• No results found

Results and discussion

4.6 Levels of pollution of Svalbard soils

Embora medidas de fomento à competição bancária venham sendo adotadas, sobretudo nos EUA, desde o fim da década de 1980, ainda não há consonância na literatura a respeito de seu impacto sobre a estabilidade do setor. De um lado temos a teoria do charter value que sugere que em ambiente de acirrada competição os bancos perdem valor e poder de mercado, têm suas margens reduzidas e assumem mais riscos como forma de elevar a rentabilidade. Ou seja, um aumento na competição tem efeito negativo sobre a estabilidade. De outro lado, temos a teoria do competition stability, que aponta para uma relação positiva entre o nível de competição e a solvência das IFs (SOEDARMONO; MACHROUHB; TARAZI, 2013).

Por meio da elaboração de um modelo de mercado competitivo de crédito bancário, Broecker (1990) corrobora a teoria do charter value ao verificar que a proporção de clientes que tem crédito aprovado em pelo menos um banco aumenta com o número de instituições que fornecem crédito. Desse modo, conclui-se que a maior competição faz com que a solvência média dos

devedores bancários caia; refletindo, portanto, em menor solidez das IFs credoras. Conclusões análogas são apontadas por Shaffer (1998) e Bofondi e Gobbi (2003).

Em uma análise cross country, Beck, Demirguç-Kunt e Levine (2006) utilizam dados de 69 países entre 1980 e 1997 para avaliar o impacto de características como competição, concentração e regulação dos mercados na probabilidade do surgimento de crises bancárias. Após controlarem por choques econômicos, condições macroeconômicas e outros itens relevantes, os autores encontram evidências de que economias com sistemas bancários mais concentrados são menos suscetíveis a crises. Analogamente, Allen e Gale (2004) concluem que sistemas bancários com poucos bancos de grande porte tendem a ser mais robustos do que aqueles compostos por um grande número de pequenas instituições. Para concluir, Ariss (2010) também registra associação positiva entre poder de mercado e estabilidade bancária.

Embora o número de estudos que apontam para uma relação negativa entre competição e estabilidade seja extenso, existem divergências entre os pesquisadores da área. Boyd e De Nicolò (2005), precursores da teoria do competition stability, utilizam a concentração de mercado como proxy para competição e apontam para a existência de um mecanismo de incentivo que faz com que os bancos se tornem mais arriscados à medida que decresce a competição em seus mercados. Segundo os autores, ambientes de baixa concorrência possibilitam que bancos cobrem mais caro por seus empréstimos; aumentando, assim, o risco de falência dos mutuários e, por consequência, dos próprios bancos. Embora a concentração de mercado seja empregada como proxy para competição por esses autores, existem pesquisadores que destacam diferenças relevantes entre as duas variáveis (e.g., BERGER; KLAPPER; ARISS, 2009; CLAESSENS; LAEVEN, 2004).

Em concordância com a hipótese de competiton stability, Schaeck, Cihak e Wolfe (2009) investigam a concorrência bancária em 45 países e verificam que os sistemas bancários mais competitivos são menos propensos a crises. Adicionalmente, os pesquisadores mostram que políticas de promoção da concorrência bancária, quando bem executadas, têm potencial para melhorar a estabilidade do setor. De forma similar, Uhde e Heimeshoff (2009) usam dados de bancos de 25 países da União Europeia entre 1997 e 2005, e evidenciam que a concentração nos mercados bancários nacionais impacta negativamente a solidez dos respectivos sistemas financeiros. Ademais, revelam que mercados bancários do leste europeu, que apresentam menor nível de competição, menos oportunidades de diversificação e maior participação de bancos públicos, são mais propensos a estresse financeiro.

Diferentemente dos estudos que relacionam concentração e competição bancária com nível de risco individualizado das IFs, Anginer, Demirguç-Kunt e Zhu (2014a) usam distintas medidas de competição entre bancos, entre elas o índice de Lerner e a estatística H de Panzar e Rosse, para avaliar o efeito da concorrência sobre o risco sistêmico. Em sintonia com a teoria do

competition stability, verifica-se forte relação negativa entre as variáveis. A razão apontada é que a maior competição faz com que as instituições assumam riscos mais diversificados. Em contraste com os autores que defendem uma relação única entre competição e estabilidade, Berger, Klapper e Ariss (2009) regridem diferentes medidas de risco contra indicadores de poder de mercado e ambiente de negócios nos países investigados, e encontram resultados em linha tanto com a teoria do charter value quanto a do competition stability. Ou seja, embora bancos com maior poder de mercado apresentem menor exposição geral ao risco, eles possuem carteiras de empréstimos mais arriscadas. De maneira semelhante, Kick e Prieto (2014) concluem que o grau de competição não afeta a assunção de riscos de forma única, pois dependendo da medida de competição utilizada é possível que sua elevação aumente ou reduza a estabilidade das IFs.

Miera e Repullo (2010), por sua vez, utilizam um modelo de competição de Cournot para testar os efeitos da competição (medida pelo número de bancos) sobre a estabilidade no mercado de empréstimos bancários. Assim, demonstra-se que a relação entre competição e risco tem a forma de “U”. Segundo os autores, a explicação para isso está no fato de que maior competição tende a gerar dois efeitos que se contrabalançam: redução da receita com juros e aumento da receita devido à maior adimplência. Nesse sentido, verifica-se que, enquanto em mercados concentrados novos entrantes reduzem a probabilidade de falência no setor, pois há predomínio do segundo efeito, em mercados competitivos, a entrada de novos concorrentess eleva a probabilidade de falência, pois prevalece o primeiro efeito.

Jimenez, Lopez e Saurina (2013) testam o modelo de Miera e Repullo (2010) em um estudo que investiga o impacto da competição sobre o risco bancário no mercado espanhol. Utilizando- se o índice de Herfindahl como proxy para competição e controlando por condições macroeconômicas e características dos bancos, encontra-se uma associação não linear entre as variáveis analisadas, tanto no mercado de empréstimos quanto no de depósitos. Ou seja, enquanto no primeiro mercado é verificada uma relação convexa, no segundo ela é côncava. Observa-se, entretanto, que quando a variável de competição utilizada é o índice de Lerner, há

suporte para a hipótese de charter value, mas apenas no mercado de empréstimos. Finalmente, Schaeck e Cihak (2014) mostram que os efeitos da competição são diferentes entre bancos frágeis e saudáveis. Ou seja, para os pesquisadores o efeito positivo da competição sobre a estabilidade é crescente em relação à saúde financeira da instituição.