5. ANALYSIS AND RESULTS
5.2. Additional factors
5.2.2. Layout and content
Assim, as duas oficinas com os alunos aconteceram naquele ano foram preparadas e oferecidas para os alunos da EJA de Verônica.
A primeira aconteceu em 31/05/2006, como mencionado acima. Ana Paula e integrantes do GEPEMNT acompanharam esta oficina e, entre os professores, somente Ana Lúcia pôde participar. A turma de alunos era grande (em torno de 40 alunos) e, portanto, foi dividida em duas, para ser possível utilizarmos o Laboratório, que não era tão amplo e que contava com 15 computadores em funcionamento. Fizemos uma atividade conjunta com os alunos do projeto de visitas monitoradas ao Laboratório de Ensino da Matemática (LEM) do Departamento de Matemática da UFMG157. Enquanto um grupo realizava a oficina com sólidos geométricos no ProTem, outro grupo desenvolvia atividade semelhante no LEM, só que utilizando material concreto (cartolina, tesoura e cola).
A segunda oficina preparada por Verônica aconteceu no dia 29/11/2006 (no apagar das luzes daquele ano). Verônica trouxe novamente seus alunos da EJA que fizeram a nova 156 Isto é, alguns integrantes não mais participaram das reuniões da FC, contudo, não fomos por eles
comunicados.
157 O projeto de visitas monitoradas oferece atividades e jogos de matemática a alunos da escola básica,
acompanhados de seus professores. Essas atividades são executadas por alunos do Curso de Matemática, sob a orientação de professores do Departamento de Matemática e da Escola Fundamental do Centro Pedagógico da UFMG.
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oficina planejada para utilizar a planilha Excel. Kawasaki e Magalhães (2007) relatam esta experiência.
Ao final do ano, no II Seminário do GEPEMNT, as professoras Ana Lúcia, Letícia e Fernanda apresentaram um relato sobre suas participações, de um modo geral, nas atividades do grupo de FC, durante aquele ano. Verônica fez um relato das duas oficinas e, aproveitando a ocasião, relatou também uma aula em que utilizou a calculadora, na escola de ensino fundamental em que trabalha.
3.4 Uma síntese dos fatos: de 2004 a 2007
Como já mencionado, fazemos uma avaliação de nossas atividades ao final de cada ano, por meio de relatos dos professores158 nos seminários do GEPEMNT159. Nessas ocasiões, destacamos as conquistas, tanto as individuais, como as do grupo como um todo, pois essas têm para nós um valor inestimável.
Dessa maneira, nesse momento, temos a boa sensação de ‘dever cumprido’, uma vez que, apesar de todos os obstáculos que tivemos, observamos que alguns de nossos objetivos foram alcançados. Professores relatam as atividades realizadas durante o ano todo com destaque às oficinas realizadas em sala de aula. De modo geral, neste momento esquecemos as dificuldades e, porque não dizer, que esquecemos também os planos não realizados. Tendemos a acreditar que retomaremos o nosso trabalho no próximo ano, com uma avaliação crítica, com o levantamento de prós e contras do ano que passou, e com maiores possibilidades para o desenvolvimento de um trabalho ainda mais produtivo.
Contudo, ao descrever as atividades através da cronologia dos fatos ocorridos ao longo de quase todo o período de execução do projeto, desenvolvi também um olhar longitudinal para os acontecimentos e também uma visão diferenciada ao reavaliar nossas atividades como um todo.
Emerge assim um fato real e que devemos pensar com cuidado como formadores, é o alcance do nosso projeto. Em nosso relatório anual de execução, talvez, uma das questões que nos inquieta seja o ‘número de pessoas atingidas pelo projeto’. A FC é um projeto de extensão universitária e, portanto, esta análise quantitativa sempre nos é solicitada pela Pró
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Reitoria de Extensão que nos dá o seu apoio através da concessão de uma bolsa de extensão a aluno160 de graduação. Sobre esse aspecto, nos perguntamos, seriam ‘atingidas pelo projeto’, todas as pessoas que pelo processo passaram? Independentemente de terem vivenciado os três momentos previstos pelo projeto? E os alunos daqueles professores que implementaram, pelo menos uma vez uma atividade com computador em sua sala de aula? Poderíamos considerá-los ‘atingidos pelo projeto’?
Nesse momento, é impossível não pensar que, apesar de nossos esforços, o projeto de fato tem abrangência modesta. São muitos os professores que passam pela formação e poucos os que permanecem por mais de um ciclo – os três momentos previstos pelo projeto. Um caso extremo foi o de nossas atividades de 2006, que foram quase interrompidas por falta de quórum, como relatado anteriormente.
Flutuações no número e na presença de participantes foram uma constante ao final e ao início de cada ano; de modo que a planejada “retomada das atividades do ano anterior” nascia com poucas chances de acontecer no ano seguinte. De fato, um (quase)novo trabalho se iniciou em 2005 e em 2006.
Desse modo, como reconhecer indícios de mudanças do professor participante de nossa FC, que por razões diversas, deixou de participar? E, nesse caso, se deixou de participar, poderíamos afirmar que o professor estaria resistindo?
De qualquer modo, que elementos, temos em mãos para fazer uma análise? Da descrição cronológica dos fatos, extraí um quadro que resume as nossas ações, com destaque a elementos que, do meu ponto de vista, prevaleceram (persistiram) através dos anos (2004- 2006). No caso, os elementos serão os sujeitos-participantes (em cinza claro), os software (em amarelo), as leituras e discussões (em verde) e os tópicos matemáticos (em azul) que, em minha análise, protagonizaram os (deixaram marcas nos) momentos que vivenciamos na FC.
159 A partir de 2005, o GEPEMNT realiza seminários anuais, ao final de cada ano, com o objetivo de
apresentar relatos de atividades e trabalhos (em todas as frentes: ensino, pesquisa e extensão) desenvolvidos pelo grupo ao longo daquele ano. Assim, esses eventos têm nos oportunizado refletir e avaliar nosso trabalho.
160 No nosso caso, a aluna da licenciatura em Matemática, Ana Paula foi bolsista em nosso projeto em 2004,
87 2004 2005 2006 2007 ←Formadores → Lúcia e Marco ← Verônica → Letícia Letícia
← Poly e/ou MathSolid→
Régua e Compasso (ReC) Matemática Interativa Linux (MIL)
Software Gr. →←
Cenários161 Cenários
Investigações Matemáticas 162 Invest.
← Geometria → Funções→ ←
Estatística
Quadro 2: Síntese das ações da FC através dos anos. Cada retângulo representa o espaço de aproximadamente dois meses. O início de cada ano foi suprimido.
Nesse quadro, observamos que somente Formadores persistiram ao longo de todo o nosso processo de formação (2004-2006). Entre formandos, Verônica foi a professora que participou pelo maior período de tempo. Em 2007, Verônica, Márcia e Jussara deram continuidade às atividades da FC. Nesse ano, acompanhei as atividades do grupo de formação por meio dos relatos escritos de nosso novo bolsista – Daniel – e troca de emails entre os participantes do grupo, uma vez que permaneci integrando o grupo, contudo, a minha participação se deu ‘à distância’.
No que diz respeito às propostas para oficinas em sala de aula, percebemos também a predominância do trio Poly163/Geometria/ReC.
Teoricamente, a discussão em torno do tema ‘investigações matemáticas’ foi o que prevaleceu.
Apesar do uso de software de representações gráficas (Software Gr.) articulado ao estudo de Funções e equações algébricas ser uma constante proposta por parte dos formadores, seu uso restringiu-se às oficinas realizadas como parte das atividades de formação (somente entre formandos e formadores), principalmente, no ano de 2004. Pode se dizer que este elemento esteve ausente em todos os outros anos.
161 SKOVSMOSE, Ole. Cenários para investigação. BOLEMA – Boletim de Educação Matemática, Rio
Claro, n.14, 2000, p.66-91.
162 PONTE, João Pedro; BROCARDO, J.; OLIVEIRA, H. Investigações matemáticas na sala de aula. Belo
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Vale mencionar, no entanto que, ao longo do processo de formação, professores (que se diziam ‘não capacitados’) desenvolveram naturalmente uma intimidade notável com a informática e suas ferramentas.
No capítulo 5, retomo as observações decorrentes desse quadro, que interpreto aqui como sendo o das ‘prevalências’ que emergiram a partir das escolhas feitas pelos participantes (todos) ao longo de nossas atividades. Questiono se tais ‘prevalências’ foram fatores determinantes na permanência de professores no grupo e/ou no abandono de outros. Se as escolhas ditas ‘persistentes’ sinalizam mudança ou resistência.
Antes disso, no próximo capítulo, introduzo a Teoria da Atividade (TA), como proposta para referencial teórico de análise, e destaco elementos da teoria que, acredito, me auxiliarão a aprofundar e explicar o fenômeno em questão.
163 Ou similar, ou da mesma família, como por exemplo o MathSolid.
89 Capítulo 4