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Ladetilstand og børsteareal

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4 Feltforsøk i autonom modus

4.3 Klokkerbakken

4.3.2 Ladetilstand og børsteareal

Identificamos três personagens de maior relevância nas pesquisas de opinião pública do Datafolha analisadas: Dilma Rousseff, “povo brasileiro” e Operação Lava Jato. São esses os personagens que conduzem a trama e centralizam o conflito dramático da narrativa. Como personagens secundários temos Michel Temer e Congresso Nacional. Esses dois últimos não são postos dentro do conflito e por isso não nos dedicaremos a eles.

Em comparação com o número de personagens presentes no resumo-síntese, a narrativa do Datafolha reduz seu quadro de atores em grande proporção.

Tabela 12 – Resultados do quarto movimento

4º movimento: identificar os personagens

Personagens no resumo-síntese Personagens na narrativa do Datafolha

- Dilma Rousseff; - Michel Temer; - Eduardo Cunha; - Aécio Neves;

- Luiz Inácio Lula da Silva; - Eleitores pró-Dilma; - Eleitores de oposição; - Operação Lava Jato;

- Movimentos de oposição (MBL e Vem pra Rua)

- Partido dos Trabalhadores (PT)

- Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)

- Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)

- Democratas (DEM)

- Dilma Rousseff - Povo Brasileiro - Operação Lava Jato

Fonte: elaboração nossa

Uma observação importante é que, além de reduzir o número de personagens na narrativa, o Datafolha une os “eleitores pró-Dilma” e “eleitores de oposição” em uma única categoria: o Povo Brasileiro. Desse modo, descarta os diferentes públicos existentes na Esfera

Pública e considera como Opinião Pública aquela vencedora em número de votos, atitude equivocada, conforme já demonstrado, por Bourdieu (1981) e Charaudeau (2016).

A Tabela 13 apresenta as principais características que definem como é representado cada um dos personagens presentes na narrativa em análise.

Tabela 13 – Personagens da narrativa do Datafolha

4º movimento: identificar os personagens

Personagens primários Representação

Dilma Rousseff - Vilã

- Principal adversária do Povo Brasileiro - Corrupta

- Desonesta - Incapaz

Povo Brasileiro - Vítima

- Indignado com a corrupção - Contrário ao governo Dilma Operação Lava Jato - Heroína do Povo Brasileiro

- Delatora de Dilma Rousseff Fonte: elaboração nossa

Dilma Rousseff

Dilma é apresentada como uma presidenta em declínio. Na primeira pesquisa após sua reeleição, já é colocada em oposição ao “povo brasileiro”, pois é responsabilizada por ele pelos escândalos de corrupção na Petrobras. O texto que divulga a pesquisa, publicado em 8 de dezembro de 2014, aponta que,

A maioria dos brasileiros (68%) avalia que a presidente Dilma Rousseff tem alguma responsabilidade no caso de corrupção em negócios da Petrobras. Para 20%, ela não tem responsabilidade e 12% não souberam responder (DATAFOLHA, 2014b).

Apesar de apontada pelos entrevistados como a presidenta que mais investigou e puniu corruptos em seus mandatos, seu governo também é considerado o mais corrupto da história, conforme apresenta a pesquisa do dia 29 de fevereiro de 2016:

Considerando todos os governos desde o liderado por José Sarney, o de Dilma Rousseff é o mais apontado, dentre os apresentados para consulta estimulada, como aquele em que houve maior número de casos de corrupção (DATAFOLHA, 2016a).

A honestidade de Dilma também é duvidosa. Segundo a sondagem publicada no dia 9 de fevereiro de 2014, para a maioria dos brasileiros, a presidente Dilma Rousseff mentiu durante a campanha à reeleição. “Esse grupo inclui aqueles que acreditam que ela disse mais mentiras do que verdades durante a campanha (46%), os que avaliam que disse somente mentiras (14%)” (DATAFOLHA, 2015c).

Dados da mesma pesquisa apontam que a boa imagem da presidenta também estava em crise. Vimos que 50% dos entrevistados a consideravam indecisa, enquanto, em 2012, apenas 15% a consideravam dessa forma. Igualmente em queda, a capacidade intelectual de Dilma não era bem avaliada: em 2012, 84% dos entrevistados diziam que a presidenta era muito inteligente, já em 2014, 66% tinha essa mesma opinião.

A desmoralização de Dilma foi evoluindo conforme o andamento das investigações da Operação Lava Jato. Os escândalos de corrupção envolvendo seu partido contribuíram para que a presidenta atingisse, em seu pior momento de avaliação, índices de reprovação superiores aos de Collor antes de sua renúncia (DATAFOLHA, 2015q).

Além de ser uma governante com a popularidade mais baixa desde a redemocratização do país, Dilma também tinha números alarmantes de pessoas favoráveis ao seu impeachment antes mesmo da abertura do processo, que se deu em dezembro de 2015, quando já em abril daquele ano, 63% “dos brasileiros” apoiavam a abertura de um processo de afastamento da chefe do executivo.

Essas visões destacadas pelas pesquisas do Datafolha podem ser questionáveis, se levarmos em conta a existência de diversos públicos na Esfera Pública. Certamente, dentro desses grupos, encontraremos uma parcela que enxerga Dilma da forma representada pelo instituto, contudo, existem também aqueles que defendem outras opiniões.

Por isso mesmo, a tese sobre o golpe de Estado foi amplamente defendida por aqueles que se opunham ao movimento de impeachment de Dilma e alguns grupos entendiam a presidenta como injustiçada em todo o processo. Ela mesma, ao ser afastada da presidência, afirmou que sofria a dor da injustiça34.

34 MARTINS, Raphael. “Sofro a dor da injustiça, mas não esmoreço”, diz Dilma. Exame (online). 2016.

Disponível em: <http://exame.abril.com.br/brasil/sofro-a-dor-da-injustica-mas-nao-esmoreco-diz-dilma/>. Acesso em: 15 de janeiro de 2017.

Contudo, o enquadramento sobre a imagem de Dilma Rousseff, realizado pelo Datafolha, pode moldar a interpretação daqueles que procuravam se informar pelos dados das sondagens, ou pela grande mídia, que reverberava essas noções.

“Povo brasileiro”

Principal adversário da presidenta Dilma Rousseff, o povo brasileiro, representado pelos entrevistados das pesquisas de opinião pública do Datafolha, se mostra indignado com a corrupção que assola o país. É uma indignação crescente no decorrer das investigações da Operação Lava Jato. Na pesquisa de 8 de dezembro de 2014, a corrupção ocupava o quarto lugar do ranking de principal preocupação do país. Já em fevereiro de 2015, passou a ocupar a segunda posição, perdendo somente para a saúde. Ela permaneceu nesse posto até 30 de novembro, quando, segundo o Datafolha (2015k), a “corrupção lidera pela primeira vez pauta de problemas do país”.

As denúncias de corrupção levaram o “povo brasileiro” às ruas pela primeira vez no dia 15 de março e os manifestantes se mostravam descontentes com a presidenta. Segundo pesquisa do Datafolha (2015b), 96% dos presentes no protesto declaravam que o governo de Dilma era ruim ou péssimo. Eles consideravam que ela tinha responsabilidade sobre os esquemas de corrupção na Petrobras.

Cada vez mais o “povo brasileiro” desaprovava o governo Dilma, como podemos observar nos índices de reprovação da presidenta. Entretanto, mais que reprovar o governo, o “povo brasileiro”, considerando tudo o que revelou a Operação Lava Jato, passou a aprovar a abertura de processo de afastamento da chefe do Executivo de seu cargo. Esse desejo os levou novamente às ruas no dia 12 de abril de 2015, quando 77% dos presentes se declaravam a favor do impeachment.

Apesar da maioria do “povo brasileiro” ainda preferir a democracia a outras formas de regime político, a descrença no Estado fez com que ele não apoiasse mais a reeleição, principalmente para o cargo de presidente (DATAFOLHA, 2015l).

Após Dilma Rousseff ser afastada de seu cargo, por conta da abertura do processo de impeachment, o “povo brasileiro” passou a aprovar o governo do presidente interino, Michel Temer.

No resumo-síntese, foi possível ver que, além dos movimentos de oposição, manifestações pró-Dilma também aconteceram em todo o país. No entanto, apesar do enquadramento das pesquisas de opinião pública do Datafolha guiarem para uma

interpretação de que o “povo brasileiro” estava contra Dilma, sabe-se que a população estava dividida em diferentes opiniões sobre a questão.

Da mesma forma, o Datafolha atribui pesos equivalentes para opiniões de distintos grupos, o que é um erro, conforme vimos em Bourdieu (1981). Não levando em conta as diferenças de classe, sexo, políticas ideológicas e sociais entre os entrevistados, e distribuindo opiniões “aparentemente iguais” como correspondentes, o instituto cria a sensação de homogeneidade, quando ela não existe.

Operação Lava Jato

A Operação Lava Jato é uma investigação da Polícia Federal, a fim de averiguar o chamado “Petrolão” que, segundo editorial da Folha de S. Paulo35, já tinha feito o “mensalão

virar fichinha”. A investigação levou à prisão empresários e políticos acusados de pagar e receber propinas.

As denúncias da Operação desmoralizaram, principalmente, o Partido dos Trabalhadores e a presidenta Dilma Rousseff, que foi responsabilizada pelo “povo brasileiro” pelos escândalos revelados durante as investigações. Graças às descobertas da investigação, a maioria dos “brasileiros” passou a apoiar o processo de impeachment, vontade que foi manifestada nos protestos de rua ocorridos no país nos dias 15 de março e 12 de abril de 2015.

As pesquisas de opinião pública do Datafolha, apesar de citarem a Operação em diversos momentos, não entram em detalhes sobre as investigações. Portanto, o instituto considera a Operação Lava Jato como compreendida pelos leitores, e faz isso apesar de sua própria pesquisa, divulgada em 8 de dezembro de 2014, revelar que:

A maioria dos brasileiros (84%) tomou conhecimento das prisões, no início deste mês, de executivos de empreiteiras acusados de corrupção em negócios com a Petrobras, sendo que 28% estão bem informados sobre o assunto, 42% estão mais ou menos informados, e 14% estão mal informados (DATAFOLHA, 2014b).

Os próprios entrevistados deixaram claro que a compreensão sobre as investigações pudesse ser limitada, já que, dos que tomaram conhecimento sobre a Operação, um número muito inferior à metade se considerava bem informado sobre o assunto.

Mesmo assim o Datafolha ressalta as associações que os entrevistados fazem entre Dilma e os escândalos de corrupção na Petrobras. Somente o leitor atento entenderia que essa associação pode ser contestável.

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