IV - I testi tradotti
IV.2 L’epistolario di Niccolò Machiavelli
Que usos e consumos dos media fazem os jovens universitários angolanos da província de Benguela no seu quotidiano, em função dos seus contextos sociodemográficos e académicos? É esta a principal questão a que o presente projecto pretende responder. Como se vê, “é uma pergunta explícita respeitante a um tema de estudo que se deseja examinar, tendo em vista desenvolver o conhecimento que existe” (Fortin, 2009:73). A sua enunciação visa facilitar o trabalho de investigação (Stake, 2012:33).
A mesma questão surge, por um lado, da constatação, em Angola, de uma crescente difusão, acesso e utilização das tecnologias de comunicação, sobretudo no seio dos jovens; e, por outro, pelo diminuto conhecimento científico que se tem dos meandros desta realidade social a que aderem cada vez mais pessoas, moldando as suas rotinas quotidianas com base nos usos das referidas tecnologias.
Deste modo, o presente estudo centra-se no binómio jovens universitários/meios de comunicação, à luz das inovações e difusão tecnológicas que marcam a sociedade actual, também designada de sociedade da informação, sociedade do conhecimento ou sociedade em rede (Castells, 1996; Cardoso, 2004). Cingir-nos-emos sobre as práticas mediáticas de um grupo localizado de jovens universitários residentes em Benguela e a
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um conjunto de meios de comunicação (tradicionais – livros, jornais e revistas28, rádio
e televisão – e designados como novos media – computador, telemóvel e Internet). Além disto, olhamos também para os consumos culturais, especificamente da informação e do entretenimento, bem como aos meios preferenciais dos jovens para a concretização dos referidos consumos.
Trata-se de uma abordagem qualitativa na medida em que procura interpretar a relação quotidiana de jovens universitários com os media e aferir os significados que atribuem as suas próprias experiências com os referidos meios (Silva e Menezes, 2001:6, apud, Ferin, 2012:80; Parse, 1996, apud, Fortin, 2009:32). Como refere Flick (2009), a relevância dos estudos qualitativos radica na pluralização das esferas da vida, cujas narrativas exigem uma limitação em termos locais, temporais e situacionais (p. 20- 21). É um tipo de estudo em que “as teorias são desenvolvidas a partir de estudos empíricos. O conhecimento e a prática são estudados enquanto conhecimento e prática locais” (Geertz, 1983, apud, Flick, 2009:21).
Existem vários tipos de estudos qualitativos e a escolha da modalidade a seguir depende da natureza do objecto e da estratégia de investigação a ser adoptada pelo investigador (Guerra, 2006; Fortin, 2009 e Ferin, 2012). Neste sentido, a fenomenologia é a modalidade indutiva que mais se adequa ao nosso objecto de estudo (práticas mediáticas do quotidiano juvenil), já que permite “descrever a experiência tal como é vivida e relatada pelas pessoas tocadas por um fenómeno preciso” (Fortin, 2009:36).
É de realçar que a problemática do trabalho radica principalmente da escassez, em Angola, de estudos qualitativos sobre a relação dos cidadãos com os meios de comunicação. As poucas referências elaboradas neste domínio são geralmente de natureza quantitativa e, na maioria dos casos, têm como foco a cidade de Luanda ou uma das zonas/bairros desta. Por outro lado, na sua abordagem exploram muitas vezes um tema específico no âmbito do consumo dos media ou a forma como estes se posicionam perante alguns assuntos de natureza política, social, económico e cultural do País.
28 Há que ter em conta o carácter híbrido ostentado actualmente um pouco por todos os meios de
comunicação. No caso dos meios escritos (livros, jornais e revistas), podem apresentar-se em suportes ou formatos impressos (media tradicionais) e electrónicos ou digitais (novos media).
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Como vimos no Capítulo III, algumas referências de estudos de recepção no país são as obras «Audiência de Media em Luanda (2002)» e «A Campanha Eleitoral de 2008 na Imprensa de Luanda (2010)», ambas de autoria do sociólogo angolano Paulo de Carvalho, e os estudos anuais sobre os hábitos de consumo dos media e estilo de vida dos luandenses29 realizados pela empresa Marktest. Além destas, praticamente não existem estudos qualitativos sobre usos, consumos, recepção e/ou apropriação dos media, quer de abrangência nacional ou provincial (fora de Luanda), ou ainda focados num segmento específico da população, na sua relação com um ou distintos meios de comunicação.
Neste sentido, a exiguidade de conhecimento em torno das práticas mediáticas no país é um importante estímulo para a realização deste estudo, focado num segmento da juventude angolana: jovens universitários, potenciais responsáveis do país no futuro, a vários níveis e sectores (Vera Cruz, 2011). Isto justifica, igualmente, a opção investigativa por um estudo de caso, uma vez ser “apropriado quando se dispõe de poucos dados sobre o acontecimento ou o fenómeno considerado” (Gauthier, 2000, apud, Fortin, 2009:241).
O estudo de caso, aqui centrado num conjunto de jovens, serve para suprir um vazio em termos de conhecimento que se tem sobre as práticas mediáticas juvenis, particularmente de jovens que frequentam a universidade. É uma „estratégia pluralista de pesquisa‟ que tem “um papel exploratório (no sentido de mapear tendências e questões), uma função descritiva (expõem dados e indicadores e cotejam-nos) e explanatória (expõem situações únicas e tentam organizar elementos que possam ser generalizadas em situações similares)” (Yin, 2001:21-25, apud, Ferin, 2012:81). A sua utilidade encerra um valor acrescentado pelo facto de poder “abrir caminho para estudos de maior envergadura” (Fortin, 2009:242).
Na perspectiva de explorar, descrever e explanar as diferentes formas em como os jovens que frequentam o ensino superior na província se relacionam com os media, a problemática do estudo acarreta igualmente outras questões (Stake, 2012:34) para as quais se buscarão respostas, tais como:
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Qual é o perfil dos jovens que frequentam actualmente o ensino universitário na província de Benguela?
Quais os media disponíveis no país, em geral, e na província, em particular, a que os jovens universitários acedem e usam habitualmente no seu dia-a-dia? De que modos jovens universitários da província de Benguela usam,
consomem e se apropriam dos media no quotidiano?
Como variam os usos e consumos mediáticos em função do sexo, grupo etário, localização territorial, práticas religiosas, situação socioeconómica e académica dos sujeitos?
Qual é a importância ou o significado que os sujeitos conferem às suas práticas mediáticas?
Até que ponto a frequência universitária se relaciona com a apropriação dos media e dos bens culturais pelos jovens em estudo?
Que perfis de sujeitos emergem enquanto usuários/consumidores dos diferentes meios de comunicação?
Estas e outras questões expostas ao longo do texto pressupõem a realização de tarefas com vista a explicar de forma plausível o objecto de estudo. De acordo com Fortin (2009), depois da enunciação do problema em estudo é importante que se indique “de forma clara e límpida qual é o fim que o pesquisador persegue” (p. 160). Para o caso em concreto, o objectivo principal é: Explorar os usos e consumos dos media por jovens universitários angolanos residentes na província de Benguela, em função dos contextos familiar, social e académico dos mesmos.
A concretização do objectivo formulado passa pela realização de tarefas específicas, tais como: a descrição do perfil de jovens que frequentam o ensino universitário; a identificação do actual quadro de oferta e acesso aos meios de comunicação no país; a aferição dos usos, consumos e apropriações dos media em função das suas características sociodemográficas e académicas dos sujeitos; a compreensão do significado ou papel conferido aos media; e o estabelecimento de perfis dos intervenientes enquanto usuários e consumidores dos meios de comunicação.
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O trabalho envolve ainda um olhar sobre os factores físicos, económicos, sociais e culturais que intervêm nas escolhas e práticas mediáticas dos jovens universitários da província, bem como a caracterização de alguns meios, canais, programas ou conteúdos de comunicação mais referenciados pelos respondentes. A prossecução dos objectivos indicados parte, principalmente, dos seguintes argumentos ou pressupostos:
Argumento 1 – Regista-se uma crescente apropriação dos media pela juventude angolana, em geral, e jovens universitários da província de Benguela, em particular, como resultado da crescente profusão das TIC, no quadro da globalização e da emergência da Sociedade da Informação em Angola.
Argumento 2 – Os media estão cada vez mais introduzidos no quotidiano dos jovens universitários da província de Benguela, condicionando as suas práticas pessoais, académicas e laborais. O uso dos mesmos se diversifica conforme a heterogeneidade dos sujeitos, revelando-se como um recurso fundamental de informação, identidade individual e colectiva, interacção social e entretenimento.
Argumento 3 – Actualmente, assiste-se a uma relação estreita dos jovens universitários com os media, com maior incidência do telemóvel, computador e Internet, através dos quais elaboram trabalhos académicos, acedem a informações científicas, pedagógicas e demais actualidades úteis ao desempenho escolar e afirmação social, bem como interagem com os pares, familiares e outras entidades nas plataformas virtuais. Assim, independentemente de outras aplicações, as tecnologias móveis de comunicação tendem a ser os principais recursos de aquisição de conhecimentos para os jovens.
Na qualidade de investigação qualitativa procura-se a compreensão de problemas, análise de comportamento, atitudes e valores (Sousa & Baptista, 2011:56), numa perspectiva holístico-indutiva, em que se privilegia a interpretação e descrição das práticas mediáticas a partir das mensagens enunciadas pelos próprios sujeitos. Como um estudo de caso, compreende a "exploração de um único fenómeno, limitado no tempo e na acção, onde o investigador recolhe informação detalhada" (Sousa & Baptista, 2011:64).
Epistemologicamente, o objecto do presente estudo é interpretado com base em teorias sociológicas e comunicacionais (Thompson, 1998; McQuail, 2003; Cardoso &
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Castells, 2006), da apropriação social das tecnologias da comunicação (Silverstone & Hirsch, 1996; Lopes, 2010; Deuze, 2012, Couldry, 2012) e outros constructos sobre a relação dos media com a sociedade. Trata-se de um corpus fundamentado na forma profunda em como os actores sociais, neste caso os jovens, se apropriam dos meios de comunicação e do papel que estes desempenham no desenvolvimento dos processos quotidianos dos mesmos.