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Leksehjelp og utdanningsveiledning

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6. INFORMANTENS OPPVEKST- FORHOLD MELLOM GENERASJONENE

6.3. Leksehjelp og utdanningsveiledning

Quem tem dinheiro faz as malas e parte – para a Curia, Praia da Rocha, Vichy ou Aix-les-Bains. Mas os pobres – os que conhecem o prazer por informação e a desventura por experiencia? Esses ficam amarrados á sua tortura. Mas não haverá maneira de os libertar, encaminhando-os para o oceano, a montanha, a mata, o pomar ou a planicie saturada de humidade, com fortes cheiros a frutas maduras, a milharais embandeirados e a resinas destiladas, não se sabe onde?

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Como constatámos anteriormente, nos anos Trinta eram recorrentes os apelos dirigidos aos portugueses para que viajassem e, dessa forma, conhecessem a “Nação”. A motivação para esse convite, bem como os moldes em que as viagens e os passeios deveriam decorrer, obedeciam a imperativos bem específicos que estavam longe de ser meros desafios a descomprometidos momentos de lazer.

Um texto editado pelo Diario de Lisbôa de 18 de janeiro de 1933 intitulado “Portugal para os portugueses…” lamentava que nem sempre se soubesse apreciar aquilo que era português e que, numa atitude de prostração perante o estrangeiro, se desprezasse a  “terra  que  nos  foi  berço”  (Diario de Lisbôa, 18 de janeiro de 1933: 1). Era importante, afirmava outra publicação, conhecer  “a  nossa  Terra  e  a  nossa  Gente”  antes   de se incorrer em viagens mais longas para que, aí então, se pudesse constatar “com   saüdade   e   orgulho,   a   vantagem   do   que   é   nosso”   (vd.   Viagem. Revista de Turismo,

Divulgação e Cultura, julho de 1938: 15).

Considerando estes argumentos, acreditamos que a rotina turística terá

eventualmente sido fomentada pelo Estado Novo como uma estratagema para fazer com que a população começasse a conhecer aquilo que o regime pensava ser mais adequado para a sua condição de cidadãos de um país antigo, tradicional e coeso, e é

neste âmbito que entendemos a preocupação oficial com a ocupação dos tempos livres daqueles com mais fracos recursos económicos (vd. Diario de Lisbôa, 10 de fevereiro de 1933: 1). Assim, por um lado, pretendia-se, como iremos verificar quando discutirmos as motivações para a criação da Fundação Nacional da Alegria no Trabalho, afastar os populares dos meios que propiciavam comportamentos que não eram bem acolhidos pelo governo; por outro lado, as atividades turísticas eram desenvolvidas e propostas como momentos de pedagogia nacional(izante) que serviriam para melhor arreigar nos grupos populares as lições de Salazar sobre a “Nação”. Institucionalmente defendia-se que viajar   “dentro   do   país,   descobrir nas suas paisagens, nos seus monumentos, no labor humilde dos seus filhos ou nas criações anónimas da musa popular as pulsações da Patria tem a vantagem de nos habilitar a maiores roteiros – aquém  e  além  mar”  (ibidem: 1), pelo que se incentivava a que a paixão pelas viagens se

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desenvolvesse  de  modo  a  abranger  “as classes menos abastadas e as profissões menos rendosas”  (Diario de Lisbôa, 8 de agosto de 1933: 1).

Recordemos, a este propósito, a comunicação   intitulada   “Excursionismo Popular. “Turismo Médio” que Álvaro Viana de Lemos apresentou no I Congresso Nacional de Turismo, na qual explicava muito claramente o modo como o salazarismo interpretava o tipo de lazer mais adequado aos grupos populares, ou seja, àqueles economicamente mais desfavorecidos. Das palavras de Viana de Lemos interessa-nos destacar também a alusão à coexistência de dois países turísticos na “Nação” de

Salazar, tal como já referimos anteriormente e como concretizaremos ao longo deste

capítulo.

Viana de Lemos iniciou a sua apresentação desconstruindo a crença de que o turismo  seria  uma  atividade  relacionada  apenas  com  os  grandes  hotéis  e  as  “coisas  de   luxo”  tão  favoritas  dos  estrangeiros  ricos  que,  deslumbrados  pelos  monumentos,  clima  e   belezas naturais portuguesas, escolhiam Portugal como destino de lazer (vd. Lemos, 1936: 3). O setor turístico deveria ser, no seu entender, muito mais do que isso e adequar-se a todos, independentemente das capacidades financeiras de cada um, pelo que o orador afirmou:

Impõe-se portanto em Portugal um TURISMO que o seja para todos os portugueses, em que todos possam colaborar, promovendo e fazendo gostosamente turismo, com naturalidade, calma e método.

ibidem: 3-4

A campanha de incitamento ao “turismo   médio” encerrava, nas palavras de Viana de Lemos, inúmeras vantagens. Serviria, primeiro que tudo, para permitir a redescoberta da terra portuguesa, mas também para promover momentos de alegria sã e de convivência entre a população, apoiando igualmente as campanhas de captação de mercados estrangeiros. Todas   estas   deslocações   populares,   “modestas   e   dispersivas”   (ibidem: 4), formariam os cenários perfeitos para ajudar a divulgar a “Nação”

despretensiosa, mas alegre, tão frequentemente apresentada nas narrativas oficiais do regime. Criar-se-iam, assim, quadros e histórias que os visitantes estrangeiros poderiam contemplar, de longe, e, dessa forma, apreender a verdadeira essência da “Nação” lusitana.

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Quanto aos benefícios que os praticantes do “turismo  médio” retirariam para si próprios, estes incluíam a assimilação dos bons hábitos de tolerância e de asseio que lhes permitiriam ser melhores hospedeiros (vd. ibidem: 4). Naturalmente que a aprendizagem feita sobre a “Nação”, nos locais selecionados pelo regime, constituía um importante argumento usado na defesa deste tipo de turismo, que iria ensinar costumes culturais portugueses associados às gentes, regiões ou indústrias caseiras. Caberia às associações, aos sindicatos, aos grupos recreativos e desportivos, ou às organizações locais de turismo, por exemplo, sugerir os comportamentos mais adequados aos “turistas  médios”, e definir de forma clara e conveniente quais seriam os propósitos de todas as excursões realizadas. Era igualmente importante que fosse considerada a necessária  “gradação  de  preços  em  hospedagens,  transportes  e  diversões  – para todas as bolsas sem exclusão da indispensável higiene, comodidade e bôa alimentação”  (ibidem: 5), pois só assim poderia aumentar o número de “turistas  médios” que participava nestas digressões, animadas pelo regime.

O “turismo  médio”,  entendido  como  obra  patriótica,  deveria  ser  organizado  “em   simplicidade   e   elevação”, e contar com a colaboração de professores, de médicos, do exército, da polícia, dos escuteiros, e de organismos associativos de recreio, uma vez que se acreditava que só dessa forma se faria uma educação turística que abrangesse toda a “Nação”. Expostos os argumentos que validariam estas rotinas turísticas mais modestas, Viana de Lemos concluiu a sua tese, rematando tudo aquilo que referira anteriormente da seguinte forma:

Sendo util assentar-se num nome para designar mais especialmente o turismo resultante do excursionismo e outros deslocamentos populares, não seria descabido chamar-lhe TURISMO MÉDIO ou POPULAR.

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2.1. “Hotéis médios”5

Há Palaces que cheguem – Buçaco, Vidago, Estoril e Curia, e até o Aviz e o Avenida Palace em Lisboa! São salões de visitas para estrangeiros e para poucos afortunados nacionais. Portugal tem diversidade paisagística, monumentos – tudo quase desconhecido por causa da falta de alojamentos. Lima, 1936b: 4

Já nos anos Trinta os hotéis eram referidos como necessidades modernas, que deviam proporcionar bom gosto e qualidade internacionais aos hóspedes (vd. Diário de

Notícias, 15 de novembro de 1934: 3). Na mesma altura, começava também a discutir-

se, na   “Nação”, o equilíbrio necessário entre a construção de hotéis de luxo, semelhantes aos que havia pelo resto da europa, e a edificação de unidades de alojamento mais modestas. Paulo   Pina   refere   que   os   “grandes   e   faustosos   hotéis que marcaram a belle epóque e celebrizaram os nomes de Ritz, Claridge, Carlton, Savoy ou

Plaza, não tinham cabimento em Portugal, sem vida económica e social que os

comportasse”   (Pina,   1988:   53).   Pondo de parte o que se passava nos Estoris, como iremos verificar de seguida, constituíam exceções à condição referida por Pina talvez apenas o Avenida Palace de Lisboa e, anos mais tarde, o Hotel Aviz, instalado no Palacete Silva Graça, pertença de um dos diretores do jornal O Seculo. A filha e o genro do proprietário procederam às adaptações necessárias para que o espaço se tornasse num pequeno hotel de luxo, que acabou por ser inaugurado em outubro de 1931, sendo, desde logo, reconhecido e recomendado pelo Conselho Nacional de Turismo. O Hotel Aviz ficou famoso por acolher importantes figuras internacionais, como Humberto de Itália, Eduardo VII de Inglaterra, D. Pedro do Brasil, a Princesa Margarida de Inglaterra, Marcello Mastroianni, Frank Sinatra, Ava Gardner ou ainda Maria Callas. Calouste Gulbenkian fez deste hotel residência, tendo lá vivido com a família na suite D. Filipa de Lencastre, entre 1942 e 1955, o ano da sua morte. A primeira edição de Panorama.

Revista Portuguesa de Arte e Turismo indicou o Hotel Aviz como sendo de  “primeira  

ordem” (Panorama. Revista Portuguesa de Arte e Turismo, junho de 1941: 12), e um

5 Vd. Ferreira,1994, para uma interessante e abrangente análise do desenvolvimento das infraestruturas de

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número de novembro de 1939 de Anglo-Portuguese News apresentou-o como “Portugal's  premier  hotel” (The Anglo-Portuguese News, 11 de novembro de 1939: 8). Por alturas da Segunda Guerra Mundial o Hotel Aviz começou a sofrer graves problemas financeiros, também devido ao crédito contraído para a sua instalação, e acabou por encerrar em abril de 1961, tendo sido reaberto em 2005.

Como já foi referido, a partir dos anos Vinte, começou a ser notória a vontade de regulamentar cada vez mais a hotelaria e de diversificar a oferta de alojamento (vd. Henriques e Lousada, 2011: 112). O decreto n.º 14:174 de 29 de agosto de 1927, por exemplo, ditava que os hotéis e os restaurantes executassem as obras de saneamento, higiene e conforto determinadas pela Repartição de Turismo em conformidade com os recursos que possuíam e, no ano seguinte, o decreto n.º 16:295 de 27 de dezembro concedia vantagens para a construção de edifícios que viessem a ser usados como hotéis. Legislação de 1930 deliberava as condições dos estabelecimentos que podiam ser usados como unidades de alojamento e, entre outros, aprovava o regulamento e as vistorias aos hotéis (vd. decreto n.º 19:101 de 4 de dezembro e decreto n.º 19:174 de 27 do mesmo mês, por exemplo). Uma portaria de 17 de julho de 1931 constituía uma comissão para propor os requisitos a que deviam obedecer restaurantes, pensões, hospedarias e similares. Nesse mesmo ano, o decreto n.º 19:317 de 30 de janeiro manifestava a intenção de criar um curso de gerência de hotéis e restaurantes na Casa Pia, à imagem do que existia em outros países. Os formandos deveriam saber comunicar em francês e inglês, e teriam obrigatoriamente de realizar um estágio. Datam dos anos Trinta inúmeros documentos, pareceres, críticas e comentários, produzidos pelas mais diversas fontes, acerca do parque hoteleiro nacional, o que corrobora o nosso argumento de que também este setor fazia parte do grande plano de “renovação” da “Nação” arquitetado pelo regime.

No Arquivo de Oliveira Salazar encontrámos diversas provas desta crescente preocupação oficial com a hotelaria nacional. Regulamentação da construção de

grandes hotéis nas cidades de Lisboa, Porto e Funchal, um documento manuscrito de

nove páginas, datado do ano de 1935, alertava para a premência de serem construídos grandes   hotéis   de   turismo   nestas   três   cidades   e   “noutros   pontos   adequados   do   paiz”,   referindo ainda as reduções e isenções tributárias que, apesar de terem sido concedidas,

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não estariam a ser totalmente cumpridas. Novamente, o grande móbil parecia ser a criação de condições favoráveis à atração de mercados estrangeiros para animar a economia nacional (vd. Regulamentação da construção de grandes hotéis nas cidades

de Lisboa, Porto e Funchal, 1935). Ainda sobre esta matéria, e datado de 1936, existe

um rascunho manuscrito de três páginas de mais um despacho que visava fomentar a construção hoteleira (vd. Despacho sobre as seguintes questões: Turismo. Hotéis, 1936).

A qualidade das infrastruturas de alojamento ocupara já a atenção de alguns dos participantes no I Congresso Nacional de Turismo (vd. Parte II, capítulo 2). Destacamos aqui   a   tese   de   Teotónio   Carlos   Martins,   “O   Problema   Hoteleiro   em   Portugal”,   que   evocou a necessidade da fiscalização das unidades hoteleiras, e a falta de uma classificação dos estabelecimentos, criticando, igualmente, um desajuste entre a existência de um luxo deslocado e ridículo face, por exemplo, à ausência de meios sanitários básicos (vd. Martins, 1936: 4). Teotónio Carlos Martins alertou, ainda, para a necessidade de mudar a mentalidade dos hoteleiros, e para a carência de uma boa formação profissional (vd. ibidem: 6-7).

Anos mais tarde, num texto manuscrito não datado, rabiscado em papel do Secretariado de Propaganda Nacional e que terá sido provavelmente redigido nos finais de Trinta, devido às alusões aos grandes festejos dos Centenários (vd. Parte III, capítulo 2), António Ferro confirmava que sem bons hotéis não havia turismo e que as graves lacunas existentes em Portugal resultavam de os hoteleiros não terem sabido, ou querido, acompanhar o progresso internacional da indústria. Como viria a ser tónica nas suas  comunicações  sobre  este  assunto,  Ferro  defendia  “a  higiene  e  o  simples  bom  gosto”   em detrimento do luxo (vd. Ferro, s/d “Não há turismo possível sem bons hotéis”).

Em 1933, O Notícias Ilustrado de   30   de   julho   publicava   o   artigo   “O   Nosso   Jornal   e   o   Turismo”.   Esse   texto   advogava   a   construção   de   hotéis   provincianos   que   deveriam   ter   “o   caracter de grandes pousadas familiares, muito confortaveis, mas

destituidos de todo o falso luxo e sem a falsa pretensão de imitar caricatamente os hoteis urbanos de categoria”   (O Notícias Ilustrado, 30 de julho de 1933: 9; itálicos

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presentes nessas infrastruturas6, anunciando já algo que reencontraremos nas preleções de António Ferro acerca das pousadas. Na verdade, essa edição de O Notícias Ilustrado proclamava, em total conformidade com aquilo que o regime advogava, a defesa da

tradição e de tudo o que era regional, desta feita na arquitetura hoteleira:

Buscar-se-ão os motivos arquitectónicos na tradição ou no carácter regional e dar-se-à preferência ao emprêgo de materiais da localidade (...) a propriedade, o confôrto, o apetrechamento moderno têm de combinar com o respeito pelos elementos da paisagem, da tradição regional, do pitoresco e de tudo o que constitui o interêsse das viagens turisticas.

ibidem, : 9

A   mesma   “ideia   nacional   e   regionalista”   foi   reiterada   por   este   semanário   a   propósito da inauguração de seis novas unidades de alojamento (vd. O Notícias

Ilustrado, 10 de agosto de 1933: 4-5), e por Roque da Fonseca, quando referiu a

necessidade de se construir pequenos hotéis regionais com conforto, higiene e estilo português (vd. O O Notícias Ilustrado, 10 de setembro de 1933: 5). Guilherme Cardim, de que voltaremos a falar a propósito das especificações dos Estoris, publicou o texto “Os  hoteis e  o  turismo”,  no  qual  defendeu  a  tese  de  que  o  conceito  de  bom  hotel  não  se   aplicava   apenas  a  hotéis  de  luxo,  pois   um   “hotel  ou  instalação  modesta   pode  merecer   tanto a designação de bom hotel como um palace luxuoso, desde que satisfaça as necessárias condições  de  higiene,  gosto  artístico,  e  conforto”  (Cardim,  1939:  5).

Foi, porém, “Pouzadas”,   a comunicação de Francisco Lima no congresso de 1936, que mais pormenorizadamente descreveu a necessidade e as características inerentes ao alojamento próprio dos “turistas  médios”.  O  orador  alertou  para a carência de unidades hoteleiras fora dos locais onde existiam os hotéis Palace, defendendo a construção   de   um   tipo   de   instalação   “mais   simples   e   económico,   de   irrepreensível   limpeza, em que o excursionista, o turista, possa ficar, alimentar-se numa atmosfera de repouso,   de   conforto   sóbrio,   mas   sobretudo,   economicamente”   (Lima,   1936b:   5).   Destinadas a ser usadas pela   “grande   massa,   para   o   viajante   mais   modesto,   para   o   empregado público, para o industrial que deseja conhecer o seu país e instruir-se, para o

6 Era aconselhada a existência de vinte e cinco quartos duplos e de dez quartos individuais, dos quais

alguns deveriam ter casa de banho privada, com água fria e quente. No átrio deveria ser instalado um “processo  de  aquecimento  usado  na  região”  e  cada  uma  destas  unidades  teria  um  refeitório  que  pudesse   receber o dobro da capacidade do hotel, uma cozinha isolada, acomodações para o pessoal e espaço próprio para recolha de carros com quartos para motoristas (vd. Notícias Ilustrado, 30 de julho de 1933: 9).

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estudante”   (ibidem: 5), essas pequenas unidades deveriam ter sempre um cunho

nacional e regionalista (vd. ibidem: 5) replicado, por exemplo, na adoção da arquitetura

e da decoração típicas da zona, no uso de trajos regionais pelos funcionários, e numa oferta gastronómica claramente local. A exploração dessas pousadas, semelhantes a alguns modelos de alojamento existentes em Espanha, na altura, deveria ser atribuída a “um   casal   com   qualidades   idóneas”, e fiscalizada pela Comissão de Turismo e pela respetiva câmara municipal. Os planos para as comemorações do Duplo Centenário, nos quais António Ferro participou ativamente, viriam a recuperar este conceito de alojamento, como iremos verificar ainda neste capítulo.

2.2. “Hotel Modelo”: um modelo nacional(izante) para os hotéis

A defesa da construção ou da adaptação de espaços de acolhimento de turistas às

estruturas arquitetónicas típicas da “Nação”  fora já aventada pelo arquiteto Raúl Lino

no  artigo  “Memória  justificativa  e  descritiva  de  um  projecto  de  Hotel  Portuguez  para  ser   construído  no  Sul  do  Paiz”, publicado no n.º 6 do Boletim da Sociedade de Propaganda

Nacional, em 1917. Após considerar a premência de resolver   este   “problema  

arquitectonico”,   Raúl Lino concluiu que a cópia e a aplicação de exemplos de hotéis estrangeiros, sobretudo de unidades de luxo, impediriam que se nacionalizasse as

construções em Portugal, pelo que as mesmas acabariam por ser sempre entendidas

como elementos intrusos na paisagem (vd. Lino, 1917: 7).

O ponto alto desta teorização da arquitetura hoteleira ao serviço do regime terá acontecido no ano de 1933, altura em que O Notícias Ilustrado lançou a exposição Hotel Modelo com o apoio do Conselho Nacional de Turismo, o patrocínio da CP e o suporte técnico do Diário de Notícias. Com este projeto pretendia-se, como refere Daniel  de  Melo,  “fornecer  à  iniciativa  privada  modelos  de  orientação  para  a  edificação   de estruturas hoteleiras segundo o princípio regionalista”  (Melo, 1997: 267), que viriam a ser usados na construção das pousadas. Susana Lobo defende que a exposição do Hotel Modelo terá sido o "culminar de uma vasta campanha «de difusão de princípios de cultura turística» que abordara, numa série de artigos de forte carácter pedagógico e sentido  prático,  os  principais  problemas  do  turismo  nacional”  (Lobo,  2006:  22).  

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