DISCUSSION & IMPLICATIONS
6.1. Limitations and Avenues for Further Research
Devido ao surgimento súbito da doença crítica, o estresse experimentado pela família não pode ser prevenido. Como as fontes de estresse são muitas, as famílias que enfrentam uma experiência de cuidado crítico precisam de tratamento especializado para modificar o estresse da incerteza sobre a situação, pois ele pode interferir com a habilidade da família de receber e compreender a informação, manter padrões adequados de funcionamento, usar suas habilidades eficazes para enfrentar a crise, e fornecer a suporte ao paciente (LESKE, 1998).
internados em UTI são abundantes na literatura, mas há poucos sobre estratégias para atendimento destas necessidades. No Brasil, a revisão feita por Oliveira et al. (2005) identificou quarenta artigos sobre necessidades dos familiares e/ou importância de assistência de enfermagem para a satisfação de suas necessidades e/ou abordagens teóricas sobre que intervenções de enfermagem são necessárias para essas famílias, e somente catorze publicações abordando intervenções de enfermagem para atender os familiares. Destes últimos, seis versavam sobre experiências práticas e oito faziam apenas referência teórica a experiências de assistência de enfermagem à família. A maioria das intervenções era dirigida a familiares de pacientes hospitalizados, sendo que apenas dois foram realizados na UTI e, nos dois, as intervenções foram apenas citadas no decorrer da abordagem do tema tratado.
As intervenções para a satisfação das necessidades familiares devem ser iniciadas no primeiro contato com os membros da família, estabelecendo-se uma relação mutuamente respeitosa, confiante, empática e colaborativa, cuja harmonia determinará a eficácia das intervenções futuras (LESKE, 2002). Oliveira (1991) também alerta para a importância do trabalho de orientação e apoio aos familiares, preparando-os para a visita ao seu parente e ajudando-os a encontrar alternativas para a utilização mais produtiva de seus mecanismos de enfrentamento da crise vivida. Salienta que, para ser capaz de oferecer suporte e conforto psicológico ao paciente, a família deve ter condições de fazê-lo, o que pressupõe sentir-se segura sobre o que está acontecendo e emocionalmente estável.
Segundo Jastremski (2000), algumas medidas que podem ajudar a clarear e reformular as atitudes dos profissionais da UTI sobre a presença da família na unidade incluem: discussões sobre mitos e realidade da visita e permanência dos parentes na UTI, depoimentos de pacientes e familiares que viveram outras situações de internação nestas unidades e o treinamento de papéis. A mesma autora lembra que também é importante considerar o desejo dos parentes de estar presente na UTI. Alguns podem não querer permanecer na unidade durante uma crise e é tão necessário respeitar sua vontade e dar-lhes suporte quanto para aqueles que desejam estar presentes mesmo nos momentos críticos.
Halm (1990) afirma que o desfecho de uma crise depende do acesso a recursos externos para solução do problema e também do momento em que se faz a intervenção. Recomenda que o suporte em grupo pode ser mais efetivo para reduzir a tensão no início da crise percebida pelo indivíduo, que pode não coincidir com o início da doença do paciente. A justificativa é de evitar que o familiar desenvolva formas de enfrentamento que podem resultar em maior desorganização comportamental. No suporte em grupo, os enfermeiros podem ajudar os parentes a redefinir seus problemas, avaliar se suas expectativas de recuperação do paciente são reais e mobilizar sistemas de suporte para enfrentar o evento da doença crítica (HALM, 1990).
Halm (1990) observou que os familiares de pacientes internados em UTI apresentavam uma redução significativa nos níveis de ansiedade após as sessões de suporte em grupo, possivelmente resultante do acesso que esses
familiares tiveram a intervenções externas durante a crise. Este efeito foi evidenciado pelas trocas interpessoais no grupo sobre novos métodos de enfrentamento da crise gerada pelo advento de uma doença crítica, bem como pelo rápido desenvolvimento de vínculos entre os membros do grupo que experimentavam sentimentos parecidos.
Analisando os encontros realizados com os familiares de pacientes internados na UTI para conversas entre a equipe e os familiares sobre o paciente e sua evolução, esclarecimento de dúvidas e discussão sobre as relações dos familiares com o paciente, Beck (2001) considerou a estratégia adequada para assistir esses familiares. Reuniões antes da alta dos pacientes da UTI, para dar informações, apoio e oportunidade para falarem sobre seus sentimentos também diminuíram significativamente a ansiedade dos familiares no estudo de Bokinskie (1992).
Reuniões têm sido sugeridas como estratégia para diminuir a ansiedade de transferência dos familiares. Ao promover relacionamento interpessoal em ambiente que favoreça a aprendizagem e a obtenção de informações baseadas nas necessidades individuais, as reuniões interdisciplinares podem ajudar a família a desenvolver habilidades de enfrentamento necessárias para a adaptação a uma unidade de internação. Membros familiares que não participam dessas reuniões freqüentemente recebem informações fragmentadas e inconsistentes sobre seu parente doente (BOKINSKIE, 1992). Auerbach et al. (2005) também recomendam reuniões conduzidas pelos médicos com os familiares dos pacientes, principalmente nos
primeiros dias de UTI, como uma abordagem promissora para a satisfação da família com o atendimento oferecido na unidade.
Geralmente as pessoas são capazes de lidar com os estressores dentro de seu nível adaptativo; entretanto, se os estressores se tornam muito intensos o enfermeiro deve intervir e ajudar a família a processar esse estímulo com uma resposta adaptativa, evitando a sua exaustão. A reunião é um método efetivo de capacitar o familiar a encontrar um meio de se adaptar à transferência de unidade (BOKINSKIE, 1992).
Auerbach et al. (2005) indicam algumas intervenções possíveis para aumentar o nível de satisfação das necessidades familiares. Uma delas é estimular o enfrentamento da realidade encorajando os parentes a participar no cuidado dos pacientes. À medida que a recuperação do paciente avança, os familiares podem ser incentivados a fazer uma reavaliação do acontecido, por exemplo, tentando identificar e enfatizar formas pelas quais a doença do paciente, embora traumática, pode ter ajudado os membros da família crescerem como pessoas enquanto enfrentavam a crise e como o próprio paciente pode ter aprendido e crescido com a experiência enquanto se recuperava. Como o enfermeiro da UTI geralmente é uma fonte central de suporte para os familiares, ele está em posição favorecida para ajudar seu ajustamento, estimulando a percepção deste lado positivo da experiência.
Investigando a efetividade das informações oferecidas a familiares de pacientes internados em UTI, Azoulay et al. (2002) criaram um folheto com informações para a família contendo informações gerais e um glossário com doze
termos técnicos comumente usados na terapia intensiva, que era entregue ao representante da família na primeira visita ao paciente, juntamente com a rotina que já era implementada na unidade antes do estudo (informações padronizadas, incluindo no mínimo um encontro por dia com o médico, informações sobre o diagnóstico, prognóstico e tratamento). Esse estudo verificou que o folheto melhorou significativamente a compreensão dos parentes dos pacientes e, entre os que demonstravam boa compreensão, o folheto aumentou o nível de satisfação. Os autores alertam para o fato de que familiares com melhor nível de compreensão podem se beneficiar mais dos esforços realizados pelos profissionais da UTI para satisfazer suas necessidades.
Receber informações foi uma importante fonte de suporte para os parentes de pacientes neurológicos internados na fase aguda da doença identificada no estudo de Åstedt-Kurki, Paunonen e Lehti (1997). O oferecimento de informações adequadas também foi associado com melhores resultados em termos da satisfação dos familiares com o atendimento recebido (MOLTER, 1979; JOHNSON et al., 1998). No entanto, Jurkovich et al. (2000) verificaram que, junto com a clareza das informações, a característica mais importante no processo de receber notícias sobre o paciente, especialmente más notícias, era a atitude dos profissionais ao fazerem a comunicação, considerada mais importante mesmo que o conhecimento do profissional ou sua habilidade para responder às perguntas. Segundo esses autores, os membros familiares se sentiam mais comumente satisfeitos em suas necessidades quando os médicos se mostravam mais amigáveis e menos hostis.
De modo geral, o que se pôde observar é que muitas das experiências descritas na literatura são intervenções desenvolvidas com familiares, mas com o objetivo primário de melhorar a assistência aos pacientes. Isto é, os enfermeiros realizam algum tipo de assistência à família para que ela possa desempenhar seu papel de cuidadora (RESTA e BUDÓ, 2004) e colaborar mais efetivamente no tratamento / recuperação do paciente.
A maioria dessas intervenções também apresenta algum efeito terapêutico para os familiares, já que quase sempre incluem oferta de informações sobre a doença, tratamento e evolução do paciente, ensinam cuidados a serem desenvolvidos com o paciente após a alta hospitalar, permitem a permanência de acompanhantes e participação nos cuidados durante a hospitalização, entre outras. Mas, poucas vezes se identifica uma preocupação real com a pessoa do familiar por si só, com seu sofrimento pessoal e seus sentimentos de medo, angústia, tristeza e ameaças variadas. Lima et al. (1999) chegam a comentar que certas intervenções são usadas como forma de transmitir aos familiares a responsabilidade pela realização de tarefas anteriormente a cargo da equipe de enfermagem, que passa a não mais se sentir responsável pela sua execução.
A opção pela forma de abordagem dependerá do objetivo e contexto onde a intervenção será desenvolvida e da clientela alvo, além da disponibilidade quantitativa e qualitativa dos profissionais e da infra-estrutura física necessária para a sua realização. O importante é que as intervenções saiam do papel e do discurso e sejam efetivamente colocadas em prática, de maneira que os
familiares possam sentir-se assistidos e satisfeitos com o atendimento.