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Informações agrometeorológicas são aquelas que consideram os dados meteorológicos associ- ados aos requerimentos dos cultivos com o objetivo de estimar os respectivos impactos às culturas e às práticas agrícolas, tanto no âmbito do planejamento como no âmbito das tomadas de decisão. Por isso, segundo Rijks e Baradas (2000), os serviços nacionais de meteorologia têm muito a contribuir com a economia nacional, por meio da divulgação e uso eficientes das informações agrometeorológicas.

As informações agrometeorológicas, de acordo com Mavi e Tupper (2004), podem ser em- pregadas de diferentes maneiras na agricultura. Primeiramente, essas informações podem ser utilizadas para o planejamento dos cultivos (componente estratégico), tanto na escala macro- climática como topoclimática. Além disso, essas informações podem ser empregadas no pro- cesso de tomada de decisão quanto ao melhor momento ou condição para a execução de dife- rentes práticas agrícolas (componente tático). Finalmente, as informações agrometeorológicas também podem permitir aos sistemas agrícolas adquirir maior capacidade para enfrentar con- dições meteorológicas adversas, tornando-os mais resilientes.

As informações nesses três contextos, associadas aos avanços nas áreas de agrometeorologia, climatologia, meteorologia, sensoriamento remoto, geoprocessamento e informática, têm me- lhorado substancialmente a possibilidade de os agricultores ajustarem suas atividades às vari- abilidades e mudanças do clima, levando à redução dos riscos na agricultura. No entanto, ain- da há muito que ser feito para facilitar a adoção desse conhecimento e difundir sua aplicação prática na produção agrícola (SENTELHAS e MONTEIRO 2009).

A informação agrometeorológica pode ser categorizada em três graus de complexidade, con- forme Sentelhas e Monteiro (2009). As informações do primeiro grau, mais simples, são ge- ralmente numéricas, como os dados meteorológicos puros ou derivados de cálculos simples, como os do balanço hídrico climatológico que indicam a disponibilidade hídrica do solo ou a deficiência hídrica, por exemplo.

Informações de segundo grau são produzidas a partir de dados meteorológicos e parâmetros específicos da cultura e em geral, expressa o estado ou a resposta da cultura à condição mete- orológica observada. Segundo SENTELHAS e MONTEIRO (2009), o estado da cultura pode ser descrito de diferentes formas, como em relação a seu desenvolvimento, o estádio fenológi- co da cultura. Tal estado pode ser caracterizado também em função da satisfação de suas ne- cessidades hídricas e térmicas, ou mesmo quanto ao desempenho esperado em função da radi- ação solar disponível nos últimos dias. Ainda, pode informar qual o dano provável provocado pela ação de ventos intensos, geadas, granizo ou outro evento meteorológico adverso qual- quer.

Outros modelos e técnicas podem considerar um segundo componente biológico e passam a estimar danos de pragas ou doenças. Segundo Sentelhas e Monteiro (2009), a análise conjunta de todos os fatores que afetam o crescimento da cultura permite reduzi-los a um índice único

que se correlaciona diretamente à produtividade. Por outro lado, a análise em separado de cada fator permite identificar os limitantes do sistema para cada local ou cultura analisada. Por fim, Sentelhas e Monteiro (2009) comentam que as informações de terceiro grau são aquelas que indicam a ação de manejo mais adequada para o estado no qual a cultura se en- contra em dado momento. Devem ser o resultado da adequação das informações de escala nacional ou regional para as particularidades das condições locais. Geralmente, a geração de tais informações agrometeorológicas requer a participação de profissionais habituados ao lo- cal e capacitados a interpretar a informação e aplicá-la no contexto local.

A seguir, Sentelhas e Monteiro (2009) apresentam alguns exemplos de como as informações agrometeorológicas podem ser empregadas no planejamento, nas tomadas de decisão e na obtenção de resiliência na agricultura.

O planejamento agrícola diz respeito às ações a serem realizadas antes do estabelecimento da cultura, ou seja, quando o empreendimento agrícola começa a ser programado. Em função disso, o planejamento se fundamenta basicamente nas informações do clima e de sua variabi- lidade interanual no local de interesse. Dentre as informações agrometeorológicas empregadas no planejamento agrícola, o zoneamento agroclimático é a mais conhecida.

O zoneamento agroclimático é a determinação da aptidão climática das regiões de um país, estado ou município. Assim, em cada região, define-se a aptidão de cada área para o cultivo de determinada espécie de interesse agrícola, levando-se em consideração as exigências agro- climáticas dos cultivos e as informações macroclimáticas. O macroclima ou clima regional é condicionado pelos fatores determinantes da macroescala, ou escala geográfica, como latitu- de, altitude, continentalidade, massas de ar, entre outros. Visto que o macroclima não pode ser alterado pelo homem para se adequar às necessidades dos cultivos, essa informação deve ser a primeira considerada ao se planejar um empreendimento agrícola (PEREIRA et al., 2002). O zoneamento agrícola pode ser empregado não somente para a delimitação de áreas aptas, marginais ou inaptas às culturas, como realizado por Camargo (et al.. 1974) para o Estado de São Paulo, mas também para o estabelecimento das melhores épocas de semeadura com base em informações probabilísticas (ALFONSI et al., 1995), das zonas de maturação de frutos (SENTELHAS et al., 1995), do risco climático associado aos impactos do déficit hídrico nas

culturas (FARIAS et al., 2001), de áreas de escape de doenças (ORTOLANI et al., 1986), do potencial produtivo e da qualidade dos produtos (ORTOLANI, 2001).

Como se vê, há grande variedade de informações que podem ser organizadas pelo método do zoneamento, que é a espacialização de uma ou mais informações combinadas. Dada sua im- portância, o zoneamento agrometeorológico vem sendo empregado por bancos e seguradoras para subsidiar as ações de financiamento e seguro agrícolas (ROSSETTI, 2001).

Além do zoneamento agroclimático, as informações agrometeorológicas assumem também papel importante no planejamento da agricultura irrigada, sendo o balanço hídrico climatoló- gico a principal informação a ser considerada (PEREIRA et al., 2002). Assim, identificando- se os períodos com excedente hídrico e deficiência hídrica e suas respectivas intensidades, define-se o tipo de sistema de cultivo a ser empregado, sequeiro ou irrigado, e o período em que cada um deles deve ser conduzido.

Quando as necessidades hídricas específicas da cultura, representadas pelo coeficiente de cul- tivo (Kc), são consideradas, o balanço hídrico climatológico passa a ser denominado de ba- lanço hídrico de cultura, sendo, nesse caso, considerado o balanço entre a chuva e a evapo- transpiração (máxima) da cultura (ETc). Quando empregado dessa forma, o balanço hídrico possibilitará estabelecer, em termos médios, a lâmina de água a ser aplicada, o turno de rega e o número médio de irrigações, informações que auxiliarão no dimensionamento dos equipa- mentos de irrigação e posterior manejo.

Apesar de o zoneamento agroclimático ser ferramenta importante no planejamento agrícola em macroescala, ele não considera as variações localizadas provocadas pelo relevo. Dentro da mesma região ou macroclima podem existir diferentes condições topoclimáticas, estabeleci- das em função do relevo local (PEREIRA et al., 2002 e MAVI e TUPPER, 2004). Em muitos casos, faz-se necessário que o planejamento agrícola também seja realizado de acordo com o topoclima, ou seja, considerando as posições do relevo da propriedade agrícola. Nessa escala, a configuração e exposição do terreno irão induzir diferenças térmicas e de exposição à radia- ção solar. Um exemplo típico do efeito do relevo é o acúmulo de ar frio em certas posições do terreno. Em regiões sujeitas às geadas (latitude 20ºS), deve-se evitar o cultivo de lavouras perenes nas áreas de baixada, nos terrenos planos e nas faces do terreno voltadas para o sul com menor exposição aos raios solares, onde as temperaturas são mais baixas.

Tomada de decisão, segundo Oliveira (2004), nada mais é do que a conversão das informa- ções disponíveis em ação, assim sendo, decisão é a ação tomada com base na apreciação de informações. Decidir é recomendar entre os vários caminhos alternativos que levam a deter- minado resultado. Na produção agrícola, trata das ações a serem realizadas durante o ciclo das culturas, nos momentos mais favoráveis, de modo a maximizar a produtividade e melhorar o aproveitamento de insumos. De acordo com Peche Filho (2009), não há dúvidas quanto à im- portância do processo de tomada de decisões na moderna administração, principalmente na- quelas empresas que utilizam a filosofia da qualidade total. Na agricultura não é diferente; sendo assim, tomar decisões corretas representa eficiência e competitividade.

Em termos agrometeorológicos, as tomadas de decisão são feitas de acordo com as condições do tempo e a disponibilidade de água no solo. Além dessas, as informações da previsão do tempo podem ser utilizadas para antecipar decisões e obter resultados ainda melhores. Para que o resultado da decisão seja o melhor, as informações sobre a resposta das culturas às con- dições do tempo e clima precisam ser precisas e realistas, inclusive sobre sua fenologia e prá- ticas de manejo necessárias (SENTELHAS e MONTEIRO, 2009).

É por isso que, de acordo com Mavi e Tupper (2004), a tomada de decisão com base nas con- dições meteorológicas tem por objetivo criar flexibilidade nos sistemas agrícolas, ou seja, avaliar as opções adequadas para cada caso. Isso se dá tanto em termos de produção como de realização das práticas agrícolas, frente à grande variabilidade das condições climáticas. Exis- tem várias práticas agrícolas que podem se beneficiar do uso eficiente das informações agro- meteorológicas, dentre elas temos: preparo do solo; semeadura; adubação; irrigação; controle fitossanitário; colheita (RIJKS e BARADAS, 2000).

Nesse contexto, argumentam Sentelhas e Monteiro (2009), as estimativas da produtividade e qualidade da produção, assim como da ocorrência de doenças também assumem papel impor- tantíssimo no processo de tomadas de decisão.

Para que os agricultores tomem decisões precisas com base no tempo, há necessidade de que os dados meteorológicos sejam transformados em informações agrometeorológicas úteis e que possam ser disseminadas de tal forma que os usuários finais possam obter delas o máximo benefício possível, no contexto de suas atividades (WEISS et al., 2000).

Serviços dessa natureza são normalmente prestados por órgãos governamentais, constituindo os Sistemas de Informações Agrometeorológicas – SISMAs. Atualmente, o Brasil conta com diversos SISMAs em operação, disponibilizando basicamente as informações de primeiro grau e algumas de segundo grau. Os mais conhecidos são o sistema AGRITEMPO/Embrapa, que tem abrangência nacional, o Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas do Instituto Agronômico de Campinas – CIIAGRO/IAC, no Estado de São Paulo, o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina – CIRAM – e o Sistema de Informações Agrometeorológicas do IAPAR, no Estado do Paraná, entre outros. Nesses sistemas, as informações agrometeorológicas são divulgadas semanalmente, contem- plando os elementos meteorológicos e do balanço hídrico, auxiliando na previsão de safra e na indicação das condições para manejo do solo, irrigação e controle fitossanitário. Apesar da importância desses sistemas, ainda existe carência muito grande de sistemas mais específicos que contemplem as mais diversas culturas e que auxiliem os agricultores mais efetivamente em suas tomadas de decisão. Para que os SISMAs sejam mais efetivos, contemplando aspec- tos de importância para cada cultura, é necessário se conhecer a influência de cada variável meteorológica nas culturas, em suas diferentes fases fenológicas.