a

criança é capaz de demonstrar as suas emoções, evidenciando aquilo que sente e aquilo

que quer, tal como acontece com a interação através das expressões faciais (Bee & Boyd,

2011b).

O facto de as crianças realizarem ações, faz com que outras crianças as observem.

Mostrando-se (cada vez mais) interessadas nas ações que os seus pares realizam, as

crianças participam ativamente nas interações que estabelecem (Papalia, Olds, &

Feldman, 2009; Zuzarte & Calheiros, 2010). Meneghini e Campos-de-Carvalho (2003,

p.376), defendem que “a criança que observa atentamente, mostra-se interessada no(s)

outro(s) e, ao mesmo tempo, pode estar elaborando uma estratégia para abordar outra(s)

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criança(s), (…) podendo resultar numa interação com a(s) mesma(s)”, que poderá ser (ou

não) uma imitação dessa mesma ação, resultante da anterior observação (França-Freitas

& Gil, 2012). Esta interação pode, ainda, decorrer da troca de olhares, ou seja, há uma

criança que se levanta e começa a correr, enquanto há uma outra que continua a olhar,

observando esta ação (Alexandre & Vieira, 2004).

Sabendo que a criança se desenvolve e aprende através da interação verbal e não-verbal

e querendo aprofundar conhecimentos no âmbito das interações entre pares no momento

de brincadeira livre, foi encetado o estudo descritivo e exploratório que a seguir se

apresenta.