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2.3 Definitions and data
Na quarta reunião presencial do grupo de Pedagogos/Supervisores, uma representante da equipe de apoio pedagógico do NRE apresentou, sob forma de esquemas e categorias, os dados coletados em todas as escolas dos dezenove municípios que compõem a área de abrangência do Núcleo Regional de Londrina para conhecimento dos Pedagogos.
Durante a explanação dos dados percebeu-se que, no geral, todas as escolas apresentavam os mesmos problemas, fossem eles explicitos ou não, o que provocou pergunta: De quem seria a culpa? A fala de uma das Pedagogas despertou a preocupação de como devesse levar à direção da escola e aos professores, os quais imaginam que o Pedagogo é quem resolve todos os problemas dos alunos, a aceitar a nova proposta de trabalho a ser realizado de
forma coletiva. Cabe destacar aqui que muitas escolas, segundo a fala dos Pedagogos, já desenvolviam de alguma forma o trabalho coletivo. O grande problema encontrava-se nas escolas resistentes às mudanças.
Diante da realidade explicitada e diante das reflexões suscitadas pela troca de experiência, o grupo concluiu que a ação do Pedagogo não pode desenvolver-se seguindo padrões de um antigo modelo, ou seja, de escolas individualista e isolada.
O Pedagogo/Supervisor Escolar deveria ter uma visão geral da prática educativa, em virtude da necessidade de estar integrado à direção e a todos os demais setores internos e externos da escola. O trabalho da equipe pedagógica não poderia limitar-se aos muros da escola; há que se ultrapassar essas fronteiras, para se conhecer a realidade do aluno, de sua família, de sua comunidade, visto que é papel da equipe pedagógica redirecionar permanentemente o currículo escolar, e isto só poderia acontecer à luz de um diagnóstico planejado pela comunidade escolar.
De acordo com as análises ocorridas durante o encontro, o trabalho coletivo só teria sentido se feito em cooperação. Ele não seria, portanto, um trabalho feito para o professor, para o aluno ou para a família, mas sim, com o professor, com o aluno e com a família. Da união de esforços com estes grupos que o Pedagogo/Supervisor Escolar iria encontrar sentido para o seu trabalho e torná-lo mais eficiente.
Ainda concluiu-se que a função do Pedagogo/Supervisor na escola, quando visto de forma superficial poderia confundir-se com a função do professor, mas o quê, basicamente, diferencia aquela, desta, estaria na natureza da relação estabelecida entre ambas. O Pedagogo teria a visão da escola como um todo, fator este que possibilitaria a efetivação de uma inter-relação entre a escola e a família de forma que ambas pudessem agir coerentemente com o aluno.
Diante da expectativa de alguns Pedagogos perante aproximação da eleição de diretores, ansiosos em saber se quem fosse eleito diretor, viria a acolher as propostas a serem desenvolvidas pelos profissionais da escola, durante ano de 2006, o chefe do NRE, tomando uso da palavra explicou que o diretor da escola seria eleito pela comunidade escolar por um período de dois anos. Enquanto que o Pedagogo já havia conquistado seu espaço através de concurso público devendo
por isso ser considerado como um profissional de maior importância dentro do espaço escolar.
E a existência desse profissional da escola estava ligada à necessidade de profissionais especializados para coordenar o processo pedagógico das escolas, articulando ações e relações entre a escola e a comunidade, em consonância com o Projeto Político Pedagógico. A equipe diretiva, composta pelo diretor, vice diretor e pedagogos, segundo a fala do chefe do Núcleo Regional, era entendida como responsável pela articulação dos aspectos político-administrativo- pedagógicos, responsáveis pelo encaminhamento das ações e reflexões do dia-a- dia da escola.
O trabalho coletivo poderia representar uma concreta possibilidade, no campo da educação, de contrapor-se à lógica da exclusão social. Para tanto se fazia necessária uma ação coletiva intencionalmente organizada com vistas à construção de um currículo comprometido e orientado por interesses emancipatórios. Nessa perspectiva que a equipe diretiva da escola assumiria um papel fundamental para a efetivação da gestão democrática, superando sua estrutura conservadora.
Ainda em sua fala o chefe do NRE ponderou que a equipe diretiva composta pelo diretor, pedagogos e representantes do Conselho Escolar, teria como função articular, propor, problematizar, mediar e acompanhar o pensar e o fazer político-administrativo-pedagógico da comunidade escolar, a partir das deliberações do Conselho Escolar. Assim, seria preciso superar as tensões, os conflitos e as diferenças inerentes ao processo de construção participativa para que se podesse avançar, na prática, visando à superação dos aspectos limitadores. Dessa forma, todos estariam contribuindo para a construção da competência coletiva que justificaria e daria significado à participação do Pedagogo/Supervisor no ambiente escolar.
Ficou registrado também que em muitas escolas, após a superação do individualismo, o trabalho de equipe, coordenado pelo Pedagogo havia desencadeado um processo de participação direta nas decisões e no planejamento de todas as ações que exigiam o conjunto de profissionais e da comunidade escolar. No desenrolar do processo amadureceram concepções e propostas de trabalho que
apontaram para uma prática com orientação mais consciente, crítica e competente na rede estadual de ensino.
Os pedagogos mostraram-se abertos para trabalhar pela necessária transformação das concepções e práticas dos docentes e demais funcionários envolvidos no trabalho da escola, visando a completa integração da direção, corpo docente, alunos, pais e a comunidade em geral.
2 O GRUPO DE ESTUDO
O trabalho efetivado durante os encontros do grupo de estudo foi inicialmente sugerido pelos Pedagogos à equipe de apoio do NRE, durante o primeiro encontro presencial nas dependências da UEL. Tal sugestão foi motivada pela manifestação de alguns Pedagogos que estavam se iniciando na profissão. Como recém-formados, sentiam-se inseguros diante da experiência daqueles que atuavam há muito na profissão.
Durante o evento, os Pedagogos, consideravam que a troca de experiências, poderia servir de apoio para analisar em grupos as dificuldades encontradas por cada integrante do grupo nas escolas em que os respectivos profissionais estavam desenvolvendo o exercício de sua função. Tal posição foi prontamente considerada pela equipe de apoio do NRE de Londrina, ficando os pares responsáveis pela própria organização dos grupos de estudos em suas respectivas escolas.
Como contribuição para o desenvolvimento dessa pesquisa, participamos, como profissional e como observadora, de um grupo composto por sete pedagogas, responsáveis pela coordenação pedagógica de colégios da rede estadual de ensino na cidade de Londrina que atendiam turmas de ensino fundamental e ensino médio no período diurno.
Os encontros ocorreram, de junho a outubro, uma vez por mês, durante quatro horas diárias. A cada mês, com o objetivo de observar as diferentes realidades de cada escola, (uma encontra-se localizada no centro da cidade e as
demais na periferia) as reuniões aconteciam na escola em que um dos membros do grupo encontrava-se lotado.
Os relatórios, a troca de experiências, as diferentes análises efetuada no grupo, muito contribuíram para o conhecimento do trabalho dos pedagogos nas diferentes realidades, pois cada escola possuía sua especificidade.