9. Regnskapsanalyse
9.2 Likviditet
As ações em torno da preservação da Lapa, observadas acima, denotam a construção de um discurso oficial sobre a memória da cidade e de sua população. A seguir serão analisados alguns bens tombados pelo poder público que reforçam a ideia de um patrimônio oficial, reconhecidos pelo Estado como depositários da memória urbana da Cidade do Rio de Janeiro. Esses objetos e lugares estão situados no entorno do Colégio Souza Aguiar e configuram as áreas de circulação do alunado. O objetivo desta seção é observar, como
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"As mudanças na legislação do Corredor Cultural do centro do Rio propostas pelo Prefeito Eduardo Paes e aprovadas discretamente pela Câmara de Vereadores, abrindo caminho para a Eletrobrás construir um espigão com 44 andares criaram polêmica. Disponível em: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/01/12/liberacao-de-predio-de-ate-44-andares-200-metros- dos-arcos-da-lapa-cria-polemica-915515450.asp Acesso em: 27/06/2010
exemplo, alguns tombamentos inseridos no espaço patrimonializado com o qual os estudantes deparam-se cotidianamente.
São trinta e três bens edificados tombados pelo poder público considerados relevantes para esta pesquisa. Trata-se de tombamentos realizados pela administração pública, municipal, estadual e federal. As primeiras iniciativas, já citadas, decorreram das intervenções do antigo SPHAN. Muitos desses tombamentos, especialmente os realizados nos primeiros anos de atividade da instituição, não apresentam justificativas ou são muito
sucintas. É possível que a urgência das medidas de proteção ao “ameaçado” patrimônio
tenham abreviado os processos burocráticos do órgão à época. Um dos primeiros tombamentos realizados na Lapa, em 1938, foi do Aqueduto da Carioca. Os Arcos da Lapa, no entanto, sofreram em 1948 um processo de destombamento a pedido da Prefeitura, que pretendia ver alargada a avenida que passa sob a obra, com o sacrifício de um de seus arcos. Este processo ensejou um pronunciamento técnico da instituição, o que permitiu verificar a importância do monumento no âmbito do poder público.
Comparados os Arcos da Carioca com a obra mandada levantar por Dom João V, em Lisboa, diz Mario Aristides Freire (O abastecimento de água no Rio colonial) foram eles considerados por Spix e Martius “o mais belo e o mais perfeito monumento na arte de construção existente no velho Rio de 1817”-Quando aqui chegaram os laureados naturalistas bávaros.
A transcrição acima do trabalho do Sr. Noronha Santos elaborado para esta repartição, tem por objetivo destacar as referências que nos parecem de maior interesse com relação ao Aqueduto da Carioca. […]
O que se conclui do ponto de vista da história do Rio de Janeiro com a leitura integral do trabalho de Noronha Santos é que o Aqueduto da Carioca é a obra de arte construtiva mais representativa da vida da cidade no século XVIII […].31
Outro interessante processo verificou-se com o pedido de impugnação de tombamento dirigido ao órgão do patrimônio pela proprietária do imóvel onde morreu o General Osório, que atualmente abriga o Museu Casa de Osório, na Rua do Riachuelo, nº 303. A proprietária questionou o SPHAN sobre a importância histórica da edificação. Em suas alegações, ela afirma que o “prédio em questão não representa qualquer valor histórico ou
artístico, de vês que se acha transformado em “cabeça de porco”, ou seja, casa de cômodos, em estado até deprimente para ser tombado como monumento de tal ordem.”32
Essas afirmativas, porém, não são suficientes para demover a instituição da sua intenção de
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Processo número 152-T-38 IPHAN/DET - Seção de História.
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tombamento. Prevalece para o Serviço do Patrimônio a importância histórica da casa, independente da degradação de seu estado ou uso.
As razões apresentadas pela proprietária do prédio, para impugnar-lhe o tombamento, não convencem. Não é negado o fato histórico de haver residido e falecido no local o general Osório. Ora, êste é o fundamento em que apoiou esta repartição para tombar o prédio, cujo caráter histórico não é afetado pela circunstância de nele funcionar hoje uma habitação coletiva […].33
A relevância histórica também prevalece nas afirmativas do IPHAN, em 1958, que atendem ao pedido de tombamento da Casa de Deodoro da Fonseca, atualmente Museu do Exército, feito pelo então Chefe de Gabinete do Ministro da Guerra.
Esse imóvel está intimamente ligado a fatos históricos do nosso país, pois assistiu, desde os seus primórdios, às negociações e entendimentos havidos que culminaram com a revolta de 15 de novembro de 1889, em que se proclamou a República.34
A resposta do IPHAN fundamenta-se em laudo técnico expedido por Carlos Drummond de Andrade, funcionário da instituição à época.
O imóvel em questão, efetivamente, apresenta condições, a nosso ver, que justificam sua inclusão no acervo histórico nacional, pela sua vinculação com fatos da vida política e militar do país, considerados da maior relevância. Nele se efetuaram reuniões de próceres republicanos, visando à modificação da forma de governo [...] A reunião dos conspiradores no prédio da Praça da República é atestada pelo historiador Tobias Monteiro [...]. 35
Os discursos do patrimônio histórico revestem-se de valores “políticos e
ideológicos” (Gonçalves apud Oliveira, 2002: 110) e constróem “identidades e memórias”
(Ibidem). Mas será que esses valores são compartilhados por todos os usuários da cidade? No próximo capítulo apresentaremos os resultados da pesquisa com os estudantes do Colégio Souza Aguiar, mas antes acreditamos ser necessário traçar um breve histórico da instituição.
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Ibidem
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Carta do General Waldemar Levy Cardoso Chefe de Gabinete do Ministro da Guerra, dirigida a Rodrigo M.F. de Andrade solicitando o tombamento do “Edifício Deodoro” (24 de fevereiro de 1958) in Processo nº 572 – T – 58
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