• No results found

Las características de los riesgos civilizatorios

2. La sociedad del riesgo como proyecto teórico-empírico

2.1. Raíces histórico-sociales y teóricas

2.2.2. Las características de los riesgos civilizatorios

O período republicado corresponde a um momento de efervescências política, cultural e tecnológica, que repercutiu na forma da cidade. Novos estilos arquitetônicos como o neoclássico, o eclético, o art déco passaram a compor a paisagem de ruas e praças.

Em 1889, a Proclamação da República e a chegada da ferrovia impulsionaram as transformações ocorridas em Uberaba, bem como marcaram o início desse período até 1941, quando novos movimentos alteraram as dinâmicas urbanas4.

Fonte: Página do Facebook.

Disponível em: <www.facebook.com/UberabaemFotos> . Acesso em:

23 jan. 2015.

Figura 73: Casa São Sebastião - "Venda do Fiico". Demolida em 1950.

Exemplo de construção típica do primeiro período, Ruas Vigário Silva com Paulo Pontes – Uberaba – MG, 1947.

4 É importante salientar que no “sertão”, as mudanças chegavam

tardiamente, dessincronizadas dos movimentos iniciados nos grandes centros.

Pontes (1972, p.245) relata que a chegada da ferrovia dividiu a história local. Italianos, portugueses, espanhóis, árabes e alemães instalaram-se, principalmente, nas proximidades da estação ferroviária, nas colinas do Fabrício e dos Estados Unidos (LOURENÇO, 2010). Riquezas advindas do comércio e da criação de gado financiaram transformações arquitetônicas e culturais, em boa parte pelo viés dos imigrantes, influenciando hábitos e costumes.

A ferrovia viabilizou a vinda de entalhadores, pintores, escultores, arquitetos e engenheiros, mão-de-obra especializada conhecedora de novas técnicas construtivas como a aplicação de estuques e o uso do concreto.

Rezende (1991, p.21) ressalta que a Mogiana aqueceu ainda mais o mercado interno, “acelerou o processo de urbanização, promovendo o apogeu comercial-urbano da cidade e provocou a estagnação de outros centros não beneficiados diretamente pela estrada de ferro”. A ferrovia proporcionou a velocidade de informações e deslocamentos de pessoas, produtos e materiais, estimulando mudanças profundas nas formas de produção e na configuração do espaço.

A chegada da estrada de ferro e do telégrafo, com o consequente aumento da fluidez dos transportes e informações; a maior inserção da região na divisão territorial do trabalho, na condição de área de abastecimento da economia cafeeira paulista; e maior acumulação de riquezas, graças a maior fração do excedente retido pelos agentes locais, influenciaram a organização das unidades produtivas e as técnicas de produção regionais (LOURENÇO, 2010, p. 182).

No tempo em que produtos primários eram valorizados no comércio internacional, os bons negócios oriundos da criação de gado, em especial do zebu, criaram uma elite que dispunha de bastante capital.

O impacto na forma urbana materializou-se na construção de dezenas de palacetes e na formação de comércio seleto e requintado, voltado à essa clientela. Segundo Salgueiro (1984, p.218), “de 1916 a 1921, registra-se o apogeu das construções”. O ecletismo toma conta das fachadas (Figuras 74 e 75). Os casarios de estilo colonial são reformados, adotando a moda vigente, outros, como o Palacete dos Borges, materializava o prestígio e o poder da família na época.

O ornato externo das construções de Uberaba veio, conforme o estilo adotado pelo artista, mudar inteiramente a fachada dos prédios. Assim, logo aparecem os ornatos retangulares, curvilíneos, ou ainda, as ramagens e, ultimamente, com figuras humanas, em os frontões como se vêem no Paço Municipal, palacete do Sr. Coronel Hipólito Rodrigues da Cunha e outros. (mendonça, 1974, p. 257)

A instalação de pequenas indústrias, na maioria abertas por imigrantes, tornou dinâmica a economia local, abrigando inclusive fábricas de tecidos, cuja primeira foi inaugurada em 1882, e a maior em 1928. Outras indústrias como cervejarias, cerealistas, torrefadoras de café, beneficiamento de couro e de fumo, fábrica de macarrão movimentavam a pequena rotina urbana (NABUT, 1978).

Figura 74: Fórum Melo Viana, Rua Lauro Borges – Uberaba –MG, dec.

1940.

Fonte: APU.

Figura 75: Banco Hypothecário, Rua Artur Machado com Av. Leopoldino

de Oliveira – Uberaba – MG, dec. 30.

A estação ferroviária, construída no Alto da Boa Vista, exigiu prolongamento da Rua do Comércio. Quem chegava de trem, desembarcava nessa via, que já era importante por concentrar o comércio, favorecendo ainda mais a abertura de novas casas comerciais. Segundo levantamentos de Lourenço (2010), durante onze anos, houve aumento de estabelecimentos comerciais como farmácias, joalherias e hotel.

Outra fonte de estudo, a Revista Via Láctea, encontrada no Arquivo Público de Uberaba, oferece um panorama do comércio na época. Edição datada de 1º de outubro de 1917, como “Mensário Illustrado de Artes e Letras”, editado pela Typografia Jardim, propunha reunir “literatura e a arte, apanhando aspectos da nossa vida social e mundana...” além de crônicas, fábulas, figuras da sociedade da época e dezenas de anúncios de estabelecimentos comerciais (Figura 76).

A análise da revista indica que o cenário comercial da época era diversificado, com oferta de produtos, serviços e atividades de entretenimento sofisticado.

No Arquivo Público de Uberaba pode ser acessado um catalogo dos estabelecimentos comerciais e industriais presentes no Centro, principalmente na Rua Artur Machado, nas três primeiras décadas do século XX. O documento informa da presença de: selarias; objetos de armarinhos; secos e molhados; armazéns de: ferragens, tecidos, chapéus, calçados, louças, armas; máquina de arroz; olaria a vapor; afinador de pianos; relojoaria; charutarias; cafés; confeitarias; pastelarias; padarias; restaurantes; tipografia; bilhares; barbearia; açougues; marcenaria; oficina de veículos; fábrica de sabão; funilaria; alfaiataria; hotel; livraria; agência consular; marmoraria; despachante; fábrica de instrumentos musicais; máquinas para lavoura; mobiliário; agência de veículos; fábrica de ladrilhos e mosaicos; fábrica de doces; cerealistas; sorveterias; tinturaria; bancos e farmácias. O registro desses estabelecimentos oferece uma percepção de como era o cotidiano da cidade naquele período. Sob efeito das Grandes Guerras do Século XX, o Brasil deixou de importar muitos produtos, passando a assumir tímida industrialização que, no Governo Getulista, teve grande impulso com a construção de indústrias de base.

“[...] basicamente, as crises internacionais, até os anos 50, obrigam vigorosamente o sistema produtivo nacional, isto é, os capitais aplicados no país, a se voltar para uma produção substitutiva de importações e, portanto, para o mercado interno, que, fora desses períodos, se fazia de forma lenta” (CAMPOS FILHO, 2001, p. 32).

A abertura de pequenas indústrias e o afluxo de grande capital oriundo da criação de gado zebu impulsionaram nova fase de desenvolvimento urbano, tornando a cidade mais complexa. A modernidade difunde-se nas ruas em grandes obras de infraestrutura, com destaque para abertura de avenidas e construção de canais. Ao longo das “novas vias”, a transição dos períodos é materializada nas edificações art-déco, em substituição ao eclético. É o sinal de um novo momento para a história da cidade: tem início o período moderno.

Figura 76: anúncios: Revista Via Láctea, 1917.