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Apesar de ter manifestado repúdio ao livro de Wenceslau Escobar através de poucos artigos publicados no jornal Correio do Povo do mês de março de 1920, o marechal João Sampaio também divulgou seu posicionamento através da publicação de um livro.

Na obra titulada “O Coronel Sampaio e os “Apontamentos” do Dr. Wenceslau

Escobar” o contraditor tratou das causas da revolução de 1893, alguns tipos de violência que

foram praticadas nesse período e o tipo de historiador que foi Wenceslau Escobar. Entretanto, apesar de o título do livro fazer referência aos “Apontamentos” de Wenceslau Escobar, o marechal João Sampaio dispensou o maior número de páginas para contradizer um folheto escrito pelo general Carlos Telles.

No que tange a obra de Wenceslau Escobar, o marechal João Sampaio iniciou a publicação alertando que havia escrito em tom de desabafo. A seguir, afirmou que os “Apontamentos do Dr. Escobar” eram suspeitos porque a história da revolução de 1893 deveria ser narrada por pessoa imparcial e não por alguém que participou do movimento e que ainda em 1920:

(...) após o longo período de 25 anos, revela-se ferrenho, odiento partidário, como salta aos olhos de qualquer pessoa (...). Narrando acontecimentos dessa época, relativamente remota, refere-se aos adversários de então, de modo a não ocultar o profundo ressentimento, rancor e ódio que, ainda hoje, lhes vota.409

Em páginas posteriores enfatizou que “no intuito de acusar seus adversários como causadores da desgraça que foi a revolução (...), Wenceslau Escobar “deu-se ao meticuloso trabalho de procurar, nos vários municípios do Estado, os nomes de seus correligionários indicados como tendo sido assassinados pelos castilhistas”, entretanto, o autor teria esquecido de publicar também os nomes daqueles republicanos que foram assassinados por forças federalistas. 410

408 ESCOBAR, Wenceslau. Réplica a todos os contraditores de meus Apontamentos para a História da

Revolução Rio-Grandense de 1893. Op. cit., p. 173.

409 SAMPAIO, João Cezar. O Coronel Sampaio e os “Apontamentos” do Dr. Wenceslau Escobar. Porto Alegre:

Globo, 1920, p. 7.

Um dos trechos publicados por Wenceslau Escobar sobre a conduta do marechal João Cezar Sampaio diz respeito a fatos ocorridos nos meses finais de 1893, pois segundo o autor:

Por este tempo foram presos em Pelotas, segundo se disse por ordem dr. Piratinino de Almeida e Pedro Osório, e entregues ao coronel Sampaio, o major Antônio José de Azevedo Machado Filho (...) e outros pelo único crime de serem federalistas (...). Conta-se que estavam destinados, em caso de luta, a serem postos na primeira linha, a fim de que fossem vitimados pelas balas dos próprios correligionários.411

A esta afirmação o marechal João Sampaio atribuiu a qualificação de “fantasia perversa do apontador” e que “é verdade que me entregaram seis [revolucionários], se não me engano, não para serem vitimados”.412

De outra parte, o livro do marechal Cezar Sampaio também provocou que Wenceslau Escobar reagisse às acusações. No livro que escreveu para replicar seus contraditores, o autor de “Apontamentos” dedicou, aproximadamente, 100 páginas para rebater as afirmações de João Cezar Sampaio aproveitando a ocasião para reforçar o discurso construído no livro “Apontamentos”.

Assim, como o marechal João Sampaio explanou sobre muitos assuntos como o contexto político que precipitou a revolução de 1893, as ações de ambos os grupos em combate e a postura do autor de “Apontamentos”, diferente dos outros contraditores que basicamente trataram de assuntos específicos, surgiu a oportunidade de Wenceslau Escobar reforçar seu posicionamento através de diferentes assuntos.

O tom da réplica de Wenceslau Escobar pode ser percebido através da leitura de três trechos significativos que reportam a aspectos normalmente referidos pelos contraditores de “Apontamentos”. O primeiro deles refere-se ao partidarismo de Wenceslau Escobar, que segundo o marechal João Sampaio tornava-o suspeito para escrever o livro. Sobre isso o autor afirmou que foi o “primeiro a confessar que não tinha a pretensão d’escrever com absoluta isenção de ânimo”, mesmo procurando ser imparcial.413

O segundo aspecto diz respeito ao discurso de que os republicanos eram combatentes cruéis. Nesse ponto, o autor salientou que havia uma diferença na prática de

411 ESCOBAR, Wenceslau. Apontamentos para a História da Revolução Rio-Grandense de 1893. Op. cit., p.

182-183.

412 SAMPAIO, Op. cit., p. 69-70.

413 ESCOBAR, Wenceslau. Réplica a todos os contraditores de meus Apontamentos para a História da

atentados à vida, isto é, os crimes “praticados pelos federalistas foram por ocasião de dissolução de grupos (...) que revolucionariamente se punham em armas, enquanto que a série aterradora de crimes, praticados pelos castilhistas, foi depois de terem as forças de Tavares deposto armas”.414

Essa referência está atrelada ao trecho citado acima em que o marechal João Sampaio contradisse a questão do fuzilamento de federalistas. De acordo com Wenceslau Escobar, nos meses finais de 1893 “foram quatro os fuzilamentos mandados fazer pelo coronel Sampaio, durante a revolução, trazidos a público; se outros mandou fazer, ficaram sepultados no silêncio perpétuo dos ermos”.415

O terceiro e último aspecto é a crítica aberta ao governo republicano de Júlio de Castilhos e por extensão ao governo de Borges de Medeiros. Tratando da mudança de posição política de João Sampaio, Wenceslau Escobar afirmou: “Pouco me importa com as rápidas evoluções do Sr. Sampaio; que fosse ontem monarquista, hoje republicano e que amanhã

possa ser adepto da ditadura em todo o Brasil, como foi ou ainda é no Rio Grande” 416