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Col·laboració amb la Black Panther Party

8. La fotografia de Stephen Shames

8.1. Col·laboració amb la Black Panther Party

Uma das características presente nas comunidades que sobrevivem da pesca artesanal é o baixo poder aquisitivo das famílias. Geralmente são famílias que dependem primariamente da pesca e tem nesta atividade a base de sustentação alimentar. Em virtude disso, os membros da família são inseridos nas atividades econômicas de forma a contribuir diretamente na sobrevivência do grupo.

De acordo com estudos anteriores, foi nesse contexto que a presença da mulher na pesca ganhou relevância, porém a participação direta, como presença ativa e atuante, só começou a ter evidência e visibilidade a partir dos anos 90, por vários fatores:

Resultante de dificuldades econômicas do companheiro ou marido, de uma política econômica do país em registrar o profissional da pesca como reflexo de um processo complexo que atravessa as mais diversas áreas de vida social, da globalização dos sistemas produtivos e financeiros. (GÓES, 2008 p. 67)

Sendo assim, é perceptível em muitas comunidades que o trabalho feminino está ligado diretamente ao suporte econômico da família, enquanto instrumento de complementação da renda e da subsistência dos membros. Lima (2003) argumenta que a realização das atividades pesqueiras, bem como a de outras atividades

extradomésticas é desenvolvida pelas mulheres observando as necessidades do grupo familiar.

Essa realidade é perceptível na comunidade de Segredinho, onde a maioria da população realiza a pesca de subsistência, ou seja, retira do lago o necessário para a manutenção familiar. Quando a pesca é considerada boa pelos moradores, uma parte da produção é vendida para suprir a necessidade de outros alimentos como farinha, arroz, tomate, cebola e etc. Quando isso não acontece, utilizam-se de outros mecanismos para conseguir outros produtos necessários na alimentação. O trabalho na agricultura lhes garante ter a farinha e o feijão para os momentos em que a pesca é insuficiente para o consumo familiar. Essas necessidades impõem uma junção de tarefas realizadas por homens e mulheres. Relatam as pescadoras:

Aqui os dois têm que trabalhar – marido e mulher - se não as coisas ficam ruim (Pescadora D).

Quando volta do lago sem nada, aí tem que se virar de outro jeito (Pescadora A).

As necessidades financeiras são visíveis na comunidade. Segundo as pescadoras, as famílias que ainda vivem só da pesca passam por privações no períodos da entressafra que correspondem aos meses de janeiro a junho, época de muita chuva em que o lago fica cheio e a dificuldade para pescar aumenta.

Diante das dificuldades apresentadas nas comunidades pesqueiras, a mulher vive todos os dias muito mais que os homens, as dificuldades concretas da vida em terra (MANESCHY, 1997). Esse fato, segundo as pescadoras, as motiva a realizarem diversos trabalhos para contribuir com o sustento familiar, tendo na pesca o principal, pois tem no lago um meio mais rápido e direto de conseguir suprir as necessidades mais imediatas.

Em muitas comunidades ribeirinhas a mulher representa o esteio de grupos familiares. Enquanto força produtiva do setor pesqueiro, a mulher se utiliza de diversas estratégias para obter a renda necessária para o sustento da família, realizando um sobre-esforço de trabalho considerável (ALENCAR, 1991).

Percebe-se a veracidade dessa assertiva no cotidiano de comunidade de Segredinho. As mulheres atribuem para si também a responsabilidade diante da família e a necessidade de prover para casa os recursos necessários para manutenção dos filhos.

Tudo que eu puder fazer para ajudar em casa eu faço não posso ver as dificuldades e ficar parada (Pescadora M).

Essa concepção apresentada eleva as mulheres à condição de reinventar cotidianamente suas práticas de cuidar da vida, em situações na maior parte das vezes extremamente difíceis. Conseguem dá a atividade da pesca um elemento primordial que ultrapassa o sentido mantenedor da atividade, é o de inserir-se a ela de forma integral, como parte sua vida, de sua história. Isso se justifica segundo Maneschy (1995), por a mulher possuir uma relação orgânica com a pesca. Salientado no discurso da pescadora:

Gosto muito de pescar, quando passos dias sem vim para o lago fico inquieta, a pesca me viciou, se me proibissem de pescar eu não saberia o que fazer, talvez não obedecesse.( Pescadora J)

Em todos os discursos ouvidos, percebeu-se que além da realização da pesca enquanto elemento de sobrevivência as pescadoras demonstram ter pela atividade um sentimento especial. Talvez adquirido no decorrer da vida e na troca constante de experiências com as mais velhas na profissão, fazendo acreditar, por vezes, que a pesca em segredinho faz parte do universo cultural da comunidade, porque mesmo as pescadoras mais idosas, que recebem benefícios sociais como a aposentadoria, continuam pescando e incentivando as demais à prática, como se quisessem manter a tradição de pescar herdada de seus antepassados, como conta a pescadora:

Eu vou porque gosto de ta no lago, em contato com a natureza e pra trazer um peixe fresquinho pra comer, não preciso mais como antes, agora tenho minha aposentadoria. Mas só vou pará quando não tiver mais forças”. E minhas filhas sentem a mesma coisa, parece que herdaram de mim essa vontade (Pescadora G).

Esse discurso demonstra o valor sociocultural atribuído à pesca.

Além das pescadoras estarem ligadas a atividade por questões econômicas e relações culturais, elas utilizam a atividade para construir e reconstruir sua identidade e a da comunidade.

Entretanto, diante da atribuição de valor destinada à pesca na comunidade de Segredinho, pela importância desta para manutenção dos moradores, são estabelecidas algumas relações que estão presentes na concepção das pescadoras sobre meio ambiente e preservação. Sobre estas, questões serão discorridas algumas considerações.

4.5 CONCEPÇÕES E ATITUDES AMBIENTAIS DE MULHERES NA VIVÊNCIA DA