4. Analyse av implementeringsprosessen
4.8 Ledelse
A disciplina Antropologia da Religião, na UCB, visa fazer um diálogo interdisciplinar sobre o fenômeno religioso. Nesta perspectiva passo a abordar as contribuições de algumas ciências como a Sociologia, a Antropologia, a Teologia, a Psicologia da Religião e a Psicologia Social, com as contribuições de teóricos como Durkheim (1996), Geertz (2008), Oliveira (2012) e Jodelet (2013), que analisam a expansão e a diversificação do evento religioso em âmbito global e local, considerando a diversidade de crenças, religiosidades e espiritualidades, presentes nas religiões monoteístas e nos novos movimentos religiosos, articulados com os dados do Censo Demográfico Brasileiro de 2010.
Os autores mencionados caracterizam o campo religioso compreendendo a vida religiosa, as religiões e a religiosidade. Enfatizam a religião como uma instituição social com papéis preestabelecidos, presente na vida sociocultural dos indivíduos elaborando significados e significantes, cuja finalidade é a produção de simbologias que se comunicam e se expressam nas atitudes, comportamentos, percepções e sentimentos do sujeito, orientando-o em seu agir, seja individualmente ou coletivamente.
A pluralidade religiosa é uma realidade mundial, igualmente presente em todos os setores da vida social brasileira. Pode-se associá-lo ao pensamento durkheiminiano de que a ciência precisa compreendê-lo enquanto objeto científico e não relegá-lo ao simples juízo de valor para superficialmente avaliar as religiões como falsas ou verdadeiras.
Para Durkheim (1996), todas as religiões têm a função estruturante: fornecer respostas para a essência e a existência humana, com o escopo de manter os membros de um grupo coesos em torno de um sistema de crenças em que o sagrado e o profano estruturam e prescrevem uma série de valores morais e éticos que direcionam a vida dos fiéis rumo à harmonia social e à solidariedade, visando a manutenção e a vitalidade coletiva em torno de um grupo social.
A teoria sociológica da religião de Durkheim (1996) enfatiza a religião como uma força externa objetivada em um sentimento que contagia a coletividade, inspirando seus membros, projetando-os para fora de suas consciências quando experimentado organiza e objetiva, a vida em torno de uma força cósmica sagrada, que seguem suas próprias leis. Portanto, a função da religião é cultivar valores morais que ajudem os indivíduos a cumprir os papéis estabelecidos pela sociedade, mantendo-a forte, coesa e em paz, por meio do sentimento religioso que transmite uma rede de sentidos e signos partilhados socialmente, com o apoio de outras instituições como a família e a educação.
Considerando o pensamento de Durkheim (1996) e de Marques (2013) sobre a força que a religião e os seus ideais exercem nos atores sociais, os fundamentos de um processo educativo baseados em princípios ético-religiosos como no caso particular da UCB, têm a missão institucional de desenvolver uma cultura que possibilita ao jovem estudante uma formação integral, proativa e com autoconhecimento; assim, o seu agir deve ser orientado por uma conduta religiosa.
Na abordagem antropológica de Geertz (2008) a religião é concebida como cultura fundamentada em um sistema simbólico caracterizado por duas dimensões, uma subjetiva e outra objetiva:
a) A primeira diz respeito às orientações gerais como a visão de mundo, as ideias mais abrangentes que englobam os princípios de ordem primária, que ajudam o indivíduo a se colocar no mundo, a compreender e explicar a sua própria existência baseada em postulados ontológicos, metafísicos e cosmológicos;
b) A segunda estabelece componentes morais e éticos para o indivíduo se posicionar socialmente perante o grupo. Segundo o autor, estas dimensões estão presentes nos diversos grupos religiosos brasileiros e como estes se posicionam e se influenciam, individualmente ou enquanto grupo, diante dos fatos econômicos, políticos e sociais em nosso país.
A corrente antropológica cultural propõe que a religião atue para conservar e estabelecer duradouras determinações que acabam parecendo realistas e motivadoras para a vida privada; entretanto, a face objetiva das religiões é a mais percebida, uma vez que transcende a dimensão pessoal e está fundada no ethos e na moral, produz valores e estilos de vida que orientam a postura social que o crente deve seguir em sua coletividade.
Em outras palavras, a dimensão objetiva estabelece o cânon3 com as
permissões e os interditos próprios de cada grupo religioso, pois o fiel não está solto no mundo. A sua conduta social deve estar em conexão com os ditames de sua religião; portanto, a sua práxis religiosa deve estar inserida em todas as suas ações e intervenções no cotidiano (GEERTZ, 2008), assim o católico, evangélico, protestante, espírita, umbandista etc. deve atuar e viver segundo os pressupostos de sua tradição religiosa.
Em Geertz (2008) as disposições referidas anteriormente objetivam orientar o crente a postar-se, inserir-se e simbolizar-se no mundo. A religião coletiviza comportamentos, condutas, emoções e sentimentos, e tais componentes formam uma representação cultural e social coparticipada, percebida no Censo Demográfico Brasileiro de 2010, em que 92% dos indivíduos se identificam e assumem uma identidade religiosa, cuja finalidade “é o reconhecimento de peculiaridades próprias
3 Cânon, regra geral de onde se inferem regras, padrões, modelos, normas especiais.
que tanto diferencia e o opõe aos que a não possuem, como o assemelha e associa aos que portam igual peculiaridade” (RIBEIRO, 1995, p. 133).
Além dos aspectos sociológicos e antropológicos do fenômeno religioso no Brasil, devemos também apreciar a importância da Psicologia da Religião. Este aspecto, na compreensão de Valle (1998), aproxima-se das ciências humanas como um todo, mas introduz a noção de intensidade do comportamento no exercício da prática religiosa, defendendo que, devido às várias ambiguidades e interpretações em torno deste fato, não se pode fechar a discussão em torno de uma única significação, mas dialogar honestamente com as diversas epistemologias e assumir uma postura crítica, de autocrítica e senso ético-profissional na investigação racional da religião.
Em suas pesquisas sobre o fenômeno religioso, Valle (1998) busca compreendê-lo além da dimensão sentimental e subjetiva, considerando-os insuficientes para analisar a complexidade do fato, introduzindo a importância do contexto histórico-social de construção do sagrado no fortalecimento de um determinado grupo social.
Valle (1998) ressalta a importância da experiência subjetiva em conexão com os fatores históricos e sociais para analisar o fenômeno religioso, em uma dada realidade sociocultural, aliando assim a experiência globalizante com a força sagrada, a qual envolve os questionamentos individuais que provocam conflitos para modificar as estruturas culturais e religiosas, como também fornece elementos para responder e justificar, os novos padrões que são partilhados socialmente pelos atores sociais.
Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Bairrão (2013) aponta para a necessidade de compreender o fenômeno religioso como uma experiência humana, social e pessoal, em torno de algo inobjetivável e transcendente que, por tais características, a sua investigação não pode se reduzir à Psicologia e ao psiquismo. Em contrapartida, afirma que a Psicologia precisa abrir-se ao diálogo intercultural e interdisciplinar abandonando o modelo das ciências naturais e aproximar-se dos procedimentos do campo da Ética e do Direito; estas ciências conseguem ter um entendimento sociocultural da vivência do evento religioso, acolher estas dimensões de modo que a abordagem psicológica estará “atenta ao invisível que se visibiliza dialogicamente” (p. 76), ou seja, busca analisar o inobjetivável que está incorporado na cultura e presente em alguma ação ou atos do ator religioso.
A par destas considerações, é importante destacar que o objeto de estudo da Psicologia da Religião não é o divino, a religião ou a religiosidade em abstrato, mas a atitude e a identidade religiosa do sujeito em uma cultura. Segundo Aletti (2012), a Psicologia se preocupa com o funcionamento psíquico do homem no interior da religião dentro de um contexto cultural, investigando quais são os processos e interações de sua personalidade, quais os conflitos e quais os êxitos para solucionar os conflitos, pois são elementos concretos possíveis de serem analisados.
Ao dialogar com as diversas ciências sobre o estudo da religião, destacamos que no aporte teórico da Psicologia Social, o campo teórico das representações sociais analisa o evento religioso como aspecto cultural, que transpõe e se articula com a dimensão subjetiva. Moscovici (2011, p. 54) conceitua a religião como “um conjunto de representações e de práticas que presta contas sobre a marcha do universo e permite reproduzir, manter o curso normal da vida”. Considerando o fenômeno religioso como um modelo prático, histórico, construído, normativo, regulador e inserido na vida social, conclui-se como tal não pode ser ignorado pelas ciências, devendo ser investigado de forma interdisciplinar.
Respaldando as ideias de Moscovici (2011), Jodelet (2013) assinala que o evento religioso perpassa o campo de investigação de várias epistemologias, compreendendo-o como uma “articulação entre o transubjetivo, o intersubjetivo e o subjetivo, que pode ser colocada em execução para compreender como os adeptos se vinculam a certas doutrinas em transformação” (JODELET, 2013, p. 107).
O fenômeno religioso em Jodelet (2013) engloba: a vida religiosa com crenças, dogmas, ritos, rituais privados e coletivos; as religiões institucionalizadas em igrejas, congregações e os novos movimentos espirituais que se relacionam diretamente com o transcendente; a religiosidade que se relaciona ao jeito que os indivíduos e grupos convivem com os entes transcendentais; e a espiritualidade como o modo como o indivíduo vivencia o divino em seu contexto sociocultural, independente de uma filiação institucional.
Em síntese, entender a complexidade do fenômeno religioso não é tarefa fácil, como têm demonstrado as ciências humanas e sociais, que compartilham um esforço comum de buscar procedimentos metodológicos capazes de compreender a diversidade do fenômeno religioso, sem reduzi-lo a conceitos gerais e abstratos, devido a sua importância na construção da identidade e da cultura.
O objetivo de dialogar e compreender as várias teorias sobre a cultura religiosa contempla o desafio de entendê-la no ambiente universitário que é o espaço do „discurso da ciência‟ produtor de verdades experimentadas e provadas, o qual deve distanciar-se da religião que é senso comum, pseudossaber e limitadora do desenvolvimento científico. Este ambiente nos desafiou a dialogar e conhecer o perfil religioso do jovem universitário da UCB, a partir dos dados coletados.