IV - I testi tradotti
V.2 Approcci teorici delle traduzioni
V.2.1 Peter Newmark
Conforme ficou expresso no item anterior, a presente investigação privilegia uma abordagem interpretativa. É um estudo de caso, pois se apresenta metodologicamente como "um estudo intensivo e detalhado de uma entidade bem definida, um caso, que é único, específico, diferente e complexo" (Sousa & Baptista, 2011:64). A sua efectivação passa por uma combinação de métodos e de técnicas de investigação, tanto na fase da recolha quanto na fase do processamento de dados.
De acordo com Fortin (2009) “a escolha do método varia segundo a orientação ou a preferência pessoal do investigador” (p. 39). Nesta perspectiva, optou-se pela utilização, na fase de recolha de dados, de métodos de pesquisa bibliográfica e de entrevista semi- estruturada, e na fase de processamento de dados, a análise de conteúdo.
Pesquisa bibliográfica
Esta pesquisa apoia-se em dados obtidos a partir de obras escritas, editadas em formatos impresso ou electrónicos, disponíveis em livrarias, bibliotecas e demais plataformas físicas ou virtuais. Também designado de pesquisa de informação, é um método de investigação que "trata do levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita" (Carvalho, 2009:118).
Este método permitiu que entrássemos em contacto com a literatura fundamental em torno das temáticas desenvolvidas ao longo da pesquisa, bem como um conjunto de
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documentos, tais como legislações, relatórios, estatísticas, informações periódicas e outros, em formatos impressos ou electrónicos, para a prossecução do objecto de estudo. Utiliza-se fundamentalmente a literatura escrita em língua portuguesa, por nos sentirmos mais à vontade em termos de interpretação, embora surjam esporadicamente ao longo do texto alguns excertos ou referências extraídos de material em línguas inglesa e espanhola.
Entrevista semi-estruturada
A entrevista é um método de recolha de dados que "consiste em conversas orais, individuais ou de grupos, com várias pessoas cuidadosamente seleccionadas, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspectiva dos objectivos da recolha de informações" (Ketele, 1999:18). Afigura-se como “principal método de colheita de dados nas investigações qualitativas” (Fortin, 2009:375), razão pela qual constituiu o instrumento básico de contacto directo com os respondentes.
Entre várias modalidades, optamos pela entrevista individual (semi-estruturada), não apenas por ser a mais utilizada em investigação social (Quivy & Campenhoudt, 2008:192), mas também por considerá-la mais ajustada ao objecto de estudo. Também designada de entrevista semi-directiva ou semi-dirigida, afigura-se como método privilegiado quando se quer “compreender a significação de um acontecimento ou de um fenómeno vividos pelos participantes” (Fortin, 2009:376-377), devido a riqueza de informações e elementos reflexivos que pode proporcionar (Quivy & Campenhoudt, 2008:191-192). É um tipo de entrevista que permite analisar o “sentido que os actores dão às suas próprias práticas e aos acontecimentos com os quais se vêem confrontados” (Quivy & Campenhoudt, 2008:193). Com base nestes pressupostos, seleccionou-se os informantes à luz de critérios predefinidos que, em ambientes dialogais propícios, revelaram histórias de vida interessantes (incluindo suas experiências e vivências quotidianas com os media).
Construção do instrumento de recolha de dados
O diálogo com os informantes realiza-se com base num guião de entrevista já testado e implementado em estudos anteriores, como é o caso do Projecto de Inclusão Digital e Participação (UTAustin-Portugal/CD/0016/2008), de que dão conta Cristina
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Ponte e José Simões (2012). Como temos vindo a enunciar, o principal propósito da pesquisa prende-se com a exploração e compreensão das práticas mediáticas dos jovens universitários de Benguela. Para este efeito, o Guião para a entrevista sobre a vida pessoal e meios de comunicação31 revelou-se um instrumento fundamental de pesquisa e ajustado aos fins traçados.
É um guião originalmente estruturado em três partes, sete temas e cerca de 70 itens de questões. Para o presente estudo, o mesmo foi adoptado na totalidade, com ligeiras alterações de forma e ajustamento de alguns conteúdos. Assim, o «novo Guião de Entrevista» comporta apenas duas partes com os seus respectivos temas e itens de questões (Anexo I).
Tal como no guião original, a Primeira Parte contem perguntas em torno de quatro temas principais, designadamente: Origem e caracterização da família; Mobilidade familiar; Ocupação e escolaridade dos membros da família: trajectória pessoal e influência familiar; e Práticas e experiências pessoais e familiares. Por sua vez, a Segunda Parte abarca questões em torno de três temas, tais como: História pessoal com os media; Usos actuais dos meios de comunicação; e Meios favoritos para a informação e entretenimento.
Deste modo, e acordo com os autores (Ponte & Simões, 2012), a primeira parte da entrevista aborda questões centradas em aspectos sociodemográficos, tais como a imigração, viagens e história; educação e história familiar; estatuto socioeconómico, situação laboral e história; etnicidade, tradições e herança familiar, identidade e redes sociais; enquanto a segunda parte, na nossa óptica, está centrada em questões resumidas nos usos e consumos dos media (tradicionais e novos) pelos sujeitos, na infância e na actualidade.
As ligeiras alterações na estrutura do modelo de entrevista original resultaram das entrevistas exploratórias que precederam a aplicação do actual instrumento, realizadas em Julho de 2014. As entrevistas realizadas a seis jovens universitários dos cursos de Ciências da Educação e Psicologia Jurídica, matriculados em distintos níveis de ensino dos institutos superiores de Ciências da Educação de Benguela e Politécnico Maravilha de Benguela, serviram para testar o guião anterior, reordenar e ajustar ligeiramente
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algumas questões (por exclusão ou inclusão) ao actual objecto de estudo. De igual modo, permitiu identificar alguns aspectos posteriormente maximizados aquando da efectiva aplicação do instrumento.
Papel das entrevistas exploratórias
As entrevistas exploratórias proporcionaram, entre vários aspectos destacados no parágrafo anterior, a construção de uma Grelha de Análise (Anexo II) na qual se definiram, efectivamente, as principais variáveis e dimensões, bem como os media e práticas mediáticas a serem estudadas. Os aspectos comuns e singulares revelados pelos interlocutores representaram linhas estruturais que foram posteriormente exploradas para a compreensão das práticas mediáticas dos jovens universitários da província de Benguela.
Por exemplo, o estudo exploratório revelou que, em diferentes graus e formas, a idade, género, origem social e religiosidade adquirida no seu familiar tinham influência na trajectória de vida dos jovens e, de algum modo, interferiam nos consumos mediáticos quotidianos. O meio familiar e social, a localização territorial, bem como a situação ocupacional dos indivíduos também influenciavam nos usos dos media. Além disso, o facto de frequentarem a universidade revelou-se como um dos estímulos para o acesso, uso e apropriação das novas tecnologias de informação e comunicação, convertendo-se em importantes ferramentas de pesquisa académica e desempenho escolar.
É pertinente salientar que apesar de a televisão, o telemóvel e a Internet se terem revelado como meios de comunicação mais comuns do grupo, a dedicação à pesquisa ou leitura de conteúdos académicos teve reservado um lugar particular no quotidiano dos sujeitos. Na altura, a posse de computador conectado à Internet revelou-se um imperativo quando se ingressava ou frequentava a universidade, para quase todos os sujeitos, através do qual dedicavam largas horas de pesquisas académicas.
Como veremos nos próximos capítulos, os resultados do estudo exploratório foram confirmados quase na totalidade pelos dados produzidos aquando da efectiva recolha de dados.
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Realização da entrevista semi-estruturada
A efectiva colheita de dados teve lugar nos meses de Outubro e Novembro de 2015, e Janeiro de 2016, na província de Benguela (Angola), especificamente nas sedes municipais de Benguela, Lobito e Catumbela. A mesma foi precedida de contactos prévios com os jovens universitários espalhados pelas instituições de ensino já mencionadas. Pautou-se pela abordagem informal com os entrevistados, ao longo dos períodos normais de aulas, aproveitando sobretudo as horas de intervalo, nos pátios, corredores, cantinas, jardins e outros espaços de lazer dos recintos escolares. Na fala com os mesmos, apresentou-se os objectivos do estudo, o tempo provável de duração da entrevista, solicitou-se a colaboração e, ao mesmo tempo, assegurou-se o anonimato dos participantes.
Em caso de aceitação, marcou-se a data, horário e local da realização da entrevista, conforme a vontade e disponibilidade do informante. A preferência do sujeito foi tida em conta, uma vez que se pretendeu encontrar um ambiente em que o mesmo se sentisse livre para levar a cabo um diálogo cordial, descontraído e produtivo que maximizasse a expressividade e fluidez na conversa.
Qualquer dia da semana, incluindo sábados e domingos, e períodos do dia (manhã, tarde e noite), serviu para a colheita de informações, conforme a concordância entre o entrevistado e o entrevistador. Em termos de locais, a entrevista ocorreu tanto nos estabelecimentos de ensino (locais de lazer e de descanso dos alunos), como em casa dos sujeitos, alguns recintos ou zonas calmas das localidades em que vivem os sujeitos (jardins, locais à beira-mar, restaurante), residência, gabinete de trabalho ou interior da viatura do investigador.
Optou-se por entrevistas individuais, conforme os temas constantes do guião de entrevista atrás referenciado. As conversas foram gravadas com um smartphone e a duração de cada entrevista variou entre 60 e 120 minutos, conforme a desenvoltura do sujeito ou fluidez da conversa. Numa exposição semi-dirigida pelo investigador, cada um dos entrevistados exprimiu-se livremente, maximizado a produção de dados que mais tarde foram transcritos em texto e submetidos à análise de conteúdo por temas.
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