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Gestió dels deures en dos centres escolars de Mallorca

6. MARC PRÀCTIC

6.3.2 Gestió dels deures en dos centres escolars de Mallorca

Antes de analisar a situação da colônia do Cabo na véspera do Mfecane, é preciso defini -la, apresentar um quadro sucinto da distribuição da sua população e das relações entre os diferentes grupos e dizer, por fim, uma palavra sobre sua situação econômica.

Definir a colônia do Cabo é difícil na medida em que as suas fronteiras nunca foram fixas. A fronteira oriental, em particular, era conhecida por ser móvel e incerta3. Por exemplo, até 1771 era formada, grosso modo, pelo rio Gamtoos e

oito anos mais tarde, 1779, havia mudado para o rio Great Fish, sendo ali esta- belecida às vésperas do Mfecane. O Great Fish constituía, deste modo, a linha de separação entre os brancos ao Sul e a Oeste e os negros a Leste e ao Norte. A maioria dos africanos era chamada coletivamente pelo nome de nguni do Cabo4,

ou às vezes pelo nome de nguni do Sul5 e habitava as terras situadas entre o

Keiskamma e o Umzimkulu. Os nguni do Cabo dividiam -se em três categorias: os xhosa, os tembu e os mpondo6. A classificação mais ampla de Derricourt

inclui, entre os grupos principais, os mpondomisi e os bomvana7. Os vizinhos

dos nguni do Cabo eram os khoisan – os quais viviam a Oeste do rio Kei. Neste capítulo, a colônia do Cabo será definida de maneira a incluir o terri- tório habitado pelos brancos, bem como aquele habitado pelos africanos a Oeste

3 Foi descrita alhures como a “fronteira móvel”. Ver W. M. Freund, 1974. 4 J. J. Van Warmelo, 1935, p. 60.

5 Os nomes “nguni do Cabo” e “nguni do Sul” são de fato geográficos e aplicam -se aos povos da língua nguni que viviam ao Sul do Umzimkulu. Os povos da língua nguni e habitantes ao Norte deste curso d’água são chamados de “nguni de Natal” ou simplesmente de “nguni do Norte”.

6 J. J. Van Warmelo, 1935, p. 60. 7 R. Derricourt, 1974.

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O impacto do Mfecane sobre a colônia do Cabo

do rio Great Fish até o Umzimkulu. Esta definição se justifica pelas estruturas socioeconômicas e pela natureza das novas relações que se instauraram após o Mfecane e que são, nós o veremos, a sua consequência.

No conjunto, as relações entre os diversos povos que falam o nguni eram relativamente pacíficas. Podemos dizer o mesmo para aquela entre os nguni e os seus vizinhos khoisan. Isto não significa, contudo, que não houvesse conflitos entre os dois grupos ou entre os próprios nguni. Por exemplo, os embates entre nguni e khoisan eram frequentes, em particular na zona compreendida entre o curso superior do Kei e o Amathole, no Noroeste do Transkei8. Estes conflitos

eram geralmente provocados pelos ataques dos San contra o rebanho, ataques que levavam a expedições de represálias dos nguni. Todavia, estes conflitos – seja entre os nguni e os khoisan, seja entre as chefias nguni – eram geralmente localizados e muito confinados.

O que se chamava de fronteira oriental do Cabo constituía, contudo, uma zona de tensão entre negros e brancos, chegando com frequência a conflitos abertos devidos a vários fatores. Em primeiro lugar, é necessário lembrar que, há séculos, as comunidades que falavam o nguni moveram -se lentamente para o Sul do continente a partir de Natal. Do outro lado, a expansão branca na África do Sul que seguiu a direção oposta começara em 1652 quando Jan van Riebeeck fundou uma colônia holandesa no Cabo. Os dois movimentos deve- riam fatalmente se colidir em algum momento. Eles se opuseram naquilo que a historiografia sul -africana chama “as guerras cafres”.

Em segundo lugar, o Great Fish, ainda que reconhecido pelo governo do Cabo como a linha de fronteira, era frequentemente cruzado por aqueles que ele deveria separar e manter distanciados. Os colonos e, mais especialmente, os pecuaristas violavam este limite na busca de mais pastagens. Quanto aos africa- nos, eles nunca tiveram a intenção de reconhecer esta fronteira e, menos ainda, de respeitá -la, já que, quando foi instituída pelo governo do Cabo, inúmeras comunidades xhosa estavam estabelecidas a Oeste do Great Fish. A região fronteiriça era, assim, considerada por inúmeros xhosa como parte integrante de suas terras ancestrais, das quais eles haviam sido privados pela expansão contínua da colônia. Esta é a razão pela qual vários dentre eles continuaram a pastorear e levar o rebanho a beber água ao longo do Great Fish, desafiando, assim, as autoridades do Cabo. Os caçadores xhosa caçavam sempre a Oeste do rio.

A terceira razão pela qual a linha de fronteira ao Leste permanecia uma zona de tensão e de violência entre brancos e negros era o fato de os dois grupos étnicos perseguirem atividades econômicas semelhantes, como a pecuária e a agricultura, as quais constituíam as atividades essenciais de cada lado da fron- teira. A isto se juntou a existência de sistemas fundiários totalmente opostos.

Enfim, no século XVIII e no início do século XIX, a expansão para o sudoeste dos nguni foi provocada por um dilema real cuja origem deve ser procurada entre os acontecimentos que se produziram no Norte do seu território. Estes aconteci- mentos impediram os nguni do Cabo de se dirigirem rumo ao Nordeste.

Na medida em que os xhosa formavam a vanguarda da expansão dos nguni do Cabo para o Oeste e o Sul, eles pagaram o preço da guerra entre brancos e negros na fronteira. Esta é a razão pela qual este grupo não é somente aquele sobre o qual mais se tenha escrito, mas permanece também o grupo de nguni do Cabo o mais vilipendiado e o mais odiado na historiografia colonial desta região9.

Como já dissemos, os xhosa não reconheciam o Great Fish como fronteira e o cruzavam para pastorear as suas manadas. Estas “violações” fronteiriças eram, às vezes, acompanhadas de roubos de gado, aos quais os colonos do Cabo replicavam frequentemente com ataques de represália nas terras do xhosa sob o pretexto de recuperar os seus bens. Era, entretanto, frequente que as atividades dos comandos ultrapassassem os objetivos fixados.

É portanto evidente que as relações entre negros e brancos na região não eram pacíficas às vésperas do Mfecane. Nós analisaremos neste contexto a situ- ação da colônia às vésperas deste movimento.