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3. GEOLOGY OF THE STUDY AREA

3.2 L ITHOSTRATIGRAPHY OF THE S TUDY AREA

CAJE: Centro de Atendimento Juvenil Especializado PAPUDA: Complexo Penitenciário de Brasília

PESQ: Antes de mais nada eu quero agradecer a você e quero perguntar como é que você vê o rap? O quê que o rap significa pra você?

ENTRE: É o rap pra mim é a minha vida, né e o rap me deu tudo que eu tenho hoje,

desde casa, carro, mantém a minha vida particular, tá entendendo, ééé...e o T. E. é um grupo de de de rap que de 2003 pra cá vem quebrando muitas barreiras, principalmente na classe média, baixa e alta, o pessoal curte muito o T.E., muito mesmo! Então, éééé...o pré-conceito aaainda existe assim como o samba em 1960 que era discriminado pá caramba, marginalizado; o futibol também marginalizado, o Hip-Hop também num deixa de ser bem é é...criticado pelaaa sociedade. Mas de alguns anos pra cá, eu venho sentindo uma uma uma uma diferença, uma quebra dededede preconceito, uma quebra de algemas né. É dessa forma, cê não via o rap na rádio convencional, e hoje você ouve rap na rádio convencional. Em Brasília você ouve muito rap gringo nas rádio convencional né, os rap americano, mas de lá pra cá, você vem ouvindo os rap nacional também tomando espaço. O T. de E. mesmo, é o único rap de Brasília que toca numa numa rádio convencional ééé, Jk, ééé toca numa 105, no Holiday, toca na Band, na Transamérica, entendeu. E assim como o T.E. , tem outro grupo também de São Paulo, que é o do DJ 1, que é um, tocando também na Jovem Pan e nessas outras rádios todas. Então aos poucos vai quebrando a barreira, ooo maior prêmio do T. E., quê música é loteria, foi de tê lançado o último CD “De Rolê na Quebrada”, e de repente gravando um CD pra pro povo da periferia, mas de repente a classe média começou a ouvir, a alta também

daqui a pouco chegou em 40 mil cópias, difícil isso. Pro rap é difícil! E invadindo o Brasil.

PESQ: A que você atribui esse tipo de invasão, por exemplo: “invadiu o Brasil”?

ENTRE: Às letras mais consciente. Ás letras mais educativas tá entendendo, sem

palavrões, sem é uma crítica social inteligente, tendeu. A leitura que levou isso aí.Tendeu, o T.E. participou, durante seis anos é no Projeto Social chamado, ‘Se liga Galera’ e esse projeto social éé, que era éé, aplicado dentro das escolas éé de adolescente, de crianças e adolescente, de criança e adolescente desde a 2ª série até a 8ª série, então isso ai fortaleceu muito muito aaaas idéias de melhoria do T.E., né. E o mais impressionante é as crianças, antes quem dominava era a Xuxa...Não têm negócio de Xuxa mais não, criança quer tá inteligente, quer saber de idéias positivas, idéias mais criativas.

PESQ: O que são idéias positivas, MC “M”?

ENTRE: Idéias positivas é coisa que cê fala, cê fala Chega de notícia ruim, tendeu!

Ninguém quer mais ouvir notícia ruim, quer ouvir estória de b-a-bá, dó-ré-mi-fá-sol- lá, atirei o pau no gato...criança quer ouvir o dia a dia, o que ele faz, falar sobre o chinelo, falar sobre a vida dele na escola, falar sobre a vida dele dentro de casa, mais um lance bem legal.

PESQ: O rap faz isso?

ENTRE: Ultimamente tá fazendo! Antes não, antes aaa o rap antes falava, no

começo era sobre racismo. Ai depois pegou pesado na política, falando sobre política, agora vem falando sobre o problema social, mas nessas etapas eles falavam de uma forma que muitos não queriam ouvir. Agora eles falam de uma forma mais light, inteligente, que muitos querem ouvir.

PESQ: E eu pergunto, porque muitos não queriam ouvir?

ENTRE: É porque tipo é é é...o seguinte a verdade dói né! Quando cê fala a

verdade, ninguém quer ouvir a verdade. Mesmo que esteja errado, mas ninguém quer ouvir. Vamo supor, sua mãe chega em você e fala desse jeito: “meu filho, não vá naquele bar porque aquele bar é ruim só tem pessoas negativas”, você vai, é verdade o que ela falou, mas você acaba indo! Oh ai,. ela fala “ ai que nada, minha mãe é muito chata, ela falou isso e aquilo, tendeu! Mais, é é é em termos de o rap ser positivo, eu acho que o seguinte que a partir do momento que a criança de, eu falo a criança entre 06 e 07 anos, de 06 a 12 anos, começa a ouvir o Hip-Hop é porque dispertou alguma coisa nela.

PESQ: Há quanto tempo você trabalha com o rap?

ENTRE: Há 23 anos.

PESQ: Hoje você está com quantos anos?

ENTRE: Tô com 35.

PESQ: Você tem família?

ENTRE: Não. Eu sou solteiro, tenho uma filha, tenho família, tá entendendo. Moro

com o o meus pais e é sou líder da do grupo T. E. há 16 anos, a banda tem 16 anos, o T.E. foi formado aqui na Ceilândia, quando começou o T.E., começou com 72 componentes, então o T.E. tinha os quatro elementos, o break, o Graffiti o DJ e o rap, tá entendendo. Hoje não, hoje o T.E. tem esses elementos, mas só que em números menores e uma legião de seguidores, um monte de gente se espelhando no T. E. Eu me lembro que naquela época, começou eu, Jamaika, o X do Câmbio Negro, eles tiveram a época deles né, primeiro o Câmbio Negro veio e estourou...bacana, depois veio o Jamaika com o Álibe né, estourou e agora chegou a vez do outro antigo da Ceilândia que é o T. E. comandar, graças à Deus a proposta de de de melhoria na na nas letras, na rimas, não falar palavrão, fazer rap consciente tá dando resultado.

PESQ: Desde quando começou a trabalhar com rap, você identifica alguma influência do rap na sua vida, no que você é hoje?

ENTRE: Oh, é influenciou muito ooo rap na minha vida de várias formas...é a forma,

em termos de trabalhar e ensinar pras crianças o que eu aprendi, passar pra eles; me tirar, distanciar minha vida mais e mais do mundo do crime, ta entendendo...e ao mesmo tempo, o rap me deu uma profissão: cantar ! Tá entendendo...O rap na periferia é uma cultura. Criança cresce ouvindo, tá entendendo...Antes ééé virou um campo muito grande, um mercado muito grande, hoje em dia ééé em 1996 o grupo que vendia mil cópias de ou Vinil ou CD era um grupo de, entendeu, alto nível era os cara...Hoje em dia o grupo que vende mil cópias é um grupo razoável, então o seguinte que mil cópias não é nada, tá entendendo o mercado cresceu pá caramba, isso é bom porque ajuda os caras que cantam ganhar o cachê dele, ta entendendo, na venda de CD...na real CD, venda não ganha muito quem ganha é a gravadora, mas se ta vendendo muito ta fazendo muito show, entendeu, e o show ele vai manter a sua família, ta entendendo! Ai por isso que eu tô te falando ai tem ooo movimento é muito forte na periferia e isso na periferia de todo Brasil. Eu fiquei surpreso ééé esse ano, não desde o ano passado pra cá, é de fazer shows é no

interior de Minas, Goiás aonde predomina muito a música sertaneja, a música caipira é de você chegar e a cidade parar pra ver um grupo de rap cantar, entendeu então eu fiquei muito assim...então a dimensão que tomou ééé o rap ta tomando no Brasil é muito grande é muito grande é eu acredito que vai ser o ritmo de de desse século aí, agora entendeu!

PESQ: E você disse que o jovem da periferia é influenciado por essa cultura que o rap trás, como é isso? Fale um pouco disso.

ENTRE: É é o seguinte, é porque assim como o samba é música negra, ooo pagode

o axé que é ritmos criados pelos negros o Hip-Hop também não deixa de ser e no caso o rap também não deixa de ser ritmo criado pelo pelos negros, a questão que esse ritmo ééé um ritmo que veio tomando espaço agora nos anos 90, ele veio tomando espaço, tomando espaço, tomando espaço e dividindo o espaço junto com outros estilos musicais, certo, que já vem a muito tempo tocando. No caso do do do do rap é lá, oh inclusive agora viu o carro passando...tocando..., então o rap na periferia ele é muito forte porque a criança dentro da escola um professor fala sobre o rap dele, sobre o rap pra ele ta entendendo. Oficinas criativas que tem diversas na Ceilândia é falando sobre o rap e o rap é uma forma de de de educar a criança tão fácil é através da música tipo falar sobre política, a criança vai entender sobre política ouvindo rap ela vai entender sobre amor é ouvindo rap, que muitas outras músicas não consegue fazer, ta entendendo..é é é outra outra coisa a criança é é é pra pra ouvir, curtir o rap ele precisa prestar a atenção na letra e a letra praticamente é um ritmo, amor é poesia é crítica social é tipo que nem a música “o beck e o contra-cheque” do T. E., a parte que as crianças mais gostam de cantar é quando eu falo bem assim oh: ‘Eu cansei de levar porrada, lutar batalhar por nada. Todo castigo pra pobre aqui é pancada. A justiça é uma piada só funciona pra quem ta na CARAS ou revista QUEM, anda de Mercedes Benz a toda hora rasga uma cédula de cem, mas eu não tenho troco, mó corre é mó sufoco, eu vivo e sobrevivo que nem cachorro louco é a lama, é o esgoto é o barraco sem reboco. De noite é o frio e de dia é o calor escroto!’ Eu não sei porque mas eles gostam dessa parte e se identificaram com essa parte, tá entendendo...

PESQ: Interessante! Muito interessante! Então esse ritmo e essa música têm uma ideologia. Que ideologia é essa?

ENTRE: Tem! Tem. A ideologia é conscientizar o nosso povo da periferia que é a

passando fome é é alguns tem que entrar no supermercado pra, igual eu já vi no jornal que é um homem entrou num supermercado com uma lata de leite foi preso e ta preso até hoje, tá entendendo enquanto o Nicolau robou um monte aí e levou lá pra fora e tá solto né, tá entendendo. Então a nossa idéia é educar o povo da periferia pra eles ta ciente disso pra reverter essa situação. Como é que a minoria ta ganhando da maioria, não tem como...Então se você tá tá tá numa queda de braço e o braço de cá é mais forte, como é que ce vai perder pro braço mais fraco, entendeu?! Então, a idéia do do do do rap na periferia (nessa hora passa um carro de som tocando axé numa altura absurda), a idéia do rap na periferia é educar o povo.

PESQ: Então, você falou de relações. Como são construídas as amizades no meio do rap e do Hip-Hop?

ENTRE: Oh, nesse momento que que vivemos hoje no no Hip-Hop, no rap é ta

bastante pirigoso essa questão de de de letras, porque tem muita criança ouvindo. Então o seguinte, você quer começar a educar uma criança tem que educar ela a partir do do dos 04 anos pra quando chegar lá na frente ela ta um homem, virar um homem mesmo porque depois de velho não tem como mais educar...Tê tem, mas é mais difícil, tá entendendo óh, cê quer que essa criança fala é é é espanhol, ele vai aprender rapidinho mas manda eu aprender a falar espanhol enquanto ele gasta 06 mês eu vou gastar um ano, certo! Então a nossa preocupação que nem cê ta falando assim óh, a nossa preocupação de de falar sobre o rap, as letras Gangsta e as letras mais consciente é essa que alguns Raps que não tem consciência, tem filho mas não presta a atenção ao que tem dentro de casa...Falando sobre arma, que é o doidão, que faz isso e aquilo ele não ta prestando a atenção no filho dele, o filho dele ta ouvindo aquilo dali, ele vai crescer com aquilo na cabeça e depois pra ele reverter a situação quando ele tiver preso no CAJE ou na PAPUDA, vai ser mais complicada. Então se ele dentro de casa ouve só falando de de de do do bem é é é bem educado, se ele ouve falando só de rosas ele vai crescer bacana, agora se ele ouve só falando de espinhos é de desgraça essas coisas ruim ele vai crescer com é bitolado com aquilo na cabeça ai pronto! Ai se ele ouve falando só de arma ele vai querer uma arma.

PESQ:Então é uma referência, é um modelo é um exemplo a ser seguido?

ENTRE: Muitos Raps são exemplo a ser seguidos, muitos não. Aqueles cara, o

PESQ: O que é estilo Gangsta?

ENTRE: Gangsta é um rap agressivo que só fala de de morte, só fala de miséria,

que que faz o que faz, que ele tem um revolver ele é o doido, que na quebrada dele ele é respeitado, se não respeitar ele desce bala!

PESQ: Quem canta o estilo gangsta é gangsta?

ENTRE: É isso a minha preocupação. Porque o cara canta e não é o que ele canta.

Se ele cantasse e fosse o que ele falasse, ai sim eu falava pô esse cara no passado ele foi ruim pô então ele, se ele ta falando isso é porque ele viveu isso, mas o cara não viveu, então porque que ele ta falando essa besteira! Entendeu, é porque se espelha muito em Raps norte-americanos tipo é é é é Snop Dog Dog lá se espelham naqueles cara que faziam música falando mal do outro, procurando briga então vê aquelas reportagem se espelham acham que é...Lá a realidade é uma aqui é outra. Aquele cara que fala aquela besteira lá, ele tem uma mansão, não sei quantos carros, ele aqui não, ele tem mal o barraco dele pra pagar o aluguel! Ele tem é que se ligar é nisso aí. A cultura lá é uma, aqui é outra então o seguinte, vamo fazer que a nossa é realidade melhore.

PESQ: O rap tem essa preocupação de retratar a realidade? Qual é a preocupação do rap?

ENTRE: Tem! Isso aí é verídico. Isso aí ce vê em qualquer letra de de rap; de

retratar a realidade. A realidade é violenta na rua, tipo assim, é a realidade do amor, a realidade da curtição, é o exemplo maior é o T.E.; o T.E. ele retrata a realidade. Nós fizemos uma música falando dos opala, o opala vermelho e o opala azul; a nossa realidade. Falando é é na música, na música fala que o seguinte, contando a nossa história que nós temo dinheiro só pra andar de opala, que é um opala 71 antigo, andando na cidade, fala do telebar onde o pessoal do T.E. gosta de ir, fala do botequinho lá da esquina, fala do Bone que chega na casa dele ele nunca ta lá tem que ligá pra ele porque se não não acha, então é uma realidade, tendeu! A questão política também falamos da realidade, da realidade porque pô, na música beck e o contra-cheque você ouve a parte que eu falo ‘rasga cem’. Essa parte é quando o meu irmão Murilo trabalhava no banco central, acho que era Armínio Fraga, uma coisa assim o nome do presidente do banco central no passado, que ele trabalhava lá, ele falava que o almoço do cara era 300 reais o almoço do cara. Pô com 300 reais é aqui na periferia, um cara paga o aluguel dele, ainda tem quatro filho pra criar passa roxo, mais consegue fazer isso tudo, entendeu! Ai ele curioso falou: Pô bicho

eu tenho que saber o que tem dentro disso aqui...ele arriscando o emprego dele foi olhar...uma comida simples, comum porque que é esse preço todo? O mesmo arroz, um feijão tendeu, um camarãozinho que vem ali, então porque que é esse preço todo..? Então é rasgar 100, não é rasgar dinheiro? Então eu penso dessa forma ai, se esse cara gasta num almoço 300 reais é é se ele trabalha 03 vezes na semana dá 900 reais, se ele economizar esse 900 reais cada um deles pensar de economizar isso ai, vai pra pra dá pra pagar a divida externa...As regalia deles...Se sair cortando as regalia dá pra pagar essa dívida externa e todo mundo viver legal nesse país. Se eles começarem a dividir o pedaço do bolo tendeu, pra todo mundo da forma certa, não vai existir miséria no Brasil. Porque existe tanta miséria se é um pais aonde você tem fonte de riquezas naturais e é abundância. Aonde você pranta uma semente nasce uma flor, tendeu! Aonde você cava um buraco tá jorrando água, então pra quê? Tá entendendo, então joga lá pra fora primeiro que eles fazem com a laranja, importa a laranja depois exporta ela, o suco mais caro, que pode fazer isso...Que nem, o maior produtor de cana de açúcar do mundo é o Brasil e ele pega a cana de açúcar manda lá pra fora o cara faz o ácool e depois manda de volta, que coisa é essa, não é burrice? Ou é interesse?

PESQ: Você falou que hoje o rap está invadindo outras classes sociais, a classe média, a classe alta. Por que? A que você atribui isso? Por que o rap está chegando lá?

ENTRE: É que nem eu falei pra você óh, se tá chegando lá é porque eles tão vendo

que as letra tão mais consciente e mais inteligente, ta entendendo. O pessoal, eles tão sentindo que o pessoal tá lendo, tá tendo mais informação, tá entendendo...Como é que o cara lá que faz faculdade, estudou tantos anos quer ouvir porcaria. Não ele quer ouvir coisas boas cultas, coisas inteligentes, tá entendendo. Então poucos raps conseguiram atingir lá é é tipo Racionais, alguma músicas do Racionais conseguiram chegar lá porque a letra inteligente ai óh, MV Bill e o entendeu...Ai os cara mais e o Gabriel Pensador? O Gabriel Pensador era de lá vei, então não conta! Ele não conta. Ele é de lá então não conta, tem que contar com o povo que é daqui que saiu daqui pra tocar lá, tendeu então esse é um grande avanço. A partir do momento que esse pessoal ai começou, o rap começou a invadir a casa desse pessoal ai, sabe porque, porque mudou a qualidade até de arranjo, de instrumental, de cantar tá entendendo afinação, mudou tudo. Então chegou ta mudando essa qualidade pra melhor tá saindo de de da qualidade B pra A, o

pessoal começou a vir mesmo e ai daqui uns dias... e não adianta os filhos deles é os pais falar pros filhos que não vão ouvir que não tem jeito, vai ouvir e eles tão ouvindo, ta entendendo...Então aos poucos vamos invadindo ai e eu espero que daqui a dez anos, que isso é devagar mesmo, daqui a dez anos tá todo mundo, o pessoal principalmente da periferia saiam daqui com sua casa em outro lugar melhor, entendeu com seu carro tudo através da música, que vai conseguir.

PESQ: E em termos de comunidade, como você é visto aqui na sua comunidade?

ENTRE: Eu sou visto como um, como uma referência, um espelho pra eles, um ídolo

pra eles entendeu. É é muito difícil você andar aqui na minha rua e tá alguém passando buzinando, para ai me dá um autógrafo, não sei o que...é isso é comum. Como ir no centro de Ceilândia e cê tentar almoçar e não conseguir. Toda hora tem gente aqui, poxa MC “M”, no sei o quê e eu não quero mudar essa minha cultura não, só se for obrigado, né a gente não sabe o futuro só pertence à Deus, quero continuar ainda almoçado lá na feira da Ceilândia, tá entendendo é, indo ali no barzinho da Dona Raimunda, conversar com os amigos, ir no campo de fuutibol...Ser o mesmo MC “M”, tendeu?! Porque é tem muitas pessoas que pensa assim pô, de fora né, eles vê o T. E. , o MC “M” ou qualquer outro integrante eles já imaginam; Cá os cara tão rico, os cara pô os cara...Vei isso aqui...não vei, rico sim de saúde e de reconhecimento, mas aos poucos vamo chegar lá. Não quero ficar rico eu quero ter um ganho assim pra me manter, manter minha família e tal essas coisas, porque é o seguinte eu, o cara que é rico ele não tem liberdade e tal, eu quero dormir toda noite...

PESQ: Me diga uma coisa MC “M”, como você se sente sendo o MC “M” do T. E., fazendo rap e cantando?

ENTRE: Me sinto bem porque é uma batalha que vem a muitos anos. Tipo muitos

me desencorajou dizendo assim: Ah meu irmão sai dessa vida, isso não vai dá o comê pra você não...é isso é música de vagabundo...Vai estudar, fazer uma faculdade...Mas como? Não tenho dinheiro como é que eu vou fazer..né! Então o que acontece, ai quando você chega nesse ponto que o T. E. chegou hoje que é espelho pra outros grupos não de Brasília, não só de Brasília, mais do Brasil tipo você ouve música é é com palavras que você colocou ali ‘De role na Quebrada’, não sei o quê...cê ouve outras músicas os cara colocando também a mesma palavra, fazendo também umas base parecida, tentando seguir o seu espaço o mesmo ritmo, pô cê se sente muito orgulhoso! Ta entendendo, sabendo que atualmente o seu

grupo é o não vou falar o melhor mas o líder no ranking em Brasília tá entendendo, é