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8.2 What might facilitate or prevent involvement from the parents in the two different

8.2.2 Lack of education

Segundo Spencer-Oatey (2000), existem três características importantes que incidem sobre o gerenciamento das relações sociais:

1) o uso que as pessoas fazem da linguagem pode influenciar as relações interpessoais;

2) as pessoas tentam controlar suas relações com as outras pessoas;

3) culturas diferentes podem ter convenções diferentes para o que é um comportamento apropriado e em qual contexto.

Segundo essa autora (op.cit.), as pessoas frequentemente pensam em comunicação como ‘transmissão de informação’. Comunicação, porém, também envolve ‘gerenciamento de relações sociais’. A autora define esse gerenciamento das relações interpessoais como o uso da linguagem para promover, manter ou ameaçar relações sociais harmoniosas e sugere o termo “rapport management” (gerenciamento de rapport) para se referir a esta área.

Brown e Yule (1983) identificam duas funções principais da linguagem: a função transacional (ou transferência de informação) e a função interacional (ou manutenção de relações sociais). Previsões do tempo e conferências acadêmicas são exemplos típicos de linguagem transacional, enquanto agradecimentos e small talk são exemplos de linguagem interacional.

Spencer-Oatey (op.cit.) acredita que face é um fenômeno universal – todas as pessoas possuem as mesmas preocupações fundamentais com a face – e que polidez é, na verdade, um julgamento contextual: ‘nenhuma sentença é inerentemente polida ou impolida’. O escopo da teoria da polidez tradicional é a manutenção e/ou promoção de relações interpessoais harmoniosas.

Ela, por outro lado, emprega o termo ‘gerenciamento de rapport’ ao invés de ‘gerenciamento de face’ porque, segundo ela, o termo ‘face’ parece focar preocupações com o self, enquanto gerenciamento de rapport sugere mais um equilíbrio entre o self e o outro. A preocupação com o gerenciamento de rapport também é mais extensa: ele examina o modo pelo qual a linguagem é usada para construir, manter e/ou ameaçar as

relações sociais e inclui o gerenciamento dos direitos sociais assim como de face. Pode- se deduzir, portanto, que rapport pode envolver tanto relações de harmonia quanto de conflito.

Spencer-Oatey (op.cit) propõe que gerenciamento de rapport (o gerenciamento da harmonia – desarmonia entre as pessoas) envolve dois componentes principais: o gerenciamento de face e o gerenciamento dos direitos sociais. O primeiro, como o próprio nome indica, envolve o gerenciamento das necessidades da face segundo a definição de Goffman (1972, p.5) já citada anteriormente.

O gerenciamento dos direitos sociais, por outro lado, envolve o gerenciamento de expectativas sociais, que Spencer-Oatey define como “denominações fundamentais /

básicas / essenciais, pessoais e sociais, que os indivíduos efetivamente reivindicam para si próprios em suas interações com os outros” (2000, p.14).

Essa autora (op.cit.) sugere que face possui dois aspectos inter-relacionados: atributos / habilidades e papéis / identidades sociais.

(i) Face da competência: nós possuímos o desejo básico de que as pessoas nos avaliem positivamente em termos de nossas qualidades pessoais, isto é, nossas habilidades, competência, aparência, etc. Face da competência se relaciona com os valores que nós efetivamente reivindicamos para nós mesmos, em termos de qualidades pessoais, e, por isso, está intimamente relacionada com nosso senso de auto-estima pessoal. (cf. face da competência de Lim & Bowers)

(ii) Face da identidade: nós possuímos o desejo básico de que as pessoas conheçam e apoiem nossas identidades ou papéis sociais, isto é, como líderes de grupo, amigos íntimos, etc. Face da identidade se relaciona com os valores que nós efetivamente reivindicamos para nós mesmos em termos de papéis sociais ou de grupo, e está intimamente relacionada com nosso senso de valor na esfera pública.

Similarmente, Spencer-Oatey (op.cit.) também sugere que direitos sociais possuem dois aspectos inter-relacionados:

(iii) Direitos à justiça / imparcialidade: nós possuímos a crença básica em que temos o direito de reivindicar considerações pessoais dos outros, de maneira que sejamos tratados de maneira justa e honesta: que não sejamos indevidamente iludidos / ludibriados; que não sejamos instruídos de maneira injusta ou desonesta; e que não sejamos explorados ou que tirem proveito de nós. Parece haver dois componentes para essas reivindicações por justiça: a noção de custo-benefício (o grau em que somos explorados ou sofremos desvantagens, e a crença de que custos e benefícios deveriam ser mantidos rigidamente equilibrados através do princípio da reciprocidade), e a

questão relativa à autonomia-imposição (o grau em que as pessoas nos controlam ou nos impõem e/ou ordenam algo).

(iv) Direitos à associação: nós possuímos a crença básica de que temos o direito de reivindicar uma associação com os outros que é restringida / sustentada pelo tipo de relação que temos com elas. Esses direitos de associação concernem em parte à associação-dissociação interacional (o tipo e o grau de nosso envolvimento com os outros). Eles também concernem à associação-dissociação afetiva (o grau pelo qual compartilhamos ansiedades, sentimentos e interesses).

Gerenciamento de face

(valores pessoais / sociais) Gerenciamento de direitos sociais (reivindicações pessoais / sociais)

Perspectiva pessoal /

Independente Face da competência / (cf. face positiva de Brown e Levinson)

Direitos de justiça / imparcialidade (cf. face negativa de Brown e Levinson) Perspectiva social /

interdependente Face da identidade Direitos de associação Quadro 1: Componentes do gerenciamento de rapport: (fonte: SPENCER-OATEY, 2000, p.15).

Segundo essa autora (op.cit.), existem dois conjuntos de fatores que influenciam o uso de estratégias, que são: (i) orientações de rapport; e (ii) variáveis contextuais.

O primeiro deles diz respeito à orientação de rapport (sistematizada abaixo) e o segundo conjunto de fatores que tem uma influência crucial na escolha do gerenciamento das estratégias são as variáveis contextuais. Nesse segundo conjunto de fatores, essa autora lista quatro variáveis: as relações dos participantes; o conteúdo das mensagens; direitos e obrigações; e atividade comunicativa.

Ela sugere quatro tipos de orientações de rapport:

(1) orientação no sentido de AUMENTO / MAXIMIZAÇÃO de rapport: desejo de aumentar ou fortalecer relações harmoniosas entre os interlocutores. Motivos: iniciar uma relação romântica; ganhar um lucrativo contrato de negócios; etc.

(2) orientação no sentido de MANUTENÇÃO de rapport: desejo de manter ou proteger a qualidade das relações em curso e o nível de rapport entre os interlocutores. Nesta orientação, existem dois tipos de diretrizes, dependendo da situação, para lograr o efeito desejado:

(i) escolher apropriadamente termos de tratamento, de saudação, honoríficos3,

etc.;

(ii) lidar apropriadamente com atos de ameaça à face. Alguns excertos desse tipo de ato: ordens, críticas, reclamações, desacordos e ameaças.

(3) orientação no sentido de NEGLIGÊNCIA de rapport: falta interesse na qualidade das relações. Motivos: situações em que o foco maior está na informação / conteúdo ou nas tarefas e menos na qualidade das relações; estar mais preocupado em manter sua própria face do que na manutenção do rapport da relação; não se importar com a relação por algum motivo qualquer; etc.

(4) orientação no sentido de QUESTIONAMENTO de rapport: desejo de questionar ou impedir relações harmoniosas entre os interlocutores; desejo por mudança negativa, prejudicando o rapport entre os interlocutores. Motivos: marcar independência, devolver ofensa, etc. Causar deliberadamente a perda de face das pessoas é uma maneira de consegui-lo.

Segundo a autora, essas orientações não podem ser diretamente observadas, devendo, portanto, ser inferidas. Apesar da dificuldade, devem ser incluídas em qualquer pesquisa sobre rapport (p.31) uma vez que, através delas, podemos investigar qual é o ethos4 que subjaz a uma dada atividade de fala, isto é, em função da orientação de rapport preponderante.

O segundo conjunto de fatores citado pela autora é composto por quatro variáveis: as relações entre os participantes; o conteúdo das mensagens; direitos e obrigações; e atividade comunicativa.

A primeira variável (participantes e suas relações) está subdividida em: poder, distância, inter-relação entre poder e distância e número de participantes. Não nos deteremos na análise que essa autora faz dos três primeiros itens, por não considerarmos relevante para nossa pesquisa. Uma vez que nosso corpus é composto por participantes que possuem relações de amizade, definidas por Scollon e Scollon como de [-Distância] e [-Poder], utilizaremos os parâmetros do Sistema de Solidariedade desses autores, já exposto anteriormente (item 2.2.3).

3 Cf. RONCARATI, C. Dêixis social – a designação socialmente referenciada: “Você sabe com quem está falando?” In: Votre, S. ; Roncarati, C. Anthony Julius Naro e a lingüística no Brasil – uma homenagem acadêmica. Rio de Janeiro: 7Letras/FAPERJ, 2008, p. 115-147.

4 Ethos: noção da retórica de Aristóteles = imagem que um orador transmitia implicitamente de si mesmo, através de sua maneira de falar, entonação, gestos, porte geral. Segundo Maingueneau, todo discurso oral supõe um ethos, uma representação do corpo de seu responsável, que se responsabiliza por ele. É um conjunto de traços psicológicos (jovial, sincero, simpático, ...) e uma corporalidade (um conjunto de traços físicos e indumentários). Cf. MAINGUENEAU, Dominique. Termos-chave da análise do discurso. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000, p. 59-60.

Com relação ao item “número de participantes”, Spencer-Oatey afirma que o que as pessoas dizem e como elas dizem é freqüentemente influenciado pelo número de pessoas presentes, e se todas elas estão escutando o que está sendo dito.

Essa autora afirma que a variável conteúdo das mensagens possui uma influência fundamental na escolha das estratégias de manejo de rapport, uma vez que as mensagens podem variar em seus prováveis graus de ameaça à face, e podem possuir “custos” associados a elas. Esses custos não são necessariamente financeiros; eles podem ser custos de tempo, de esforço, de imposição, de inconveniência, de risco, etc.

A terceira variável é composta pelos papéis sociais / interacionais que podem influenciar o uso das estratégias de manejo de rapport, no sentido em que eles afetam a avaliação das pessoas sobre direitos e obrigações. As pessoas cumprem diferentes papéis sociais e interacionais, tais como: professor / aluno; patrão / empregado; amigo / amigo; vendedor / cliente; etc., e em cada um desses papéis é necessário cumprir com uma gama de direitos e obrigações.

A quarta e última variável que, de acordo com Spencer-Oatey, pode influenciar o

uso das estratégias de manejo de rapport é o tipo de atividade comunicativa que está acontecendo: por exemplo, uma conferência, uma entrevista de emprego, um julgamento, etc. Atividades comunicativas geralmente são organizadas com base em gêneros comunicativos, que podem exibir padrões característicos em cada um dos cinco domínios de manejo de rapport e suas regras e ideais especificados culturalmente influenciam como os participantes compõem e interpretam a fala.

2.3.2 Conceitos de rapport, de small talk (comunicação fática) e de language play