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Læring, kunnskap og erfaringsoverføring

3 TEORETISK RAMMEVERK

3.4 Læring, kunnskap og erfaringsoverføring

Alguns dados são importantes de serem destacados na análise da trajetória escolar dos estudantes que fizeram parte da pesquisa. Esses dados também foram retirados do banco de dados da COMPERVE/UFRN, a partir da identificação da matrícula dos estudantes, assim como fizemos com o perfil social, econômico e acadêmico, apresentados anteriormente.

A seguir apresentamos o tipo de escola que cursou o Ensino Fundamental ou equivalente, aonde observamos que boa parte dos estudantes, 367 (47,4%) dos 774 estudantes, cursou todo o Ensino Fundamental em escola pública.

Em relação às escolas privadas, encontramos 268 (34,3%) estudantes que informaram estudar todo o ensino fundamental em escolas privadas, como podemos observar na tabela que segue. Entre estes, 56(17,8%) foram beneficiados com o argumento de inclusão.

Tabela 27: Tipo de escola onde cursou o Ensino Fundamental (ou equivalente) Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão)

Escola particular/outro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública COM beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Não respondeu 2 0,6 2 0,3

Outro tipo de escola 2 0,6 1 0,7 3 0,4

Todo em escola particular

231 72,2 37 26,4 268 34,6

Parte em escola pública, parte em escola

particular

52 16,3 26 18,6 56 17,8 134 17,3

Todo em escola pública 33 10,3 76 54,3 258 82,2 367 47,4

Total 320 100,0 140 100,0 314 100,0 774 100,

0 Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

Como mostramos no capítulo anterior, o argumento de inclusão é concedido para aquele estudante que cursa o último ano do ensino fundamental e todo o ensino médio em escolas públicas. Nesse sentido, a tabela mostra que entre os aprovados no vestibular egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão, não encontramos estudantes que cursaram o ensino fundamental em outro tipo de escola, que não a escola pública.

A seguir, mostramos o tipo de escola que os estudantes cursaram o Ensino Médio, onde constatamos que 454 (58,7%) estudantes cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. Destes, 314 (100%) tiveram o argumento de inclusão e 140 (100%) não precisaram do benefício do argumento de inclusão para serem aprovados no Vestibular. Como vemos na tabela abaixo, os estudantes egressos de escolas privadas não se enquadram na Política de Inclusão Social da UFRN, totalizando 280 (87,5%) que cursaram todo o Ensino Médio em escola particular ou outras, e ainda 35 (4,5%) estudantes que cursaram parte do ensino médio em escolas privadas e parte em escolas públicas.

Tabela 28: Tipo de escola onde cursou o Ensino Médio (ou equivalente) por Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão)

Escola particular/out ro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública COM beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Todo em escola particular 280 87,5 -- -- -- -- 280 36,2 Todo em escola pública -- -- 140 100,0 314 100,0 454 58,7 Parte em escola pública, parte em escola particular 35 10,9 -- -- -- -- 35 4,5

Outro tipo de escola 4 1,3 -- -- -- -- 4 0,5

Não respondeu 1 0,3 -- -- -- -- 1 0,1

Total 320 100,

0

140 100,0 314 100,0 774 100,

0 Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

Sobre o turno em que cursaram o Ensino Médio, os estudantes da pesquisa mostraram uma predominância do turno diurno, totalizando 621 (80,3%) dos 773 estudantes. Destes, observamos que 288 estudantes são egressos de escolas particulares ou outras; 108 são egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 225 são egressos de escolas públicas e foram beneficiados com o argumento de inclusão. Estudando no período noturno, tivemos 75 estudantes, assim como a mesma quantidade estudando parte no período diurno, parte no período noturno.

Entre os 75(9,7%) que estudaram todo o ensino médio no período noturno, temos apenas 7 (2,2%) egressos de escolas privadas; 19 (13,6%) egressos de escolas públicas e 49 (15,7%) egressos de escolas públicas e aprovados com o benefício do argumento de inclusão. Essa situação não é novidade, pois a predominância de cursos regulares no ensino médio é mais comum entre estudantes do ensino médio público, como podemos observar na tabela que segue.

Tabela 29: Turno em que cursou o Ensino Médio (ou equivalente) por Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão)

Escola particular/outro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública COM beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Não respondeu 1 0,3 1 0,3 2 0,3

Parte diurno, parte noturno 24 7,5 13 9,3 38 12,1 75 9,7 Todo diurno 288 90,0 108 77,1 225 71,9 621 80,3 Todo noturno 7 2,2 19 13,6 49 15,7 75 9,7 Total 320 100,0 140 100,0 313 100,0 773 100, 0 Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

De acordo com Sampaio (2009), no âmbito nacional, em 2001 o ensino médio público chegou a ter 57% da sua matrícula no período noturno, enquanto no ensino privado esse percentual era de apenas 14%. Em 2006, apesar da mudança de tendência quanto a essa distribuição, 48% dos alunos da rede pública estavam matriculados no período noturno. Na rede privada, esse percentual caiu para menos da metade do que era em 2001, chegando a somente 6%. Para o autor, isso demonstra uma distorção no atendimento, pois tanto pode ser uma resposta à demanda como um reflexo da precariedade da infraestrutura das redes públicas de ensino, dado que segundo ele, na maioria dos estados, o ensino médio continua “hospedado” nos estabelecimentos de ensino fundamental, fazendo com que muitas escolas só possam oferecer o ensino médio no período noturno.

O CENSO de 2010 revelou o Ensino Médio como responsável pela oferta de 86% da matrícula, ou seja, de 8.337.160, sendo que 5.249.888 dessa matrícula foi diurna, representando 63%, enquanto a matrícula do noturno foi de 3.087.272, representando 37,03%. Se observarmos essa matrícula detalhadamente, podemos constatar uma predominância de matrícula no turno diurno e uma queda no noturno, o que, para Bormann (2012), que desenvolveu um estudo sobre o ensino médio noturno no Rio Grande do Norte, significa que os jovens voltaram a procurar a escola diurna.

Portanto, o ensino médio noturno já não é o responsável pela maioria das matrículas do ensino médio. Entretanto, para a pesquisadora, não podemos esquecer que a realidade que temos é de jovens e de adultos que trabalham de modo formal, informal ou estão em busca de

trabalho, ou seja, esses sujeitos não são prioritariamente estudantes. O fator socioeconômico tem, indiscutivelmente, importante influência nessa situação.

Concordamos com a autora que a realização do Ensino Médio no turno da noite muitas vezes indica um ingresso adiantado no mercado de trabalho por parte dos jovens brasileiros e em muitos casos é por necessidade de complementar a renda familiar ou mesmo para a própria sobrevivência. Outro aspecto a ser ressaltado é a própria concepção que os jovens têm a respeito da escola e do ensino básico. A ideia de terminalidade dos estudos ainda está presente no imaginário de muitos jovens e das próprias famílias, e só começou a mudar a partir das mudanças nas legislações educacionais e reformas, que trazem a ideia de continuidade de estudos em nível superior ou técnico profissionalizantes, além das exigências do mercado de trabalho que buscam cada vez mais trabalhadores qualificados.

No Rio Grande do Norte, conforme explica Bormann (2012), os dados mostrados acima traduzem algumas dificuldades e dilemas que os jovens enfrentam no Ensino Médio, acrescendo-se outros fatores que podem ser identificados como possíveis explicações para a redução das matrículas no ensino médio noturno:

[...] diminuição do número de concluintes do Ensino Fundamental (retenção na série, reprovação ou abandono); distorção idade-série no Ensino Fundamental e Médio; um currículo recheado de disciplinas com conteúdos das mais diversas naturezas; precariedade da formação e do comprometimento didático pedagógico do corpo docente; desvalorização da carreira docente, que gera descompromisso do docente com o ensino, a aprendizagem e o desempenho do estudante; má gestão escolar desfocada do objeto do ensino (o processo de ensino e aprendizagem), entre outros aspectos (BORMANN, 2012, p.58).

A seguir, mostramos o número de matriculados na UFRN nos anos de 2006 a 2010 por turno em que cursou o Ensino Médio, aonde observamos também uma discrepância em relação ao número de estudantes egressos do ensino médio noturno e do ensino médio diurno. Com certeza, o fato de haver mais matrículas no ensino médio diurno do que no noturno, principalmente nas escolas privadas, contribui para o percentual de aprovação ser bem maior entre estudantes egressos do diurno. Além disso, o fato de que muitos estudantes do noturno estão inseridos no mercado de trabalho, formal ou informal, também pode interferir no desempenho dos estudantes no Vestibular, não temos dados suficientes para a realização desta análise, mas é importante trazer a reflexão para ser aprofundada em trabalhos futuros.

Tabela 30: Turno em que cursou o Ensino Médio (ou equivalente) por Matriculados na UFRN entre 2006 e 2010 Variáveis 2006 2007 2008 2009 2010 Total 19663 Todo diurno 3084 3256 3322 4732 5269 Todo noturno 288 302 288 375 435 1688

Parte diurno, parte noturno 430 354 394 505 585 2268

Não respondeu / A variável não existia 65 0 0 0 0 65

Total 3867 3912 4004 5612 6289 23684

Fonte: Observatório da Vida do Estudante Universitário. COMPERVE/UFRN, 2012.

Outro fato importante também de observarmos é que o número de estudantes da UFRN egressos do ensino médio noturno vem crescendo, acompanhando o aumento de estudantes egressos da rede pública, provavelmente em detrimento da Política de Inclusão Social da UFRN implantada nesses anos de 2006 a 2012, já que a maioria desses alunos deve ser egressa da rede pública de ensino. Além da questão da busca por qualificação mesmo por aqueles que já estejam inseridos no mercado de trabalho que também é outro fator importante. Quanto à Modalidade de curso no Ensino Médio, observamos que uma quantidade significativa estudou no ensino médio regular de ensino: 620 dos 773 estudantes, o que equivale a 80,1%. Tivemos ainda, como podemos constatar na tabela abaixo, 28 (3,6%) estudantes que fizeram supletivo no ensino médio, sendo que, destes, nenhum foi beneficiado com o argumento de inclusão, tendo em vista que a Política de Acesso só beneficia estudantes egressos do sistema regular de ensino ou técnico-profissionalizante.

Tabela 31: Modalidade de Curso do Ensino Médio por Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão) Escola particular/ outro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública COM beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Não respondeu 1 0,3 1 0,3 2 0,3 Regular 291 90,9 79 56,4 250 79,6 620 80,1 Supletivo 19 5,9 9 6,4 28 3,6 Técnico- profissionalizante 3 0,9 43 30,7 54 17,2 100 12,9 Magistério 2 0,6 5 3,6 6 1,9 13 1,7 Outro 4 1,3 4 2,9 3 1,0 11 1,4 Total 320 100,0 140 100, 0 314 100,0 774 100, 0 Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

Encontramos ainda na tabela acima 100 (12,9%) estudantes que informaram ter feito curso técnico profissionalizante no Ensino Médio. Destes, como já era de se esperar, apenas 3 (0,9%) estavam entre os que estudaram em escolas particulares ou outras, enquanto que 43 (30,7%) são egressos de escolas públicas, mas sem ter o benefício do argumento de inclusão e 54 (17,2%) são também egressos de escolas públicas e foram beneficiados com o argumento de inclusão. Provavelmente estes últimos são egressos do IFRN.

Sobre o fato de terem frequentado cursinho para prestar vestibular, a pesquisa mostrou que 367 (47,4% do total de 774) informaram não ter frequentado nenhum tipo de cursinho Pré-vestibular. Destes, constatamos que 139 (43,4% deste grupo) são egressos de escolas particulares ou outras; 70 (50% deste grupo) são egressos de escolas públicas, mas não foram beneficiados com o argumento de inclusão; enquanto que 158 (50,3% deste grupo) são egressos de escolas públicas e tiveram a aprovação no vestibular com o argumento de inclusão.

Já entre os que responderam terem feito cursinho na rede particular de ensino, tivemos o total de 240 estudantes (31% do total de 774 da pesquisa). Separando-os por grupos, tivemos os seguintes valores: 104 (32,5%) são egressos de escolas particulares ou outro tipo de escola; 44 (31,4%) são egressos de escola pública sem o benefício do argumento de inclusão; e 92 (29,3%) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

Ainda sobre a frequência ou não em cursinho para prestar vestibular, encontramos estudantes que frequentaram cursinho, mas pela rede pública. Foram totalizados 41 estudantes dentre os 774 da pesquisa (5,3%). Deste valor, observamos que 31 estudantes (9,9% do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão; restando aos demais grupos 9 (6,4%) vindos de escola pública sem o argumento de inclusão; e apenas 1 (0,3% do grupo veio de escola particular ou outra.) Tivemos ainda frequentadores do cursinho da UFRN, totalizando 19 estudantes da pesquisa (2,5% dos 774), sendo 13 (4,1%) egressos de escola pública e beneficiado com o argumento de inclusão; 1 (0,7%) egresso de escola pública sem o benefício do argumento de inclusão; e ainda, 5 (1,6% do grupo) egressos de escolas particulares ou outro tipo de escola.

Houve ainda alguns estudantes que fizeram cursinho e ainda curso específico de matérias isoladas, neste grupo tivemos 22 (2,8%) do total pesquisado. Fazendo apenas curso de matérias isoladas encontramos ainda 83 estudantes (10,7% do total de 774), dentre os quais 56 (17,5% deste grupo) são egressos de escolas particulares ou outras; 13 (9,3% deste grupo) de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 14 (4,5% do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

Tabela 32: Frequência a Cursinho Pré-Vestibular por Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão) Escola particular/outro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública com beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Não respondeu 2 0,6 2 0,3

Não frequentou cursinho

139 43,4 70 50,0 158 50,3 367 47,4

Sim, cursinho da rede particular

104 32,5 44 31,4 92 29,3 240 31,0

Sim, cursinho da rede pública

1 0,3 9 6,4 31 9,9 41 5,3

Sim, cursinho da UFRN

5 1,6 1 0,7 13 4,1 19 2,5

Sim, cursinho e curso de matérias isoladas

13 4,1 3 2,1 6 1,9 22 2,8

Sim, curso de matérias isoladas

56 17,5 13 9,3 14 4,5 83 10,7

Total 320 100,0 140 100,

0 314 100,0 774 100,0

Como escreveu Anísio Teixeira (1968), o aluno aprovado na escola média que se candidata ao vestibular estuda, por sua conta, para o exame, ou tomando professor particular; ou estudando por si, ou matriculando-se em algum dos cursinhos que são ‘cursos de treinamento especial para o exame’. Os cursinhos pré-vestibulares se popularizaram nas décadas de 1960 e 1970, e segundo Ribeiro (citado em Bacchetto, 2003), o surgimento dos mesmos está associado ao grande número de candidatos ao Ensino Superior e ao aumento de dificuldade das provas.

Pelas pesquisas que realizamos, existem poucos estudos que abordam essa temática dos cursinhos. Os motivos vão desde o fato de eles não pertencerem ao sistema oficial de ensino e não serem objeto de políticas por parte do Estado; de não serem ponto terminal de nenhuma etapa educacional, e nem mesmo de preparação para outra, preparam apenas para o processo seletivo; de não credenciarem para o mercado de trabalho e não oferecerem certificado; e, ainda, de não terem fiscalização ou controle por parte do Estado.

De toda forma, a manutenção e popularização dos cursinhos revelam uma dificuldade e precariedade no sistema de educação básica, de forma que em muitos casos, os estudantes procuram os cursinhos ou algum tipo de reforço escolar antes mesmo de concluir o ensino médio. Quando na verdade, a ideia que se tinha inicialmente era que os cursinhos tinham o objetivo de “revisar” as matérias estudadas ao longo da educação básica, de forma que o estudante que não era aprovado no Vestibular e tinha interesse em ingressar numa universidade, no ano seguinte, matriculava-se em um cursinho para se preparar melhor para as provas do processo seletivo.

O fato é que os cursinhos se transformaram em um comércio lucrativo que, com o aumento da demanda pelo ensino superior nas últimas décadas, onde cada vez mais estudantes buscam uma vaga nas universidades, sobretudo públicas, os cursinhos pré-vestibulares acabaram se tornando, para muitos estudantes, quase que a única forma de se conquistar um espaço nas universidades públicas. No caso dos estudantes egressos de escolas públicas, o cursinho, seja ele popular ou privado, é uma alternativa para “compensar” os déficits deixados pela escola pública, seja por falta de professores ou por quaisquer outros motivos. Enquanto para os estudantes egressos das escolas privadas, o cursinho é visto como um “reforço” escolar ou “revisão” para os conteúdos nos quais os alunos têm mais dificuldades.

Já os cursinhos pré-vestibulares populares, também chamados alternativos ou comunitários, fazem parte de iniciativas coletivas pela democratização do ensino no país. Seu

surgimento e ampliação, no Brasil, estão diretamente relacionados à problemática das desigualdades de acesso ao Ensino Superior, especialmente da rede pública - que ganharam maior visibilidade com a quase universalização do Ensino Fundamental e a ampliação do Ensino Médio, como explica Zago (2009).

No Rio Grande do Norte, temos diversas iniciativas de pré-vestibulares populares, como é o caso do Cursinho do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFRN, voltado para estudantes da rede pública, onde os estudantes pagam somente uma tarifa simbólica para ajudar na confecção do material, e os professores são os próprios estudantes da UFRN. Além deste, entramos em contato com a Subcoordenadora de Ensino Médio da Secretaria Estadual de Educação do RN (SEEC RN) e ao solicitarmos informações sobre os cursinhos populares descobrimos 44 escolas estaduais no Estado que oferecem algum tipo de cursinho e/ou aulões pré-vestibulares e ENEM no ano de 2012. Alguns deles são iniciativas da própria escola e dos professores, enquanto outros desenvolvem parcerias com outras instituições como a UFRN, a UFERSA, o IFRN, e a Prefeitura. Os dados que seguem mostram a frequência a cursinho por estudantes matriculados na UFRN entre os anos de 2005 a 2010, onde observamos a frequência a cursinhos da rede pública, que passou de 65 estudantes em 2005 para 230 em 2010.

Tabela 33: Frequência ou não a Cursinho nos Matriculados dos Anos 2005 a 2010 da UFRN

Variáveis 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Total

11922

Não 1597 1498 1651 1647 2552 2977

Sim, cursinho da rede particular 1391 1451 1417 1493 1923 2079 9754 Sim, cursinho da rede pública 65 92 150 87 154 230 778 Sim, curso de matérias isoladas 450 578 542 595 753 706 3624 Sim, cursinho e curso de matérias

isoladas

234 199 152 140 174 170 1069 Não respondeu / A variável não

existia 19 49 0 0 0 0 68

Total 3756 3867 3912 3962 5556 6162 27215

Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

Também observamos na tabela acima que boa parte dos estudantes faz cursinho da rede privada para prestar o vestibular, totalizando 9754 estudantes, sem contar que os cursinhos de matérias isoladas, frequentados por 3.624 estudantes, também se constituem, em

sua maioria, cursinhos da rede privada. Além desses, ainda contabilizamos 1069 estudantes que informaram frequentar tanto cursinho como curso de matérias isoladas.

O motivo da escolha da primeira opção de curso no vestibular foi outro aspecto analisado. Essa questão também faz parte do questionário socioeconômico da COMPERVE/UFRN, que os estudantes preenchem quando vão fazer a inscrição no vestibular. As opções de respostas no questionário são as seguintes: baixa concorrência às vagas, necessidade de promoção no trabalho, oferta de mercado de trabalho, possibilidade de sucesso financeiro, prestígio social da profissão e vocação.

O maior percentual de respostas foi a vocação, totalizando 410 (53%) estudantes. Destes, 170 (53,1% deste grupo) foram alunos de escolas particulares ou outro tipo; enquanto 73 (52,1% deste grupo) são egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 167 (53,2 % do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

Em segundo lugar no ranking de respostas vem a oferta de mercado de trabalho com 135 (17,4%) estudantes. Dos quais, 57 (17,8% deste grupo) são egressos de escolas particulares ou outro tipo; 21 (15% do grupo) são egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 57 (18,2 % do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

Em seguida, vem a possibilidade de sucesso financeiro com 88 (11,4%) estudantes, sendo 37 (11,6% deste grupo) egressos de escolas particulares ou outro tipo; 15 (10,7% do grupo) egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 36 (11,5% do grupo) egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

A baixa concorrência do curso, observamos o total de 21 (2,7%) estudantes, divididas entre 7 (2,2% deste grupo) que estudaram em escolas particulares ou outro tipo; 4 (2,9% do grupo) são egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 10 (3,2% do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão. O prestígio social da profissão foi uma alternativa marcada por apenas 18 (2,3%) estudantes. E tivemos ainda 94 (12,1%) estudantes que marcaram a opção outro motivo para a sua primeira opção de curso no vestibular, como podemos observar na tabela que segue.

Tabela 34: Motivo de sua 1ª opção por Tipo de Aprovação no Vestibular (Argumento de Inclusão) Escola particular/outro tipo de escola Escola pública SEM beneficio do AI Escola pública COM beneficio do AI Total

Freq. %C Freq. %C Freq. %C Freq. %C

Não respondeu 1 0,3 1 0,1 Baixa concorrência às vagas 7 2,2 4 2,9 10 3,2 21 2,7 Necessidade de promoção no trabalho 2 0,6 3 2,1 2 0,6 7 0,9 Oferta de mercado de trabalho 57 17,8 21 15,0 57 18,2 135 17,4 Possibilidade de sucesso financeiro 37 11,6 15 10,7 36 11,5 88 11,4 Prestígio social da profissão 5 1,6 4 2,9 9 2,9 18 2,3 Vocação 170 53,1 73 52,1 167 53,2 410 53,0 Outro 41 12,8 20 14,3 33 10,5 94 12,1 Total 320 100 140 100 314 100 774 100

Fonte: Levantamento de Dados Primário, Agosto/2012.

Em relação à distribuição dos estudantes por forma de ingresso no vestibular, essa distribuição foi uniforme, pois não constatamos diferenças significativas entre as alternativas de respostas e percentuais. É válido destacar que a vocação como uma das opções mais indicadas, não somente para os egressos de escolas privadas, mas também para os de escolas públicas, é um fato importante de ser considerado, tendo em vista que muitos estudantes, principalmente egressos de escolas públicas, procuram os cursos superiores muito mais pela baixa concorrência às vagas do que pela própria vocação. A oferta no mercado de trabalho é também uma alternativa importante de ser considerada, com o segundo maior percentual tanto entre estudantes egressos de escolas públicas, como das privadas.

Outro item pesquisado foi o que espera da formação superior. A respeito disso, a formação adequada foi a alternativa mais indicada entre os estudantes, totalizando 318 (41,1%). Destes, 143 (44,7% deste grupo) são egressos de escolas particulares ou outro tipo; 54 (38,6% do grupo) são egressos de escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de

inclusão; e 121 (38,5% do grupo) são egressos de escolas públicas com o benefício do argumento de inclusão.

Já 206 estudantes (26,6%) responderam que esperam da formação superior a ampliação de seus conhecimentos. Observamos nessa resposta que 80 (25% deste grupo) são egressos de escolas particulares ou outro tipo; 39 (27,9% do grupo) estudaram em escolas públicas, mas sem o benefício do argumento de inclusão; e 87 (27,7 % do grupo) são egressos