7 RANGERING AV TRUSSELFAKTORER MOT NORSK LAKS
7.1 Vurdering av de enkelte trusselfaktorene
7.1.8 Lakselus
O estudo realizado entre expatriados alemães e brasileiros por Trevisam (2001) demonstrou que a principal dificuldade encontrada no relacionamento entre ambos foi a questão do idioma. Entre as representações relatadas pelos alemães, destacam-se também algumas semelhanças com os PCAs encontrados neste estudo. Vale a pena destacar o contexto deste estudo realizado por Trevisan (2001), que foi uma empresa multinacional do segmento automotivo na região Sul do Brasil. As informações foram conduzidas com entrevistas de quinze brasileiros e dez expatriados alemães.
Partindo da visão dos alemães, podemos detectar no estudo de Trevisan (2001) que a representação dos alemães apontam para os PCAs encontrados neste presente trabalho, demonstrando uma certa coerência no tocante às questões sobre o planejamento sistemático, ao relacionamento informal e personalizado, à disponibilidade aparente, à falta de cumprimento de promessas acordadas e processos burocratizados. Inclusive, há a semelhança em relatos, fatos que tornam ainda mais consistente a análise da coerência, ilustrado conforme o Quadro 21:
Quadro 21 – Representações de alemães sobre brasileiros e PCAs
Aspectos levantados no estudo de Trevisan (2007) PCAs
1 Não definem prioridades, fazem várias coisas ao mesmo tempo Planejamento sistemático 2 Querem ter um relacionamento amigável no trabalho. Relacionamento informal e
personalizado
3 Dão prioridade para a família. Se tem alguns amigos, pode tudo. Disponibilidade aparente
4 Fala sim e frequentemente não faz Falta de cumprimento de
promessas acordadas 5 Não se confronta, não diz não, mesmo quando discorda. Planejamento não sistemático 6 Faz muitos papéis, muita burocracia, No relacionamento particular por
exemplo, aluguel de carro, o que não está bem escrito não é cumprido.
Processos burocratizados
7 Se é combinado um prazo para o término de um trabalho, só em 20% dos casos ele será cumprido.
Falta de cumprimento de promessas acordadas
Fonte: Elaborado pela autora.
Os aspectos mais específicos, encontrados somente no trabalho realizado por Trevisan (2007) destacam pontos relacionados à diferença de níveis salariais, horas extras, ausência de problemas com o sindicato, nível de experiência profissional dos brasileiros e aspectos
relacionados a elogios em público no ambiente de trabalho. Em contrapartida, quando os alemães são questionados sobre esses aspectos, demonstram uma postura com certa superioridade em relação aos brasileiros, enfatizando que na Alemanha, tudo ocorre de forma oposta.
Estudos de alemães com relação aos outros países (principalmente da Europa) demonstram que os alemães apresentam comportamentos mais formais, expressos na forma como se relacionam com as pessoas, como mostra o estudo de Dunkel e Meierewert (2004) que identificou 5 PCAs nas fases de interação do trabalho em grupo.
Os PCAs encontrados nos estudos de Dunkel e Meierewert (2004), que fizeram uma comparação entre alemães, austríacos, húngaros e espanhóis, estão ligados à Grande Distância Interpessoal e Cultura Específica que se refere à distância entre o privado e não privado (cultura específica), enquanto a distância pessoal significa a distância física e psicológica estabelecida entre as pessoas. No caso do trabalho em equipe, entendem que podem fazer contribuições para o bem comum do grupo de uma forma estruturada, respeitando a hierarquia de maneira formal. Outro PCA encontrado está relacionado com o conceito de tempo, como Conceito de Tempo Monocrômico, no qual o tempo apresenta relevante importância, sendo valioso e, por conseguinte, deve ser utilizado de forma muito eficiente. Conectam-se a esse PCA, as atividades de planejamento, rotinas estruturadas e agendas organizadas.
O estilo de liderança e a situação orientada pelos fatos trazem outro PCA sobre a temática da hierarquia e papéis claros; as atividades devem ser feitas com autonomia e com responsabilidade assumida, sendo as decisões tomadas por uma base democrática, com o direito do voto.
O papel de estabelecer e manter contatos é um PCA que demonstra a atuação dos alemães diante de um grupo de trabalho. O comportamento diferirá de acordo com as esferas com as quais as pessoas estão envolvidas, ou seja, dependendo da relevância do contexto. Assim, no ambiente de trabalho, estão focados nos resultados e, por isso, questões pessoais não são importantes, e as relações entre colegas de trabalho não tomam uma proporção de amizade.
Brueck e Kainzbauer (2002) mostram os resultados de pesquisas recentes sobre PCAs realizadas na Universidade de Economia e Administração de Viena, na Áustria e destacam entre eles os de Schroll-Machl (1997) e de Brück (1997), ambos envolvendo a cultura alemã, sendo o primeiro com a República Checa, e o segundo, entre Alemanha e Áustria. Os aspectos levantados, referentes aos alemães são: separação das esferas, orientação factual, esforço máximo para a orientação e evitação da incerteza, controle internalizado,
diferenciação da distância interpessoal, hierarquia funcional e espírito de equipe, confiança de si, orientação para a conquista, importância para regras e regulamentos, comunicação direta e disposição para lidar com conflitos e orientação para os serviços.
Nos estudos de Salk e Brannen (2000), entre alemães e japoneses, as diferenças se ressaltam diante das questões relacionadas ao contato — os japoneses demonstram maior informalidade que os alemães.
Hiller (2009) conduziu um trabalho com estudantes alemães e poloneses e identificou aspectos referentes às questões hierárquicas, diferenças no processo de avaliação e comunicação.
Contudo, verificou-se que os PCAs encontrados neste estudo acompanham com sinergia as descobertas realizadas pelos estudos de Trevisan (2001), Araujo et al. (2012), Dunkel e Meierewert (2004), Brueck e Kainzbauer (2002) e Hiller (2009). Entre os PCAs mais comuns, considerando estes trabalhos, podemos citar os aspectos relacionados à importância da precisão de informações para que se tenha uma visão clara de regras e procedimentos, relacionamento interpessoal, utilização do tempo e estilo de comunicação direta. Esses PCAs retratam que as diferenças não se dão apenas no contexto brasileiro, mas também marcam a presença de uma certa diferenciação e desconforto com outros povos.
Diferente dos dos países asiáticos e europeus, os PCAs dos brasileiros apresentam uma certa similaridade com as características dos países latinos, ou no caso da Europa, talvez haja uma maior aproximação com a Espanha. Trompenaars (1998) ilustra bem essas diferenças quando explora a dinâmica do relacionamento difuso e específico adotado pelas diferentes culturas, assim como nos mostra as distâncias culturais trazidas pelos estudos de Hofstede (1983).