4. METODE OG ETISKE BETRAKTNINGER
4.2. Fremgangsmetode og gjennomføring
4.2.3. Intervju
Do ano de todos os princípios para o regime do Estado Novo destacamos um artigo publicado na primeira página do Diario de Lisbôa de 14 de janeiro que, entre outros, admitia a fase embrionária em que o setor se encontrava em Portugal e que, a propósito do valor da nova atividade, comentava a falta de um
impulso ordenado e orientado em que colaborem em justas proporções o dinheiro, a iniciativa, o arrojo e a estetica. Impõe-se, como sempre, que o Estado intervenha na materia com a sua alta e indiscutivel autoridade, criando os competentes e necessarios para se converter em fomento a riquesa o que tantos encaram qual tema propicio a divagação quimericas ou abstrusas.
Diario de Lisbôa, 14 de janeiro de 1933: 1
Tal como largamente discutido no I Congresso Nacional de Turismo, este artigo advogava que seguir os exemplos do que se passava em outros países não poderia jamais impedir que a indústria turística se constituísse como uma realidade nacional e própria do povo português. O turismo deveria ser, além de uma atividade que ensinava
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aprendessem e se “espiritualizassem”, pois a “simples construção dum hotel acolhedor
ou luxuoso ou acolhedor exerce influencia no povinho adjacente, ensinando-lhe a higiene, as boas maneiras, a antipatia pelos hábitos grosseiros no vestuário e na linguagem” (ibidem: 1).
Esta vertente didática do setor continuaria a ser valorizada ao longo do período em estudo e, como seria de esperar, foi reforçada por algumas comunicações apresentadas no congresso de 1936 (vd. Parte II, capítulo 2), nomeadamente através da apresentação feita por Vieira Guimarães (vd. Guimarães, 1936: 3), e pela imprensa:
Nos contentará a certeza de que [o turista] adivinhou, no cenário, casos e personagens da rua, as qualidades do povo ou conseguiu, através dela, avaliar o estado da nossa mentalidade e o impulso da nossa ânsia natural de progresso e esfôrço construtivo.
SI, O Seculo Ilustrado. 19 de fevereiro de 1938: 10
Joaquim Roque da Fonseca, eventualmente um dos primeiros a proferir a expressão mil vezes repetida, durante o Estado Novo e não só, “Portugal, paiz de turismo” (vd. Parte I, capítulo 2), sistematizou numa comunicação com esse mesmo título algumas das características que a atividade turística partilhava com as retóricas das nações. Retomamos, por isso, a palestra que Roque da Fonseca apresentou no Rio de Janeiro no ano de 1933 para evocar importantes argumentos justificativos do protagonismo atribuído ao setor turístico por um regime político como o de Salazar. Além da habitual preocupação com os turistas estrangeiros, esclareceu-se que as principais motivações e atrações turísticas seriam os acontecimentos, as tradições, as
lendas e os símbolos históricos. Os turistas deveriam visitar o que de mais autêntico,
mais notável, mais belo e pitoresco existisse no destino de acolhimento. Estes
superlativos turísticos não podem deixar de nos recordar os superlativos que justificam as verdades das nações, segundo António de Oliveira Salazar.
Neste contexto, importa referir uma publicação de abril de 1933 em A.C.P.
Revista Ilustrada de Automobilismo e Turismo, segundo a qual o turismo seria o
“método mais designado para combater a degenerescência da raça” (A.C.P. Revista
Ilustrada de Automobilismo e Turismo, abril de 1933: 28; itálicos nossos), e ainda o
primeiro número de Viagem. Revista de Turismo, Divulgação e Cultura, quando refere o papel do turismo, enquanto elemento esclarecedor das falsas ideias dos portugueses,
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resultantes da deturpação “dos nossos costumes e da alma da nossa gente” (vd. Viagem.
Revista de Turismo, Divulgação e Turismo, julho de 1938: 2). Alguns anos mais tarde, a
mesma revista declarava que “viajar no nosso país, afinal, vai ser uma arte de nos conhecermos melhor” (Viagem. Revista de Turismo, Divulgação e Turismo, junho de 1941: 1).
Por tudo isto, a intervenção do Estado era nomeada como imprescindível e, a prová-lo, podemos referir diversos relatos de visitas efetuadas pelo Presidente do Conselho, nomeadamente a locais onde iriam ser construídas unidades de alojamento ou na inauguração das mesmas (vd. por exemplo, O Seculo, 6 de abril 1934: 1). Tal como vimos suceder no I Congresso Nacional de Turismo, quando alguns congressistas defenderam a intervenção da mão mediadora do Estado na atividade turística, ou à imagem do que António Ferro viria a fazer ao longo da sua vasta ingerência no setor, a
prática turística parecia permitir que um ensinamento superior lhe ditasse as rotinas, e classificasse e indicasse o que deveria ser visitado. O número um de Viagem. Revista de Turismo, Divulgação e Turismo, de julho de 1938, reafirmava esta crença com os
seguintes argumentos:
Hoje, neste século de velocidade, é fácil viajar. O que é raro é saber viajar. Auxiliar êsse
desideratum, proporcionar ao viadante que percorre Portugal uma maior parcela de encanto, orientá-lo e despertar-lhe o interêsse pelo desconhecido, eis um dos fins a que nos propomos.
Viagem. Revista de Turismo, Divulgação e Turismo, de julho de 1938:2; itálicos nossos
Apesar do muito que faltava ainda fazer, a década de Trinta assistiu a um desenvolvimento significativo do turismo português. Como escrevia o Diário de
Notícias em novembro de 1935, o turismo tinha-se incorporado naturalmente na vida
dos portugueses (vd. Diário de Notícias, 5 de novembro de 1935: 1), por obra e graça das políticas de “renovação” do Estado Novo. Como sucedia com as restantes esferas da sociedade portuguesa, fora-lhe atribuída uma função muito específica na orgânica nacionalizante do regime e, por isso, também a este setor cabia demonstrar e ensinar as verdades do salazarismo.
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1.3. A divulgação da “pequena casa lusitana”: destinos, publicações e Casas de