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Important changes in work life during the pandemic

Segundo Bauer e Gaskell (2003, p. 85), “o objetivo da análise é procurar sentidos e compreensão. O que é realmente falado constitui os dados, mas a análise deve ir além da aceitação deste valor aparente”.

De acordo com Gatti, o processo de analisar as informações coletadas é sistemático e não espontaneísta:

A análise é um processo de elaboração, de procura de caminhos, em meio ao volume das informações levantadas. Rotas de análise são seguidas, e estas se abrem em novas rotas ou atalhos, exigindo dos pesquisadores um esforço para não perder de vista seus propósitos e manter a capacidade de julgar a pertinência dos rumos analíticos em sua contribuição ao exame do problema (GATTI, 2014, p. 44).

Procedeu-se, dessa forma, à organização do material coletado na pesquisa, com o objetivo de se formar um corpus detalhado do processo vivenciado pelos participantes. Portanto, o material reunido passou por uma fase preparatória, sendo as respostas do questionário digitadas individualmente. Em outro arquivo digital, para cada pergunta do questionário foram digitadas as respostas de todos os participantes, agrupando as opiniões idênticas e as não-idênticas. Procedeu-se à transcrição íntegra das falas gravadas durante o grupo focal, com o objetivo de subsidiar o processo de registro e análise dos dados coletados. Os dados originários das questões fechadas do questionário alinharam-se aos quadros referentes ao perfil sociodemográfico dos sujeitos. Os dados produzidos nas questões abertas do questionário e nas falas do grupo focal foram submetidos à análise de conteúdo.

Assim, a abordagem empregada para a análise foi a qualitativa, por melhor corresponder à necessidade de interpretar as realidades sociais cujos sujeitos pertencem ao contexto escolar do campo, considerando que “as pesquisas com perspectivas qualitativas [...] buscam incorporar, em suas análises, a valoração, a afetividade e a intencionalidade próprias ao fato humano” (CHAMON, 2003, p. 72).

Para Flick (2013), a análise de conteúdo é:

Um procedimento clássico para analisar materiais de texto de qualquer origem, de produtos da mídia a dados de entrevistas. [...] O método é baseado no uso de categorias derivadas de modelos teóricos. [...] A análise de conteúdo tem por objetivo classificar o conteúdo dos textos, alocando as declarações, sentenças ou palavras a um sistema de categorias (FLICK, 2013, p. 134).

Complementando a ideia de sistematização por meio de categorias, Franco (2007) afirma que:

A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em analogias, a partir de critérios definidos. [...] Formular categorias, em análise de conteúdo, é, via de regra, um processo longo, difícil e desafiante. [...] Esse longo processo – o da definição das categorias – na maioria dos casos implica constantes idas e vindas da teoria, ao material de análise, do material de análise à teoria e pressupõe a elaboração de várias versões do sistema categórico. As primeiras, quase sempre aproximativas, acabam sendo lapidadas e enriquecidas, para dar origem à versão final, mais completa

Os dados qualitativos desta pesquisa, portanto, foram agrupados em categorias. Dessa forma, a categorização se fez por meio de procedimento aplicado manualmente, a partir das respostas abertas do questionário e do debate do grupo focal, envolvendo os professores e as mães dos alunos das escolas pesquisadas.

Segundo Franco (2007, p. 29), “uma importante finalidade da análise de conteúdo é produzir inferências sobre qualquer um dos elementos básicos do processo de comunicação”, considerando como ponto de partida a mensagem falada, escrita ou sensorial que é elaborada pelo produtor/autor. Para a autora (2007, p. 25), as mensagens vêm carregadas de informações a respeito do emissor, como “suas filiações teóricas, concepções de mundo, interesses de classe, traços psicológicos, representações sociais, motivações, expectativas etc.”, sendo que no procedimento de inferência o pesquisador passa da descrição da mensagem à interpretação:

Produzir inferências é, pois, la raison d’etre da análise de conteúdo. É ela que confere a esse procedimento relevância teórica, uma vez que implica pelo menos uma comparação, já que a informação puramente descritiva, sobre conteúdo, é de pequeno valor. Um dado sobre o conteúdo de uma mensagem (escrita, falada e/ou figurativa) é sem sentido até que seja relacionado a outros dados. O vínculo entre eles é representado por alguma forma de teoria. Assim, toda análise de conteúdo implica comparações; o tipo de comparação é ditado pela competência do investigador no que diz respeito a seu maior ou menor conhecimento acerca de diferentes abordagens teóricas (FRANCO, 2007, p. 29-30).

Nesse sentido, as palavras associadas ao tema central “Qualidade” foram consideradas indicadores que possibilitaram a criação de categorias, tomando-se como referência as semelhanças e os aspectos recorrentes dos dados em contextos variados.

A partir da discussão do conceito de qualidade do ensino na Educação Infantil, categorias emergentes se destacaram como fruto das leituras sucessivas do material: a importância da Educação Infantil no campo; as demandas de melhorias para a Educação Infantil no campo; a cultura e a educação do campo; a relação entre família e escola; a formação docente.

Para a síntese da discussão dos resultados optou-se pelo uso de mapas mentais, cuja técnica de apresentação tem o objetivo de organizar, por um lado, o conteúdo dos extratos das falas e, por outro, o dos pressupostos teóricos da revisão de literatura, evidenciando os dados coletados em palavras-chave.

Ao contrário dos sistemas tradicionais de anotação, como textos e listas, o Mapa Mental não adota um esquema de registro linear. Desenhado como um neurônio, ele reproduz como essa célula se liga a outras no cérebro, formando uma rede natural de conexões que se irradiam em torno de uma ideia principal (BUZAN, 2009).

Portanto, nos mapas mentais dessa pesquisa, as ideias apresentadas para a discussão dos resultados aparecem classificadas em duas vertentes: uma que corresponde ao universo consensual (das representações sociais); a outra, que apresenta o universo reificado (do conhecimento teórico-científico). De acordo com Buzan (2009, p. 80), uma das vantagens do mapa mental em comparação ao texto linear consiste na “flexibilidade de mostrar não apenas os fatos, mas também as relações entre eles, o que proporciona um maior entendimento”. Dessa forma, pretende-se estabelecer conexões entre as ideias baseadas no senso comum dos sujeitos e as pautadas em estudos teóricos.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nesta seção, pretende-se caracterizar a amostra e discutir os resultados obtidos, a partir da análise dos documentos oficiais da Secretaria de Educação do município pesquisado, dos dados coletados pela observação e a análise das falas dos sujeitos, tomando-se como referência o estudo teórico da literatura selecionada para essa finalidade.

Por conseguinte, a primeira subseção refere-se à caracterização dos participantes; a segunda ocupa-se da caracterização contextual, com relação à Secretaria de Educação e às três unidades escolares investigadas; a terceira e última subseção apresenta a análise das representações sociais construídas por professores e mães de alunos sobre a qualidade do ensino nas escolas de Educação Infantil no campo, tendo como base as respostas abertas do questionário e as discussões do grupo focal.