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Hendelser

In document Autonom feiemaskin - Kongsberg (sider 39-42)

4 Feltforsøk i autonom modus

4.2 Storgata (Gågata)

4.2.4 Hendelser

aquele momento, poderia não ter sido questionado por ele (CHARAUDEAU, 2016).

Bourdieu (1981, p.3) explica que “não existem problemas que se apresentem de igual modo para todos; não existem perguntas que não sejam reinterpretadas em função dos interesses ou dos não-interesses das pessoas para as quais são colocadas”. Em outras palavras, além de ser confrontado por um problema antes inexistente, por uma questão de reinterpretação, o entrevistado pode responder a um questionamento que, na verdade, não foi o proposto. Nesse caso, a resposta apenas registra um mal entendido.

Assim sendo, as sondagens de opinião apresentam problemas hipotéticos aos indivíduos, e oferecem respostas prontas para eles, não abrindo espaço para justificativas. Mais do que isso, impõem questões de alguns grupos a outros, e as “pessoas são interpeladas a respondê-las como se de fato fossem questões suas” (BOURDIEU, 2012, s/p).

Os três postulados questionados dizem respeito ao fato de as pesquisa considerarem todas as opiniões como válidas, ignorando as falhas na instrução dos indivíduos de nossa sociedade; O modo como elas tratam como equivalentes as opiniões, excluindo os diferentes posicionamentos dos grupos em confronto na Esfera Pública; E a imposição de problemas de alguns grupos a outros, como se todas as questões atingissem a todos da mesma forma. Todos esses equívocos resultam em uma Opinião Pública fictícia, formulada a partir da soma de pontos de vista, rejeitando os aspectos mais complexos do processo de formação da real Opinião Pública.

3.3 A pesquisa de opinião pública como discurso de manipulação

Nas palavras de Charaudeau (2016, p.68):

A manipulação procederia de uma visada discursiva de incitação a agir: quando se está numa situação em que há a necessidade do outro para realizar um projeto, e não se tem autoridade sobre este outro para obrigá-lo a agir de um determinado modo, empregam-se estratégias de persuasão ou sedução que consistem em fazer com que o outro (indivíduo ou público) compartilhe de uma certa crença. Assim sendo, todo discurso que corresponda a uma visada de incitação seria manipulador.

Alguns estudiosos acreditam que a manipulação pode ser positiva. Aristóteles pensava que a manipulação fosse uma técnica para dizer o bem, o justo e o verdadeiro. Charaudeau

(2016) afirma que, para muitos autores, o fato de que todo discurso de persuasão seria manipulador acaba por anular o lado negativo. Ora, todos são manipuladores, mas poderiam instruir tanto para o melhor quanto para o pior.

Van Dijk (2008) entende a manipulação como uma forma de controle exercida por uma pessoa sobre outras. Ela ocorre contra a vontade e o interesse dos manipulados, e, portanto, é um ato negativo, já que transgride as normas sociais. Oliveira (2010) diz que a manipulação envolve abuso de poder, sendo uma dominação na qual a influência exercida pelo manipulador não é legítima. O locutor, no caso, age em prol de seus interesses próprios e contra os interesses dos manipulados.

Para entendermos as pesquisas de opinião pública como um discurso de manipulação é preciso ter em mente que elas são demandas de tipo particular. Em outras palavras, alguém ou alguma instituição com interesses privados está pagando pela sondagem.

Baquero (199528, apud BARTH, 2007), analisando as pesquisas eleitorais, afirma que elas podem ter efeitos deletérios ou manipulativos sobre os eleitores e, para compreender esses reflexos, devemos nos perguntar quem apresenta os resultados e com quais interesses. Da mesma forma, Barreto (199729, apud BARTH, 2007, p.38) enxerga os poderes de manipulação das sondagens. Segundo o autor, “os mídia revestem as pesquisas eleitorais com um aparente invólucro de coisa certa e definitiva, fazendo o eleitor pensar que seu resultado é fator inalterável”.

A repetição de uma sequência de pesquisas que apontem uma mesma tendência acaba por influenciar os indivíduos que Barreto (1997, apud BARTH, 2007) chama de “maria-vai- com-as-outras”. Ou seja, é a aplicação da teoria da Espiral do Silêncio, em que pessoas que acreditam estar em posição de minoria acabarão se calando ou se adequando ao dito posicionamento da maioria.

Como diz o conceito de manipulação apresentado por Charaudeau (2016), as sondagens de opinião podem construir crenças e levar à ação. No caso das pesquisas eleitorais, influenciam indivíduos a votarem em alguém. Já nas pesquisas em geral, ajudam a formatar a Opinião Pública.

Definir as sondagens como discurso de manipulação significa dar foco à linguagem e às estratégias que visam criar um enquadramento de interpretação. Esses artifícios estão definidos tanto nos questionários quanto nos textos de divulgação dos resultados. Por regra

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BAQUERO, M. Opinião pública e pesquisas eleitorais. In: BAQUERO, M. (Org.). Brasil – transição, eleições e opinião pública. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1995. p. 79-92.

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BARRETTO, L. As pesquisas de opinião pública no processo eleitoral brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 1997.

geral, os enunciados narrativos se constroem através de estratégias comunicativas e recorrem a operações linguísticas para realizar determinadas intenções e objetivos. Logo, nenhum discurso é ingênuo, nem mesmo uma pergunta (MOTTA, 2013).

Em um primeiro momento, entendemos que a maneira como uma pergunta é elaborada pode induzir a algumas respostas possíveis. Isso porque o interrogador quer saber alguma coisa com um determinado objetivo. Em outras palavras, fazer uma pergunta a alguém significa impor-lhe uma moldura de pensamento, e o entrevistado se sente obrigado a responder dentro dessa moldura (CHARAUDEAU, 2016).

As perguntas das sondagens de opinião têm uma característica em particular: elas não são um pedido de informação, e sim, visam estabelecer um certo estado das opiniões que se supõem comuns a um determinado grupo de pessoas. Elas são legitimadas pela justificativa de que existem em nome da democracia, para que se teste a Opinião Pública, ideia divergente do conceito do termo, que não se resume à soma de opiniões individuais (CHARAUDEAU, 2016).

Bourdieu (1981) questionou, em seu terceiro postulado, a imposição dos problemas através das perguntas realizadas pelos institutos de sondagem de opinião, mas, nesse momento, não nos limitamos às reinterpretações feitas pelos grupos não atingidos pelos assuntos em pauta. Mesmo os indivíduos envolvidos na questão podem conduzir suas respostas de acordo com o enquadramento oferecido pela pergunta. Portanto, aqui não falamos da observação espontânea do entrevistado, mas da interpretação conduzida pela própria empresa que realiza a pesquisa.

Igualmente estratégica é a forma de reprodução dessas pesquisas na mídia. Bourdieu (1981, p.2) afirma que a “opinião pública” manifestada nas páginas de jornais sob a forma de porcentagens é um artefato puro e simples, “cuja função é dissimular que o estado da opinião num certo momento é um sistema de forças, tensões”.

Sabe-se que as relações de força nunca se reduzem a relações de força: todo exercício da força é acompanhado por um discurso que visa legitimar a força de quem a exerce; pode-se mesmo dizer que é próprio de toda relação de forças dissimular-se como relação de força e de só ter toda sua força na medida que ela se dissimula como tal. Em suma, para falar simplesmente, o homem político é aquele que diz: "Deus está conosco". O equivalente de "Deus está conosco" é, hoje em dia, "a opinião pública está conosco". O efeito fundamental da pesquisa de opinião é o seguinte: a ideia de que existe uma opinião pública unânime é constituída para legitimar uma política e reforçar as relações de força que a fundam ou a tornam possível (BOURDIEU, 1981, p.2).

Entendemos, então, que as pesquisas de opinião pública são discursos de manipulação, a partir do momento que se camuflam de Opinião Pública para divulgar os posicionamentos daqueles que as encomendam, sendo eles, em grande parte, meios de comunicação. Nesse sentido, as sondagens contribuem para disseminar o ponto de vista dito dominante e contribuir para a fomentação de uma Opinião Pública que vá de acordo com os interesses midiáticos e daqueles grupos que compartilham os mesmos posicionamentos.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Compreender os enquadramentos propostos pelas pesquisas de opinião pública, ajuda a revelar de que forma elas foram articuladas como discursos de manipulação. A maneira que é construída a narrativa dessas sondagens dirigem o leitor a uma interpretação daquilo que é dito Opinião Pública pela mídia.

Para avançar com a descoberta sobre o enquadramento nesse tipo de objeto, buscaremos auxílio na Análise do Discurso (AD). Para Gregolin (2007, p.13), “a articulação entre os estudos da mídia e os de análise do discurso enriquece dois campos que são absolutamente complementares, pois ambos têm como objeto as produções sociais de sentidos”.

São muitos os autores que sugerem técnicas dentro da AD, mas para este trabalho utilizaremos a narratologia descrita por Motta (2013), e a noção de fórmulas, apresentada por Krieg-Planque (2010). A composição entre Enquadramento, Narratologia e Fórmulas formam a triangulação metodológica30 planejada para a análise.

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