3.2 Thermal energy storage
3.2.2 Latent thermal storage
A exposição no Museu Rondon, conforme a maioria dos museus tradicionais são mostras de objetos ao público, seguindo uma série classificatória: por tipologia, matéria prima, funções e diversidade de etnias. Estes procedimentos, se por um lado, revelam a diversidade do uso dos mesmos materiais para múltiplos fins ou mesma tipologia de objetos usados por diferentes etnias, por outro, os banners e etiquetas, reduzem a comunicação a uma mostra da cultura material indígena, o que significa informações insuficientes a respeito das etnias que representam (Figuras 33-34). Tal fato observei em outros museus etnográficos, como o Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. Ou seja, são coleções de arcos e flechas, trançados, plumarias, cerâmicas, etc., produzidas por diferentes etnias. Narrativas que caracterizam as maneiras de fazer determinados artefatos com a mesma matéria-prima, diluindo a cultura da etnia, na nomenclatura Povos Indígenas do Mato Grosso ou Povos Indígenas do Brasil.
O prédio do museu e a exposição foram reformados em 2007, um projeto da ASAMUR, com o patrocínio do Programa Petrobrás Cultural, através do Ministério da Cultura/Lei Rouanet. O custo da obra foi R$ 98.160,00 (noventa e oito mil cento e sessenta reais) e o prédio voltou a suas características originais, com paredes de vidro; entradas adaptadas para cadeirantes; a sala de exposição recebeu novos expositores, alguns com vidro para preservar as peças. A altura e disposição dos objetos visam a atender as necessidades de crianças e deficientes.
O desejo de modernização é idéia corrente, e, significa também a inserção das novas tecnologias, contudo, constatou-se que após a reforma, o conceito da exposição é o mesmo usado anteriormente, embora tenha sido intitulada “Museu Rondon – uma nova visão”.
São cinquenta artefatos expostos que representam dezessete etnias25, dentre os quais 8 (oito categorias) são do povo Bororo. Trata-se de instrumento musical, cabelos humanos, concha de madrepérola, abano trançado, brinco emplumado, diadema
25 Bakairi (10 objetos), Bororo (8 categorias de objetos), Cinta Larga (2 objetos), Ikpeng (1 objeto), Kalapalo (1 objeto), Karajá (3 objetos), Kaxinauwa (1 objeto), Kayabi (3 objetos), Kayapoa’ukre (1 objeto), Makuxi (1 objeto), Mehinako (1 objeto), Nambikwara (3 objetos), Panará/kren Akarore (1 objeto), Paresi (5 objeto), Rikbatsa (6 objeto), Surui (1 objeto) e Taulipang (1 objeto) e, foi montada na “Sala de Exposição Permanente”.
horizontal e diadema vertical rotiforme, cinta emplumada, flecha encaixe de osso, armas e remo de madeira.
Figura 33. Exposição de objetos Bororo. Museu Rondon - MR (UFMT).
Fotografia: Jocenaide M. R. Silva, mai.2012
Figura 34. Vitrines: trançados e cerâmica. Museu Rondon - MR (UFMT )
A reinauguração do museu aconteceu na Semana dos Povos Indígenas, em abril de 2008, com o apoio da Fundação Uniselva, e contou com a participação de várias etnias e temas indígenas26, contudo, não se tem notícias, neste caso, de ter sido abordado o povo Bororo.
O respeito pelas etnias indígenas é presente nos discursos dos funcionários do Museu, em especial, no que se referem à importância conferida a estes na constituição dos acervos. Analisando-se as ações desenvolvidas por esta instituição, parece-me que a missão institucional do Museu Rondon incluiu pelo menos os seguintes aspectos: promover a pesquisa; fazer o intercâmbio da cultura indígena nos municípios do estado de Mato Grosso, no Brasil e em nível Internacional; apoiar a organização e a resistência dos povos indígenas na busca dos Direitos Humanos: Educação, Saúde, Terra, Preservação da Cultura e Identidade.
Quanto a participação da comunidade interna da Universidade Federal de Mato Grosso (discentes, docentes e técnicos administrativos) nos projetos do Museu, esta é ínfima, exceto pelos departamentos de Antropologia e de História, que esporadicamente trazem para as ações museais um ou outro curso de graduação e pós-graduação; a exemplo dos eventos, como da 56ª Reunião da SBPC, realizada de 18 a 23 de julho de 2004 - Ciência na Fronteira: Ética e Desenvolvimento, realizado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Naquela oportunidade, a programação da SBPC enfatizou a ciência indígena e o Museu Rondon tornou-se um lócus de ampliação dos saberes da comunidade acadêmica. No espaço foram realizadas exposição, atividades que mostraram a diversidade étnico-cultural do estado, oficinas, mini-cursos, mesa-redonda e debates sobre Educação, Ciência, Terra, Cosmologia, Religião, Artes e Direitos, entre outros temas fundamentais para os povos indígenas do Brasil.
A partir de 15 de dezembro de 2004, o Museu Rondon passou a contar com apoio do voluntariado, devido à criação da Associação dos Amigos do Museu Rondon – ASAMUR, constituída por abnegados que pleitearam editais para modernizar o Museu e integrá-lo nas políticas públicas do Ministério da Cultura e do IBRAM-Instituto
26 O povo Bakairi reconstruiu pela terceira vez a Casa Bakairi em frente ao Museu Rondon, que fora queimada; os jovens da nação Umutina fizeram uma apresentação teatral. Na programação constou também, a história do povo Xarayés entre os séculos XVI e XVII, apresentada na exposição “O doméstico e o ritual – uma viagem arqueológica ao Pantanal da pré-história tardia”. E ainda, mesas- redondas; apresentação dos Vídeos: Hö – Local de aprendizagem (Ritual Xavante), Vídeo Impej - Índios Craho e debates.
Brasileiro de Museus (Quadro 09). Porém, alguns destes projetos se tornaram de difícil concretização27, dos quais se ressalta o projeto que objetivava tornar o Museu Rondon, um Ponto de Cultura. Entretanto, outros foram realizados, propiciando a própria reforma do prédio do Museu.
Quadro 09. Participação do Museu Rondon – MR (UFMT) em Programas do Ministério da Cultura Programa Nacional Observação do Min.
Cultura
Programação do Museu Rondon 4ª Semana Nacional de
Museus / 2006
Tema: Museu e público jovem
1.2 mil eventos por 438 instituições.
Este foi o Ano Nacional dos Museus/2006
15 a 21 de maio de 2006 07h30 às 17h30
Seminário - Debate - ritos de passagem Exposição - Ritos de Passagens Cinema/vídeos - Ritos de passagens 5ª Semana Nacional de
Museus “Museus e Patrimônio Universal” Período de 14 a 20/05/ 2007 Objetivos: Estimular novos pensamentos e ações sobre o fazer museológico
460 museus dos estados brasileiros e do Distrito Federal.
14/05/2007
• Exposição fotográfica "Trajetórias de Rondon" – escolares/agendamento. 14/05/2007 a 27/05/2007 - 07:30 às 22:00 • Abertura da Semana de Museus – “Trajetórias de Rondon" - palestra e exposição fotográfica –
15/05/2007 • Cinema/vídeos - "Trajetórias de Rondon" – escolares/ agendamento. 15/05/2007 a 20/05/2007 • Mesa Redonda - "Imagens da fronteira" –
18/05/2007 • Mesa Redonda - "Rondon e os contatos interétnicos"
7ª Semana Nacional de Museus “Museu e turismo – viagem no tempo” Período - 13 a 23/05/ 2009. 2.020 eventos 615 instituições de todas as regiões do país. 18 a 21/05
Palestras e Atividades culturais - 19h às 21h
3ª Primavera dos Museus Período - 26 e 27/09/ 2009
Palestras: Museus e Direitos Humanos Exibição de filmes e visitas guiadas ao acervo do museu
Fonte: Silva, J. M. R. (2009)
Os eventos realizados em parceria com o Departamento de Antropologia e a ASAMUR, também atraem alguns visitantes da própria Universidade, como nas programações coordenadas pelo Ministério da Cultura, que visam implantar a política nacional de museus: Semana dos Museus (mês de maio), Primavera dos Museus (mês de setembro) e publicações. Por outro lado, registra-se, frequentemente, nestes projetos as visitas de professores e estudantes do ensino fundamental e médio, tanto da rede pública como privada.
27 O Museu Rondon já participou do Edital Ponto de Cultura em 2008, sendo aprovado; contudo, lamenta a supervisora Heloísa Ariano. “a falta de clareza e o excesso de exigências documentais, dificultou a comunicação entre o MinC e o Museu, assim, não conseguimos efetivamente nos tornar Ponto de cultura, o que é uma perda para o Museu, para a UFMT e para o próprio Estado de Mato Grosso.”
Enfim, os professores do Departamento de Antropologia da UFMT se empenham na realização dos projetos e programas com poucas verbas institucionais, firmaram parcerias para a manutenção, ampliação e organização das coleções; e, da realização de pesquisa, ensino e extensão. A exemplo do projeto Ritude Enári, realizado em escolas do município de Cuiabá com recursos da Petrobrás e, a Pesquisa Inventário Documental do Patrimônio Imaterial Mato-Grossense, com recursos do Instituto Brasileiro de Museus-IPHAN. Sobre estes projetos itinerantes, tratarei nas partes II e III, desta tese. Sendo que esta última, em se tratando das referências imateriais do Povo Bororo, tornou-se sobremaneira importante para a III parte da tese.