O aspecto teórico de interação e relacionamento embasou a observaçãodo informativo Em Casa no que se refere às notícias publicadas, a partir de uma unidade de contexto Espaço do Leitor. A categoria retrata a participação, ou seja, como o informativo Em Casa veicula a participação e o envolvimento dos empregados. Como no item anterior, cada edição foi analisada separadamente, para posterior inferência, a partir do quadro abaixo:
Interação e relacionamento no Em Casa
Unidade de Registro Unidade de Contexto Categorias
Notícias Espaço do Leitor Participação
Quadro 14 – Referência de análise: Interação e relacionamento no Em Casa
Fonte: Mestranda
a) Edição nº02, de março/abril de 1999
Na edição impressa não há menção de participação do leitor, o que nos remeteria a um ambiente que a interação ocorre de maneira mais pontual, não reativa. Porém, consideramos que nesse exemplar, como propôs Thompson (1998), ocorreu uma quase-interação mediada. De acordo com o autor,
ela não tem um grau de reciprocidade interpessoal de outras formas de interação, seja mediada ou face a face, mas é, não obstante, uma forma de interação. Ela cria um certo tipo de situação social na qual indivíduos se ligam uns aos outros num processo de comunicação e intercâmbio simbólico (THOMPSON, 1998, p.79-80).
No caso do informativo, ele foi enviado e as pessoas tiveram acesso às suas informações. O que não ocorreu foi uma retroalimentação, ou seja, não se possibilitou um canal formal para que a interação fosse recíproca e o envolvimento fizesse parte da comunicação.
b) Edição teste, de dezembro de 1999
Na edição teste, que migrou para a intranet, a participação dos empregados aparece em dois momentos. Um deles identificado no fragmento da notícia, por meio da frase: “Já está percorrendo a Unidade a lista de adesão à Festa da Manutenção, prevista para o dia 22 de dezembro. Os organizadores estão prometendo muita comida, música e animação.” É uma menção de que os empregados terão um espaço de encontro, interação. Aqui, identificamos uma facilitação da interação, ou melhor, um espaço de divulgação para os indivíduos. Começa
a surgir a interação mediada. Nesse caso, o informativo Em Casa é o mediador entre os empregados de um setor e os demais, por meio da divulgação de uma notícia.
Outro momento em que a interação surge é no encaminhamento de sugestões e comentários para o e-mail do editor. Nesse caso, a interação não vai além de uma troca de informação e pode ser considerada reativa. Primo (2005) descreve essa interação como aquela que depende da previsibilidade e das trocas, num estímulo e resposta. Ele lembra, ainda, que a comunicação não se estabelece apenas por um canal, mas pode ocorrer de diversas maneiras.
c) Edição nº01, de 10 de abril de 2000
Na primeira edição, reformulada, a participação aparece de diversas maneiras e como um dos pontos centrais do novo informativo.
Fragmentos de notícias:
“Qualquer fato que você julgue interessante pode ser encaminhada ao Em Casa através dos correspondentes.”
“Os funcionários da Embrapa Suínos e Aves terão espaço no novo Em Casa de várias formas.”
“Além da possibilidade de repassar informações para os correspondentes ou integrantes da ACS, qualquer funcionário da Unidade poderá colocar suas opiniões (ou opiniões de terceiros julgadas interessantes) no espaço Opinião.”
“Outro espaço livre será o Vale Tudo!”
“É bom frisar que as contribuições para os espaços Opinião e Vale Tudo! terão que ser assinadas.”
Quadro 15 – Identificação dos fragmentos analisados: Edição nº 01, de 10 de abril de 2000
Fonte: Mestranda
Em uma das frases, os empregados são convidados a participar da edição com o que julgue interessante. Para isso basta que procurem os correspondentes (há um em cada setor, que faz o contato com a equipe de comunicação). A outra enfatiza que os empregados terão espaço no Em Casa de diversas maneiras. Uma dessas formas aparece na frase seguinte, que indica a seção Opinião como um espaço no qual o empregado pode publicar o que pensa, ou que terceiros pensam. A quarta frase indica a seção Vale Tudo!. E, ao final, encontramos a frase que lembra aos empregados que a participação deve ser identificada. A interação ainda é reativa, porém se manifesta como um dos diferenciais das novas edições do informativo.
De maneira geral, a transição do informativo Em Casa, de impresso para digital, operou mudanças maiores nos aspectos de inserção de espaços de interação, o que num primeiro instante não estava claro e não apareceu. Na edição impressa não há indícios de participação ou interação do leitor. A interação ocorria de maneira pontual, com o envio do informativo, o seu recebimento e a leitura por parte do empregado.
Já, na edição teste há referência sobre como os leitores podem interagir com o informativo, por meio do e-mail do editor, que é um encaminhamento formal de um veículo de comunicação. Na primeira edição de 2000, a interação aparece como um aspecto de destaque, com indicação de várias maneiras de participação: por meio de correspondentes em cada setor, através do espaço especial de opinião e de assuntos diversos de interesse do leitor.
A interação relacional aparece aqui de maneira tímida, apresentando alternativas para o empregado. Porém, ela desponta como uma das mudanças do informativo, que realinhou a política editorial e o insere num novo contexto. Conforme enfatiza Kunsch (2010, p. 54), “[...] há que se considerar que a comunicação nas organizações, assim como a sociedade, sofre todos os impactos provocados pela revolução digital. Consequentemente, o modo de produzir e de veicular as mensagens organizacionais também passa por profundas transformações”.
A maneira como o informativo Em Casa aborda a interação, e a sua passagem para o digital, mostram que ele se apresenta, em termos de relação com o leitor, no cenário 1.0, de modo mais informativo, onde,
as expressões comunicacionais ocorrem com baixa intervenção do receptor ou do usuário no conteúdo da comunicação, baixa capacidade de personalização do conteúdo, predomínio do emissor sobre o controle do conteúdo e de suas relações com o usuário e, em geral, transmitem um simulacro de bidirecionalidade pela oferta de instrumentos de interatividade que não refletem totalmente seu conceito (CORRÊA, 2009, p. 179).
Ou seja, a relação que se estabelece ainda é baseada na opinião do empregado, que passa para uma edição e posterior publicação, em um local específico. No caso, as editoriais especificadas. Não há interferência direta no conteúdo, porém o que o leitor envia deve estar assinado, identificando a fonte da informação.