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De 1945 a 1964, a educação passa a ser vista como uma indústria de prestação de serviços. Formando o produtor, o consumidor e a mão-de-obra para a indústria moderna que se integra ao capitalismo internacional.
A intenção de formar docentes para o magistério começa a se concretizar em 1939, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras por meio do Decreto Nº 1.190, de 04/04/1939, e a instituição do curso de Pedagogia, que adotou o esquema de formação conhecido como 3+1, isto é, três anos para o bacharelado e um para a licenciatura. À faculdade coube formar os professores das diferentes disciplinas das escolas secundárias, e das disciplinas do Curso Normal, bem como os “Técnicos em Educação”.
De acordo com Saviani (1999, p. 25-28), o que dá relevância à década de 1940 é o surgimento dos pedagogos generalistas, aqui tratados como “técnicos em escolarização”. O sistema de ensino existente até esse período não se apresentava organizado como sistema nacional. Segundo Saviani (1999), o que existia era o sistema estadual que, sem uma articulação com o sistema central, apresentava-se alheio a uma política nacional de educação. Essa reforma inicia o processo de estruturação do ensino brasileiro que irá concretizar-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 4024/61.
As Reformas coordenadas por Gustavo Capanema datam do período 1942 a 1946 e enfatizam a importância dos técnicos educacionais nas escolas primárias, secundárias e normais, como também o ensino profissional com o objetivo de formar integralmente a personalidade dos educandos. Dessa forma deu- se seqüência ao processo de reestruturação do ensino brasileiro que irá
desembocar, quinze anos mais tarde, na Lei de nº 4024, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 20 de dezembro de 1961 (SAVIANI, 1999, p. 29).
O processo de reestruturação do ensino brasileiro iniciado por volta de 1940, segundo Saviani (1999, p.28), desenvolveu-se em duas direções dependentes entre si. Por um lado implantou-se a organização da burocracia estatal no âmbito da educação através da implantação do Ministério da Educação e das Secretarias Estaduais de Educação incorporando os demais órgãos já existentes. Por outro lado, havia preocupação com a formação dos agentes para operar cada vez mais a extensa e complexa máquina burocrática.
Na década de 1950, havia predominância no Brasil da rede de escolas particulares. No plano da administração do sistema existia uma acentuada centralização administrativa e pedagógica fixada pelo governo federal. Os currículos, os programas, a metodologia eram previstas em lei ou determinadas pelo Ministério da Educação.
Outro aspecto que merece destaque é o fato de que a liderança burguesa da época dominava o cenário populista; controlando o aparelho burocrático dos partidos e as organizações comprometidas com a política social. Em 1954, é total o antagonismo entre os que desejam o desenvolvimento internacionalizado e os que pretendem acelerar o desenvolvimento econômico independente.
Juscelino Kubitschek, em 1956, ao assumir o poder realiza um programa de desenvolvimento econômico baseado na internacionalização dos novos investimentos sem descartar a política de massa. Os Estados Unidos passam a buscar estratégias capazes de garantir a ordem social e de preservar o mundo livre dos regimes e ideologias consagrados como não-democráticos. Sob alegação de que deveria oferecer aos países amigos da paz, benefícios e conhecimentos técnicos visando uma vida melhor, o governo norte-americano iniciou a partir da Segunda Guerra Mundial um extenso programa de assistência técnica aos países pouco desenvolvidos, principalmente aqueles situados na América Latina.
No bojo desses acordos que se implantou a supervisão, como resultado de uma política de alianças entre organizações internacionais e o Brasil (acordo MEC/USAID). Surge com o intuito de garantir um modelo desenvolvimentista
que via na educação um elemento consistente que auxiliaria na transformação social do país, também através da educação.
Como parte do acordo, em 1958, professores foram enviados à Indiana (EUA) para se especializar e posteriormente fundar em Belo Horizonte os cursos de formação de Supervisores que mais tarde iriam se espalhar por todo o Brasil.
De acordo com Nogueira (1989, p. 32) pelo fato das questões sócio- econômicas e políticas brasileiras estarem vinculadas às políticas do cenário mundial, neste período de grande desenvolvimento, em que acontece no Brasil o crescimento da população, requerem-se mais escolas e professores. A escola passa a ser uma instituição hierarquizada, que se assemelha pouco a pouco às empresas e, conseqüentemente, a Supervisão realizada na indústria e comércio estende-se para outros segmentos da sociedade, chegando assim ao âmbito da educação escolar. Por volta de 1957 há referência à criação de seis Ginásios Técnicos ou Vocacionais e Grupos Escolares Experimentais, nas grandes capitais visando o desenvolvimento de hábitos e habilidades para formação do individuo maduro, isto posto como tentativa de melhorar a escola tradicional. (SILVA JUNIOR, 1986)
A Supervisão Escolar nesta época tinha como propósito a renovação dos currículos, dos processos e métodos, com o intuito de buscar estimular a capacidade criadora dos alunos. Os cursos planejados de forma experimental deviam incluir originalidade seguida de orientação vocacional.
Juntamente com o Diretor, o Orientador Vocacional se firma tratando das aptidões dos alunos enquanto que o Orientador Pedagógico preocupa-se com a função de auxiliar na reforma educacional planejada nos escalões superiores, inovando o funcionamento da escola.
Tal forma de trabalho exigida por esses novos espaços, permitiu a figura do Supervisor de Área, ou seja, um professor mais experiente de uma determinada área do currículo que orientava o planejamento e o desenvolvimento do trabalho de seus colegas.
Neste período o Orientador Pedagógico entendido como Supervisor Escolar não perde o vínculo com o poder administrativo do funcionamento da escola. Agora, além de assegurar o sucesso no exercício das atividades docentes com ênfase na introdução de modelos e novas técnicas, ele exerce também o poder de
controlar os professores regentes de classe por meio da fiscalização dos aspectos burocráticos e administrativos.
Assim, pelo viés do autoritarismo, a Supervisão Escolar foi constituída como uma habilitação profissional e, caracteristicamente, surgiu à revelia de todas as experiências em supervisão realizada no sistema escolar, inclusive o Orientador Vocacional. A Supervisão deixou de ser apenas uma função para receber atribuição de um Especialista de nível superior adquirindo o status de profissão imposta ao sistema de ensino, anterior ao sistema universitário.
Posteriormente, consolidando os acordos na área da educação, o Programa Americano-Brasileiro de Assistência à Educação Elementar – PABAEE – ,durante o governo de Juscelino Kubitschek, de 1959 a 1964, interferiu consideravelmente nos rumos da organização do sistema educacional brasileiro, ao treinar supervisores de ensino primário e professores de escolas normais e de cursos de aperfeiçoamento de professores. A ênfase da tendência centrava-se nas propostas “ténico-pedagógicas” de Franseth, Burton e Bruckner e Harris que constituíram o quadro referencial para implantação dos serviços de supervisão, até o ano de 1964, quando foi extinto pelo então Ministro da Educação.
É pertinente destacar os objetivos definidos pelo PABAEE, porque, segundo Nogueira (1989, p. 37), eles esclarecem a realidade concreta do existir do Supervisor no contexto educacional brasileiro em suas origens.
Consta como objetivos básicos deste programa a introdução e demonstração, para os educadores, de métodos e técnicas utilizadas na educação primária a fim não só de atender às necessidades da escola, por meio de estímulo à iniciativa dos professores, mas também de criar e adaptar material didático e equipamento, com base nos recursos disponíveis no Brasil. No campo da educação primária, o desenvolvimento do programa também visava a seleção de professores, que apresentassem competência profissional, eficácia no trabalho e conhecimento da língua inglesa, para participar de cursos avançados, no campo de educação primária nos Estados Unidos.
Analisando tais objetivos, Nogueira (1989) entende que a Supervisão foi inserida no contexto escolar brasileiro, única e exclusivamente por razões políticas e econômicas podendo ser considerado um produto da assistência técnica norte-americana prestada aos países da América Latina.
De acordo com Nogueira (1989), o papel atribuído pelas diferentes instituições educacionais ao Supervisor Escolar, desde a sua origem, tem sido o de elemento de controle fiscal do sistema instituído. Daí a formação dada a este profissional ter sido e ser conservadora. Muito embora ideologicamente, tal realidade fosse trabalhada de modo a dar conotação à função supervisora como inovadora, modernizadora, introdutora de novos métodos e técnicas de ensino. Assim, preparado para exercer uma função técnica, o Supervisor, ao caminhar no cotidiano de sua prática educativa, vê-se envolvido também com a função política.
Em 1962 o Conselho Federal de Educação elaborou documento ao qual chamou de Plano Nacional de Educação, em que estabeleceu metas a serem atingidas pela educação até 1970, com normas de distribuição de recursos federais, não ocorrendo os resultados esperados visto que, vários Estados não se habilitaram a utilizar os recursos disponíveis dos Fundos de Ensino Primário.
Com o golpe de Estado, em 1964, o regime buscou a desarticulação dos direitos civis já conquistados e procurou institucionalizar alguns direitos sociais, ao mesmo tempo em que incentivava o indivíduo a ser capaz de buscar meios para suprir suas próprias necessidades através do trabalho de méritos pessoais e de esforço profissional. Segundo Meksenas (2002) nessa fase as políticas públicas foram estruturadas parcialmente, abrindo espaço para os movimentos dos interesses privados, no aparelho do Estado enquanto cerceava-se a participação popular e monopolizava-se a produção e difusão da informação.