2.4 Ledelse og motivasjon
2.4.1 Ledelse og behovstilfredsstillelse
A cidade em foco possui ampla rede de ensino com instituições escolares espalhadas por todo o espaço físico. Da creche ao ensino médio, compõe a rede um total de 355 instituições, sendo 97 municipais, 27 estaduais e 231 privadas. Possui, ainda, 7 universidades privadas e dois campi avançados de universidades públicas.
No universo das escolas de ensino médio, interesse deste estudo, a cidade conta com 36 instituições de ensino privadas e 26 estaduais, incluídas neste cômputo apenas as escolas que oferecem ensino médio regular.
A situação das escolas públicas que compõem o cenário educacional da cidade reproduz em grande medida a condição geral das redes públicas de ensino do país: franco processo de deterioração, excluindo, por dentro, com a visível sonegação de conhecimento, as camadas menos favorecidas (Fogaça, 2008; Reis, 2006). Vale ressaltar que a rede pública municipal, com seu Programa de Aceleração, oferece aos jovens alunos que têm defasagem idade-série a oportunidade de, por meio da realização de uma prova, “pular” duas ou três séries/anos a fim de corrigir tal desajuste. Numa clara ação funcionalista de correção de fluxo que visa melhorar índices e rankings que se retraduzem em verbas, a rede municipal dá ao aluno a falsa ideia de que ele está preparado, que tem os conhecimentos compatíveis com sua nova posição na carreira escolar, quando obviamente não tem; como substrato, o aluno vê reafirmada sua posição rebaixada, do ponto de vista da correlação de forças, no espaço social.
Este “projeto” de educação escolar atinge, em cheio, uma camada que já não enxerga a escolarização como real oportunidade de elevação social. As camadas desfavorecidas, quotidianamente chamadas ao realismo de sua condição social, percebem cedo a distância entre suas expectativas subjetivas e suas chances objetivas, tendo rapidamente dissipadas suas ilusões escolares. Por isso, os agentes das camadas desfavorecidas, conforme Nogueira
(1995), investem pouco na escola e geralmente desconfiam dela; não que estejam pautados numa razão autoconsciente que dirija esta ação, mas porque percebem o sentido do jogo no qual estão inseridos.
Da mesma maneira, as camadas média e alta, aproximadas no espaço social e constituídas como classes não somente por sua condição econômica, mas também pelo volume e estrutura de seu capital cultural e social, empreendem estratégias educativas – conscientes e inconscientes –, em particular as escolares, visando produzir agentes sociais capazes e dignos de receber a herança social do grupo (Bourdieu, 1989, p.388).
Os agentes das posições médias depositam fortes esperanças nas credenciais simbólicas (engenheiro, médico, professor universitário) ofertadas pela escola como recurso de distinção (elevação social da família) e também esperam dela os saberes técnicos que os coloquem em posição de competir na vida social; por isso, investem fortemente na escolarização dos herdeiros. Os agentes das camadas mais ricas, por sua vez, desenvolvem uma relação ambígua com a escola, sendo quase indiferentes a ela, uma vez que dela recebem apenas a legitimação, na figura da titulação, dos capitais já acumulados anteriormente na família: “Para o herdeiro de uma família rica, a escola é apenas um local de socialização junto aos agentes ocupantes de posições sociais próximas à sua e, além disso, instituição credenciadora de sua riqueza” (Catani e Pereira, 2002).
Na cidade pesquisada, os agentes não escapam a estas regularidades demonstradas em diversos estudos, ou seja, famílias pertencentes às distintas classes sociais empreendem estratégias educativas para a formação de seus herdeiros.
Se nas escolas públicas o mote da competitividade já aparece com toda força nas políticas que exageram o poder da educação para o desenvolvimento econômico (Lima, 2012), nas escolas privadas esse caráter é materializado na busca pelo melhor “negócio” em educação. A disputa entre as escolas privadas de ensino médio da cidade que atendem às camadas médias e ricas é bastante acirrada.
No verdadeiro mercado do ensino que se estabelece, cada uma das escolas tenta “vender seu produto” por meio de táticas diversas: sorteio de equipamentos eletrônicos e até carros; oferta de bolsas de estudos para alunos com alto desempenho; matrícula em separado de alunos com alto desempenho, formando unidades de ensino específicas para angariar posição destacada nos rankings formados a partir do ENEM, etc. O objetivo é atrair como clientes pais desejosos de sucesso para seus filhos e, consequentemente, para a sua família e seu grupo social.
Basicamente, quatro escolas estão no jogo com mais força competindo pelas fatias de mercado compostas por frações das classes médias e pelas camadas altas da cidade. Uma delas é parte integrante de uma poderosa rede nacional do mercado da educação privada e, com sistema didático de ensino8 próprio, vende ao aluno a garantia de “sucesso” e “felicidade” via entrada nos vestibulares mais concorridos do país; além deste forte apelo, o sistema permite fácil acompanhamento por parte do alunado, à medida que o conteúdo constante das apostilas é o que é cobrado de forma direta nas avaliações, possibilitando grandes chances de alcance de resultados satisfatórios em termos de desempenho escolar. Na visão mercadológica que se impõe, esta é também a escola que apresenta a melhor relação “custo-benefício”, já que propõe mensalidades bem acessíveis.
Outras duas instituições dirigem-se claramente às famílias ditas de elite da cidade, oferecendo uma escola “diferenciada” para uma camada formada por jovens que deverão ocupar os quadrantes mais elevados no mapa social. Também utilizam sistemas didáticos de ensino, mas o desenvolvimento das apostilas vem associado a rigorosos mecanismos de controle e classificação (avaliações diárias, diplomas de honra ao mérito etc.) que operam dentro de uma lógica de divisão, de distinção dos “melhores” entre os “melhores”. Uma delas possui estrutura arquitetônica semelhante a um Shopping Center, com academia de ginástica e lanchonetes, constituindo um forte apelo de consumo de bens materiais e simbólicos.
A outra escola dentre as quatro destacadas será aqui, ficticiamente, designada Delta e foi a escolhida como campo empírico para a realização do estudo ora apresentado. Posiciona- se também no jogo, mas distingue-se no cenário por inúmeros fatores que serão abordados a seguir.