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O objetivo dessa seção é caracterizar os participantes da pesquisa: professores de Educação Infantil que atuam no campo, bem como as mães de alunos que residem na área rural. Afinal, quem são os professores que trabalham nas escolas infantis do município investigado? Quem são as mães que acompanham diariamente o desenvolvimento dos filhos pequenos nessas escolas?

Com base nos dados quantitativos dos questionários, pode-se traçar o perfil sociodemográfico dos sujeitos da pesquisa.

Analisando-se os dados da Tabela 8, percebe-se que 15 professores participaram da aplicação dos questionários. Todos pertencem ao sexo feminino e, portanto, a partir dessa constatação justifica-se o tratamento somente no gênero feminino. A idade das professoras varia entre 24 a 52 anos. Apenas 26,6% residem na área rural, sendo que dentre elas somente uma nasceu na roça; uma mudou-se para o campo com oito anos de idade e as outras duas migraram para a área rural com idades entre 29 e 36 anos. Ao serem questionadas quanto aos motivos de residirem no campo, todas se reportam à tranquilidade do local, referindo-se ao contato mais próximo com a natureza. Uma professora cita, além do privilégio de morar num lugar tranquilo, o benefício econômico, considerando uma alternativa mais acessível para a questão financeira. A Tabela 8 demonstra ainda que o tempo de docência na área rural varia entre 2 meses a 22 anos. Do total de professoras questionadas, 66,6% têm menos que cinco anos de docência

no campo, enquanto 33,3% possuem tempo de docência entre 11 e 22 anos. Do grupo de professoras que têm menos que cinco anos de docência, sobressai o número de entrevistadas que estão na faixa entre 2 meses e 1 ano de docência no campo. Ao todo, 40% das professoras respondentes possuem pouca experiência de trabalho no campo. Os motivos alegados para a escolha do local de trabalho referem-se à proximidade da escola com relação à residência, e à convivência amistosa com a comunidade. Uma professora alega não ter tido outra alternativa na escolha e atribuição de aulas, de acordo com a tabela de pontuação para a classificação dos professores, restando-lhe apenas a opção de assumir uma sala de leitura em uma das escolas pesquisadas.

Ao identificar o nível de escolaridade, observa-se que 53,3% das professoras possuem ensino superior completo, enquanto 46,6% possuem pós-graduação. Dentre as que possuem pós-graduação, apenas uma reside na área rural.

Tabela 8 - Perfil sociodemográfico das professoras

Professoras (P) Sexo Idade Área de residência Residência na área rural Docência na área rural Escolaridade

P 1 F 25 urbana - 2 meses Superior compl.

P 2 F 42 rural 6 anos 3 meses Pós-graduação

P 3 F 40 rural 11 anos 11 anos Superior compl.

P 4 F 31 urbana - 2 meses Pós-graduação

P 5 F 38 urbana - 1 ano Superior compl.

P 6 F 27 urbana - 1 ano Pós-graduação

P 7 F 32 urbana - 1 ano Superior compl.

P 8 F 24 urbana - 2 anos Superior compl.

P 9 F 52 urbana - 12 anos Pós-graduação

P 10 F 37 rural 25 anos 14 anos Superior compl.

P 11 F 47 urbana - 22 anos Pós-graduação

P 12 F 45 rural 45 anos 15 anos Superior compl.

P 13 F 26 urbana - 4 anos Superior compl.

P 14 F 45 urbana - 3 anos Pós-graduação

P 15 F 43 urbana - 3 anos Pós-graduação

Fonte: Dados coletados pela autora

A Tabela 9, do perfil sociodemográfico das mães dos alunos, apresenta um total de 15 pessoas responsáveis pelas crianças das unidades escolares pesquisadas. Dentre os responsáveis apenas uma avó, sendo as demais mães de alunos. A idade do grupo varia entre 22 a 51 anos. Todos as responsáveis residem na área rural. O tempo de moradia no campo varia entre 3 a 34 anos, sendo que dentre elas apenas 20% nasceram no campo; 20% mudaram-se para a área rural

15 anos); 46,6% mudaram-se para o campo quando adultos (de 22 a 43 anos). A Tabela 9 revela que o nível de escolaridade dessa população é variável, sendo que apenas 6,6% possui ensino fundamental completo; 46,6% concluíram o ensino médio; 13,3% não concluíram o ensino médio; 20% possuem nível superior completo e 13,3% não completaram o ensino superior.

Tabela 9 - Perfil sociodemográfico das mães dos alunos

Responsáveis

(R) Sexo Idade parentesco Grau de

Residência na área rural Escolaridade Frequência à escola do filho

R 1 F 25 mãe 24 Médio completo diariamente

R 2 F 25 mãe 20 Superior completo diariamente

R 3 F 37 mãe 7 Médio incompleto diariamente

R 4 F 35 mãe 30 Fund. completo diariamente

R 5 F 34 mãe 34 Médio completo diariamente

R 6 F 32 mãe 20 Médio completo diariamente

R 7 F 35 mãe 20 Médio completo diariamente

R 8 F 35 mãe 13 Sup. incompleto diariamente

R 9 F 22 mãe 22 Sup. incompleto diariamente

R 10 F 30 mãe 30 Médio incompleto diariamente

R 11 F 38 mãe 13 Médio completo diariamente

R 12 F 48 mãe 20 Médio completo diariamente

R 13 F 39 mãe 17 Médio completo diariamente

R 14 F 51 avó 18 Superior completo diariamente

R 15 F 31 mãe 3 Superior completo diariamente

Fonte: Dados coletados pela autora

De acordo com a Tabela 10, há 19 respondentes que moram no campo. Para a pergunta do questionário sobre os motivos da opção pela moradia no campo, 31,5% das entrevistadas atribuem a escolha à tranquilidade do bairro.

Os sujeitos participantes associam a tranquilidade para educar os filhos com a sensação de liberdade e maior espaço físico. O critério tranquilidade não diz respeito à segurança pública. Dos participantes, 21% citam a qualidade de vida ambiental, associando à possibilidade de se ter contato direto com a natureza e com o ar puro do ambiente. O maior espaço físico foi justificado por 15,7% das respondentes, todas mães, enfatizando a oportunidade de criar os filhos em amplos quintais. Dentre os questionados, 26,3% afirmam que não tiveram escolha própria e que acompanharam os pais ou cônjuges, alegando o motivo financeiro e a necessidade de buscar emprego na região.

Tabela 10 - Opção pela moradia no campo

Fonte: Dados coletados pela autora

A Tabela 11 revela os critérios adotados pelas professoras para a escolha de classe na área rural. Dentre as 15 professoras, apenas uma disse não ter tido escolha, sendo a classe atribuída a ela por falta de outras opções. Observa-se que 13,3% justificaram a escolha pela tranquilidade do ambiente, associando-a ao modo de vida mais pacato, em contato com a natureza. Do total de respondentes, 13,3% afirmam não haver diferença entre a docência na área rural e na urbana, reconhecendo semelhanças na infraestrutura de ambas. A simplicidade da comunidade foi citada por 20% das professoras, ao alegarem uma relativa diferença entre as famílias do campo e da cidade. Enfatizam um contato mais próximo e participativo com os pais. Das entrevistadas, 20% justificam a escolha de classe no campo pela proximidade entre a escola e a residência. O conhecimento de uma nova realidade foi o motivo de maior justificativa entre as professoras, atingindo 26,6% das respostas. Algumas relatam a oportunidade de conhecer a cultura do campo e de valorizar o conhecimento dos que lá vivem.

Tabela 11 – Opção pela docência no campo

Justificativas Professoras % Conhecimento de outra realidade 26,6 Residência na área rural 20 Simplicidade da comunidade 20 Tranquilidade do ambiente 13,3 Infraestrutura idêntica à urbana 13,3 Por falta de alternativas 6,6

Fonte: Dados coletados pela autora

Justificativas Sujeitos % Tranquilidade do local 31,5 Escolha de outro

(pais/cônjuge) 26,3

Qualidade de vida ambiental 21 Maior espaço físico 15,7