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3.3 Electrical energy storage

3.3.5 Thermal-electric storage

O campo da ação museal, que compõe a curadoria, consiste na documentação, análise, restauração e armazenamento dos objetos, com vistas a sua conservação, a qual em sua maioria, é direcionada pelo material, tipologia, tamanho, pois cada qual requer ações de conservação especializadas. Em se tratando de coleções de objetos tridimensionais, as metodologias conhecidas de curadoria, citadas por Gordoll, C. & Silva, F. (2005) na atualidade, se fundamentam nas propostas de Susan Pearce23 e incluem:

... Fotografar todas as peças para a elaboração de um catálogo e de um banco de imagens dos objetos; elaborar documentação escrita e gravada (vídeo e fitas cassete) e montar um banco de dados sobre todas as peças; fazer um estudo descritivo dos objetos da coleção; elaborar análise sobre seu uso (cotidiano e ritual); procurar apreender os significados simbólicos subjacentes aos objetos; resgatar o histórico das peças desde sua produção, passando pela coleta, até a doação ao museu [...]; realizar a conservação das peças da coleção; e pensar e executar um programa de exposição que contribua para a divulgação e valorização da cultura... (GORDOLL, C. & SILVA, F. 2005, p.99.)

Antônio João de Jesus identificava, com ajuda dos índios, os objetos, descrevia e desenhava em fichas. Mas, na atualidade essas fichas já cumpriram suas funções e estão arquivadas para trabalhos futuros, uma vez que os artefatos foram fotografados e compõem um banco de dados informatizado. Neste caso, os desenhos e as fotografias, tornaram-se importantes documentos que compõem um arquivo imagético e o próprio acervo documental do Museu Rondon.

No que se refere aos registros fotográficos, que em sua maioria fazem parte de reservas técnicas iconográficas, o trabalho da curadoria é amplo e complexo a fim de se estabelecer diretrizes para a organização do setor, com vistas a permitir a utilização adequada dos acervos e coleções.

23PEARCE, Susan. 1999a. "Museum objeets", em PEARCE, S. (ed.). buerprenllg objeclS alld colleaions. London, Routledge. p. 9-11.

-____1999b. "Thinking aboUl things", em PEARCE, S. (ed.). lnterprezillg objeclS alld collecúons. London, Routledge. p. 125- 132.

PEARCE, Susan W. Collecting: body and soul. In: ______. Museums, objects and collections: a cultural study. Washington, D.C: Smithsonian Instituion Press, 1992.

Da curadoria fazem parte todas aquelas atividades de natureza conceitual, metodológica e prática que permitem a exploração científica, pedagógica e/ou cultural do acervo de uma instituição. É sempre bom lembrar que, geralmente, documentos fotográficos convivem com outros de natureza diferente (textual, tridimensional, outras formas de iconografia como pintura a óleo, aquarelas, impressos, gravuras, desenhos, etc.).

Assim, para que as coleções fotográficas tenham um perfil de formação e crescimento bem definido e possam ser exploradas de forma eficiente, é preciso que a curadoria insira seu tratamento em uma ampla rede solidária de atividades institucionais. Essa rede engloba desde políticas científicas (definição de balizas cronológicas de atuação, de temas preferênciais, linhas de pesquisa, etc.), passando pelas políticas de aquisição, guarda, doação, formação de biblioteca, treinamento e aperfeiçoamento de recursos humanos, difusão cultural, definição do usuário-padrão, instalação de infra-estrutura até a definição de procedimentos padronizados de documentação e informatização. (FILIPPI, et al., 2002. p.12).

A higienização e restauração, entre outras medidas de conservação dos objetos, requerem laboratórios apropriados e a conservação preventiva é imprescindível para que não seja necessária a restauração, muito mais dispendiosa em recursos humanos e materiais. Sobre os cuidados com a conservação dos objetos do Museu, Jesus rememora.

Fazíamos a prevenção das sementes com produtos químicos, e, eu aprendi a tratar a plumária no Museu Nacional, como reidratá-la. É um processo complicado por isso não me atrevi a fazer porque precisava de maior especialização. As nossas plumárias estão muito bem conservadas, temos o cuidado de colocar pastilhas de formol dentro dos expositores que afasta os bichinhos. A cestaria é mais rústica, temos conservado, mas ainda não fizemos restauração. [...] na aldeia tenho visto as cestas no sol sem mudar de cor. O padre Colbachine, que morou com os Bororo, quando começamos o Museu Rondon, nos orientou como os índios fazem para cuidar das penas dos cocares (parikos) colocando no sereno e penteando cada peninha com pincelzinho de pelo macio. (SILVA, J. M. R, 2009. p. 57).

A pesquisa em mídias modernas permite também trazer os registros do contato de indigenistas, os Irmãos Villas Boas e do Padre Edgard Schmidt, com as etnias Panará e Rikbaktsa, os quais resultaram em doações para a coleção etnográfica do Museu Rondon, sob os auspícios da Fundação Nacional do Índio - FUNAI:

Um fato relevante é o acervo da Coleção Panará, que é formada por peças colocadas pelos índios em um tapiri, em uma aldeia abandonada como retribuição aos brindes deixados pela equipe de atração da

FUNAI, coordenada pelos irmãos Villas Boas que destinaram esse rico material ao recém fundado Museu Rondon.

Significante também é a coleção Padre Edgard Schmidt, que contém plumárias do povo Rikbaktsa, coletadas logo após os primeiros contatos pacíficos com esses índios. (MUSEU RONDON. Acervo etnográfico. Disponível em http://www.ufmt.br. Acesso em 15 jul. 2009).

Ao ser estudado no final da década de 1990 (Armigliatto,1997 apud. Silva, J.M.R., 2009) o acervo do Museu Rondon, contava com 700 objetos, com 40 coleções de 30 etnias de Mato Grosso e de outras regiões do Brasil, resultantes de doações e projetos. Em 2010, documentos atestam um acervo de 1.253 objetos, sendo que desses, 95 (noventa e cinco) são do povo Boé-Bororo.

As categorias de organização do acervo etnográfico do Museu Rondon também foram divulgadas no site institucional: 1. Adorno Plumário; 2. Adorno Eclético e Indumentária; 3. Arma; 4. Artefato ritual mágico; 5. Cerâmica; 6. Instrumento Musical; 7 Material Lúdico; 8. Tecelagem; 9. Trançado; 10. Utensílio e implemento; 11. Material Arqueológico; 12. Áudio visual (Figuras 30/32).

Na reserva técnica do Museu usou-se ao longo dos anos estantes adaptadas com materiais improvisados, e, em 21 de junho de 2011, foi inaugurado o novo prédio da reserva técnica de antropologia e arqueologia do Museu Rondon/UFMT, cuja construção foi viabilizada pelo Convênio 17.932 - Eletrobrás – Furnas – ASAMUR24.

Para fazer a mudança da reserva técnica, montar o laboratório de antropologia e arqueologia e elaborar o Regimento Interno, o Museu Rondon empreendeu esforços junto à Reitoria e Pró-Reitoria de Planejamento, no sentido de buscar consultoria especializada e o curso de Higienização e técnicas de conservação e salvaguarda de cervo museológico, realizado no mês de maio de 2012. (Museu Rondon recebe consultoria e curso para preservação do acervo. 17 mai 2012. Disponível em http://www.ufmt.br/ufmt/site/noticia/visualizar/6708/JulioMuller. Acesso em 14 out. 2012).

24 O projeto prevê que o acervo arqueológico e antropológico, salvaguardado pelo Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás, quando da construção da Usina de Manso no município de Chapada dos Guimarães, deve retornar para o estado de Mato Grosso.

Figura 30. Documentação museológica. Museu Rondon - MR (UFMT).

Fotografia: Jocenaide M. R. Silva, abr. 2009.

Figura 31. Reserva Técnica (antiga). Museu Rondon – MR (UFMT). Fotografia: Jocenaide M. R. Silva, mai.2009.

Figura 32. Reserva Técnica e Laboratório de Antropologia e Arqueologia. Museu