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são “história natural”, que evidentemente não trata de “história”, no sentido do senso comum, e sim de informações a respeito dos três reinos da natureza mineral, vegetal e animal. A melhor tradução do tí- tulo seria, portanto, Investigações sobre os animais. Embora a “História dos animais” seja essencialmente descritiva, não é uma mera coleção de fatos. Aristó- teles procura constantemente comparar e analisar os diferentes animais, examinando, por exemplo, as diferenças entre os estômagos ou os corações de dife- rentes ordens, estabelecendo – entre outras coisas – um tipo de anatomia comparada. Não existem regis- tros de autores anteriores a Aristóteles que tenham feito isso; e somente no século XVII – dois mil anos depois do trabalho do filósofo – foram escritos outros trabalhos sobre anatomia comparada.

Aristóteles fez acuradas observações sobre a ana- tomia dos animais, principalmente da fauna marinha, tais como o polvo, peixe-espada, crustáceos e disseca- ções de invertebrados marinhos. Descreveu o desen- volvimento embrionário de pintos; distinguiu os golfi- nhos dos peixes; descreveu as câmaras estomacais dos ruminantes e a organização social das abelhas.

Na ilha de Lesbos, durante os anos em que viveu na ilha com sua esposa Pítias, segundo conta a lenda, Aristóteles conversava com pescadores e criadores de abelhas, com caçadores, criadores de animais e ho- mens do campo, e ele próprio se entregava ao prazer de olhar para o mundo à sua volta, observando pássaros, cavalos, golfinhos, insetos e centenas de outros ani- mais. Com uma curiosidade insaciável, anotava fatos e mais fatos, dissecava e descrevia coelhos, gafanhotos e ouriços do mar, experimentava afogar uma tartaru- ga na água, ressuscitavamoscas colocando-as perto de cinzas quentes, e... refletia sobre tudo o que via. Nas pesquisas que realizou, nada era considerado indigno de atenção. O mundo terrestre, “daqui de baixo”, era tão digno de ser estudado quanto os céus. O estudo das abelhas, das cigarras e dos polvos era considerado por Aristóteles tão valioso quanto o estudo das ove-

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ristóteles (384-322 a.C.) foi um dos maiores filósofos gregos, natural de Estagira (Ma- cedônia). Segundo Nordenskiöld (1949), era filho do médico Nicomachus e de sua esposa Phaestis; foi discípulo de Platão e preceptor de Alexandre. Fun- dador do Liceu de Atenas, onde lecionava lógica, me- tafísica, artes, política, psicologia e biologia. Segundo Théodorides (1984), foi o fundador da zoologia como área da biologia. Suas obras biológicas influenciaram duradouramente as áreas de classificação, evolução, morfologia e reprodução. Criador da noção da entelé- quia, um princípio imaterial que animava e dava vida a matéria. Suas principais obras biológicas são: Histó- ria dos Animais, As Partes dos Animais, A Geração dos Animais e A Alma.

No ano de 322 antes da era cristã que Aristóteles retirou-se para Calchis, na ilha de Euboea, onde mor- reu pouco tempo depois, no outono de 322 a.C., aos 62 anos de idade (MARTINS, s/d).

A obra Historia animalium consiste numa coletânea de fatos e trazia ilustrações e diagramas de alguns animais, que, juntamente com algumas explicações, talvez formasse todo um tratado. Essa obra é seguida pelos trabalhos em que Aristóteles expõe suas teo- rias acerca desses fatos. O primeiro dentre eles é De

Partibus animalium, cujo primeiro livro constitui uma

introdução geral à “biologia”. O De motu animalium, que apenas recentemente tem sido considerado como sendo da autoria de Aristóteles. De incessu animalium e

De generatione animalium são considerados autênticos.

Segundo Martins (s/d), a “História dos animais” é uma obra cujo título também pode enganar os desa- visados, pois, não se trata de um conjunto de fábulas ou contos sobre bichos, e sim um estudo bastante am- plo sobre o mundo animal. A palavra “história” não significava, antigamente, alguma coisa relacionada ao tempo, nem a estórias. Significava apenas estudo, investigação e, mais particularmente, uma coleção de fatos, desprovida de teoria. Esse significado da pala- vra “história” se conservou, por exemplo, na expres-

lhas e até mesmo dos seres humanos. É verdade que ele aceitava a existência de uma escala de perfeição e considerava que os homens e os outros mamíferos eramsuperiores aos outros animais. Mas cada ser vivo, inferior ou superior, era um objeto maravilhoso a ser estudado, analisado e compreendido. A menor das moscas era um tema digno da atenção de Aristó- teles (MARTINS, s/d).

Na sua classificação dos animais, desenvolveu os conceitos de gênero e espécie, dividindo os animais em dois grupos: os com sangue (enaima) e os sem sangue (anaima) que correspondem aos vertebrados e inverte- brados. Incluídos no primeiro grupo de cinco gêneros: os quadrúpedes vivíparos (mamíferos), aves, quadrúpe- des ovíparos (répteis e anfíbios), peixes e baleias. Dentre os animais sem sangue (pigmentado), ele incluiu os in- setos (borboletas, traças, gafanhotos, vespas, abelhas e aranhas); os cefalópodes (polvos e lulas); crustáceos (la- gostas, lagostins, camarões e caranguejos) e os testáceos (caracóis, lesmas, ostras, mariscos, mexilhões, estrelas- do-mar, holotúrias e ouriços-do-mar).

O conjunto de animais que possuem o corpo seg- mentado e que não possuem partes mais moles nem fora nem dentro do corpo. Aristóteles os chamava de insetos, por causa da divisão do corpo. Eles incluem aquilo que chamamos atualmente de insetos, mas também outros artrópodes, como os aracnídeos (MARTINS, s/d).

Como ele próprio descrevia:

O quarto gênero é o dos insetos e esse gênero contém nume- rosas espécies diferentes. Os insetos, como o nome indica, são criaturas que possuem incisões no ventre ou nas costas, ou em ambos, não possuindo nenhuma parte distintamente óssea nem qualquer parte distintamente carnosa, mas sendo em todas as partes algo intermediário entre osso e carne. Ou seja, seu corpo é todo duro, dentro e fora. Alguns insetos são desprovidos de asas, como a centopéia; alguns possuem asas, como a abelha, o besouro e a vespa; e o mesmo tipo pode ser em alguns casos dotados de asa e em outros sem asa, como a formiga e o vagalume (ARISTÓTELES apud MARTINS, s/d). Durante a Idade Média o trabalho de Aristóteles foi redescoberto, fundido e reconciliado com a dou- trina do cristianismo, dando origem ao Escolasticis- mo, como sistema filosófico, tornando-se o sistema oficial da Igreja Católica Romana. Como consequência dessa hegemonia, todo o conhecimento científico não baseado nos conceitos aristotélicos, era criticado e muitas vezes, reprimido pela Igreja Católica.

Segundo Martins (1990), todo o conjunto das obras de Aristóteles dedicadas aos seres vivos forma um impressionante sistema de estudos biológicos. Des-

tacam-se, por um lado, a grande quantidade de fatos descritos, o que pressupõe um trabalho extenso de ob- servação de animais vivos, dissecações e experiências. Por outro, a sistematização e a clareza de exposição, o que envolvia classificações, termos, distinções, carac- terísticas etc.. Diante desses fatores, o autor afirma se tratar de um trabalho ciclópico, e comenta ser pratica- mente impossível que ele tenha sido realizado por um único indivíduo isoladamente. Segundo ele, a maior parte das observações deve ter sido realizada, se não diretamente por Aristóteles, pelo menos a seu pedido e sob sua orientação e supervisão.

Segundo Balme (1987), a intenção de Aristóteles em relação ao tratado Historia animalium era a de com- preender as diferenças que os animais apresentavam no sentido de distingui-los e de defini-los. Dos 560 ti- pos de animais que Aristóteles mencionou em seus trabalhos zoológicos, 390 pertencem apenas a Historia animalium. Enquanto boa parte das informações es- tão contidas nos demais tratados zoológicos. A Histo- ria animalium inclui informações mais especializadas, fornecidas por fazendeiros, apicultores, criadores de aves, dentre outros (BALME, 1987).

Escreve Martins (s/d) que enquanto Aristóteles vi- via na ilha de Lesbos, inaugurava uma nova etapa em sua vida e uma nova fase na história da ciência. Nun- ca, antes disso, havia sido feita uma investigação tão detalhada e profunda sobre os animais. E nunca mais esse campo de estudos foi o mesmo, depois de ter sido tocado pela mão do filósofo.

É intenção do presente capítulo fazer um recorte sobre o que Aristóteles considerou como insetos en- tre os animais contidos nos livros IV e V da sua obra Historia animalium e está baseado na primeira versão em português da obra, com tradução da classicista portuguesa Maria de Fátima Sousa e Silva, com revisão científica do biólogo Prof. Carlos Almaça (1934-2010), (ARISTÓTELES, 2006) e disponível na web, e também na tradução e adaptação de autores de língua inglesa que, por sua vez, traduziram a obra aristotélica de fon- tes greco-latinas, como os clássicos Richard Cresswell (1883), D’Arcy Wentworth Thompson (1967, publicado originalmente em 1910) e David Mowbray Balme (2002).

Os insetos (Livro IV)

O gênero dos insetos abrange um grande núme- ro de espécies, de que algumas, embora congêneres entre si, não se pode incluir numa denominação co- mum, como é o caso da abelha, do abelhão, da vespa e de todos os animais desse tipo; como também aqueles outros que têm as asas em élitro, como o besouro, o escaravelho, a cantárida e outros parecidos.

Entre todos eles há três partes em comum: a cabe- ça, o tronco que contém o estômago e uma terceira, situada entre as duas anteriores, que corresponde ao tronco e ao dorso dos outros animais. Na maioria dos insetos, esta última parte constitui uma só peça; mas nos que são grandes e possuem muitas patas, há quase tantas partes intermediárias quantos os segmentos.

Todos os insetos continuam a viver depois de cortados, salvo os que por natureza são muito frios, ou aqueles que, devido à pequenez do seu tamanho, arrefecem rapidamente. Até as vespas, uma vez cor- tadas, continuam vivas. Se ainda unidos à parte in- termediária, a cabeça e o abdomen mantêm-se vivos; mas sem a cabeça não sobrevivem. Os que são grandes e com muitas patas continuam vivos durante muito tempo depois de divididos em dois, e a parte cortada move-se para um e outro dos extremos da zona sec- cionada: quer no sentido do corte, quer no da cauda, como acontece com a chamada escolopendra.

Todos sem exceção têm olhos. Mas nenhum outro órgão sensorial é neles perceptível a não ser, em al- guns, uma espécie de língua (o que também todos os testáceos têm), que lhes serve para perceber e para recolher os alimentos. Nuns este órgão é mole, nou- tros, muito resistente, como acontece também com os búzios . As mutucas têm-no rijo, assim como a grande maioria dos outros insetos. Em todos os que são desprovidos de ferrão posterior, ele serve-lhes de arma ofensiva. Como também todos os que o pos- suem não têm dentes, exceto um pequeno número; é ao penetrar na pele com este órgão que as moscas sugam o sangue, e é dele que os mosquitos se servem para picar.

Alguns insetos têm ferrão. Uns têm-no no interior do corpo, como as abelhas e as vespas, outros, no ex- terior, como o escorpião. Este é o único inseto a ter a cauda comprida. Apresenta também pinças, caso da- quela espécie de escorpião que vive nos livros.

Os insetos voadores, para além das outras partes, têm asas. Seja com duas, as moscas, por exemplo, e com quatro, como as abelhas. Mas nenhum inseto que tenha ape- nas duas asas apresenta ferrão atrás. Além disso, entre os insetos voadores, uns têm um élitro sobre as asas, como o besouro; outros não têm élitro, como a abelha. Mas nenhum deles recorre à cauda para voar, nem tem túbulo nem divisões nas asas. Há também uns tantos com antenas à frente dos olhos, como as borboletas e os besouros lucanos.

Entre os insetos saltadores, uns têm as patas posteriores maiores, outros têm um “leme” que do- bram para trás, como os membros posteriores dos quadrúpedes.

Todos têm a face dorsal diferente da ventral, como acontece com todos os outros animais. A carne que lhes forma o corpo nem tem a estrutura da das con- chas, nem a do interior dos testáceos, nem mesmo a da carne propriamente dita; é uma substância mis- ta. Eis por que não têm nem espinhas, nem ossos e nem uma concha protetora. O corpo defende-se com a própria dureza e não necessita de outra proteção. Têm pele, que é muito fina.

São estas as partes exteriores dos insetos. No in- terior encontra-se, logo a seguir à boca, um intestino que, na grande maioria, é simples e reto até ao orifício excretor. Nuns tantos, poucos, apresenta uma espiral. Nenhum inseto tem vísceras ou gordura, como aliás nenhum dos animais não sanguíneos. Há também al- guns com estômago e, na continuação dele, o resto do intestino, que pode ser simples ou em espiral, como é o caso dos gafanhotos.

A cigarra é o único dos insetos que não tem boca. Apresenta, como os insetos com ferrão atrás, uma es- pécie de língua, que é longa, contínua e sem divisões, de que se serve para se alimentar de orvalho, o único alimento que consome. Não acumula excrementos no abdomen. Há diversas variedades de cigarra, que di- ferem pelo tamanho maior ou menor, e pelo fato de aquelas a que chamamos “cantoras” apresentarem uma fissura sob o corselete e uma membrana visível, que não existe nas cigarras pequenas.

Os insetos têm todos os sentidos: têm visão, olfato e paladar. Os insetos captam os aromas à distância, quer tenham asas quer não tenham, como no caso das abelhas e das formigas pequenas em relação ao mel, que percebem de longe pelo cheiro. Há muitos insetos que morrem ao cheiro do enxofre. Por outro lado, as formigas abandonam o formigueiro se o salpicarmos com orégano ou com enxofre, como também grande parte dos insetos foge do cheiro da fumaça produzida pela queima do chifre de veado. E mais do que tudo é o cheiro do incenso que os põe em fuga.

Outro tanto se passa com o paladar. Cada espécie procura um alimento diferente e nem a todas agra- dam os mesmos sabores; assim, a abelha nunca pousa em nada que seja pútrido, mas prefere tudo o que for doce; enquanto o mosquito não se aproxima de nada que seja doce, mas de tudo que for ácido.

Os insetos não têm voz nem linguagem, mas pro- duzem ruído por meio do ar que lhes passa no inte- rior, não com o que sai para o exterior. Porque ne- nhum deles expira; uns zumbem, como a abelha e os alados; de outros diz-se que “cantam”, como a cigarra, por exemplo. Todos estes insetos emitem um som com a membrana que têm sob o corselete, quando são seg-

mentados; há assim uma espécie de cigarra que pro- duz um som pelo atrito do ar. Por seu lado, as moscas, as abelhas e todos os outros insetos do mesmo gênero produzem ruído ao levantar voo e ao contraírem-se; na verdade, o som resulta do atrito do ar no interior do corpo. Quanto aos gafanhotos, é pela fricção dos seus “lemes” que produzem o som.

Os insetos pertencem igualmente ao número dos animais que se entregam ao sono, como fica provado por várias circunstâncias: pode constatar-se que se mantêm sossegados e imóveis. Sobretudo no caso das abelhas esse fato é evidente. Ficam quietas e deixam de zumbir durante a noite. O mesmo é também visí- vel naqueles insetos que se encontram por todo o lado. Não é só por verem mal que ficam sossegados de noite (é um fato que todos os animais com olhos duros têm uma visão fraca), mas mesmo à luz das tochas não os vemos inquietos.

A geração dos insetos (Livro V)

Existe uma propriedade que os animais tem em comum com as plantas. Algumas plantas são geradas a partir de sementes, enquanto outras são autogera- das a partir da formação de um princípio gerador. En- tre estas últimas, umas retiram seu alimento a partir do solo, enquanto outras crescem sobre outras plan- tas, como é referido no meu tratado Sobre as Plantas. Assim também entre os animais, uns nascem de outros animais, com os quais apresentam semelhança de forma, outros nascem a partir da geração espontâ- nea e não provém de congêneres. Nestes últimos, há os que se geram da terra em putrefação ou de maté- rias vegetais, como é o caso de um grande número de insetos, enquanto outros são gerados dentro dos pró- prios animais, a partir dos dejetos acumulados nos seus vários órgãos. Nos que têm progenitores, machos e fêmeas, o nascimento resulta de uma cópula.

Todos os seres que nascem por geração espontâ- nea, dentro de outros animais, na terra, nas plan- tas, ou nas partes dos animais e das plantas, e que tenham macho e fêmea, copulam e produzem um ser, que não se parece com os progenitores e é imperfeito. Assim, do acasalamento dos piolhos, nasce o que se chama de lêndea, das moscas, as larvas, das pulgas, as larvas ovoides, deste acasalamentos não nascem seres com a capacidade de gerar, nem nenhum outro ser propriamente dito, para além de tais larvas.

A cópula dos insetos

Os insetos copulam por trás; para isso, o menor, que é o macho, cobre a maior, que é a fêmea. Depois a fêmea introduz, por baixo, a vagina no macho, que

está por cima; não é este que penetra a fêmea, como nos restantes animais. O órgão da fêmea, em algumas espécies, é visivelmente desproporcional em relação ao tamanho geral do corpo, sobretudo quando as fêmeas são muito pequenas, enquanto noutros casos é menor. Esta realidade é evidente se se separarem as moscas durante o acasalamento. É de resto difícil separar os dois parceiros um do outro, porque a cópula nestes animais dura muito tempo. É o que se pode constatar nos insetos comuns, as moscas e as cantáridas. Todos acasalam do modo que referimos, as moscas, as can- táridas, as baratas, as tarântulas, e todos os outros se- res semelhantes que acasalam. As aranhas tarântulas, pelo menos as que fazem a teia, realizam a cópula da forma seguinte: enquanto a fêmea puxa, do meio da teia, os fios distendidos, o macho faz outro tanto mas em sentido contrário. Depois de proceder a esta ma- nobra várias vezes, aproximam-se e unem-se por trás, porque, devido à configuração redonda do ventre, este é o modo de cópula que se lhes ajusta melhor.

Os insetos acasalam e reproduzem-se no Inver- no, quando faz bom tempo e os ventos sopram do sul, pelo menos aqueles que não se abrigam, como as moscas e as formigas.

A reprodução dos insetos

Referimos acima que os machos são menores do que as fêmeas e que lhes sobem para o dorso. Disse- mos também do modo como se processa a cópula e da dificuldade em separar os parceiros. Mas depois desta, a postura acontece rapidamente. Todos os in- sectos que acasalam produzem larvas, menos um cer- to tipo de borboletas concebem um corpo duro, pare- cida com uma semente de açafrão, cheio de líquido por dentro. Das larvas vem a constituir-se um animal, não com origem numa só parte, como acontece com os ovos; é a larva no seu conjunto que se desenvolve e que, à medida que os seus membros se diferenciam, produz o animal.

Há insetos que provêm de animais que lhes são semelhantes, assim, as tarântulas e as aranhas têm origem em tarântulas e em aranhas, como também os grilos, gafanhotos e cigarras. Em contrapartida, há os que não provêm de outros animais, mas são de geração espontânea, uns procedem do orvalho que se deposita nas folhas; este é um processo pró- prio da Primavera, mas que muitas vezes ocorre também no Inverno, quando está bom tempo e o vento sopra de sul durante vários dias; outros provêm da vasa ou dos excrementos pútridos; outros, da madeira, ainda ver- de ou já seca; outros, dos pêlos, da carne ou dos excre- mentos dos animais, quer de substâncias já expelidas

ou das que ainda se encontram dentro do corpo do animal, como é o caso dos chamados vermes intes- tinais. Há, entre eles, três variedades: os designados por achatados, os redondos e, em terceiro lugar, as ascárides. Das duas últimas nenhuma outra coisa se origina, só o achatado, que se mantém preso aos in-