6.7 Romanisering av by og landsbygd i provinsen Britannia
6.7.1 Landsbygda, og utbreiinga av Villa-kulturen
Com o objetivo de descobrir o papel dos fatores hereditários (genéticos, biológicos) e envolventes (sociais, culturais) no desenvolvimento psíquico do indivíduo, Luria (1992) elaborou um estudo comparativo dos processos psíquicos em gémeos monozigóticos e dizigóticos. Foram analisadas e comparadas as funções percetivas,
mnésicas, linguísticas e construtivas. Foram dados exercícios, a gémeos de várias idades, com diferentes graus de participação dos seus fatores naturais (genéticos e elementares) e culturais (sociais e superiores). Obtiveram-se três resultados principais:
Nos gémeos monozigóticos, os resultados do estudo têm maior grau de parecença nos dizigóticos;
A produtividade da memorização não-verbal de figuras geométricas em gémeos monozigóticos mais novos e mais velhos é semelhante, concluindo assim que o fator biológico se manifesta independente da idade;
Os resultados da memorização mediada nas crianças mais velhas eram superiores aos das crianças mais novas e dependiam da aprendizagem. Assim se que a ação do fator social aumenta de acordo com a idade;
As formas naturais, não-verbais, de memorização são semelhantes nos gémeos monozigóticos em comparação com os dizigóticos, não obstante o grau de semelhança do meio social. As formas mediadas, culturais, divergiram só nos gémeos monozigóticos mais novos. Nos mais velhos os resultados foram praticamente iguais.
Esta lei é particularmente acentuada na atividade construtiva. Perante a parecença da base genética, esta forma complexa de pensamento não-verbal acusa uma dependência precisa da influência do meio, dos meios de formação desta atividade.
Assim, Luria (1992) obteve provas experimentais referentes à condicionalidade genética das FNS, à influência variada dos fatores genético e social nos diferentes grupos etários, ao aumento do papel do fator social com a idade.
A tomada de posição referente à mediação da fala sobre as FNS foi desenvolvida por Luria sob diferentes ângulos. Ao analisar pormenorizadamente a dinâmica de formação das diferentes funções psíquicas em crianças saudáveis e em crianças com atraso mental, mostrou que a participação da fala se torna uma condição obrigatória para o desenvolvimento normal das funções psíquicas na ontogénese e que nas crianças com atraso mental esta lei é perturbada. Perante isto, salientou-se que
a inclusão do sistema das ligações da fala em muitos dos processos que antes tinham um carácter imediato é um fator importantíssimo na formação das FNS,
que distinguem o homem do animal e que têm, por isso mesmo, um carácter consciente e arbitrário. (Luria, 1977, p. 36)
No geral, de acordo com a sua definição “as FNS do homem são, do ponto de vista da psicologia moderna, processos refletores complexos, sociais por sua origem, mediados pela sua estrutura e conscientes, arbitrários, pelo modo do seu funcionamento” (1977, p. 34).
Assim sendo, é possível constatar a afinidade entre as teses de Luria e de Vigotsky em todos os aspetos relacionados com a problemática das FNS. Ao defenderem ativamente a compreensão histórico-cultural e ao se oporem à compreensão naturalista da sua natureza, eles consideravam as FNS como formações sistémicas complexas que distinguem o ser humano dos restantes animais. Os seus pontos de vista coincidiam também no que se referia ao papel dos fatores social e biológico no desenvolvimento das FNS. Segundo eles, não só as funções psíquicas complexas, mas também as relativamente elementares, alternam-se sob a influência da língua e do meio social (Khomskaya, 2003).
Para o desenvolvimento do indivíduo, as interações com os outros são fundamentais, uma vez que os outros são os portadores de mensagens culturais (Pino, 2000; Wertsch, Río, & Alvarez, 1998). Nesta interação, o papel fulcral diz respeito aos signos e aos diferentes sistemas semióticos (Damasceno, 1995; Vigotsky, 1978) que geneticamente têm uma função de comunicação e depois uma função individual. São, numa fase inicial, utilizados como instrumentos de organização e controle do comportamento individual (Morato, 1996), o que mostra que as FNS não surgem nem se constituem no processo de desenvolvimento sem a contribuição das interações sociais. O indivíduo integra na sua história e cultura as dos seus antepassados que se constituem como peças importantes na construção do seu desenvolvimento, por meio das experiências, valores, comportamento, linguagem daqueles com que o indivíduo interage ao longo do seu processo de desenvolvimento (Leontiev, 1978; Vigotsky, 2001).
As experiências de Luria (1986) mostraram que a subordinação da ação do sujeito à instrução verbal do adulto não é algo simples e desenvolve-se progressivamente. Deste modo, observa-se que a linguagem tem uma grande importância na organização do comportamento do indivíduo e no seu desenvolvimento. Primeiro, a sua influência é
realizada de fora para dentro e depois passa a organizar-se de dentro para fora. No início, o controlo do comportamento é feito pelos outros, por exemplo os pais, através da linguagem, mais tarde, pelo próprio indivíduo. O seu comportamento que é inicialmente controlado pelos outros, sob a forma de ordens verbais, passa a ser progressivamente controlado por ele próprio, através da linguagem internalizada.
Considerando a linguagem como um sistema de signos criados socialmente para atender à necessidade de comunicação entre os indivíduos e um dos mediadores na constituição do homem, o seu desenvolvimento é claramente considerado como um salto na evolução do psiquismo e pode ser definida como assumindo um papel de primeira ordem dentro desse processo. A mediação possibilitada pelos signos da comunicação, através da fala é fundamental no processo de complexificação do psiquismo, o que garante a aquisição das formas históricas essencialmente humanas.
A utilização da linguagem como recurso mediador entre os sujeitos é condição para a transmissão do conhecimento adquirido pelas gerações anteriores. Quando se pensa na criança, considera-se que a mesma “não nasce com órgãos aptos a realizar de repente funções que são produto do desenvolvimento histórico dos homens e desenvolve-se no decurso da vida pela aquisição da experiência histórica” (Leontiev, 2004, p. 347).
De acordo com Oliveira (1995), quando surge o pensamento verbal e a linguagem como sistema de signos é o momento em que o biológico se transforma em sócio- histórico.
Neste sentido, para Luria (1986), a palavra é mais do que o instrumento do conhecimento, é o meio de regulação das FNS. Na palavra, não é só o conteúdo que se modifica com a sua evolução histórica, mas a própria forma como a realidade é refletida e generalizada.
Assim, a psicologia histórico-cultural colaborou para desmontar a ideia de algumas categorias como sendo exclusivamente naturais, uma vez que o indivíduo é entendido como sujeito que constrói a realidade objetiva e subjetiva, quando procura entender o ser humano através dos processos culturais e biológicos do seu desenvolvimento, valorizando todo o mundo desenvolvido pelo indivíduo (arte, ciências, cultura).