O empreendedorismo é muito mais que a competência é o risco que se tem ao se criar uma empresa. As empresas criam riquezas e postos de trabalho. Sem o dinamismo que aportam à economia, os desafios da globalização e as mudanças estruturais não seriam possíveis. Fomentar o espírito empreendedor significa mobilizar a energia empresarial dentro de um processo dinâmico que se beneficia de todas as oportunidades que pode oferecer a economia. O sucesso se deve a uma
combinação de fatores institucionais favoráveis, de programas governamentais planejados e de fatores culturais propícios.
Para desenvolver-se, o empresariado requer mercados financeiros eficazes, um mercado de trabalho flexível, um sistema fiscal simples e transparente e uma regulação sobre falências aplicadas a realidade do mundo empresarial.
Na sua obra clássica de 1911, Teoria do Desenvolvimento Econômico, Schumpeter argumenta que os empreendedores são a força motriz do crescimento econômico, ao introduzir no mercado inovações que tornam obsoletos os produtos e as tecnologias existentes.
A relação entre desemprego e o trabalho por conta-própria tem encontrado evidência empírica contraditória que reflete a ambigüidade da relação no plano teórico. De Knight (1921) aos contemporâneos Blanchflower e Meyer (1994), a teoria prevê que o aumento do desemprego leva ao crescimento do trabalho por conta- própria, porque o custo de oportunidade de iniciar uma empresa cai, quando há mais desemprego. No entanto ao desempregado podem faltar habilidades, motivação ou oportunidade para ser empreendedor, o que revelaria uma relação negativa entre desemprego numa região e a taxa de empreendedorismo dos trabalhadores por conta-própria (Audretsch, Keilbach, & Lehmann, 2006; Robson, 1998).
De acordo com o relatório do GEM (2009) a mentalidade empreendedora é fundamental para o desenvolvimento econômico de qualquer país. Em 2008, dentre 43 países o relatório apontou o Brasil em 13º lugar quanto às iniciativas empreendedoras, foi registrado 14.644 milhões de empreendedores, porém é fato que nem todos são bem-sucedidos nos negócios e muitos passam por diversos fracassos até aprender.
Na primeira vez em que foi avaliado, junto com 21 países, o Brasil foi classificado como a primeira nação em iniciativa empreendedora. No ano seguinte, já com 28 países participando da pesquisa, ficou em quinto lugar. Agora aparece em décimo terceiro entre 43 nações.
Gráfico 54 - Empreendedorismo no Brasil
Segundo o GEM (2009) quanto ao estágio de vida, os empreendedores podem ser iniciais ou estabelecidos. Os empreendedores iniciais estão à frente de negócios com até 42 meses de vida (três anos e meio) e compõem uma taxa denominada TEA (taxa de empreendedores iniciais). Esses empreendedores subdividem-se em dois tipos: nascentes, à frente de negócios em implantação – busca de espaço, escolha de setor, estudo de mercado etc., e novos, cujos negócios já estão em funcionamento e geraram remuneração por pelo menos três meses. Os empreendedores estabelecidos, por sua vez, são aqueles à frente de empreendimentos com mais de 42 meses. O relatório do GEM (2008) estima que o Brasil comporte 14.644 milhões de empreendedores iniciais, um dos maiores entre os países pesquisados, perdendo apenas para os Estados Unidos com 20.546 milhões e Índia com 76.045 milhões. Desse total, 24% estão à frente de negócios em estágio nascente, com tempo inferior a 3 meses de vida, e aproximadamente 76% administram negócios com tempo de vida entre 3 e 42 meses.
Gráfico 55- Evolução dos empreendedores iniciais
A atividade empreendedora em qualquer economia se dá na maioria das vezes pelas motivações do individuo para iniciar a tarefa de criar uma empresa. Esta motivação, por sua vez, vem determinada em parte pelas oportunidades presentes para concluir com sucesso a empresa iniciada.
Quanto à motivação para empreender, os empreendedores podem ser orientados por: oportunidade, quando motivados pela percepção de um nicho de mercado em potencial, ou necessidade, quando motivados pela falta de alternativa satisfatória de trabalho e renda. A motivação para iniciar uma atividade empreendedora é um dos temas importantes para a pesquisa GEM, principalmente para se conhecer melhor a natureza do empreendedorismo em países em desenvolvimento. A taxa de empreendedorismo por oportunidade reflete o “lado positivo” da atividade empreendedora nos países e a por necessidade o “lado negativo”.
Segundo Aluízio Antonio de Barros e Cláudia Maria Miranda de Araújo Pereira em seu estudo sobre Empreendedorismo e Crescimento Econômico (2007) ao contrário do empreendedor inovador que fareja uma oportunidade de negócio, o empreendedor por necessidade pouco contribui para o dinamismo da economia local. Sua atividade, mesmo quando de baixa produtividade e renda, constitui uma
ocupação alternativa ao desemprego. Segundo dados do SEBRAE (2007) 25% dos empreendedores que encerram seu negócio, voltam para o mercado de trabalho, 20% se tornam autônomos e 39% abrem um novo negócio.
Um dos destaques da pesquisa GEM 2008, foi à melhoria observada entre empreendedorismo por oportunidade ou por necessidade. Em 2008, foram registrados dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. O total de empreendedores por oportunidade ficou em 67%, ou seja, 9.783 milhões, enquanto empreendedores por necessidade em 33% - 4.812 milhões.
Gráfico 56 - Total de empreendedores por motivação
O impacto positivo deste dado é que em 2002 obtivemos a proporção inversa, o que demonstra a grande evolução neste tema.
Em relação a gênero, o estudo indica que nos empreendimentos iniciais as mulheres representam 47,3% do total de empreendedores, sendo as nascentes 40,4%, e os novos 29,5%. Os homens representam 52,7% nos empreendimentos iniciais, 59,6% nas nascentes e 49,5% nos novos.
Gráfico 58 - Empreendedores por gênero
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial em relação à participação de jovens empreendedores, sendo superado somente pelo Irã e Jamaica. O Brasil possui um dos menores índices de participação do adulto de meia idade (55-64 anos) no empreendedorismo (3%), colocando-se na quadragésima posição entre os quarenta e dois países analisados.
Em relação à motivação para o empreendedorismo as faixas etárias acima de 45 anos sofrem mais a ação da motivação pela necessidade, abaixo desta idade a oportunidade é o maior motivador.
Gráfico 60 - Faixa etária por motivação
Mais da metade dos empreendedores iniciais (52%) possuem a faixa de renda inferior a três salários mínimos, são 7.614 milhões de empreendedores. De 6 a 9 salários equivale a 29,1% e de 9 a 12 salários a 10,3%.
Os empreendedores com a renda inferior a 3 salários mínimos são os que mais iniciam o empreendedorismo motivados pela necessidade, eles representam 62,73%.
Gráfico 62 - Faixa de renda por motivação
A maioria, ou seja, 52,7% dos empreendedores iniciais possuem mais de 5 anos de escolaridade.
Gráfico 63 - Empreendedores por escolaridade
85,71% dos empreendedores com mais de 11 anos de estudo, são motivados pela oportunidade, enquanto que 72,86% dos que não possuem nenhum tipo de
educação formal são motivados pela necessidade. Os empreendedores com menos de 4 anos de estudo também são motivados pela necessidade (66,93%).
Gráfico 64 - Escolaridade por motivação
O relatório GEM (2008) destaca a necessidade de atenção por parte dos governantes quanto à formulação de políticas e programas destinados à melhoria da qualidade dos negócios abertos principalmente por micros e pequenos empreendedores em todo o País. Dentre as prioridades estabelecidas pelos governos em geral, o empreendedorismo não tem merecido posição de destaque.