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5.3. Deures i rendiment escolar

5.3.5 L’enfocament dels deures i el rendiment escolar

Hoje, não há mais dúvidas que os modos de cultura e de produção dos zulus estão na origem de um aumento regular da população dessa região. Nada parece indicar que, de fato, o crescimento da população tenha sido devido a um afluxo

14 S. Marks, 1967a; M. Gluckman, 1963, p. 166. 15 J. Guy, 1980, p. 9, 15; A. T. Bryant, 1929, p. 63 -88.

massivo de imigrantes na região. Portanto, a população provavelmente aumen- tou em função de um crescimento natural que não foi moderado por nenhuma expansão do território ou de outros recursos importantes. Logo se tornou cada vez mais difícil para as comunidades continuar as práticas ancestrais que con- sistiam em deslocar os rebanhos de um pasto a outro, ou converter a floresta em savana; por isso, algumas comunidades decidiram se apropriar, pela força, das terras e dos pastos anteriormente detidos por outras.

Certos chefes destes pequenos Estados tinham começado a adotar estra- tégias visando a lhes assegurar o domínio da produção e da reprodução. Para compreender bem tal processo, é preciso considerar atentamente a estrutura da sociedade nguni da época pré -colonial. A sociedade estava dividida em milhares de explorações familiares, cada uma sob a autoridade patriarcal de um chefe de família. Geralmente, cada chefe tinha duas ou três mulheres, segundo sua classe social. Cada uma das mulheres vivia com seus filhos em sua própria casa e produzia, com suas crianças, o alimento necessário para sua subsistência. Habitualmente, havia uma divisão do trabalho segundo o sexo; os homens se ocupavam da produção animal e caçavam, enquanto as mulheres se encarrega- vam sobretudo das culturas.

Os estabelecimentos reais – podia existir vários deles em cada Estado – eram organizados diferentemente. Além das atividades normais de produção que empregavam os membros de cada casa, bem como seus parentes e seus criados, os diferentes estabelecimentos reais comportavam também acantonamentos militares, sobretudo a partir do fim do século XVIII. Os regimentos de homens recrutados em diferentes regiões do país tinham aí seus quartéis e trabalhavam a serviço do rei, inclusive na agricultura. As mulheres arregimentadas não tinham acantonamentos nessas aldeias militares, mas residiam na casa de seus pais. Até que o rei lhes desse permissão, nem os homens nem as mulheres arregimentados tinham o direito de se casar, podendo ficar até dez anos em um regimento antes de serem liberados para o casamento. Notadamente, essa regra tinha por efeito permitir aos reis dos Estados nguni do Norte agir, simultaneamente, sobre os índices de produção e de reprodução.

Não se sabe muito bem em qual época esse sistema entrou em vigor entre os nguni do Norte. Atualmente, a origem destas mudanças é situada mais frequen- temente sob o reinado de Dingiswayo, rei dos mthethwa, e o aperfeiçoamento delas situa -se sob o reinado de Shaka, rei dos zulus16. Durante séculos, antes

16 Ver S. Marks, 1967b, p. 532, no que concerne à tese segundo a qual o processo de edificação do Estado começou mais cedo entre os hlubi, os ngwane e os nolwande.

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de essas mutações serem instauradas, tendia -se a tratar a iniciação como uma questão coletiva e política mais entre os sotho -tswana do que entre os nguni. É provável que essa mudança tenha sido ligada a importantes transformações na vida socioeconômica dos nguni. Também é possível que, na época em que começou a expansão dos Estados maiores, esses tenham incorporado enclaves de populações sotho, e que os chefes nguni tenham emprestado dessas populações certas práticas coletivas ligadas à iniciação, adaptando -as para fins de dominação política.

Se examinarmos atentamente os fatores ecológicos junto à natureza da orga- nização social e da produção entre os nguni do Norte, seremos levados a concluir que, a partir do último quarto do século XVIII e durante os primeiros decênios do XIX, a explosão demográfica atiçou a luta pela posse de recursos em vias de diminuição, produto dos esforços de várias gerações. Max Gluckman foi o primeiro a ter claramente analisado o fator que constitui a explosão demográ- fica; e vários outros o tem seguido17. Hoje, parece indiscutível que o aumento

populacional e seu cortejo de penúrias, notadamente de terras, muito contribu- íram com o clima de violência que se estabeleceu no Norte do país nguni nos primeiros anos do século XIX.

Outras explicações foram dadas a respeito da revolução conhecida sob os nomes de Mfecane ou de Difaqane. Algumas parecem muito sustentáveis e mesmo plausíveis aos olhos do leitor crítico: outras, pelo contrário, parecem bem arriscadas e, manifestamente, brotadas da imaginação. Segundo uma dessas teses, por exemplo, a reorganização interna e as reformas militares que estruturaram as fundações dos grandes Estados nacionais, como aqueles dos mthethwa e dos zulus, teriam ocorrido pelo fato de os fundadores – em particular, Dingiswayo – terem deliberadamente imitado os europeus, que eles teriam observado ao longo das peregrinações que precederam sua ascensão ao poder18. Essa asserção,

grosseiramente racista, não merece outro comentário além do julgamento de um crítico que atribuiu aos propagadores deste tipo de ideias a vontade de “se enfeitar com os reflexos da glória das vitórias zulu”19; impressão confirmada, diz

17 M. Gluckman, 1963, p. 166; J. D. Omer -Cooper, 1966, cap. 1 e 2 passim.

18 H. Fynn, em um artigo redigido aproximadamente em 1939, emitiu primeiro a discutível opinião, segundo a qual as inovações de Dingiswayo foram provavelmente o fruto de sua associação com os brancos e, particularmente, com um certo Dr. Cowan (1888, vol. I, p. 62 -63). Mais tarde, A. T. Bryant (1929, p. 94) destacou essa hipótese sem fundamento em termos, lembrando a “hipótese camítica”, hoje totalmente desacreditada. Tais autores deram o tom a toda uma linha de êmulos pouco escrupulosos que retomaram, por conta própria, esta ideia falsa, como se se tratasse de um fato estabelecido.

ele, pelo fato de tais declarações não se apoiarem em nenhuma espécie de prova material. Ademais, observamos que não há praticamente nenhum ponto em comum entre os Estados organizados por Dingiswayo e Shaka e os territórios da região que, na mesma época, encontravam -se sob administração europeia.

Um outro fator sugerido para explicar as origens do Mfecane foi o impulso para o Leste, encetado de forma progressiva, mas determinado pelos imigrantes bôeres do século XVIII, em busca de terras para colonizar (trekboers) a partir do Oeste da região do Cabo, e a barreira imposta em consequência do avanço, em sentido contrário, dos pastores nguni do Sul. Segundo os defensores dessa tese, tal corrente migratória de criadores bôeres criou as condições para uma carência de terras, bloqueando a via de expansão natural dos pastores nguni do Sul; nesse momento, engendrou -se uma crise que repercutiu até os nguni do Norte20. Não

há dúvida que a pressão demográfica desempenhou um papel importante entre os nguni em geral, e, nesse sentido, o argumento é convincente; não obstante, ligando -o à migração dos trekboers saídos do Cabo rumo ao Leste, não é expli- cado por que a revolução social desenrolada por estas pressões demográficas não ocorreu entre os Estados xhosa ou nguni do Sul, que estavam diretamente blo- queados pelo avanço dos trekboers. Formulada nestes termos, a questão da pres- são demográfica suscita uma outra. Seria preciso provar de forma convincente que, até o impulso bôer ter atingido o rio Great Fish, por volta da metade do século XVIII, o problema da superpopulação entre os nguni do Norte (aqueles que estavam fixados no Norte do Tugela) podia ser, ou foi, frequentemente resol- vido com a partida de grupos que migraram em busca de uma terra acolhedora, em direção ao Sul, ao atravessarem as zonas povoadas por comunidades nguni de língua xhosa e se fixarem entre esses ou em territórios situados mais ao Sul. Nesse sentido, a barreira física do Drakensberg teria constituído um obstáculo menos dissuasivo do que a massa densamente povoada das comunidades de língua xhosa, estabelecidas no Sul da região hoje chamada Natal21.

Outra explicação interessante e importante: os grandes Estados das regiões nguni do Norte queriam garantir o domínio do comércio – sobretudo o do marfim –, com o porto sob o controle português da baía de Delagoa, na costa leste. A hipótese foi colocada pela primeira vez por Mônica Wilson e recebeu o apoio de Allan Smith22. Bem antes do final do século XVIII, Estados, como

os dos ndwadwe -hlubi e dos ngwane, participavam do comércio com os por-

20 R. Oliver e J. D. Fage, 1962, p. 163. 21 J. D. Omer -Cooper, 1966, p. 169.

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tugueses, sobretudo através de intermediários tsonga. Quando de sua ascensão ao trono dos mthethwa, Dingiswayo criou, de fato, uma rota do comércio de marfim com a baía de Delagoa, conquistando, nesse momento, vários clãs para abrir o acesso ao porto do Oceano Índico23. Dingiswayo teria sido imitado por

Zwide e Sobhuza, que também tentaram uma abertura em toda a extensão do Pongolo, a fim de estabelecerem uma ligação comercial com a baía de Delagoa24.

Alguns historiadores colocaram em dúvida a importância do fator comercial na condição de estimulador da expansão dos Estados, mas o debate continua em aberto.

Em todo caso, é difícil levar muito a sério as explicações fundadas basica- mente na personalidade ou nas qualidades individuais dos chefes da revolução. É bem mais instrutivo tentar compreender porque chefes como Dingiswayo, Shaka, Mzilikazi e outros subiram ao poder e brilharam na mesma época e na mesma grande região. Uma reflexão deste tipo pode nos ajudar a evitar mitificar o papel de um ou outro dos principais atores desta grande tragédia humana e a ver neles, de forma mais razoável, o produto de um meio socioeconômico particular.

Portanto, por volta do final do século XVIII e, sobretudo, durante os pri- meiros anos do XIX, um conjunto de fatores, centrados principalmente na falta de terras cada vez mais sensível em razão do crescimento demográfico, esteve na origem de uma agitação que tendeu, mais tarde, a uma explosão de violência na maioria dos Estados nguni do Norte. Mudanças revolucionárias intervieram progressivamente no tecido social e cultural de sociedades inteiras. Sob a pres- são da guerra que perturbava as condições de vida em toda a região, os Estados foram obrigados, um após o outro, a modificar ou abandonar práticas consa- gradas pelo tempo, tal como a lida com rebanhos, baseada em um empréstimo, ou cerimônias tradicionais, como a iniciação associada à circuncisão; costumes cuja perpetuação arriscava comprometer a capacidade de reagir com eficácia às exigências de uma situação em rápida evolução. Por exemplo, a iniciação dos meninos, que comportava a circuncisão e períodos de vida reclusa, podendo chegar até seis meses, arriscava, nesses momentos críticos, impedir a conscrição de centenas de jovens para o serviço militar. Assim, as mudanças e as adaptações trazidas aos costumes sociais e às práticas tradicionais conduziram, na ordem militar, a inovações técnicas e a uma modernização da organização. Dentre os

23 A. T. Bryant, 1929, p. 97; A. K. Smith, 1969, p. 182 -183. 24 A. T. Bryant, 1929; A. K. Smith, 1969, p. 185.

maiores inovadores e modernizadores deste período, é preciso citar Zwide, rei dos ndwandwe; Dingiswayo, rei dos mthethwa, e Shaka, rei dos zulus25.

Em virtude das guerras conduzidas por estes numerosos Estados nguni, das migrações que elas provocaram, das anexações e das incorporações diver- sas que resultaram delas, três poderosos grupos se destacariam, dominando assim a região. O primeiro, o dos ngwane -dlamini (chamados, em seguida, de swazi) comandados por Sobhuza, estava estabelecido nas margens do Pongolo. O Pongolo, o Mfolozi e o Oceano Índico delimitavam o território do segundo grande grupo, a confederação ndwandwe, a qual reinava o rei Zwide. A Oeste dessa última encontravam -se chefias mais modestas como a dos khumalo. O terceiro grande grupo, a confederação mthethwa, colocada sob a autoridade de Dingiswayo, ocupava aproximadamente, mais ao Sul, o triângulo compreendido entre o Oceano Índico e os cursos inferiores do Mfolozi e do Mhlatuze26.

Os chefes desses três grandes Estados, na verdade, eram monarcas supremos que recolhiam tributo em um conglomerado de pequenos Estados, chefias e clãs. Os Estados vassalos gozavam, em geral, de uma autonomia considerável para os assuntos da vida cotidiana, reconhecendo a autoridade suprema do suserano nos campos tão importantes quanto os rituais das primícias, as cerimônias de iniciação, o pagamento do tributo e a condução da guerra.

A luta pela supremacia opôs, primeiramente, os ngwane -dlamini de Sobhuza aos ndwandwe de zwide. A disputa era pela posse das terras férteis do vale do Pongolo, para o cultivo do milho. O Estado ndwandwe, que adquiriu muita importância por volta da metade do século XVIII, no princípio, fazia parte de um aglomerado de chefias nguni -embo que havia emigrado para o Sul, deixando o reino de Thembe no interior da baía de Delagoa, aproximadamente no final do século XVII. Associados a outros grupos oriundos dos nguni -embo, tais como os ngwane, os dlamini e os hlubi, eles finalmente se fixaram no vale do Pongolo na época em que seu chefe era Langa II, ou talvez seu predecessor, Xaba. Os ndwandwe se estabeleceram principalmente nos contrafortes do Ema -Gudu, que domina o Sul do vale do Pongolo. Foi a partir de seu novo domínio que os chefes ndwandwe empreenderam a extensão de seu poder político, submetendo, uma após outra, várias chefias de menor importância, estabelecidas na vizi- nhança. Estes pequenos Estados compreendiam algumas comunidades ngwane e ntungwa do vale do Pongolo, bem como um grupo de clãs khumalo sob a autoridade de Mashobane. Foi aí também, quando seu Estado se solidificou e

25 J. D. Omer -Cooper, 1966, p. 27; J. Bird, 1888, vol. I. 26 A. T. Bryant, 1929, p. 160.

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prosperou, que eles tomaram o nome de ndwandwe, a fim de se distinguirem de outros nguni -embo, dentre os quais alguns tinham se estabelecido na margem norte do Pongolo, e outros, a Oeste da chefia ndwandwe27.

A autoridade política dos soberanos ndwandwe cresceu enormemente à medida que impunham sua suserania a um número crescente de pequenos Esta- dos. Sob o reinado de Langa II e de seu filho Zwide, as fronteiras do Estado estendiam -se ao Norte até duas margens do Pongolo e, ao Sul, até o vale do Mfolozi Negro; a Oeste, atingiam os acessos da floresta de Ngome e, a Leste, a baía de Santa Lúcia, no Oceano Índico28. Os soberanos ndwandwe foram,

portanto, os primeiros chefes nguni a congregar um grande número de pequenas chefias para constituir um grande Estado. Ao explorar habilmente os costumes e as práticas antigas e organizá -los de forma a servirem a novos propósitos e sem hesitar em empregar, se fosse preciso, toda a força das armas, os chefes nwandwe conseguiram criar, na zona de confluência do Usutu e do Pongolo, uma pode- rosa confederação que recolhia tributo em inúmeras pequenas chefias da região. Zwide subiu ao trono por volta de 1790. Seu poder atingiu o apogeu aproxima- damente na mesma época que Dingiswayo, rei da confederação dos mthethwa, vizinha e rival dos ndwandwe29. A honra de ter erguido o essencial da poderosa

confederação ndwandwe recai sobre ele. Entretanto, é preciso reconhecer que Zwide construiu sobre as fundações edificadas por seu pai e seu avô, e que ele explorou instituições, costumes e práticas que vigoravam em toda região, mesmo entre os sotho -tswana que viviam a Oeste do Drakensberg.

Como vários outros Estados nguni da região, o reino ndwandwe apoiava -se muito no desdobramento de regimentos militares, recrutados na ocasião do rito tradicional de iniciação dos meninos e meninas, pertencentes, aproximadamente, à mesma faixa etária. Para os meninos, o antigo rito de iniciação era acompa- nhado da circuncisão. Parece que, dentre os primeiros chefes nguni, Zwide e seus predecessores foram os primeiros a perceberem o uso político que se podia fazer da prática sotho -tswana de coordenar e organizar a circuncisão, e os ritos conexos de iniciação, em escala da comunidade ou da chefia e não no nível das famílias. Em seguida, foi fácil ampliar o princípio. Os chefes vassalos podiam continuar reinando sobre seus próprios súditos, mas não podiam mais organizar e presidir suas próprias cerimônias de iniciação como no passado. Doravante, essas cerimônias eram organizadas a partir do centro, e os jovens de todas as

27 Ibid., p. 158 -161. 28 Ibid., p. 160. 29 Ibid.

comunidades estabelecidas no território ndwandwe eram alistados como mem- bros de regimentos nacionais correspondentes a sua faixa etária30. Obviamente,

tal disposição facilitava o uso posterior desses regimentos para fins militares. Além do uso que fizeram desses regimentos de recrutas para amalgamar as diferentes partes de seu Estado “nacional”, os reis ndwandwe teriam recorrido amplamente às influências mágico -religiosas para reforçar sua própria autoridade e contribuir para criar o mito do monarca todo -poderoso e invencível. Além da tradicional cerimônia anual das primícias, Zwide, em particular, cercou -se dos serviços de um impressionante areópago de feiticeiros e de mágicos reais, cujo renome servia para repercutir o temor ao seu poder pelas inúmeras chefias das redondezas. Zwide também recorreu a casamentos diplomáticos para nutrir relações com certos Estados da região ou para torná -los mais serenos. Foi assim que ele ofereceu a mão de sua irmã Ntombazana ao rei mthethwa Dingiswayo. Talvez fossem considerações da mesma ordem que finalmente o levaram a acei- tar que uma de suas filhas, Thandile, esposasse Sobhuza, rei dos ngwane (swazi), que a chamavam de Lazidze, a filha de Zwide.

Entretanto, Zwide não tinha a menor intenção de deixar que tais casamen- tos travassem seus objetivos expansionistas. Isso foi bem evidenciado quando Sobhuza fez valer seus direitos à utilização das férteis terras aráveis do vale do Pongolo. Zwide respondeu atacando a capital de Sobhuza, na fronteira meridio- nal da atual Suazilândia31. O exército ndwandwe venceu uma série de confrontos

e expulsou os partidários de Sobhuza do vale do Pongolo, rechaçando -os para o Norte. Foi aí, no meio do maciço montanhoso, hoje localizado no território da Suazilândia, que Sobhuza (conhecido também pelo nome de Somhlolo) edificou as fundações da nação swazi.

Os swazi

O grupo original ngwane era formado de um aglomerado de clãs nguni- -embo e de alguns grupos de origem nguni -ntungwa, mais alguns clãs tsonga conduzidos por elementos da linhagem real dos dlamini. Esses clãs uniram -se para constituir o substrato da sociedade ngwane no distrito de Shiselweni e

30 J. D. Omer -Cooper, 1966.

31 J. S. M. Matsebula, 1972, p. 15 -16; H. Kuper, 1947, p. 13; J. D. Omer -Cooper, 1966, p. 29 -49; A. T. Bryant, 1964.

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seriam conhecidos pelo nome de bemdzabuko, ou verdadeiro Swazi32. Na parte

central da atual Suazilândia, Sobhuza colocou sob sua autoridade política vários outros clãs estabelecidos na vizinhança. Tratava -se, na sua maioria, de pessoas de origem sotho (pedi), que haviam se misturado a pequenas comu- nidades de nguni -embo e de ntungwa. As comunidades sotho que Sobhuza integrou a seu reino possuíam um sistema bastante evoluído de regimentos constituídos por faixas etárias. Para distinguir estes novos swazi daqueles que vieram do Sul, eram geralmente chamados de emakhandzambili [aqueles que foram encontrados]33.

Antes mesmo de ser expulso do vale do Pongolo, o povo de Sobhuza tinha, como o de Dingiswayo, adotado o sistema de faixas etárias. Isso facilitou muito a integração das novas comunidades do centro da Suazilândia. Como nas comu- nidades sotho, as faixas etárias swazi apenas funcionavam sob a forma de regi- mentos militares em tempos de guerra. Os jovens dos clãs conquistados foram incorporados ao sistema de iniciação ngwane e enviados para o combate lado a lado com seus conquistadores nos mesmos regimentos34, ao passo que os chefes

dessas comunidades sotho, longe de serem eliminados, obtiveram uma larga autonomia para a gestão dos negócios locais. Sem dúvida, os clãs sotho ocupa- ram, no início, uma posição sensivelmente inferior na sociedade ngwane; mas à medida que o tempo passava e que sua lealdade para com o Estado não era mais colocada em dúvida, eles obtiveram o mesmo tratamento que os membros nguni do Estado swazi.