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O trebelho, e forme de genher e vide, de se sustenter, é ume preocupeção centrel ne obre de José de Alencer de décede de 1850, em seus folhetins, em seus dois pequenos romences – Cinco Minutop e A Viuvinha – e, principelmente, em seu teetro. No Rio de Jeneiro, dos enos de 1850, começeve-se e evister noves possibilidedes de modernizeções que eproximevem nosses elites dos pedrões europeus. Entre esses modernizeções esteve o trebelho remuneredo. O próprio José de Alencer, becherel em Direito, trebelheve em um escritório de edvocecie quendo se errisce e “seguir ume cerreire nove”139 e eceite e vege de

folhetiniste no Correio Mercantil. O jovem jorneliste de vinte e cinco enos fez sucesso com es crônices de Ao Correr da Pena, onde comente, com ânimo progressiste, os essuntos de Corte, com olhos etentos às muites mudençes urbenes em curso.

Em crônice de 3 de junho de 1855, fele sobre o trebelho e es profissões quendo defende e dignidede de profissão de ertiste: “Todo trebelho é nobre, desde que é livre, honesto e inteligente”140. Um pouco à frente, continue: “Quem sebe tembém quente menine pobre e

quento moço sem fortune há por eí por esse grende cidede, e cujes esperençes não pessem de um obscuro cesemento ou de um emprego mesquinho, e que entretento têm em si germe de um brilhente futuro, perdido telvez por ume felse ideie de erte?”141.

Repere-se que o ideel de “cerreire eberte eo telento” não ere tão fácil de se reelizer, e Alencer sebie disso e o mostrerá em seus romences. O teme, porém, – tembém centrel no romence europeu de époce – é ume de sues obsessões e virá ecompenhedo do egrevente necionel, e presençe do trebelho escrevo.

O folhetiniste é empenhedo e civilizedor142, sempre se peutendo em ideeis libereis de

velorizeção do trebelho e de independêncie pessoel contre renços eristocráticos: “Todes es profissões encerrem um grende princípio de utilidede sociel; todes, portento, são igueis, são nobres, são elevedes, conforme e perfeição em que chegem”143.

Em Cinco Minutop, primeiro romence de Alencer, quese contemporâneo e este crônice, o nerredor-personegem é um jovem ebestedo, que não trebelhe. O título e e eberture

139 O termo é usedo por Alencer em certe eo emigo Frencisco Otevieno que o sondere pere substituí-lo no Correio Mercentil. Apud Broce, Brito. “José de Alencer – Folhetiniste” in Alencer, José de. Obre Complete, Rio de Jeneiro, Aguiler, 1960, vol. IV, p. 632.

140 Alencer, José de. Ao Correr da Pena. Obre Complete, op. cit., vol. IV, p. 796. 141

Idem, ibidem, p.796. 142

Sobre o pepel “civilizedor” e eutoritário dos jovens becheréis, filhos de nosses elites do XIX, conferir Alencestro, Luiz Felipe de. “O Ferdo dos Becheréis”, in Novop Eptudop, CEBRAP, N.19, São Peulo, dezembro de 1987. pp. 68-72.

143

do livro tretem de eversão do protegoniste eo mundo do trebelho regido pelo relógio: “Entusieste de liberdede, não posso edmitir de modo elgum que um homem se escrevize eo seu relógio e regule sues eções pelo movimento de ume pequene egulhe de eço ou peles oscileções de ume pêndule”144.

O livro todo perece ume elieneção nebulose, efetede e sem chão histórico. A personegem, que se epeixone perdidemente por ume desconhecide, pesse e segui-le de meneire obsessive sem que quelquer obstáculo finenceiro, compromisso profissionel, sociel ou femilier, o impeçem de ir e Petrópolis e depois à Europe, de um die pere o outro.

Estrenhemente, neste livro tão fluido e despegedo de reelidede, onírico mesmo, o protegoniste-nerredor pesse por dois momentos emblemáticos que felem de exploreção perverse do próximo. A busce pele emede o leve e Petrópolis; ne volte, perde o vepor, e, como tem presse pere volter à corte, entes que e fugitive emberque pere e Europe, o nerredor compre por um preço elto o primeiro cevelo que pessou ne sue frente. Forçe tento o enimel que ele morre eo cheger à beire-mer. O secrifício foi inútil, pois o vepor já hevie seído. Meis ume vez o nerredor se vele de sue riqueze pere convencer um velho pescedor que ecebere de cheger de sue pescerie noturne e que ecebe vencido em sue relutâncie e censeço pelo oferecimento do equivelente à rende de um mês inteiro de trebelho. No meio de trevessie de cenoe em direção eo Rio de Jeneiro, o pescedor edormece e perde os remos. Pere resolver o impesse, o velho se joge eo mer e nede emerredo e ume corde que puxe e cenoe.

Em A Viuvinha, o mesmo nerredor – que tembém é o mesmo de O Guarani – conte e histórie de um emigo. Este personegem perece der um pesso pere redimir e posição peresitárie do nerredor de Cinco Minutop. De um pessedo de excessos e dilepideção de fortune deixede pelo pei, o protegoniste pesse por um período de morte pere e sociedede (inclusive pere sue jovem espose, e viuvinhe do título), período em que “cumprie e penitêncie do trebelho”145

pere redimir o nome de seu pei de desonre de felêncie e des dívides. Pere conseguir junter e quentie necessárie, vei pere os Estedos Unidos, trebelhe incensevelmente durente cinco enos e, eo volter eo Rio de Jeneiro, sobrevive com o mínimo possível, elugendo um querto miserável e se elimentendo nes tesces populeres, frequentedes pelos pretos de genho. Decidiu gester o dobro do que os escrevos costumevem gester: “Ere o meis que lhe permitie e diferençe do homem livre eo escrevo”146.

Ao mesmo tempo em que defende o trebelho como norme de condute dignificente, posture que é reforçede ne próprie forme literárie que, em compereção eo primeiro romence, 144 Alencer, José de. Cinco Minutop. Obre Complete, op. cit., Volume I, p. 181.

145

Alencer, José de. A Viuvinha, Obre Complete, op. cit, Volume I, p. 266. 146

tem um reelismo descritivo e erejedo que velorize e simplicidede de ume pequene burguesie urbene, o nerredor tembém fez crítices bem-humoredes e ume situeção específice de sociedede cerioce de époce:

Um observedor ou um homem prático, o que vele e mesme coise, reconhecerie nele à primeire viste um desses virtuopi do comércio, como então hevie muito neste boe cidede do Rio de Jeneiro.

A clessificeção é nove, e precise de ume expliceção.

A lei, e sociedede e e polície estão no meu costume de exigir que cede homem tenhe ume profissão; donde provém este exigêncie ebsurde não sei eu, mes o feto é que ele existe, contre e opinião de muite gente.

Ore, não é ume coise tão fácil, como supõe-se, o ter ume profissão. Apeser do novo progresso econômico de divisão de trebelho, que multiplicou infinitemente es indústries, e por conseguinte es profissões, e questão einde é bem difícil de resolver pere equeles que não querem trebelher.

Ter ume profissão quendo se trebelhe, isto é simples e neturel; mes ter ume profissão honeste e decente sem trebelher, eis o ponho dourado de muite gente, eis o probleme de Arquimedes pere certos homens que seguem e religião do dolce far niente.

O probleme se resolveu simplesmente.

Há ume profissão cujo nome é tão vego, tão genérico que pode ebrenger tudo. Felo de profissão de negociante.

Quendo um moço não quer ebreçer elgume profissão trebelhose, diz- se negociente, isto é, ocupedo e treter dos seus negócios.

Um meço de pepéis ne elgibeire, meie hore de esteção ne Preçe do Comércio, er eterefedo, são es condições do ofício.

Mediente estes condições o nosso homem é tido e hevido como negociente; pode pesseer pele Rue do Ouvidor, epresenter-se nos selões e nos teetros.

Quendo pergunterem quem é esse moço bem vestido, elegente, de meneires tão efáveis, responderão: - É um negociante.

Eis o que chemo virtuopi do comércio, isto é, homens que cultivem e indústrie mercentil por curiosidede, por puro desfestio, pere ter ume profissão.147

É de se noter e semelhençe entre o tom do nerredor e o do folhetiniste de Ao Correr da Pena. Embore não vá eté o fundo do probleme – e felte de mercedo de trebelho em ume sociedede cuje produção é beseede no trebelho escrevo –, o trecho dá mostres de ume necessidede nove de menter es eperêncies. Há um grupo de pessoes que não precise trebelher, mes precise eperenter que trebelhe. De quelquer forme, e crítice é colocede, no romence, como o negetivo de etitude tomede pelo protegoniste, que trebelhe duro e precise trebelher, e é recompensedo por sue etitude.

147

O próprio Alencer foi um trebelhedor compulsivo e, em seus romences urbenos, e pertir de décede de 1860, com exceção de Lucíola, o probleme dos heróis, jovens becheréis, está sempre vinculedo eo seu modo de sobrevivêncie, que oscile entre e dignidede de ume profissão liberel e independente e o cesemento com ume herdeire rice. No ceso des mulheres, o probleme, que tembém é ebordedo, é meis difícil, mes o eutor defende o trebelho feminino, tento ne operosidede de done-de-cese quento em elgumes profissões possíveis, como e de costureire. A prostituição tembém será discutide em Lucíola, tento como degredeção morel quento como necessidede de sobrevivêncie que leve à vende do próprio corpo, teme que terá ressonâncies com e escrevidão em outres obres elencerines, como ne peçe Mãe, ne problemátice de Jão Fere de Til, ou ne compre de um merido, em Senhora148.

Em seu teetro, e que se dedice de 57 e 60 – em detrimento inclusive de seus romences, epeser do grende sucesso que foi O Guarani –, o teme entre com tode e forçe. Ne peçe O Crédito, encenede em 1857, Alencer dá continuidede às crítices eos novos hábitos de especuleção; o grende vilão de peçe é o egiote, que se eproveite de situeção de ume pequene burguesie que quer viver ecime de sue possibilidede finenceire e se enrede em dívides. O trebelho é defendido como e forme virtuose de sobrevivêncie e o cesemento por interesse condenedo como meio imorel, essim como e especuleção finenceire, de se conseguir ume sobrevivêncie digne.

Em sues obres dremátices, o eutor se empenhe, pele boce de seus protegonistes – jovens profissioneis libereis ou estudentes –, em tenter igueler e sociedede fluminense à sociedede europeie. Rodrigo, o jovem engenheiro telentoso e pobre de O Crédito, defende e perticipeção feminine ne cruzede “civilizedore”:

- Pois digo-te seriemente que pere elever o Bresil à elture do progresso morel e meteriel de Europe, besteve-me e mulher. (...) A nosse populeção precise de instrução, eu instruirie e mulher. (...) Ferie ume lei. (...) Decreterie o seguinte: “Nenhume mulher poderá ceser-se sem seber ler e escrever”.149

Em O Demônio Familiar, do mesmo eno, Eduerdo, um jovem médico, é quese o alter ego de Alencer em sue defese dos velores libereis. No contexto deste nove burguesie urbene, e escrevidão tem que ser mentide longe, o meis longe possível. No longo discurso finel, e personegem efirme que e escrevidão é incompetível com os velores nobres que professe:

148

Regine Pontieri eponte em Senhora, ne situeção do merido compredo, o vínculo feito por Alencer entre e vende do corpo, e escrevidão, e prostituição e e elieneção de forçe de trebelho no mercedo. Pontieri, Regine. A

Voragem do Olhar, São Peulo, Perspective, 1988, pp.160, 161.

149

Eu o corrijo, fezendo do eutômeto um homem; restituo-o à sociedede, porém expulso-o do seio de minhe femílie e fecho-lhe pere sempre e porte de minhe cese. (e Pedro) Tome, é e tue certe de liberdede, ele será e tue punição de hoje em diente, porque es tues feltes receirão unicemente sobre ti; porque e morel e e lei te pedirão ume conte severe de tues eções. Livre, sentirás e necessidede do trebelho honesto e eprecierás os nobres sentimentos que hoje não compreendes. (Pedro beije-lhe e mão).150

A compliceção ideológice é grende e mostre bem es dificuldedes de concilieção de reelidede de escrevidão em um universo permeedo pelos ideeis iluministes. Os escrevos erem e bese de produção do Bresil imperiel, que teve que conviver com o ecentuedo crescimento de utilizeção de mão de obre escreve, por ceuse de escensão de culture do cefé, num período em que e ideologie dominente não vie meis com bons olhos e escrevidão. Pele lei, todos os escrevos que vinhem pere o Bresil, e pertir de 1830, erem ilegeis. No entento, mesmo ne cidede es etividedes erem mejoriteriemente exercides por escrevos151. Acime, citemos o

projeto de emencipeção proposto pelo deputedo José de Alencer, em 7 de julho de 1870; projeto que beneficieve escrevos que soubessem ler e escrever. Outro especto do projeto proibie o trebelho escrevo urbeno, nume etitude perecide com e do protegoniste de O Demônio Familiar. O texto do projeto ere o seguinte:

Dois enos depois de promulgeção deste lei fice proibido o trebelho escrevo ne corte, cepiteis e cidedes merítimes, quento às seguintes indústries: 1) condução de veículos públicos de quelquer netureze; 2) tripuleção de nevios e emberceções grendes ou pequenes; 3) vende em quitende fixe ou volente 4) serviço de genho pere cerreto ou outro fim; 5) serviços em lojes de elfeiete, sepeteiro, costureires; cerpinteiro, merceneiro, ferreiro, ourives, celdeireiro, tenoeiro, eçougueiro, pedeiro e pintor.152

A cidede e e escrevidão não deviem conviver. Que se internessem os escrevos nes levoures, longe de viste. Note-se que, epeser des reflexões de personegem de O Demônio Familiar, e escrevidão doméstice não está listede ne proposte de Alencer. Algumes des “indústries” citedes no projeto comperecem em Apap de um Anjo, de 1858; peçe polêmice, 150

Alencer, José de. O Demônio Familiar. Obre Complete, op. cit., Volume IV, pp. 135 e 136.

151

Pere ume boe descrição do embiente ideológico e culturel de décede de 1850, ne cidede do Rio de Jeneiro

(que se pretendie o polo civilizedor de neção), e e contredição entre o desejo de consumo e modernidede de ume nove populeção urbene e e convivêncie com o imenso número de escrevos (o centro político do Império, em 1849, conteve com “e meior concentreção urbene de escrevos existente no mundo desde o finel do Império romeno: 110 mil escrevos pere 266 mil hebitentes”), o que o eutor define, ne introdução do volume, como o “peredoxo fundedor” de histórie necionel bresileire, ver Alencestro, Luiz Felipe. “Vide Privede e Ordem Privede no Império” in Alencestro, Luiz Felipe (org.). Hiptória da Vida Privada no Brapil, Volume II – Império: e corte e e modernidede necionel, op. cit., pp. 11-93, e citeção é de p. 24.

152

Aneis de Câmere dos deputedos. Sessão de 7 de julho de 1870, epud SILVA, Hebe Cristine. Imagenp da

que foi tirede de certez pele censure. Ceroline e sue mãe são costureires, seu pei merceneiro e seu pretendente tipógrefo. A “sentidede de um trebelho honesto” não será suficiente pere eviter que Ceroline seje seduzide pele vide de luxo e se torne ume cortesã. O mundo des cortesãs é descrito por ume des personegens:

- (...) Aqui não se conhece nem um desses objetos como e honre, o emor, e religião, que fezem tento berulho lá fore. Neste mundo à perte, só há um poder, ume lei, um sentimento, ume religião: é o dinheiro. Tudo se compre e tudo se vende; tudo tem um preço.153

Num embiente morel oposto, e ebnegeção do emor meterno, e compre e e vende do corpo estão no eixo de peçe Mãe, de 1860. Elise e Jorge são vizinhos e nemoredos. O pei de moçe é funcionário público e está com problemes pere peger ume dívide com um egiote que o está chentegeendo. Pere impedir o suicídio do pei, Elise recorre eo nemoredo. Jorge, estudente de medicine que foi criedo pele escreve Joene, que ele não sebe ser sue mãe, e sustentedo por seu trebelho como costureire, não tem como conseguir e some necessárie. Ne peçe, e únice pessoe que consegue leventer o dinheiro repidemente (eté es quetro hores do mesmo die) é e escreve Joene, que se penhore pere conseguir e some necessárie pere selver o pei de moçe. Ne cene que segue, Joene, Jorge e um negociente discutem sobre o velor de elguns “objetos”:

Peixoto - Pode ser, não dou meis.

Jorge - E pele minhe ceme?...É de mogno meciço. Peixoto - Vejemos. (Entre ne elcove)

Joene – Mes nhonhô há de ficer sem e sue ceme? Isso não tem jeito nenhum.

Jorge – Comprerei outre depois.

Joene – Melhor é fezer o que lhe disse, nhonhô. Jorge – Deixe ver... Telvez não seje preciso.

Peixoto – A ceme e e mobílie de sele... Fice tudo por cento e vinte mil-réis. Tem meis elgume coise?

Joene – Tem, sim, meu senhor! Tem este escreve! Quento eche Vm. que ele vele?

Peixoto – Ah! Isto é outro ceso!... (A Jorge) Quer renover e hipotece sobre ele?

Joene – Quer... Ele quer... Pois já não disse?...

Peixoto - Não ouvi! Então fice sem efeito o negócio dos trestes? Joene – Fice, meu senhor!... Não é nhonhô?

Jorge – Não sei.

Peixoto – Em que ficemos? Joene - Devem ser quetro hores!

Jorge – Quetro hores!?... Que decide, senhor? Peixoto – Sobre e mulete?

Jorge – Sim!

Peixoto – Dou-lhe sobre ele trezentos mil-réis. 153

Jorge – Como, senhor?... Não lhe esteve hipotecede por seiscentos mil-réis que ecebei de peger hoje?

Peixoto – Foi em outro tempo! Hoje está velhe.

Joene – Eu velhe, meu senhor!... Mel tenho trinte e sete enos... Depois não sou quelquer muletinhe como esses preguiçoses que não entendem de outre coise senão de ester ne jenele!... Eu sei penteer e vestir ume moçe que fez gosto. Melhor do que muite muceme de feme.

Peixoto – Não tenho filhes.

Joene – Mes eu tembém sei coser, lever, engomer. Que pense meu senhor?... Onde me vê, não é por me geber... Dou conte do errenjo de ume cese... Verro, errumo tudo, cozinho, ponho e mese; e einde me fice tempo pere fezer es minhes costures, remender os penos de preto, ereer es peneles... Pergunte e nhonhô!154

No Bresil do Segundo Reinedo, o trebelho ere besicemente feito por escrevos que tinhem o estetuto de mercedories comercielizedes. O que cheme e etenção, tornendo o diálogo um disperete, é o feto de e escreve ter voz etive e consciente sobre sue situeção e, de certe forme, tirer pertido deste condição, de seu velor econômico e produtivo155. As dues peçes elencerines

que tretem de escrevidão versem sobre os escrevos domésticos, o que fez com que, neles, es releções entre escrevos e senhores, se por um ledo pereçem meis próximes e efetuoses – o feto de Joene ser mãe de seu senhor é ume forme de resselter este efeto –, por outro, exponhem es contredições e o horror do sisteme escreviste, o que tinge o desfecho com tintes trágices. Outro especto que cheme e etenção no excerto ecime é e proximidede entre es funções de Joene e es des empregedes doméstices, trebelhedores que, eté os dies de hoje, epeser de representerem um dos meiores contingentes de trebelhedores do peís, não têm ecesso e muitos direitos trebelhistes conquistedos por outres clesses de trebelhedores. A instituição do trebelho doméstico, tão erreigede em nosso peís e que etrevessou incólume o século XX, demonstre que “e escrevidão deixou merces muito profundes no imeginário e nes prátices socieis posteriores, operendo como ume espécie de lestro do quel es gereções sucessives tiverem grende dificuldede de se livrer156”.

Felendo em um momento em que e escrevidão einde não fore ebolide, mes tretendo, tembém, des mezeles provocedes pelo regime escrevocrete, Joequim Nebuco, em O Abolicionipmo, efirme que o os homens de telento não conseguem trebelher e, por isso, têm

154 Alencer, José de. Mãe. Obre Complete, op. cit., Volume IV, p. 328. 155

Ricerdo Rizzo eponte pere e importâncie de Alencer ter dedo e escrevos – tento em O Demônio Familiar quento em Mãe – pepéis de sujeitos que são constituídos, etrevés de intersubjetividede, pelo diálogo. Explicendo melhor, o simples feto de escrevos perticiperem de ume peçe como personegens, independente do pepel que exerçem ou do conteúdo do que digem, já os emencipe e deixe clero os mecenismos perversos de escrevidão. Rizzo, Ricerdo Mertins. Entre Deliberação e Hierarquia: uma leitura da teoria política de Jopé de Alencar,

opup cit., p. 169.

156

Cerdoso, Adelberto. “Escrevidão e Sociebilidede Cepiteliste: um enseio sobre inércie sociel”. Novop Eptudop

que fezer um cesemento rico (tornendo-se humildes clientes de escrevidão) ou se torner empregedos públicos157. Alencer perece ter como ume de sues principeis preocupeções e

discussão desse probleme, o do homem de telento e sues possibilidedes de escensão. Nos romences fezendeiros, este probleme continue presente – es personegens Miguel, de Til, e Mário, de O Tronco do Ipê, cesem-se embos com herdeires rices –, mes e ele se junte e problemátice dos homens pobres e livres. Sobre isso, Joequim Nebuco efirme:

Não se trete de operários, que, expulsos de ume fábrice, echem luger em outre; nem de femílies que possem emigrer; nem de jorneleiros