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Hovedkonklusjon

In document Autonom feiemaskin - Kongsberg (sider 58-62)

A definição de adaptação é necessária para o desenvolvimento desta pesquisa. Trabalhamos com um produto de entretenimento que, após certo sucesso em um suporte inicial, surge em outros meios, que têm linguagens próprias e públicos específicos. Em uma observação superficial, é possível acreditar que a trama original tenha sido adaptada para os novos suportes a fim de que possa ser consumida seguindo a linguagem do novo meio em que foi inserida.

Porém, a cultura da convergência (ver capítulo seguinte) levanta a possibilidade de as histórias estarem sendo ampliadas ao serem criadas em novos meios. Portanto, é preciso que as características de uma adaptação de obra literária sejam elencadas, assim como as da narrativa transmídia (que também são tratadas no próximo capítulo), para que a análise de As

crônica de gelo e fogo e dos produtos originados possibilite perceber em que medida há

adaptação e/ou ampliação da narrativa.

As crônicas de gelo e fogo foram levadas, a partir de 2011, para a televisão, em

formato de série, pela rede de TV a cabo HBO. Cada temporada tem dez episódios de, aproximadamente, 50 minutos de duração e pretende ser a adaptação de cada um dos volumes da saga. Para analisar a estrutura da narrativa e investigar como a propagação da trama por outros suportes pode ser considerada narrativa transmídia, é preciso observar o conceito de adaptação.

O escritor George R. R. Martin, no prefácio do livro Por dentro da série da HBO

Game of Thrones, afirma que cada meio tem uma forma diferente de contar a mesma história.

“Um filme, um programa de TV, um livro, uma revista em quadrinhos; cada um tem suas forças e fraquezas, coisas que funcionam bem, outras nem tanto, coisas que dificilmente são factíveis. Passar das páginas para a tela nunca é fácil” (MARTIN, 2013, p. 4).

Um romancista conta com técnicas e recursos que não estão disponíveis para os roteiristas: diálogos internos, narradores inconstantes, pontos de vista de primeira e terceira pessoa, flashbacks [sic], narrativas expositivas e vários outros. Como romancista, empenho-me em colocar os leitores dentro das mentes dos personagens, deixá-los a par de seus pensamentos, permitir-lhes que vejam o mundo pelos olhos deles. A câmera, no entanto, fica do lado de fora do personagem, e o ponto de vista, então, é necessariamente externo em vez de interno (MARTIN, 2013, p. 4, grifo do autor).

Assim, pode-se acreditar que as ferramentas narrativas de um autor de textos literários são superiores às de um criador de narrativas para cinema ou televisão, já que este último não pode contar com a possibilidade de o espectador entrar na mente dos personagens por completo, embora haja recursos técnicos que aproximam essa necessidade das narrativas audiovisuais, como a câmera subjetiva31.

A adaptação de textos literários faz parte da história do cinema desde seus primórdios, como destacam Aumont e Marie (2003) e Andre Bazin (1991). “L’arroseur

arrosê (Lumière, 1895) adapta uma série cômica publicada anteriormente na imprensa

escrita”, apontam Aumont e Marie (2003, p. 11). Há informações de que o primeiro livro adaptado para o cinema foi Trilby, de Gerald du Mariner, escrito em 1894. Ele deu origem ao filme Trilby e o pequeno Billee, em 1895, com poucos segundos de duração32. Aumont e Marie (2003) reforçam que, ao contrário dos primeiros anos do cinema, a adaptação de obras literárias para películas passou a não ser bem vista por volta da década de 1920. Essa tendência mudou após a Segunda Guerra Mundial. André Bazin (1991) fala sobre cineastas procurando histórias junto aos romancistas para, em seguida, levá-las ao cinema; por outro lado, há também romances escritos com o objetivo de serem transpostos, posteriormente, para a linguagem cinematográfica.

Aumont e Marie (2003) discutem o conceito de adaptação cinematográfica, trazendo a questão da fidelidade da obra originada à original como um ponto relevante à discussão, sendo, por vezes, avaliador da qualidade do produto posterior.

Adaptação é, em certo sentido, uma noção vaga, pouco teórica, cujo principal objetivo é o de avaliar ou, no melhor dos casos, de descrever e de analisar o processo de transposição de um romance para roteiro e depois para filme: transposição das personagens, dos lugares, das estruturas temporais, da época onde se situa, da seqüência de acontecimentos contados etc. Tal descrição, no mais das vezes avaliadora, permite apreciar o grau de fidelidade da adaptação, ou seja, recensear do número de elementos da obra inicial, conservados no filme (AUMONT; MARIE, 2003, p. 11-12).

31 A câmera subjetiva é um recurso narrativo audiovisual utilizado para que os espectadores acompanhem o

ponto de vista de um dos personagens da história, chegando, em alguns casos, a assumir, até mesmo os movimentos do personagem.

32 CORDEIRO, Tiago. Qual foi o primeiro livro a ser adaptado para o cinema? Mundo Estranho, 15 ago. 2016.

Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/cinema/qual-foi-o-primeiro-livro-a-ser-adaptado-para-o- cinema/>. Acesso em: 28 jan. 2017.

Para Syd Field (2001, p. 174), a adaptação “significa transpor de um meio para outro”, de forma que o produto original corresponda a um segundo por meio de ajustes ou mudanças. “Adaptar um livro para um roteiro significa mudar um (o livro) para outro (o roteiro), e não superpor um ao outro. Não um romance filmado ou uma peça de teatro filmada. São duas formas diferentes” (Ibidem, p. 174).

André Bazin defende a adaptação em artigo publicado em 1950. Para ele, as adaptações literárias traziam ganhos para o cinema, por oferecerem “personagens mais complexos e, nas relações entre a forma e o fundo, um rigor e uma sutileza às quais a tela não está acostumada” (BAZIN, 1991, p. 93). O autor acredita que as adaptações mais próximas, mais fiéis às obras originais, dão novo fôlego ao cinema, propiciando o crescimento da sétima arte.

Considerar a adaptação de romances como um exercício preguiçoso com o qual o verdadeiro cinema, o “cinema puro”, não teria nada a ganhar, é, portanto, uma contra-senso crítico desmentido por todas as adaptações de valor. São aquelas que menos se preocupam com a fidelidade em nome de pretensas exigências da tela que traem a um só tempo a literatura e o cinema (BAZIN, 1991, p. 96).

Para Field (2001, p. 175), por outro lado, não é obrigatório ser fiel a uma obra para adaptá-la a um roteiro cinematográfico. Ele afirma que o material original é apenas uma fonte e que não deve ser copiado. Assim, a adaptação pode levar ao acréscimo de “personagens, cenas, incidentes e eventos” (p. 176) e, também à supressão. Segundo ele, um bom roteiro não deve ser fiel ao original, já que cada produto tem suas particularidades.

De acordo com Robert Stam (2008), a mudança do meio de comunicação já indica que nenhuma adaptação será completamente fiel à obra-base:

A passagem de um meio unicamente verbal como o romance para um meio multifacetado como o filme, que pode jogar não somente com palavras (escritas e faladas), mas ainda com música, efeitos sonoros e imagens fotográficas animadas, explica a pouca probabilidade de uma fidelidade literal, que eu sugeriria qualificar até mesmo como indesejável (STAM, 2008, p. 20).

O autor lembra (STAM, 2008, p. 21) que um texto literário, assim como pode gerar uma série de leituras, é capaz de originar diferentes adaptações. É possível concluir que cada adaptação é única e, por isso, não deve ser exigida a fidelidade ao material original.

George R. R. Martin concorda com a impossibilidade da adaptação completa, seja para a televisão ou para o cinema. “Produza uma adaptação cena por cena, linha por linha, e você acabará com algo longo demais, tanto para a TV como para o cinema” (MARTIN, 2013, p. 4). Uma descrição de um salão de castelo com cem lareiras, como é o caso do castelo de Harrenhal, de As crônicas de gelo e fogo, funciona na narrativa em texto. Ao levar esse cenário para a televisão ou o cinema, é necessário adaptar as lareiras ao espaço disponível em um estúdio ou set de filmagem, ou usar recursos de computação para criar algo próximo à descrição textual.

Um dos produtores da série Game of Thrones, D. B. Weiss, enfatiza, em entrevista a Cogman (2013), que George R. R. Martin não criou apenas uma história com As crônicas de

gelo e fogo, mas um mundo complexo. Para ele, o objetivo da adaptação da trama para o

seriado “[...] sempre será preservar o espírito da série [de livros]: criar episódios que façam os telespectadores se sentirem do mesmo jeito que os livros nos fazem sentir quando os lemos pela primeira vez... e relemos e lemos novamente” (COGMAN, 2013, p. 7).

Stam também chama a atenção para a questão do gênero no cinema e na adaptação. “A arte da adaptação fílmica consiste, em parte, na escolha de quais convenções de gênero são transponíveis para o novo meio, e quais precisam ser descartadas, suplementadas, transcodificadas ou substituídas” (STAM, 2008, p. 23, grifos do autor).

Para esta pesquisa, consideramos que a adaptação acontece quando a estrutura narrativa da obra original é mantida naquela derivada. Assim, personagens, ações e situações do texto-base, quando mantidos em outro suporte, indicam que a obra foi adaptada para uma nova mídia. Personagens e situações podem ser suprimidos, estendidos, comprimidos ou mesclados em adaptações. Mas se algo muito diferente do apresentado originalmente acontece em obras geradas, há indício de que tenha sofrido mais do que a simples adaptação.

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