4. Landskapsanalyse
4.3 Landheving
Embora a integração das crianças com deficiência na escola regular tenha aumentado nos últimos anos a sua eficácia continua a ser polémica.
Os estudos que procuram avaliar a eficácia diferencial da integração na escola/turma regular das crianças com deficiência mental e da sua educação em escolas especiais não são conclusivos.
HEGARTY(1993), reconhece que as tentativas para comprovar a superioridade, em termos de ganhos académicos e desenvolvimentais, da integração sobre outros modelos de educação de crianças com deficiência, são de um modo geral inconclusivas.
WILLIAMS (1993), ao realizar um estudo comparativo sobre os ganhos académicos de alunos com deficiência mental moderada integrados na escola regular e em escola especial, chegou à conclusão de que, ainda que o balanço pareça dar vantagem à integração na escola regular, a conclusão mais segura é que não existe uma evidência clara para sustentar uma efectiva diferença.
A T I T U D E S F A C E À I N T E O R A Ç À O
1.2. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA INTEGRAÇÃO
Outros estudos debruçam-se sobre as vantagens da integração destas crianças na escola/turma regular. No que se refere às próprias crianças, a aceitação social e o seu desenvolvimento social e emocional são as áreas em que estas mais beneficiam. Contudo, alguns professores pensam que a integração destes alunos nas turmas regulares pode mesmo contribuir para a sua marginalização. Alguns professores consideram que os alunos com deficiência mental são ainda prejudicados ao nível académico.
Por exemplo, HEGARTY, POCKLINGTON e LUCAS (1989) apresentam algumas das vantagens que consideram resultantes da integração de crianças portadoras de deficiência mental nas escolas regulares. Segundo estes autores o desenvolvimento emocional/social destas crianças é beneficiado em programas integrados se for dada especial atenção ao clima afectivo em que são educadas. Os autores defendem que a educação das crianças com deficiência mental juntamente com os seus companheiros sem deficiência e da mesma idade é boa, sendo raras as relações de rejeição.
O estudo de PEDHAZUR (1981, citado por GARCIA & ALONSO, 1985), ao comparar as opiniões dos professores de classes regulares com as opiniões dos professores de educação especial e com as opiniões do pessoal não docente, demonstrou que os professores de educação regular e o pessoal não docente consideraram que há efeitos negativos para os próprios alunos portadores de deficiência em relação aos conteúdos académicos mas, não em relação aos efeitos no domínio socioemocional.
Também JENNIFER, TERRI e CATHY (199¾). com base nos resultados de uma experiência de integração efectuada em duas comunidades (Missouri, Kansas), demonstraram os muitos benefícios que advém da integração em turmas regulares, de alunos portadores de deficiências graves.
Estas crianças melhoram o seu desenvolvimento, particularmente na área da competência social e a sua aceitação por parte dos colegas aumenta substancialmente.
A T I T U D E S F A C E À I N T E G R A Ç Ã O
Os professores consideram a experiência de integração desses alunos numa turma regular positiva, tanto para eles próprios, como para os alunos.
Os professores participantes e envolvidos nesta experiência de integração foram seleccionados com base na reputação de serem bons professores e também devido à receptividade demonstrada na altura de incluirem nas suas turmas alunos com graves incapacidades.
A integração foi considerada muito positiva por parte dos professores e pela maioria dos alunos sem deficiência que também foram envolvidos neste estudo pois, viram integrados nas turmas que frequentavam colegas que não era habitual aí ter por serem portadores de deficiência. Os alunos sem deficiência são parte integrante e importante, no que diz respeito ao sucesso deste processo de integração e os seus pontos de vista e recomendações devem ser considerados essenciais para o desenvolvimento do processo integrativo.
Neste sentido, os autores deste estudo e que analisaram os resultados desta experiência recomendaram que a educação de alunos com deficiência grave se deve efectuar em turmas de ensino regular, atendendo aos muitos benefícios que resultam, quer para os alunos quer para os professores.
Este estudo sublinha ainda a necessidade de se encontrarem estratégias educativas adequadas para mudar o comportamento e as opiniões, de uma minoria de adultos e de crianças sem deficiência.
Outros estudos sublinham as desvantagens da integração de crianças com deficiência na escola/turma regular e como principais problemas acentuam os obstáculos que esta integração coloca ao desempenho das funções pedagógicas dos professores. Assim, por exemplo:
• os professores consideram que o tempo efectivo de instrução fica demasiado reduzido;
• os professores não se sentem preparados para a implementação e diversificação de estratégias educativas apropriadas a estes alunos;
• os professores sublinham a importância de cumprir o programa, o que não é possível com a integração na sala de aula dos alunos com deficiência.
A T I T U D E S F A C E À I N T E G R A Ç Ã O
Neste contexto, MELVYN, TAMMY, GETCHEN e SHARON (1991) num estudo que realizaram e onde envolveram 381 professores (do ensino regular e do ensino especial), chegaram a várias conclusões:
Uma elevada percentagem dos professores inquiridos (do ensino regular) são de opinião que há efeitos negativos para os próprios professores que resultam da integração de alunos com deficiência em turmas regulares a tempo inteiro. A distribuição do seu tempo lectivo, que passa a ser diferente se tiverem que apoiar alunos com deficiências nas suas turmas, é um dos efeitos negativos apontados, sentindo-se prejudicados por esse facto. Estes professores também não concordam com a integração desses alunos nas suas turmas na medida em que se sentiriam postos à prova e provavelmente iria ser posta em causa a sua capacidade e competência para fazerem as adaptações pedagógicas necessárias para a educação individualizada de que esses alunos precisam.
Os professores, sobretudo os do ensino regular, indicaram também como razão para a sua opinião o facto de os programas curriculares das aulas normais (regulares) e as estratégias educativas habitualmente aí usadas serem insuficientes, ou desajustadas, para as crianças com deficiências.
A maioria dos professores participantes neste estudo também acreditam que a colocação de alunos com deficiência, a tempo inteiro, em classes regulares não traz qualquer benefício social a esses alunos. Pelo contrário, acham que com a colocação desses alunos em classes regulares lhes provoca insucesso e os leva à desmotivação.
Por sua vez, no estudo realizado por PEDHAZUR (1981, citado por GARCIA & ALONSO, 1985), os professores de educação especial consideram haver menos efeitos negativos para os alunos portadores de deficiência, do que os outros professores do ensino regular e do que os auxiliares de acção educativa. Os professores do ensino regular e os auxiliares de acção educativa consideraram que há efeitos negativos com a integração em relação aos conteúdos académicos. Já não encontraram efeitos negativos em relação a efeitos no domínio socioemocional.
ATITUDES FACE À INTEGRAÇÃO
Um estudo conduzido em 1993 pelo National Joint Committee on Learning Disabilities (NJCLD) evidenciou que nem todos os intervenientes implicados no processo integrativo apoiam a integração de alunos com deficiência grave em turmas de ensino regular.
Os membros deste Comité (NJCLD) defendem que a inclusão total até viola os direitos de pais e dos alunos com deficiências, consagrados num decreto-lei1 sobre
pessoas com deficiências. Sendo nesta perspectiva de rejeitar a colocação arbitrária de todos os alunos com deficiência num só contexto educativo que neste caso, seria a turma regular.
2. CONDIÇÕES QUE OPTIMIZAM A INTEGRAÇÃO ESCOLAR DE CRIANÇAS